Fevereiro 19, 2012

Livro de Ester, 4, 15-16

De novo mandou Ester dizer a Mardoqueu estas palavras: Vai e junta todos os Judeus, que achares em Susa, e orai todos por mim. Não comais nem bebais durante três dias e três noites, e eu jejuarei da mesma sorte com as minhas servas; depois disto irei ter com o rei, embora contra a lei, sem ser chamada; se dever morrer, morrerei. (4, 15—16)


Bíblia Sagrada, Antigo Trestamento, vol. II,
Versão segundo os textos originais, pelo
Padre Matos Soares, Tipografia Alberto de Oliveira, Lda.,
Imprimatur Portucale, die 7 Octubris 1955,
Antonius, Ep. Portucalensis

«depois disto irei ter com o rei, [ ] sem ser chamada;
se dever morrer,
morrerei»

Fevereiro 18, 2012

Livro de Ester, 4-1; 3; 4-8; 9-14

Mardoqueu, tendo sabido isto, rasgou as suas vestes, vestiu-se de saco, cobrindo a cabeça de cinza; depois percorreu a cidade, soltando grandes gritos de dor. (4, 1)

Em todas as províncias, cidades e lugares [ ] era grande a consternação entre os Judeus: jejuavam, choravam, lamentavam-se, utilizando, muitos deles, para seu leito, saco e cinza. (4, 3)

As criadas de Ester e os eunucos entraram a dar-lhe a notícia (do que Mardoqueu fazia). [ ] Ester, chamando o eunuco Atac, [ ], mandou-lhe que fosse ter com Mardoqueu [ ] Este [ ] Deu-lhe [ ] uma cópia do edito, que estava afixado em Susa, respeitante à sua exterminação, e para a exortar a que fosse apresentar-se ao rei e intercedesse pelo seu povo, (4, 4—8)

Atac veio referir a Ester tudo o que Mardoqueu lhe tinha dito. Ela ordenou-lhe que dissesse a mardoqueu: Todos os servos do rei e todas as províncias que estão debaixo do seu domínio sabem que se alguém, homem ou mulher, entrar, sem ser chamado, na câmara do rei, no mesmo ponto, sem remissão alguma, é morto, excepto se o rei estender para ele o seu ceptro de ouro, em sinal de clemência, e lhe salvar assim a vida. Como poderei eu, pois, ir ter com o rei, quando já já trinta dias que ele me não chama para junto de si?
(4, 9—11)

Mardoqueu, tendo ouvido isto, mandou novamente dizer a Ester: Não te persuadas que, por estares na casa do rei, escaparás à morte, tu só, entre todos os Judeus; com efeito, se tu agora te calares, por outro caminho se salvarão os Judeus, mas tu e a casa de teu pai perecereis. E quem sabe se porventura foste elevada a rainha, para que estivesses pronta em tal conjuntura?
(4, 12—14)


Bíblia Sagrada, Antigo Trestamento, vol. II,
Versão segundo os textos originais, pelo
Padre Matos Soares, Tipografia Alberto de Oliveira, Lda.,
Imprimatur Portucale, die 7 Octubris 1955,
Antonius, Ep. Portucalensis

Esther and Mordecai, Aert de Gelder, 1685
«Não te persuadas que, por estares na casa do rei,
escaparás à morte, tu só, entre todos os Judeus»

Fevereiro 17, 2012

Livro de Ester, 3, 5-6; 8-11

Aman ao ver que Mardoqueu não dobrava os joelhos nem se prostrava diante dele concebeu grande ira; porém [ ], porque tinha ouvido dizer que era judeu de nação, quis antes acabar com todo o povo de (que era filho) Mardoqueu, com todos os judeus que viviam no reino de Assuero.
(3, 5—6)

