Connie Boswell, "Gigolo und Gigolette
(The Boulevard of broken dreams)",
de homenagem a James Dean,
janeiro 14, 2009
janeiro 13, 2009
janeiro 11, 2009
janeiro 10, 2009
«Como deveria eu trabalhar? … E não me esquecer,
ao começar o trabalho, de me preparar para errar.
Não esquecer que o erro muitas vezes
se havia tornado o meu caminho.
Todas as vezes em que não dava certo o que eu pensava
ou sentia — é que se fazia enfim uma brecha, e,
se antes eu tivesse tido coragem, já teria
entrado por ela. Meu erro, no entanto,
devia ser o caminho de uma verdade:
pois só quando erro é que saio
do que conheço e
do que entendo.
Se a «verdade» fosse aquilo que posso entender
— terminaria sendo apenas uma verdade pequena,
do meu tamanho.»
Clarice Lispector, A Paixão segundo G. H.,
Relógio d’Água, 2000 (copyright, 1964), p 88.
janeiro 09, 2009
Boulevard of Broken Dreams
Boulevard Of Broken Dreams lyrics
I walk along the street of sorrow
The boulevard of broken dreams
Where gigolo and gigalette
Can take a kiss without regret
So they forget their broken dreams
You laugh tonight and cry tomorrow
When you behold your shattered dreams
And gigolo and gigalette
Awake to find their eyes are wet
With tears that tell of broken dreams
Here is where you'll always find me
Always walking up and down
But I left my soul behind me
In an old cathedral town
The joy that you find here you borrow
You cannot keep it long it seems
But gigolo and gigalette
Still sing a song and dance along
Boulevard of broken dreams
Boulevard Of Broken Dreams lyrics
I walk along the street of sorrow
The boulevard of broken dreams
Where gigolo and gigalette
Can take a kiss without regret
So they forget their broken dreams
You laugh tonight and cry tomorrow
When you behold your shattered dreams
And gigolo and gigalette
Awake to find their eyes are wet
With tears that tell of broken dreams
Here is where you'll always find me
Always walking up and down
But I left my soul behind me
In an old cathedral town
The joy that you find here you borrow
You cannot keep it long it seems
But gigolo and gigalette
Still sing a song and dance along
Boulevard of broken dreams
janeiro 08, 2009
Richard Strauss (Also sprach Zarathustra) - humanity
Tudo o que pertence ao universo,
seja partícula ou galáxia,
seja um animal ou um calhau,
tem, por convenção,
uma existência própria,
todo o objecto é.
Mas seja ele o que for,
a sua definição é arbitrária.
Este calhau ou aquela galáxia,
só através do olhar do observador
adquirem o estatuto de um ser individualizado;
é o observador que, ao traçar a fronteira do que pertence ao objecto,
lhe confere uma singularidade. Para ser objecto do universo,
tem de ser objecto de discurso de um observador
[possível, acrescento eu].
Claro que o homem não é o único observador;
os animais dotados de visão vêem, todas as manhãs,
tal como o homem, a mancha brilhante que sobe no céu;
mas só o homem é capaz de ir além dessa constatação
e de transformar essa mancha em objecto – o Sol.
Essa estrela, como todas as estrelas,
é uma criação do discurso humano.
Sem o homem, o universo não passaria de um continuum sem estrutura. [Discordo aqui; é suficiente que o universo seja compatível com observadores inteligentes]
Qualquer ser humano pode focalizar sobre si mesmo este olhar criador de objectos. Ao focalizar-se, ele já não é só um existente, mas alguém que sabe que existe, alguém que transforma a sua pessoa em objecto do seu discurso. É isso a consciência. Uma experiência que nos permite saber-nos existentes.
..........................................................................
O que houve, ao longo da evolução do cosmos, foi pura e simplesmente uma continuidade na aparição de poderes sempre crescentes das estruturas materiais que se foram formando, poderes esses relacionados com a complexidade dessas mesmas estruturas.
Esse processo foi continuado até ao aparecimento do campeão
da complexidade que é o cérebro humano.
Entre os poderes que recebeu o cérebro,
conta-se o mais decisivo de todos eles, a saber,
a criação da comunicação entre os homens,
a que nós chamámos o «discurso».
Foi então que cada um de nós pôde tomar-se a si próprio
como objecto do seu próprio discurso, ou seja,
desenvolver a sua consciência de existente.
Mas esse discurso só podia existir
numa rede de troca e de partilha.
Essa rede colectiva é, assim, o ponto de partida da consciência individual. O que gosto de resumir com a fórmula ( ): «Eu digo eu porque outros me disseram tu.» O espírito é pura e simplesmente o ponto de chegada da aventura da matéria. Não tem origem senão o conjunto do cosmos.
.........................................................................
( ) a consciência pessoal só viceja se se enraizar numa consciência colectiva; porque a minha consciência é o caminho percorrido na companhia das outras consciências.
..........................................................................
Se eu fosse um núcleo de hélio, maravilhar-me-ia com os poderes de um átomo de carbono, se eu fosse um átomo de carbono, maravilhar-me-ia ... e assim por diante.
