setembro 17, 2012


(continuação 6)

«A substância é, pois, a primeira das categorias. Aristóteles adverte-nos de que uma substância que fosse uma mera palavra, um sujeito sem predicado, um ente inconcebível porque sem extensão e sem compreensão, não formaria discurso científico.

A palavra exerce, contudo, uma ressonância mental que suscita várias interpretações entre as quais a imaginação do pensador elege a que lhe parece mais favorável. Não há palavras insignificantes. A atribuição de significado, tão fecunda em obras artísticas de alto estilo, recai porém sob os golpes da crítica no domínio frio da semântica. [ ]

As definições modelares são-nos propostas pelas definições geométricas, as quais podem ser deduzidas umas das outras segundo um processo de extensão espacial. Assim aconselham os escolásticos que, segundo tal modelo, a definição desça do género à espécie. Tal só é possível em todas as ciências que se sistematizem por dedução.

O pensador que quiser evitar as malhas da dialéctica ao sair das generalidades da retórica, e progredir no caminho que vai da palavra conhecida para o conceito desconhecido, há-de guiar-se pelo fio indutor que é a série das categorias.

A substância imobiliza-se nos verbos ser, estar, ter haver, existir, etc., que não estimula o progresso da investigação. Para descobrir a extensão e a compreensão do conceito será indispensável usar no discurso alguns verbos que respondam a perguntas seriadas, que por conveniência mnemónica estão agrupadas em categorias.»

(continua)

Álvaro Ribeiro, Estudos Gerais,
Lisboa, Guimarães Editores, 1961, pp.95-6

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