Então Aman disse ao rei Assuero: Há um povo disperso por todas as províncias do teu reino, que vive separado de todos os outros, que pratica novas leis e cerimónias, e que, além disso, despreza as ordens do rei. Não é do interesse do rei deixar essa gente em sossego. Se te apraz, ordena a sua perda, e eu pesarei aos tesoureiros do teu erário dez mil talentos (provenientes da confiscação dos bens dos judeus). Então o rei tirou do seu dedo o anel que costumava trazer, e deu-o a Aman, filho de Amadati, da linhagem de Agag, inimigo dos Judeus, e disse-lhe: O dinheiro que prometes seja teu, e relativamente ao povo faz o que quiseres. (3, 8—11)


Bíblia Sagrada, Antigo Trestamento, vol. II,
Versão segundo os textos originais, pelo
Padre Matos Soares, Tipografia Alberto de Oliveira, Lda.,
Imprimatur Portucale, die 7 Octubris 1955,
Antonius, Ep. Portucalensis

«Então Aman disse ao rei Assuero: Há um povo disperso
por todas as províncias do teu reino, que vive separado
de todos os outros, que pratica novas leis e cerimónias,
e que, além disso, despreza as ordens do rei.»

Fevereiro 16, 2012

Livro de Ester, 2, 21-23; 3, 1-2

Naquele tempo, pois, em que Mardoqueu estava à porta do rei, mostraram-se mal contentes [ ] dois eunucos do rei, que eram porteiros, [ ] e intentaram levantar-se contra o rei e matá-lo. Isto foi sabido por Mardoqueu, o qual imediatamente deu parte à rainha Ester, e ela ao rei em nome de Mardoqueu [ ].Fizeram-se as as investigações, e averiguou-se ser verdade; ambos foram pendurados numa forca. [ ] (2, 21—23)

Depois destes acontecimentos, o rei Assuero exaltou Aman, filho de Amadati, que era da linhagem de Agag, e pôs o seu assento sobre todos os grandes que o cercavam. Todos os servos do rei, que estavam à porta do palácio dobravam os joelhos, prostravam-se diante de Aman, porque assim lhes tinha ordenado o imperador; só Mardoqueu não dobrava os joelhos nem se prostrava diante dele (por considerar isto um acto de idolatria). (3, 1—2)



Bíblia Sagrada, Antigo Trestamento, vol. II,
Versão segundo os textos originais, pelo
Padre Matos Soares, Tipografia Alberto de Oliveira, Lda.,
Imprimatur Portucale, die 7 Octubris 1955,
Antonius, Ep. Portucalensis

Jean-François de TROY, Le Dédain de Mardochée envers Aman 1740
«só Mardoqueu não dobrava os joelhos nem se prostrava diante dele»

Fevereiro 15, 2012

Livro de Ester, 2, 10-17

Ester não lhe quis descobrir de que terra, nem de que nação era, porque Mardoqueu tinha-lhe ordenado que guardasse nisso um grande segredo. (2, 10)

Passado, pois, um certo tempo, estava já próximo o dia em que devia ser apresentada ao rei Ester, filha de Abiail, tio de Mardoqueu, a qual este tinha adoptado por filha. (2, 15)

Foi, pois, levada à câmara do rei Assuero no décimo mês, chamado Tebet, no sétimo ano do seu reinado. O rei amou-a mais do que a todas as outras mulheres, e ela achou graça e favor diante dele, mais que todas as mulheres; pôs-lhe sobre a cabeça a coroa real e constituiu-a rainha no lugar de Vasti. (2, 16—17)

Bíblia Sagrada, Antigo Trestamento, vol. II,
Versão segundo os textos originais, pelo
Padre Matos Soares, Tipografia Alberto de Oliveira, Lda.,
Imprimatur Portucale, die 7 Octubris 1955,
Antonius, Ep. Portucalensis

«O rei amou-a mais do que a todas as outras mulheres,
e ela achou graça e favor diante dele»

