setembro 29, 2007




«Every body that moves in a circle
(e.g,, a stone in a sling) is continuously
determined to continue in motion
at a tangent to that circle.»


Spinoza, Principles of Cartesian Philosohy (1663),
Hackett Publishing Company, Inc,
Indianapolis/Cambridge, 1998,
Part II, prop. 16

setembro 23, 2007

Descartes

Da Admiração. Sua definição e causa

A Admiração é uma súbita surpresa da alma, que a dispõe a considerar com atenção os objectos que lhe parecem raros e extraordinários. Ela tem como causa, em primeiro lugar, a impressão que se tem no cérebro, e que representa o objecto como raro, e digno por consequência de ser muito considerado; em seguida o movimento dos espíritos, que tendem com grande força, em virtude dessa impressão para a zona do cérebro onde ela existe, para a fortalecerem e conservarem; como também são dispostos por ela a passarem daí aos músculos, que servem para manter os orgãos dos sentidos na situação em que se encontram, a fim de a manterem, se foi por eles que ela se formou.

Descartes, Tratado das paixões da alma, artigo LXX

agosto 06, 2007

«A alegria (laetitia) é a passagem do homem de uma perfeição menor para uma maior. A tristeza (tristitia) é a passagem do homem de uma perfeição maior para uma menor.»

Espinosa, Ética, III - Definição das Afecções

agosto 05, 2007

Descartes



A Alegria e a Tristeza

E a consideração do bem presente provoca a Alegria,
a do mal a Tristeza, quando é um bem ou um mal
que se nos apresenta como nosso.

Descartes, Tratado das paixões da alma, artigo LXI

junho 13, 2007



«A façanha capitalista não consiste, tipicamente, em fornecer meias de seda para as rainhas, mas em pô-las ao alcance das raparigas das fábricas, em troca de uma quantidade de esforço cada vez menor.»


Schumpeter, cit. in O que é a economia?
de J. César das Neves, Estoril, Principia, 2006, p.124

junho 07, 2007



«A certeza de poder trocar todo o excedente daquilo
que produz com o seu próprio trabalho e que vai além
do seu próprio consumo pelas coisas de que necessita,
produzidas pelo trabalho de outros homens, leva cada
homem a aplicar-se numa determinada actividade e
a cultivar e aperfeiçoar aquele talento ou génio
que lhe seja dado possuir para essa actividade
particular» (A riqueza das nações, p. 96)

maio 31, 2007





«O facto de, no tempo presente ou em qualquer outro, o produto da indústria, proporcionalmente ao trabalho empregue, estar a crescer ou a diminuir, e de a condição média do povo estar a melhorar ou a deteriorar-se depende do facto de a população estar a avançar mais depressa do que o melhoramento, ou o melhoramento mais do que a população. Depois de ter sido atingido um grau de intensidade suficiente para permitir os principais benefícios da combinação de trabalho, todo o aumento adicional tenderá em si próprio para o prejuízo, no que toca à condição média do povo; mas o progresso do melhoramento tem uma operação contrariadora, e permite números crescentes sem qualquer deterioração e, até, consistentes com uma média de conforto mais alta.»


Stuart Mill, cit. in João César das Neves,
O que é a economia?, Principia, estoril, 2003, p.163

maio 30, 2007

Crescimento da população mundial


ano ---- habitantes
1800 -- 1,000,000,000
1930 -- 2,000,000,000
1960 -- 3,000,000,000
1974 -- 4,000,000,000
1987 -- 5,000,000,000
1999 -- 6,000,000,000

maio 29, 2007



«I think I may fairly make two postulata.
First, That food is necessary to the existence of man.
Secondly, That the passion between the sexes is necessary and will remain nearly in its present state. [ ]

Assuming then my postulata as granted, I say, that the power of population is indefinitely greater than the power in the earth to produce subsistence for man.
Population, when unchecked, increases in a geometrical ratio. Subsistence increases only in an arithmetical ratio. A slight acquaintance with numbers will shew the immensity of the first power in comparison of the second.»


«Penso que posso formular honestamente dois postulados.
Primeiro: a comida é necessária à existência do homem.
Segundo: a paixão entre os sexos é necessária e manter-se-á
aproximadamente no seu estado actual. [ ]

Admitindo, pois, que os meus postulados se confirmam, sustento que
o poder da população é infinitamente maior que o da Terra
para produzir a subsistência do homem.

A população, quando não controlada, aumenta em razão geométrica,
enquanto a subsistência aumenta apenas em razão aritmética.

Uma leve familiaridade com os números
revelará a imensidade do primeiro poder
face ao segundo.»


MALTHUS, THOMAS ROBERT (1766-1834)
in Essay on Population (1789)

maio 06, 2007



«Não é da bondade do homem do talho, do cervejeiro
ou do padeiro que podemos esperar o nosso jantar,
mas da consideração em que eles têm
o seu próprio interesse.»


Adam Smith, A riqueza das nações

abril 17, 2007




«A tal ponto te amo, [ ] que me encontro aqui sozinho,
[ ] e que a um sinal, [ ] irei juntar-me a ti
no seio da flor fascinante e fatal.»