Na extremidade da cadeia encontramos o homem. Ora este só se pode maravilhar com o único objecto mais complexo do que ele, com o único objecto que dispõe de mais poderes: a comunidade humana.
Através da consciência, que só me é dada por pertencer a essa comunidade, eu participo no impulso cósmico que tudo impele para a complexidade.
Albert Jacquard, com a participação de Huguette Planès,
Pequeno manual de filosofia para uso dos não-filósofos,
Terramar, Lisboa, 1997; p. 27; 30; 31.
Tudo o que pertence ao universo,
seja partícula ou galáxia,
seja um animal ou um calhau,
tem, por convenção,
uma existência própria,
todo o objecto é.
Mas seja ele o que for,
a sua definição é arbitrária.
Este calhau ou aquela galáxia,
só através do olhar do observador
adquirem o estatuto de um ser individualizado;
é o observador que, ao traçar a fronteira do que pertence ao objecto,
lhe confere uma singularidade. Para ser objecto do universo,
tem de ser objecto de discurso de um observador
[possível, acrescento eu].
Claro que o homem não é o único observador;
os animais dotados de visão vêem, todas as manhãs,
tal como o homem, a mancha brilhante que sobe no céu;
mas só o homem é capaz de ir além dessa constatação
e de transformar essa mancha em objecto – o Sol.
Essa estrela, como todas as estrelas,
é uma criação do discurso humano.
Sem o homem, o universo não passaria de um continuum sem estrutura. [Discordo aqui; é suficiente que o universo seja compatível com observadores inteligentes]
Qualquer ser humano pode focalizar sobre si mesmo este olhar criador de objectos. Ao focalizar-se, ele já não é só um existente, mas alguém que sabe que existe, alguém que transforma a sua pessoa em objecto do seu discurso. É isso a consciência. Uma experiência que nos permite saber-nos existentes.
..........................................................................
O que houve, ao longo da evolução do cosmos, foi pura e simplesmente uma continuidade na aparição de poderes sempre crescentes das estruturas materiais que se foram formando, poderes esses relacionados com a complexidade dessas mesmas estruturas.
Esse processo foi continuado até ao aparecimento do campeão
da complexidade que é o cérebro humano.
Entre os poderes que recebeu o cérebro,
conta-se o mais decisivo de todos eles, a saber,
a criação da comunicação entre os homens,
a que nós chamámos o «discurso».
Foi então que cada um de nós pôde tomar-se a si próprio
como objecto do seu próprio discurso, ou seja,
desenvolver a sua consciência de existente.
Mas esse discurso só podia existir
numa rede de troca e de partilha.
Essa rede colectiva é, assim, o ponto de partida da consciência individual. O que gosto de resumir com a fórmula ( ): «Eu digo eu porque outros me disseram tu.» O espírito é pura e simplesmente o ponto de chegada da aventura da matéria. Não tem origem senão o conjunto do cosmos.
.........................................................................
( ) a consciência pessoal só viceja se se enraizar numa consciência colectiva; porque a minha consciência é o caminho percorrido na companhia das outras consciências.
..........................................................................
Se eu fosse um núcleo de hélio, maravilhar-me-ia com os poderes de um átomo de carbono, se eu fosse um átomo de carbono, maravilhar-me-ia ... e assim por diante.
Na extremidade da cadeia encontramos o homem. Ora este só se pode maravilhar com o único objecto mais complexo do que ele, com o único objecto que dispõe de mais poderes: a comunidade humana.
Através da consciência, que só me é dada por pertencer a essa comunidade, eu participo no impulso cósmico que tudo impele para a complexidade.
Albert Jacquard, com a participação de Huguette Planès,
Pequeno manual de filosofia para uso dos não-filósofos,
Terramar, Lisboa, 1997; p. 27; 30; 31.
janeiro 07, 2009
Carmem Miranda
Vestiu uma camisa listrada,
E saiu por aí,
Em vez de tomar chá com torrada,
Ele tomou Parati,
Levava um canivete no cinto,
E um pandeiro na mão,
E sorria quando o povo dizia,
Sossega, Leão, sossega Leão.
Tirou o seu anel de doutor,
Para não dar o que afalar,
E saiu, dizendo, eu quero mamá,
Mamãe eu que mamá.
Levava um canivete no cinto,
E um pandeiro na mão,
E sorria quando o povo dizia,
Sossega Leão, sossega Leão.
Levou meu saco de água quente,
Pra fazer chupeta,
E rompeu a minha cortina de veludo,
Pra fazer uma saia,
Abriu meu guarda-roupa,
Arrancou a combinação,
Até do cabo de vassoura,
Ele fez um estandarte, para o seu Cordão.
E agora que a batucada,
Já vai terminando,
Eu não deixo e não consinto,
Meu querido debochar de mim,
Porque, se ele pegar as minhas coisas,
Vai dar o que falar,
Se fantasia de Antonieta,
E vai dançar no Bola Preta,
Até o sol raiar...