Fevereiro 14, 2012

Livro de Ester, 2, 1-9

Passadas assim estas, quando a ira do rei estava já aplacada, lembrou-se ele de Vasti, do que ela tinha feito e do que tinha sofrido (2, 1)

Então os servos do rei e os seus ministros disseram: enviem-se por todas as províncias pessoas, que escolham donzelas formosas e virgens [ ] e tragam-nas à cidade de Susa; ponham-se na casa das mulheres, sob o cuidado do eunuco Egeu, que está encarregado de guardar as mulheres do rei, e aprontem-se-lhe todos os seus atavios e tudo o necessário para o seu uso. Aquela que entre todas mais agradar aos olhos do rei, essa será rainha em lugar de Vasti. Agradou este parecer ao rei, e mandou-lhes que fizessem conforme tinham aconselhado. (2, 2—4)

Havia na cidade de Susa um homem judeu, chamado Mardoqueu, filho de Jair [ ], da linhagem de Benjamim, o qual tinha sido deportado de Jerusalém naquele tempo em que Nabucodonosor, rei da Babilónia, tinha feito levar para esta cidade a Jeconias, rei de Judá. Tinha ele criado Edissa, filha de seu irmão, chamada por outro nome Ester, órfã de pai e mãe; era em extremo formosa e de aspecto gracioso. Depois do falecimento de seu pai e sua mãe, Mardoqueu tinha-a adoptado por filha. (2, 5—7)

Tendo-se, pois, publicado por toda a parte o mandato do rei, e levando-se a Susa, segundo a sua ordem, muitas donzelas formosíssimas [ ], levaram-lhe também Ester entre as outras donzelas, para ser guardada com as mulheres. Ela agradou-lhe e achou graça aos seus olhos. Ele apressou-se a dar-lhe o necessário ao seu adorno e subsistência, assim como sete donzelas das de melhor parecer da casa do rei (para a servirem), e mandou-a com elas para o melhor aposento da casa das mulheres. (2, 8—9)





Bíblia Sagrada, Antigo Trestamento, vol. II,
Versão segundo os textos originais, pelo
Padre Matos Soares, Tipografia Alberto de Oliveira, Lda.,
Imprimatur Portucale, die 7 Octubris 1955,
Antonius, Ep. Portucalensis

Theodore Chasseriau, La Toilette d'Esther (1841)
«Ele apressou-se a dar-lhe o necessário ao seu adorno e subsistência,
assim como sete donzelas das de melhor parecer da casa do rei»

Fevereiro 13, 2012

Livro de Ester,1, 13-22

O rei, irado com isto, todo transportado em furor, consultou os sábios, que andavam sempre junto dele, conforme o uso de todos os reis, e por cujo conselho fazia todas as coisas, pois conheciam as leis e costumes dos maiores. (1, 13)

(Perguntou-lhes, pois, o rei) a que pena estava sujeita a rainha Vasti, por não ter obedecido à ordem que o rei Assuero lhe tinha intimado por meio dos eunucos. (1, 15)

Mamucan respondeu em presença do rei e dos grandes: A rainha Vasti não somente ofendeu o rei , mas também todos os povos e todos os príncipes que há por todas as províncias do rei Assuero. Com efeito, o que a rainha fez chegará ao conhecimento de todas as mulheres, as quais serão assim levadas a desprezar os seus maridos e dirão: O rei Assuero mandou ir a rainha Vasti à sua presença, mas ela não foi. (1, 16—17)

De hoje em diante, as princesas da Pérsia e da Média, conhecendo o que a rainha fez, citarão isso mesmo a todos os grandes do rei, donde resultará muito desprezo e cólera. Se é, pois, do teu agrado publique-se por tua ordem um edito, e escreva-se conforme a lei dos Persas e Medos, (a qual não é permitido violar) que a rainha Vasti não torne a entrar jamais à presença do rei, e que a sua dignidade de rainha seja recebida por outra mais digna do que ela. Quando isto for publicado por todas as províncias do seu império (que é vastíssimo), todas as mulheres, tanto dos grandes como dos pequenos, honrarão os seus maridos. (1, 18—20)

