outubro 07, 2012


(continuação 13)

«Hegel promove o regresso do modo imperativo ao modo indicativo, afirmando que a filosofia não se ocupa do dever ser, preocupada acima de tudo com o ser.

A preocupação escolástica de adunar o pensar com o ser conduz Hegel a escrever a última ontologia, mas também a prescrever ao pensamento um necessitarismo puro de qualquer influência da vontade (Fichte) ou do sentimento (Schelling).

Elimina, por isso, a categoria da modalidade, reduzindo de doze a nove os conceitos puros do intelecto que haviam sido propostos na tábua mnemónica de Kant. Os conceitos puros agrupam-se agora em novenas, ou enéadas, para usar a designação de Plotino.

Eis o quadro abstracto das tríades concretas que Hegel estudou na sua longa obra:

Quantidade: 1. tese 2. antítese 3. síntese
Qualidade: 4. tese 5. antítese 6. síntese
Relação: 7. tese 8. antítese 9. síntese

[ ] A filosofia alemã, representada agora por este ou aquele nome ilustre, de Kant a Hegel, [ ] atrai, como ponto de de referência ou como ponto de quietação, a actividade intelectual de todo o mundo culto. Não nos cumpre historiar os motivos, os processos e os êxitos [deste] domínio [ ]; pretendemos apenas mostrar que a cultura alemã, fixista pelo uso da mnemónica nos compêndios didácticos, aliás coerente com atribuir à memória a estrutura intelectual da humanidade, expande mecânicamente e propaga materialmente o seu normativismo temerário.»

(continua)

Álvaro Ribeiro, Estudos Gerais,
Lisboa, Guimarães Editores, 1961, pp.104-5.

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