Vestiu uma camisa listrada,
E saiu por aí,
Em vez de tomar chá com torrada,
Ele tomou Parati,
Levava um canivete no cinto,
E um pandeiro na mão,
E sorria quando o povo dizia,
Sossega, Leão, sossega Leão.
Tirou o seu anel de doutor,
Para não dar o que afalar,
E saiu, dizendo, eu quero mamá,
Mamãe eu que mamá.
Levava um canivete no cinto,
E um pandeiro na mão,
E sorria quando o povo dizia,
Sossega Leão, sossega Leão.
Levou meu saco de água quente,
Pra fazer chupeta,
E rompeu a minha cortina de veludo,
Pra fazer uma saia,
Abriu meu guarda-roupa,
Arrancou a combinação,
Até do cabo de vassoura,
Ele fez um estandarte, para o seu Cordão.
E agora que a batucada,
Já vai terminando,
Eu não deixo e não consinto,
Meu querido debochar de mim,
Porque, se ele pegar as minhas coisas,
Vai dar o que falar,
Se fantasia de Antonieta,
E vai dançar no Bola Preta,
Até o sol raiar...
janeiro 06, 2009
Carlos Ramos - Não venhas tarde
“não venhas tarde!”,
Dizes-me tu com carinho,
Sem nunca fazer alarde
Do que me pedes, beixinho
“não venhas tarde!”,
E eu peço a deus que no fim
Teu coração ainda guarde
Um pouco de amor por mim.
Tu sabes bem
Que eu vou p’ra outra mulher,
Que ela me prende também,
Que eu só faço o que ela quer,
Tu estás sentindo
Que te minto e sou cobarde,
Mas sabes dizer, sorrindo,
“meu amor, não venhas tarde!”
“não venhas tarde!”,
Dizes-me sem azedume,
Quando o teu coração arde
Na fogueira do ciúme.
“não venhas tarde!”,
Dizes-me tu da janela,
E eu venho sempre mais tarde,
Porque não sei fugir dela
Tu sabes bem
Sem alegria,
Eu confesso, tenho medo,
Que tu me digas um dia,
“meu amor, não venhas cedo!”
Por ironia,
Pois nunca sei onde vais,
Que eu chegue cedo algum dia,
E seja tarde demais!
“não venhas tarde!”,
Dizes-me tu com carinho,
Sem nunca fazer alarde
Do que me pedes, beixinho
“não venhas tarde!”,
E eu peço a deus que no fim
Teu coração ainda guarde
Um pouco de amor por mim.
Tu sabes bem
Que eu vou p’ra outra mulher,
Que ela me prende também,
Que eu só faço o que ela quer,
Tu estás sentindo
Que te minto e sou cobarde,
Mas sabes dizer, sorrindo,
“meu amor, não venhas tarde!”
“não venhas tarde!”,
Dizes-me sem azedume,
Quando o teu coração arde
Na fogueira do ciúme.
“não venhas tarde!”,
Dizes-me tu da janela,
E eu venho sempre mais tarde,
Porque não sei fugir dela
Tu sabes bem
Sem alegria,
Eu confesso, tenho medo,
Que tu me digas um dia,
“meu amor, não venhas cedo!”
Por ironia,
Pois nunca sei onde vais,
Que eu chegue cedo algum dia,
E seja tarde demais!
janeiro 05, 2009

Miradoiro
Com tristeza e vergonha enternecida,
Olho daqui
A ponte de palavras
Que construí
Sobre o abismo da vida.
Sonhei-a;
Desenhei-a;
Sólida até onde pude,
Lancei-a como um salto de gazela:
E não passei por ela!
Vim por baixo, agarrado ao chão do mundo.
Filho de Adão e Eva,
Era de terra e treva
O meu destino.
E cá vou como um pobre peregrino.
Miguel Torga, Antologia Poética,
Gráfica de Coimbra, 4ª ed., 1994
Só Nós Dois É Que Sabemos
Tony de Matos
Composição: J. Pimentel
Só nós dois é que sabemos
Quanto nos queremos bem
Só nós dois é que sabemos
Só nós dois e mais ninguém
Só nós dois avaliamos
Este amor forte e profundo
Quando o amor acontece
Não pede licença ao mundo
Anda, abraça-me... beija-me
Encosta o teu peito ao meu
Esquece que vais na rua
Vem ser minha e eu serei teu
Que falem não nos interessa
O mundo não nos importa
O nosso mundo começa
Cá dentro da nossa porta
Só nós dois é compreendemos
O calor dos nossos beijos
Só nós dois é que sofremos
A tortura dos desejos
Vamos viver o presente
Tal qual a vida nos dá
O que reserva o futuro
Só deus sabe o que será
Anda, abraça-me... beija-me
janeiro 04, 2009
janeiro 03, 2009
Mi Buenos Aires Querido - Tango, Carlos Gardel
Mi Buenos Aires querido,
Cuando yo te vuelva a ver,
No habr ms penas ni olvido.