Pareceu bem este conselho ao rei e aos grandes, e o rei procedeu segundo o conselho de Mamucan. Enviou cartas a todas as províncias do seu reino, a cada uma, conforme os seus caracteres, e a cada povo, conforme a sua língua, dizendo que os maridos são os senhores e os superiores em suas casas, e (mandando) que isto se publicasse por todos os povos. (1, 21—22)



Bíblia Sagrada, Antigo Trestamento, vol. II,
Versão segundo os textos originais, pelo
Padre Matos Soares, Tipografia Alberto de Oliveira, Lda.,
Imprimatur Portucale, die 7 Octubris 1955,
Antonius, Ep. Portucalensis

'Vashti Deposed' by Ernest Normand, 1890

«que a rainha Vasti não torne a entrar jamais à presença do rei,
e que a sua dignidade de rainha seja recebida por outra mais digna do que ela.»

Fevereiro 12, 2012

Livro de Ester, 1, 9-12

A rainha Vasti também deu um banquete às mulheres, no palácio em que o rei Assuero costumava residir. Ao sétimo dia, o rei, quando estava mais alegre pelo calor do vinho, que tinha bebido com excesso ordenou [aos eunucos] que introduzissem à presença do rei a rainha Vasti, com o seu diadema na cabeça, para que todos os seus povos e grandes da corte vissem a sua beleza, porque era em extremo formosa. Ela, porém, recusou-se a obedecer à ordem do rei transmitida pelos eunucos. (1, 9—12)


Bíblia Sagrada, Antigo Trestamento, vol. II,
Versão segundo os textos originais, pelo
Padre Matos Soares, Tipografia Alberto de Oliveira, Lda.,
Imprimatur Portucale, die 7 Octubris 1955,
Antonius, Ep. Portucalensis

«para que todos os seus povos e grandes
da corte vissem a sua beleza, porque
era em extremo formosa»

Fevereiro 11, 2012

Livro de Ester (1, 5; 7)

Estando a terminar os dias do festim, convidou todo o povo, que se encontrava em Susa, desde o maior até o menor, e ordenou que, durante sete dias, se preparasse um banquete no átrio do jardim do palácio real (1, 5)

Os convidados bebiam por vasos de ouro, de diferentes formas. O vinho era servido em abundância, graças à liberalidade do rei. Ninguém constrangia a beber os que não queriam, antes tinha ordenado o rei aos da sua corte que deixassem cada um tomar o que quisesse. (1, 7)


Bíblia Sagrada, Antigo Trestamento, vol. II,
Versão segundo os textos originais, pelo
Padre Matos Soares, Tipografia Alberto de Oliveira, Lda.,
Imprimatur Portucale, die 7 Octubris 1955,
Antonius, Ep. Portucalensis

convidou todo o povo, que se encontrava
em Susa, desde o maior até o menor»

Fevereiro 10, 2012

Livro de Ester (1, 1—3)

No tempo de Assuero (1), que reinou desde a Índia até à Etiópia sobre cento e vinte e sete províncias, quando ele se sentou no trono do seu reino, era a cidade de Susa a capital do seu império. Ora, no ano terceiro do seu império ofereceu um grande festim, a todos os seus príncipes e a todos os seus ministros. (1, 1—3)


(1) Assuero, do Livro Ester do Antigo Testamento, foi o rei persa Xerxes I (c. 519-c. 466 a.C.), filho de Dario e Atossa, filha de Ciro


Bíblia Sagrada, Antigo Trestamento, vol. II,
Versão segundo os textos originais,
pelo
Padre Matos Soares, Tipografia Alberto de Oliveira, Lda.,
Imprimatur Portucale, die 7 Octubris 1955,
Antonius, Ep. Portucalensis


Xerxes (c.519- 465 a.C.)

