«És ignorante por natureza,
se pensas mais alto
que os deuses!»
(Eurípedes)
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Poema in Modus Vivendi
Dos acasos literários
A vida tem destes acasos literários:
um comboio, dois livros e a pior
das razões para nos apaixonarmos.
Tenho vinte e dois anos e o equivalente
em retratos teus -periféricos ou não-
catalogados de acordo com as horas psicologicamente
intermináveis do teu sorriso.
O nosso amor é como o lado vazio de uma ampulheta,
ou seja, inverso ao próprio tempo que não marca
o surgir inesperado daquelas noites em que tudo acontece
numa peça de teatro à qual nunca comparecemos.
As tuas mãos são um jardim demasiado inconstante
para fazer fila e esperar a morte. Tens seis letras no nome
e antes que amanheça saberei em que lugar do meu corpo
cada uma delas cabe.
David Teles Pereira
Um jardim, uma mulher, vinho,
Meu desejo e minha amargura:
Eis o meu Céu e o Inferno.
Mas quem já viu o Céu e o Inferno?
Omar Khayyam
«espio,
entre os gestos,
a arte de ordenar e desordenar as imagens, como se simples fosse o jugo dos tectos que abrigam todas as memórias, como se, cheirando ao jasmim,
simples fosse o nomear de todas as que, incessantemente, estão em construção.» Ana de Sousa, Fragmentos #245