El farolito de la calle en que nac
Fue el centinela de mis promesas de amor,
Bajo su inquieta lucecita yo la vi
A mi pebeta luminosa como un sol.
Hoy que la suerte quiere que te vuelva a ver,
Ciudad portea de mi nico querer,
Oigo la queja de un bandonen,
Dentro del pecho pide rienda el corazn.
Mi Buenos Aires, tierra florida
Donde mi vida terminar.
Bajo tu amparo no hay desengao
Vuelan los aos, se olvida el dolor.
En caravana los recuerdos pasan
Como una estela dulce de emocin,
Quiero que sepas que al evocarte
Se van las penas del corazn.
Las ventanitas de mis calles de Arrabal,
Donde sonre una muchachita en flor;
Quiero de nuevo yo volver a contemplar
Aquellos ojos que acarician al mirar.
En la cortada ms maleva una cancin,
Dice su ruego de coraje y de pasin;
Una promesa y un suspirar
Borr una lgrima de pena aquel cantar.
Mi Buenos Aires querido....
Cuando yo te vuelva a ver...
No habr ms penas ni olvido
Mi Buenos Aires querido,
Cuando yo te vuelva a ver,
No habr ms penas ni olvido.
El farolito de la calle en que nac
Fue el centinela de mis promesas de amor,
Bajo su inquieta lucecita yo la vi
A mi pebeta luminosa como un sol.
Hoy que la suerte quiere que te vuelva a ver,
Ciudad portea de mi nico querer,
Oigo la queja de un bandonen,
Dentro del pecho pide rienda el corazn.
Mi Buenos Aires, tierra florida
Donde mi vida terminar.
Bajo tu amparo no hay desengao
Vuelan los aos, se olvida el dolor.
En caravana los recuerdos pasan
Como una estela dulce de emocin,
Quiero que sepas que al evocarte
Se van las penas del corazn.
Las ventanitas de mis calles de Arrabal,
Donde sonre una muchachita en flor;
Quiero de nuevo yo volver a contemplar
Aquellos ojos que acarician al mirar.
En la cortada ms maleva una cancin,
Dice su ruego de coraje y de pasin;
Una promesa y un suspirar
Borr una lgrima de pena aquel cantar.
Mi Buenos Aires querido....
Cuando yo te vuelva a ver...
No habr ms penas ni olvido
janeiro 02, 2009
Mouloudji, La Complainte de la butte
La complainte de la butte
En haut de la rue St-Vincent
Un poète et une inconnue
S'aimèrent l'espace d'un instant
Mais il ne l'a jamais revue
Cette chanson il composa
Espérant que son inconnue
Un matin d'printemps l'entendra
Quelque part au coin d'une rue
La lune trop blême
Pose un diadème
Sur tes cheveux roux
La lune trop rousse
De gloire éclabousse
Ton jupon plein d'trous
La lune trop pâle
Caresse l'opale
De tes yeux blasés
Princesse de la rue
Soit la bienvenue
Dans mon cœur blessé
Les escaliers de la butte sont durs aux miséreux
Les ailes des moulins protègent les amoureux
Petite mandigote
Je sens ta menotte
Qui cherche ma main
Je sens ta poitrine
Et ta taille fine
J'oublie mon chagrin
Je sens sur tes lèvres
Une odeur de fièvre
De gosse mal nourri
Et sous ta caresse
Je sens une ivresse
Qui m'anéantit
Les escaliers de la butte sont durs aux miséreux
Les ailes des moulins protègent les amoureux
Mais voilà qu'il flotte
La lune se trotte
La princesse aussi
Sous le ciel sans lune
Je pleure à la brune
Mon rêve évanoui
La complainte de la butte
En haut de la rue St-Vincent
Un poète et une inconnue
S'aimèrent l'espace d'un instant
Mais il ne l'a jamais revue
Cette chanson il composa
Espérant que son inconnue
Un matin d'printemps l'entendra
Quelque part au coin d'une rue
La lune trop blême
Pose un diadème
Sur tes cheveux roux
La lune trop rousse
De gloire éclabousse
Ton jupon plein d'trous
La lune trop pâle
Caresse l'opale
De tes yeux blasés
Princesse de la rue
Soit la bienvenue
Dans mon cœur blessé
Les escaliers de la butte sont durs aux miséreux
Les ailes des moulins protègent les amoureux
Petite mandigote
Je sens ta menotte
Qui cherche ma main
Je sens ta poitrine
Et ta taille fine
J'oublie mon chagrin
Je sens sur tes lèvres
Une odeur de fièvre
De gosse mal nourri
Et sous ta caresse
Je sens une ivresse
Qui m'anéantit
Les escaliers de la butte sont durs aux miséreux
Les ailes des moulins protègent les amoureux
Mais voilà qu'il flotte
La lune se trotte
La princesse aussi
Sous le ciel sans lune
Je pleure à la brune
Mon rêve évanoui
dezembro 31, 2008
dezembro 30, 2008

[modo]Correspondendo a um sorriso[/modo]
Ao fim da tarde
Ninguém esperava ver o mar naquele dia
mas era o mar
que estava ali à porta naqueles olhos.