«… que reinou desde a Índia até à Etiópia sobre cento e vinte e sete províncias»

Fevereiro 02, 2012


«O saber perene reconhece em cada forma
a representação de um significado,
a manifestação de um conteúdo,
a dedução de um princípio.»



Orlando Vitorino, Refutação da filosofia triunfante,
in "A Fenomenologia do Mal e outros ensaios filosóficos",

Lisboa, INCM, 2010, p.420

Fevereiro 01, 2012



"A política é a arte de criar rebanhos de animais
que não são nem aquáticos nem aéreos mas terrestres,
que não são cornúpetos mas sem cornos, que não são
quadrúpedes mas bípedes, que não são plumados mas
têm a pele nua. A política é a arte de criar
rebanhos de bípedes implumes"


Platão, O Político, 265-268, cit. por
Orlando Vitorino, A Fenomenologia do Mal,
Lisboa, INCM, 2010, p.426

Janeiro 27, 2012



Meia Palavra,
Susana Félix

Tudo aquilo que queres ouvir
já to disseram com muito mais sal
é tempo de poderes descobrir
quanto é que o silêncio vale

Escuta cada entrelinha
está lá tudo o que há para dizer
põe a tua mão na minha
e ouve o marfim a correr

Meia palavra basta para falar de amor
palavra e meia é muito, sê bom entendedor
sê bom, sê bom entendedor,
sê bom, sê bom entendedor
meia palavra basta para falar de amor
palavra e meia é muito sê bom entendedor
sê bom, sê bom entendedor, sê bom...

Não sejas um filme tão espesso
com mil voltas para ir daqui ali
eu quero virar-te do avesso
e ler o que de melhor há em ti

Procura um sinal em cada olhar
a química não sabe mentir
deixa o silêncio falar
está lá tudo o que é preciso ouvir

Meia palavra basta para falar de amor
palavra e meia é muito sê bom entendedor
sê bom, sê bom entendedor,
sê bom, sê bom entendedor
meia palavra basta para falar de amor
palavra e meia é muito sê bom entendedor
sê bom, sê bom entendedor,
sê bom, sê bom entendedor

Não sejas delicodoce nem piegas
o amor avança sempre às cegas
ele sabe o caminho, deixa-o andar
não fales muito para não o assustar

Meia palavra basta para falar de amor
palavra e meia é muito sê bom entendedor
sê bom, sê bom entendedor,
sê bom, sê bom entendedor

Janeiro 15, 2012



«Os jornais são o ponteiro dos segundos da história.
Esse ponteiro, no entanto, não só é geralmente
de metal inferior ao dos outros dois [o dos
minutos, os factos históricos; o das horas, a
filosofia ou espírito do tempo] como
raramente trabalha bem.

Os chamados «artigos de fundo»
são o coro das tragédias dos factos correntes.
O exagero em todos os sentidos é essencial,
tanto nos jornais como nos dramas:
porque a questão principal reside em tirar
o máximo partido de cada ocorrência.

Por isso, todos os jornalistas são,
em virtude da sua profissão,
alarmistas: é a forma
que têm de tornar
as coisas interessantes.

O que realmente fazem, no entanto,
é assemelharem-se aos cachorros
que, logo que vêm alguma coisa a mexer,
desatam a ladrar.

É necessário, por isso, não prestarmos
grande atenção aos seus alarmes
e apercebermo-nos, em geral,
de que o jornal é uma lente
de aumentar, e isso no
melhor dos casos,
porque,
muito frequentemente,
não passa de um jogo de sombras na parede.»



Arthur Schopenhauer, Aforismos
Public.Europa-América, Lisboa 1998, pp.110-111

Janeiro 11, 2012


David Downton, img in Modus Vivendi


«Coincide comigo a sequência perfeita do que ainda
não existe»



Sandra Costa, Sob a luz do mar,
Campo das Letras, Porto 2002, p. 66

Janeiro 10, 2012



«A arte de não ler é muito importante.
Consiste em não sentir interesse algum por
aquilo que está a atrair a atenção do público
........................[numa determinada altura.

