abril 09, 2012



«a economia parece ter tão pouco de ciência social e humana...»
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A economia não é uma ciência inumana, mas é imperativa, tem leis logicas necessárias, embora violáveis com gravosas consequências.

Schumpeter passa em revista os maiores cultores da ciência económica apreciando as inovações teóricas aportadas pelos grandes mestres.

É verdade que a economia almeja comparar-se com a física teórica e tal é um modo correcto de firmar o saber. As leis da economia infringem-se ao preço de desastres inconvenientes que constrangem tanto como as leis estrictas da física.

Como em qualquer ramo do saber, a economia distingue a aparência da realidade ou essência de cada facto e não pode culpar-se a ciência de o curso da natureza ser o que decorre das leis que nela vigoram.

Por exemplo, a física diz que a lei da gravidade atrai os corpos para o centro da Terra. Ora, esta é uma lei que impera no planeta, e não é pelo facto de um objecto deposto numa mesa não cair para o centro da Terra que a lei deixa de agir!

Assim a economia. A colectiva produção de bens efectiva-se com a divisão do trabalho, é possível pela fecundidade da natureza, e alcança múltipla eficácia segundo o grau de civilização atingido pela inteligência e o engenho do homem.

A circulação e distribuição da riqueza opera-se pela troca de bens, a qual, em equilíbrio, é equitativa e adequada, pelo que cessa qualquer incentivo ou razão para alterar o respectivo estado de equilíbrio.

A crise financeira, iniciada no Ocidente em 2007-8, originou-se na prévia desregulação do sector bancário, o qual, enquanto prestador de crédito às empresas e às famílias, e como emissor de dinheiro (moeda de troca de bens), agiu incondicionado de limites que anteriormente restringiam a sua autonomia de decisão.

O consequente endividamento das firmas, famílias e estados, falaciosa e ilusoriamente confundido com desenvolvimento, — observe-se que é verdade uma sociedade poder desenvolver-se através da dívida, mas só se investir tais recursos na útil produção de bens e serviços necessários, e não no mero consumo ou em investimentos sem retorno —, levou à crise que grassa presentemente no Ocidente.

O chocante na nossa política de combate à crise não é a austeridade imposta à população, mas, no meu juízo, dois aspectos: a desigualdade na distribuição de sacrifícios e a retardada adopção de medidas adequadas à crise — notoriamente só o FMI e a UE têm estratégia séria, pois o governo não contribuiu ainda com qualquer medida que encaminhe o país para o crescimento viável.

E no entanto, tanto quanto me apercebo nos debates livres televisionados, há na opinião pública pessoas de saber comprovado insatisfeitas com a política do governo; exemplifico com os casos de João Salgueiro, Marinho e Pinto, Adriano Moreira de quem ouço críticas e sugestões pertinentes de política económica, justiça, defesa e relações exteriores. A meu ver, as suas opiniões deviam ser acatadas pelo governo

Por último, tenho a noção que esta crise na economia ocidental (EUA e UE) ou termina numa inflação descontrolada seguida de profunda depressão que arrastará as economias emergentes ou será vencida com o modo responsável de os bancos e os estados dirigirem a economia, a par da modificação de regras do comércio internacional que acabem com o oligopólio da OPEP na fixação dos preços do petróleo e com o dumping salarial da China e da Índia na concorrência desleal de preços dos bens exportados.

2 comentários:

alf disse...
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vbm disse...
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