Eugénio de Andrade, De pequeno formato
Charles Aznavour - Mourir d'aimer
Les parois de ma vie sont lisses
Je m'y accroche mais je glisse
Lentement vers ma destinée
Mourir d'aimer
Tandis que le monde me juge
Je ne vois pour moi qu'un refuge
Toute issue m'étant condamnée
Mourir d'aimer
Mourir d'aimer
De plein gré s'enfoncer dans la nuit
Payer l'amour au prix de sa vie
Pécher contre le corps mais non contre l'esprit
Laissons le monde à ses problèmes
Les gens haineux face à eux-mêmes
Avec leurs petites idées
Mourir d'aimer
Puisque notre amour ne peut vivre
Mieux vaut en refermer le livre
Et plutôt que de le brûler
Mourir d'aimer
Partir en redressant la tête
Sortir vainqueur d'une défaite
Renverser toutes les données
Mourir d'aimer
Mourir d'aimer
Comme on le peut de n'importe quoi
Abandonner tout derrière soi
Pour n'emporter que ce qui fut nous, qui fut toi
Tu es le printemps, moi l'automne
Ton coeur se prend, le mien se donne
Et ma route est déjà tracée
Mourir d'aimer
Mourir d'aimer
Mourir d'aimer
Les parois de ma vie sont lisses
Je m'y accroche mais je glisse
Lentement vers ma destinée
Mourir d'aimer
Tandis que le monde me juge
Je ne vois pour moi qu'un refuge
Toute issue m'étant condamnée
Mourir d'aimer
Mourir d'aimer
De plein gré s'enfoncer dans la nuit
Payer l'amour au prix de sa vie
Pécher contre le corps mais non contre l'esprit
Laissons le monde à ses problèmes
Les gens haineux face à eux-mêmes
Avec leurs petites idées
Mourir d'aimer
Puisque notre amour ne peut vivre
Mieux vaut en refermer le livre
Et plutôt que de le brûler
Mourir d'aimer
Partir en redressant la tête
Sortir vainqueur d'une défaite
Renverser toutes les données
Mourir d'aimer
Mourir d'aimer
Comme on le peut de n'importe quoi
Abandonner tout derrière soi
Pour n'emporter que ce qui fut nous, qui fut toi
Tu es le printemps, moi l'automne
Ton coeur se prend, le mien se donne
Et ma route est déjà tracée
Mourir d'aimer
Mourir d'aimer
Mourir d'aimer
dezembro 28, 2008
As Time Goes By
[This day and age we're living in
Gives cause for apprehension
With speed and new invention
And things like fourth dimension.
Yet we get a trifle weary
With Mr. Einstein's theory.
So we must get down to earth at times
Relax relieve the tension
And no matter what the progress
Or what may yet be proved
The simple facts of life are such
They cannot be removed.]
You must remember this
A kiss is just a kiss, a sigh is just a sigh.
The fundamental things apply
As time goes by.
And when two lovers woo
They still say, "I love you."
On that you can rely
No matter what the future brings
As time goes by.
Moonlight and love songs
Never out of date.
Hearts full of passion
Jealousy and hate.
Woman needs man
And man must have his mate
That no one can deny.
It's still the same old story
A fight for love and glory
A case of do or die.
The world will always welcome lovers
As time goes by.
Oh yes, the world will always welcome lovers
As time goes by.
© 1931 Warner Bros. Music Corporation, ASCAP
[This day and age we're living in
Gives cause for apprehension
With speed and new invention
And things like fourth dimension.
Yet we get a trifle weary
With Mr. Einstein's theory.
So we must get down to earth at times
Relax relieve the tension
And no matter what the progress
Or what may yet be proved
The simple facts of life are such
They cannot be removed.]
You must remember this
A kiss is just a kiss, a sigh is just a sigh.
The fundamental things apply
As time goes by.
And when two lovers woo
They still say, "I love you."
On that you can rely
No matter what the future brings
As time goes by.
Moonlight and love songs
Never out of date.
Hearts full of passion
Jealousy and hate.
Woman needs man
And man must have his mate
That no one can deny.
It's still the same old story
A fight for love and glory
A case of do or die.
The world will always welcome lovers
As time goes by.
Oh yes, the world will always welcome lovers
As time goes by.
© 1931 Warner Bros. Music Corporation, ASCAP
dezembro 27, 2008
Cesaria Evora - Lua Nha Testemunha
Bô ca ta pensa nha cretcheu
Nem bô ca ta imaginá
O que longe di bô `m tem sofrido
Pergunta lua na céu, lua nha companheira di solidão
Lua vagabunda di espaço, qui conchê tudo nha vida
Nha disventura, ele qui ta contabo nha cretcheu
Tudo o c`um tem sofrido
Na ausência e na distância.
