julho 17, 2009

Vivaldi, L'inverno (RV 297)

Requiem por mim

Aproxima-se o fim.
E tenho pena de acabar assim.
Em vez de natureza consumada,
Ruína humana.
Inválido do corpo
E tolhido da alma.
Morto em todos os orgãos e sentidos.
Longo foi o caminho e desmedidos
Os sonhos que nele tive.
Mas ninguém vive
Contra as leis do destino.
E o destino não quis
Que eu me cumprisse como porfiei,
E caisse de pé, num desafio.
Rio feliz a ir de encontro ao mar
Desaguar,
E, em largo oceano, eternizar
O seu esplendor torrencial de rio.


Miguel Torga, Diário XVI

4 comentários:

mdsol disse...

Também gosto muito do M. Torga.

:))

vbm disse...

É uma poesia lapidar!

Meg disse...

Vasco,

Este é ainda o Torga que corta a direito... rude e de uma lucidez que chega a ser assustadora.

E, estou de volta, meu amigo... espero que de vez.

Um abraço

vbm disse...

Bem vinda, Meg!

:)