Quando um panfleto político ou eclesiástico,
um romance ou um poema estão a causar grande sensação,
não devemos esquecer-nos de que quem escreve para tolos
tem sempre grande público. Uma condição prévia para
ler bons livros é não ler os maus:
— a nossa vida é curta.»

Arthur Schopenhauer, Aforismos
Public.Europa-América, Lisboa 1998

Janeiro 09, 2012


Emprego da tração animal em ferrovias

«O maior benefício conferido pelos caminhos-de-ferro
é poupar milhões de cavalos de tracção
à sua miserável existência.»


Arthur Schopenhauer, op.cit.

Janeiro 08, 2012



Revelação. As efémeras gerações humanas nascem e
passam em rápida sucessão; os indivíduos,
oprimidos pelo medo, as carências
e os desgostos, vêm a cair
nos braços da morte.

Enquanto o fazem, nunca se cansam de perguntar
o que os atormenta e o que significa toda aquela tragicomédia.
Suplicam ao Céu uma resposta, mas o Céu permanece silencioso.
Em vez de uma voz do Céu, vêm os padres com revelações.

Arthur Schopenhauer, Aforismos
Public.Europa-América, Lisboa 1998

Janeiro 07, 2012



«Ter esperança é confundir
o desejo de uma coisa com
a sua probabilidade.»



Arthur Schopenhauer, Aforismos
Public.Europa-América, Lisboa 1998

Janeiro 05, 2012


Paul Laurenzi, imagem in Modus Vivendi

Amorosas esquivanças

Ditoso seja aquele que somente
Se queixa de amorosas esquivanças;
Pois por elas não perde as esperanças
De poder nalgum tempo ser contente.


Luís de Camões

Janeiro 01, 2012


Paul Laurenzi, imagem in Modus Vivendi

«Não é o medo da loucura que nos vai
obrigar a hastear a meio-pau
a bandeira da imaginação.»

André Breton, Manifesto do Surrealismo (1924)

Dezembro 30, 2011


«Qu'est-ce tout cela qui n'est pas universelle?» :)

Notável ensaio de Raymond Aron (1905-1983),
datado de 1954, antes da destalinização
de Khrushchev, do Tratado de Roma,
da descolonização da Argélia,
da Vª República de Gaulle!

Um manifesto desassombrado
contra o narcótico religioso
da esquerda comunista militante,
denunciando-lhe a ilusão utópica
em que se debate ou, franqueado
o limiar da militância,
o sacrifício do livre
e independente
julgamento
da razão.

Dezembro 22, 2011



Principiamos onde o outro acaba
pois um ao outro
ofercemos mais
que a verdade consentida a cada um,
a vida inteira descobrindo
nossa
no mistério paralelo revelado.


Helder Macedo, Poemas Novos e Velhos,
Editorial Presença, Lisboa 2011

Dezembro 21, 2011



Quebrado o espelho
resta ainda a face
impessoal e exacta
a desvendar

Quebrado o espelho
estamos face a face
mais um do outro
do que de nós mesmos.

Quebrado o espelho
meu amor
busquemos
tanto um no outro

que se reconstrua
dos nossos corpos
contra a morte erguidos
a essência mortal que os definiu.

Helder Macedo, Poemas Novos e Velhos,
Editorial Presença, Lisboa 2011

Dezembro 20, 2011



Não disse tudo
ainda.
Nem nunca poderia com palavras
libertar
o fogo original
que tenho a revelar
em ti.

Comigo morrerá o fogo eterno
que me cabe
morrendo o tempo e o espaço do meu corpo
que deu à morte a forma exacta
e obscura
de um destino.

Mas não há palavras para falar da morte
nem da morte há palavras para ouvir
salvo o grito gelado
que enclausurou o tempo
em prazos de uma vida.