Mundo, bô tem rolado cu mim
Num jogo di cabra cega, sempre ta persegui`m
Pa cada volta qui mundo dá
El ta traze`m um dor pa`m tchiga más pa Deus
Mundo, bô tem rolado cu mim
Num jogo di cabra cega, sempre ta persegui`m
Pa cada volta qui mundo dá
El ta traze`m um dor pa`m tchiga más pa Deus
Bô ca ta pensa nha cretcheu
Nem bô ca ta imaginá
O que longe di bô `m tem sofrido
Pergunta lua na céu, lua nha companheira di solidão
Lua vagabunda di espaço, qui conchê tudo nha vida
Nha disventura, ele qui ta contabo nha cretcheu
Tudo o c`um tem sofrido
Na ausência e na distância.
Mundo, bô tem rolado cu mim
Num jogo di cabra cega, sempre ta persegui`m
Pa cada volta qui mundo dá
El ta traze`m um dor pa`m tchiga más pa Deus
Mundo, bô tem rolado cu mim
Num jogo di cabra cega, sempre ta persegui`m
Pa cada volta qui mundo dá
El ta traze`m um dor pa`m tchiga más pa Deus
dezembro 26, 2008
George Brassens - L'Orage
Parlez-moi de la pluie et non pas du beau temps
Le beau temps me dégoute et m'fait grincer les dents
Le bel azur me met en rage
Car le plus grand amour qui m'fut donné sur terr'
Je l'dois au mauvais temps, je l'dois à Jupiter
Il me tomba d'un ciel d'orage
Par un soir de novembre, à cheval sur les toits
Un vrai tonnerr' de Brest, avec des cris d'putois
Allumait ses feux d'artifice
Bondissant de sa couche en costume de nuit
Ma voisine affolée vint cogner à mon huis
En réclamant mes bons offices
" Je suis seule et j'ai peur, ouvrez-moi, par pitié
Mon époux vient d'partir faire son dur métier
Pauvre malheureux mercenaire
Contraint d'coucher dehors quand il fait mauvais temps
Pour la bonne raison qu'il est représentant
D'un' maison de paratonnerres "
En bénissant le nom de Benjamin Franklin
Je l'ai mise en lieu sûr entre mes bras câlins
Et puis l'amour a fait le reste
Toi qui sèmes des paratonnerr's à foison
Que n'en as-tu planté sur ta propre maison
Erreur on ne peut plus funeste
Quand Jupiter alla se faire entendre ailleurs
La belle, ayant enfin conjuré sa frayeur
Et recouvré tout son courage
Rentra dans ses foyers fair' sécher son mari
En m'donnant rendez-vous les jours d'intempérie
Rendez-vous au prochain orage
A partir de ce jour j'n'ai plus baissé les yeux
J'ai consacré mon temps à contempler les cieux
A regarder passer les nues
A guetter les stratus, à lorgner les nimbus
A faire les yeux doux aux moindres cumulus
Mais elle n'est pas revenue
Son bonhomm' de mari avait tant fait d'affair's
Tant vendu ce soir-là de petits bouts de fer
Qu'il était dev'nu millionnaire
Et l'avait emmenée vers des cieux toujours bleus
Des pays imbécil's où jamais il ne pleut
Où l'on ne sait rien du tonnerre
Dieu fass' que ma complainte aille, tambour battant
Lui parler de la pluie, lui parler du gros temps
Auxquels on a t'nu tête ensemble
Lui conter qu'un certain coup de foudre assassin
Dans le mill' de mon cœur a laissé le dessin
D'un' petit' fleur qui lui ressemble
Parlez-moi de la pluie et non pas du beau temps
Le beau temps me dégoute et m'fait grincer les dents
Le bel azur me met en rage
Car le plus grand amour qui m'fut donné sur terr'
Je l'dois au mauvais temps, je l'dois à Jupiter
Il me tomba d'un ciel d'orage
Par un soir de novembre, à cheval sur les toits
Un vrai tonnerr' de Brest, avec des cris d'putois
Allumait ses feux d'artifice
Bondissant de sa couche en costume de nuit
Ma voisine affolée vint cogner à mon huis
En réclamant mes bons offices
" Je suis seule et j'ai peur, ouvrez-moi, par pitié
Mon époux vient d'partir faire son dur métier
Pauvre malheureux mercenaire
Contraint d'coucher dehors quand il fait mauvais temps
Pour la bonne raison qu'il est représentant
D'un' maison de paratonnerres "
En bénissant le nom de Benjamin Franklin
Je l'ai mise en lieu sûr entre mes bras câlins
Et puis l'amour a fait le reste
Toi qui sèmes des paratonnerr's à foison
Que n'en as-tu planté sur ta propre maison
Erreur on ne peut plus funeste
Quand Jupiter alla se faire entendre ailleurs
La belle, ayant enfin conjuré sa frayeur
Et recouvré tout son courage
Rentra dans ses foyers fair' sécher son mari
En m'donnant rendez-vous les jours d'intempérie
Rendez-vous au prochain orage
A partir de ce jour j'n'ai plus baissé les yeux
J'ai consacré mon temps à contempler les cieux
A regarder passer les nues
A guetter les stratus, à lorgner les nimbus
A faire les yeux doux aux moindres cumulus
Mais elle n'est pas revenue
Son bonhomm' de mari avait tant fait d'affair's
Tant vendu ce soir-là de petits bouts de fer
Qu'il était dev'nu millionnaire
Et l'avait emmenée vers des cieux toujours bleus
Des pays imbécil's où jamais il ne pleut
Où l'on ne sait rien du tonnerre
Dieu fass' que ma complainte aille, tambour battant
Lui parler de la pluie, lui parler du gros temps
Auxquels on a t'nu tête ensemble
Lui conter qu'un certain coup de foudre assassin
Dans le mill' de mon cœur a laissé le dessin
D'un' petit' fleur qui lui ressemble
dezembro 24, 2008
Michel Serres
«Por toda a parte, á nossa volta,
a língua substitui a experiência;
o signo, doce, substitui-se à coisa, dura;
não posso pensar essa substituição
como uma equivalência. Antes
como um abuso, uma violência.