André Breton, O amor louco, («L’amour fou», 1937),
trad. Luísa Neto Jorge, Lisboa, Estampa, 1987, p. 100

abril 06, 2007

fiama hasse pais brandão



MOVIMENTO PERPÉTUO

Com os braços curvando-se no balançar
da água, adquires a mesma textura;
os teus gestos são os do mar, e a tua
fisionomia flutua sobre o corpo do mar;
os teus cabelos sobre a pele transparente
diluem-se, próximos demasiadamente
de mínimas algas negras. A tua voz
abafa-se quando me chamas, dizes:
vem sentir a matéria da água
que podes tactear em todo o corpo,
e deixa para sempre aquele olhar
que somente delineia formas.

fiama hasse pais brandão

dezembro 04, 2006

«Míope, logo táctil»

dezembro 01, 2006

worldmap

novembro 16, 2006



«… o tempo dissolvia-se no inconstante
intervalo entre pensamento e pensamento.»


John Steinbeck, A um deus desconhecido
(«To a god unknown»,1933) Tradução
de Samuel Soares, «Livros do Brasil»,
Lisboa, 1999, p.82

outubro 09, 2006


scott fitgerald # 5

O que mais apreciei neste romance de Fitzgerald
foi a arguta e rigorosa observação da progressão
de um processo insidioso de desamor, culminando
no acto final, cirúrgico e irreversível de divórcio!


Quase lembra Descartes:  Amor e o Ódio: “O amor é uma emoção da alma, causada pelos movimentos dos espíritos, que a incita a unir-se voluntariamente aos objectos que lhe parecem ser úteis”. E o ódio é uma emoção, causada pelos espíritos, que incita a alma a querer estar separada dos objectos que se lhe apresentam como nocivos.”

Nota: - Com a expressão “causadas pelos espíritos”, Descartes pretende distinguir estas paixões — que dependem do corpo — quer dos juízos, quer das emoções que estes só por si excitam, e que levam também a alma a unir-se ( ) ou a separar-se, voluntariamente, das coisas que considera boas ou más.
Com a expressão “voluntariamente”, Descartes pretende abstrair do Desejo — que é uma paixão distinta e se refere ao futuro — para atentar no aspecto do consentimento pelo qual o amante se considera unido ao que ama, de sorte que se imagina como um todo, “de que se pensa ser apenas uma parte, sendo a outra a coisa amada”, e, ao contrário, no Ódio, se considera só como um todo, inteiramente separado da coisa a que se tem aversão.

outubro 05, 2006

scott fitzgerald # 4



Relógio d’Água) Na costa aprazível da Riviera francesa, a cerca de meio caminho entre Marsellha e a fronteira italiana, fica um vasto hotel imponente, pintado de cor-de-rosa. Várias palmeiras lhe refrescam a frontaria pesada, e diante dele estende-se uma praiazinha deliciosa. Ainda há dez anos era pouco frequentado, depois da debandada da clientela inglesa, mas há pouco tempo tornou-se ponto de reunião de banhistas ilustres e elegantes, e já o rodeiam inúmeros bangalós. Quando, porém, se inicia esta história há apenas uma dúzia de vivendas antigas, e os seus telhados jazem como nenúfares apodrecidos no meio do pinhal denso que vai do Hotel Gausse ou dos Estrangeiros até Cannes, a cinco milhas de distância. (op. cit., p. 9)

«On the shore of French Riviera, about half-way between Marseilles and the Italian border, stood a large, proud, rose-coloured hotel. Deferential palms cooled its flushed façade, and before it stretched a short dazzling beach. Now it has become a summer resort of notable and fashionable people; in 1925 it was almost deserted after its English clientele went north in April; only the cupolas of a dozen of old villas rotted like water lilies among the massed pines between Gausse’s Hôtel des Étrangers and Cannes, five miles away.» (op. cit., p. 65)

outubro 04, 2006

scott fitzgerald # 3





Penguin) «In the spring of 1917, when Doctor Richard Diver first arrived in Zürich, he was twenty-six years old, a fine age for a man, indeed the very acme of bachelorhood. Even in the wartime days it was a fine age for Dick, who was already too valuable, too much of a capital investment to be shot off in a gun. Years later it seemed to him that even in this sanctuary he did not escape lightly, but about that he never fully made up his mind — in 1917 he laughed at the idea, saying apologetically that the war didn’t touch him at all. Instructions from his local board were that he was to complete his studies in Zürich and take a degree as he had planned.» (op. cit., p. 3)

«Na Primavera de 1917, quando chegou a Zürich, o doutor Richard Diver tinha vinte e seis anos, bela idade para um homem, verdadeiro apogeu do estado de solteiro. Até em tempos bélicos era óptima idade para Dick, que já se tornara pessoa de valor, de excessivo valor para morrer na guerra. Anos depois parecia-lhe que, mesmo no santuário em que estivera, não lhe escapara de todo, mas a esse respeito nunca se compenetrou deveras: em 1917 ria-se com tal ideia, dizendo, como desculpa, que a guerra lhe não tocava nem de leve. As normas recebidas da Junta de Instrução da sua terra estatuíam que ele devia concluir os seus estudos em Zürich e formar-se conforme projectara.» (op.cit., p. 161)

outubro 03, 2006

scott fitzgerald # 2

Na verdade, ler uma tradução ajuda, no meu caso, porque inúmeras são as palavras cujo significado só aproximadamente, e com erros, se tira pelo sentido. Ler na língua original, embora com esse inconveniente, dá o som mudo da linguagem e o estilo do raciocínio e dos afectos das personagens.

A leitura em paralelo é assim como um filme legendado! :)


Para minha surpresa, porém, constatei que as duas edições tinham um começo do romance completamente diferente! Enquanto a versão inglesa inicia a narrativa em 1917-19 com a chegada do Doutor Dick Diver a Zürich e o seu primeiro encontro com a enferma Nicole Warren, a edição portuguesa, situa ambos, já casados e com dois filhos, na costa aprazível da Riviera francesa levando uma existência de sonho num idílico fare niente.