As palavras da morte somos nós
és tu e eu
meu solitário amor
altivos no pavor do seu grito de comando.

Helder Macedo, Poemas Novos e Velhos,
Editorial Presença, Lisboa 2011

Dezembro 19, 2011

Dezembro 18, 2011

O acólito

Destak — 14.12.2011
“Coluna Vertical” — José Luís Seixas, Advogado



Não há conferência de imprensa ou comunicação pública convocada pelo Banco Central Europeu em que o Dr. Victor Constâncio não figure na mesa ladeando o Presidente. Assemelha-se a um adereço obrigatório, como os ramos de cravos nas cerimónias do 25 de Abril. Ou, numa outra perspectiva, a um acólito que marca a sua presença na cerimónia litúrgica sem, porém, nela participar, nem sequer para entoar os salmos. Não ouso comparar o Dr. Victor Constâncio a um cravo ou mesmo a uma flor. Pelo que prefiro equivalê-lo à figura respeitável do acólito., De qualquer forma, julgo que todos ficamos um pouco espantados com esta sua persistente aparição. É muito recente a memória da sua governação do Banco de Portugal, das omissões no acompanhamento do BPN e do BPP, na fiscalização da actividade finanaceira, designadamente nas práticas de concessão de crédito, no controlo da dívida pública e no crescimento demencial do endividamento do Estado. Integra, em lugar de destaque, a galeria dos maiores responsáveis da situação a que chegámos que nos custa o presente e compromete o futuro. Por isso, se foram os mandatos do Dr. Constâncio à frente do Banco de Portugal que o alcandoraram a segunda figura do BCE estamos bem tramados. É que, como diz o Povo, “pela montra se vê a loja”. Resta a esperança de que a sua função seja, realmente, de acólito. Arrogante e sobranceiro embora, como é da sua idiossincracia. Mas com isto todos podemos bem.

Dezembro 17, 2011

Acerca da oferta pública do BPN ao BCI

Destak — 14.12.2011
Cartas do Leitor — JosÉ Amaral, V.N. Gaia





Após o elevadíssimo sorvedouro público para manter em funcionamento o BPN — Banco para alguns Nabos —, sem que qualquer administrador fosse obrigado a repor o que tivera desviado em proveito próprio, ou beneficiado amigalhaços nessas dolosas negociatas, ou ainda desbaratando muitos milhões em loucuras de verdadeira sumptuosidade, sem sequer irem parar à prisão, o Estado, segundo novas notícias vindas a lume e que são altamente lesivas e sempre ultrajantes, lá vai dá-lo por 40 milhões de euros, repartidos em quatro suaves prestações , ao BCI — Banco Comprador de Insolvências Fictícias —, em que, para cúmulo do admissível, o Estado ainda é obrigado a injectar no abismo de tal buraco negro a módica quantía de 500 milhões de euros e ficar obrigado a receber no seu seio social metade dos trabalhadores.

E é por causa de iguais negociatas e roubos de igual jaez, dirimidos por dragonados estrategos pagos a peso de ouro e intocáveis a tudo que de mal têm engendrado, que Portugal está mergulhado na maior e mais nefasta encruzilhada de toda a sua honrosa e heróica História multissecular. E o mais exótico desta e outras palhaçadas é o interlocutor, metido na compra/venda/BCI/Estado/BPN, ser o reformado mais bem pago de Portugal.

Dezembro 08, 2011


«Ora, estando Josué nos arredores da cidade de Jericó,
levantou os olhos e viu diante de si um homem em pé,
que tinha uma espada desembaínhada; foi ter com ele
e disse-lhe: Tu és dos nossos ou dos inimigos?»

Livro de Josué, 5, 13

Dezembro 03, 2011



«Geração significa
passagem ou transição
de um extremo a outro;
por isso dizemos que o erro
é como uma transição ou decepção.»


(Aristóteles)