O som da moeda não vale a moeda,
o cheiro que chega da cozinha
não enche o estômago,
a publicidade
não equivale à qualidade:
a língua que fala
anula a língua que degusta
ou aquela que recebe e dá o beijo.»
Michel Serres, Diálogo sobre a Ciência, a Cultura e o Tempo,
Instituto Piaget, Lisboa, 1996, p.180
dezembro 23, 2008
dezembro 22, 2008
dezembro 21, 2008

foto in "Olhares"-Fotografia Online
Dentro da curva inesperada
dos meus braços,
transbordam os gestos
numa espiral imperceptível.
Nas pontas dos meus dedos
se alonga a neblina
que deriva do inverso da loucura
quando prendo nos dentes
a superstição da lua
ou esboço no riso
a cumplicidade dos espelhos
timidamente transparentes
para dizer que só pelo silêncio
se vence o labirinto das palavras
e se mede a solidão.
Graça Pires
dezembro 20, 2008
dezembro 19, 2008
dezembro 18, 2008
dezembro 17, 2008
dezembro 16, 2008
Lucília do Carmo: "Maria Madalena"
Quem por amor se perdeu
Não chore, não tenha pena.
Uma das santas do céu
- Foi Maria Madalena…
Desse amor que nos encanta
Até Cristo padeceu
Para poder tornar santa
Quem por amor se perdeu
Jesus só nos quis mostrar
Que o amor não se condena
Por isso quem sabe amar
Não chore não tenha pena
A Virgem Nossa Senhora
Quando o amor conheceu
Fez da maior pecadora
Uma das santas do céu
E de tanta que pecou
Da maior à mais pequena
Ai aquela que mais amou
Foi Maria Madalena
Quem por amor se perdeu
Não chore, não tenha pena.
Uma das santas do céu
- Foi Maria Madalena…
Desse amor que nos encanta
Até Cristo padeceu
Para poder tornar santa
Quem por amor se perdeu
Jesus só nos quis mostrar
Que o amor não se condena
Por isso quem sabe amar
Não chore não tenha pena
A Virgem Nossa Senhora
Quando o amor conheceu
Fez da maior pecadora
Uma das santas do céu
E de tanta que pecou
Da maior à mais pequena
Ai aquela que mais amou
Foi Maria Madalena
dezembro 14, 2008
yves montand - les feuilles mortes
Oh je voudrais tant que tu te souviennes
Des jours heureux ou nous étions amis
En ce temps là, la vie était plus belle
Et le soleil plus brûlant qu'aujourd'hui
Les feuilles mortes se ramassent à la pelle
Tu vois je n'ai pas oublié
Les feuilles mortes se ramassent à la pelle
Les souvenirs et les regrets aussi
Et le vent du nord les emportent
Dans la nuit froide de l'oubli
Tu vois, je n'ai pas oublié
La chanson que tu me chantais
C'est une chanson, qui nous ressemble
Toi tu m'aimais, et je t'aimais
Et nous vivions, tous deux ensemble
Toi qui m'aimait, moi qui t'aimais
Mais la vie sépare ceux qui s'aiment
Tout doucement sans faire de bruit
Et la mer efface sur le sable
Le pas des amants désunis
C'est une chanson, qui nous ressemble
Toi tu m'aimais, Et je t'aimais
Et nous vivions, tous deux ensemble
Toi qui m'aimait, moi qui t'aimais
Mais la vie sépare ceux qui s'aime
Tout doucement sans faire de bruit
Et la mer efface sur le sable
Le pas des amants désunis.
Oh je voudrais tant que tu te souviennes
Des jours heureux ou nous étions amis
En ce temps là, la vie était plus belle
Et le soleil plus brûlant qu'aujourd'hui
Les feuilles mortes se ramassent à la pelle
Tu vois je n'ai pas oublié
Les feuilles mortes se ramassent à la pelle
Les souvenirs et les regrets aussi
Et le vent du nord les emportent
Dans la nuit froide de l'oubli
Tu vois, je n'ai pas oublié
La chanson que tu me chantais
C'est une chanson, qui nous ressemble
Toi tu m'aimais, et je t'aimais
Et nous vivions, tous deux ensemble
Toi qui m'aimait, moi qui t'aimais
Mais la vie sépare ceux qui s'aiment
Tout doucement sans faire de bruit
Et la mer efface sur le sable
Le pas des amants désunis
C'est une chanson, qui nous ressemble
Toi tu m'aimais, Et je t'aimais
Et nous vivions, tous deux ensemble
Toi qui m'aimait, moi qui t'aimais
Mais la vie sépare ceux qui s'aime
Tout doucement sans faire de bruit
Et la mer efface sur le sable
Le pas des amants désunis.
dezembro 13, 2008
dezembro 12, 2008

Serra das Meadas. Lamego.
Somos como árvores
só quando o desejo é morto.
Só então nos lembramos
que dezembro traz em si a primavera.
Só então, belos e despidos,
ficamos longamente à sua espera.
Eugénio de Andrade, Primeiros Poemas
dezembro 11, 2008

fotografia de Michelle Clement
Es el amor.
Tendré que ocultarme o que huir.
crecen los muros de su cárcel, como en un sueño atroz.
La hermosa máscara ha cambiado, pero como siempre es la única.
De qué me servirán mis talismanes: el ejercicio de las letras,
la vaga erudición, el aprendizaje de las palabras que usó el áspero norte
para cantar sus mares y sus espadas, la serena amistad,
Tendré que ocultarme o que huir.
crecen los muros de su cárcel, como en un sueño atroz.
La hermosa máscara ha cambiado, pero como siempre es la única.
De qué me servirán mis talismanes: el ejercicio de las letras,
la vaga erudición, el aprendizaje de las palabras que usó el áspero norte
para cantar sus mares y sus espadas, la serena amistad,
las galerías de las bibliotecas, las cosas comunes,
los hábitos, el joven amor de mi madre,
la sombra militar de mis muertos,
la sombra militar de mis muertos,
la noche intemporal,
el sabor del sueño?
estar o no estar contigo es la medida de mi tiempo.
estar o no estar contigo es la medida de mi tiempo.
ya el cántaro se quiebra sobre la fuente,
ya el hombre se levanta a la voz del ave,
ya se han oscurecido los que miran por las ventanas,
pero la sombra no ha traido la paz.
es, ya lo sé, el amor: la ansiedad y el alivio de oír tu voz,
la espera y la memoria, el horror de vivir en lo sucesivo.
es el amor con sus mitologías, con sus pequeñas magias inútiles.
hay una esquina por la que no me atrevo a pasar.
ya los ejércitos me cercan, las hordas.
ya los ejércitos me cercan, las hordas.
esta habitación es irreal; ella no la ha visto.
el nombre de una mujer me delata.
me duele una mujer en todo el cuerpo.
JORGE L. BORGES
(el oro de los tigres, 1972)
me duele una mujer en todo el cuerpo.
JORGE L. BORGES
(el oro de los tigres, 1972)
O que aprendo com a Tazul,
compositores e modos de
edição de gravações.
:)
Erik Satie - Gnossiennes No 1
compositores e modos de
edição de gravações.
:)
Erik Satie - Gnossiennes No 1
Amalia Rodrigues - Cansaço
Por trás do espelho quem está
De olhos fixados nos meus
Alguém que passou por cá
E seguiu ao deus-dará
Deixando os olhos nos meus.
Quem dorme na minha cama,
E tenta sonhar meus sonhos?
Alguém morreu nesta cama,
E lá de longe me chama
Misturada nos meus sonhos.
Tudo o que faço ou não faço,
Outros fizeram assim
Daí este meu cansaço
De sentir que quanto faço
Não é feito só por mim.
Letra de Luís de Macedo
Música de Joaquim Campos
Por trás do espelho quem está
De olhos fixados nos meus
Alguém que passou por cá
E seguiu ao deus-dará
Deixando os olhos nos meus.
Quem dorme na minha cama,
E tenta sonhar meus sonhos?
Alguém morreu nesta cama,
E lá de longe me chama
Misturada nos meus sonhos.
Tudo o que faço ou não faço,
Outros fizeram assim
Daí este meu cansaço
De sentir que quanto faço
Não é feito só por mim.
Letra de Luís de Macedo
Música de Joaquim Campos
dezembro 10, 2008
dezembro 09, 2008
Amalia Rodrigues _ Com que voz
Com que voz chorarei meu triste fado,
Que em tão dura paixão me sepultou.
Que mor não seja a dor que me deixou
O tempo, de meu bem desenganado.
Mas chorar não se estima neste estado
Aonde suspirar nunca aproveitou.
Triste quero viver, pois se mudou
Em tristeza, a alegria do passado.
De tanto mal a causa é amor puro
Devido a quem de mim tenho ausente
Por quem a vida e bens dele aventuro.
Com que voz chorarei meu triste fado,
Que em tão dura paixão me sepultou.
Que mor não seja a dor que me deixou
O tempo, de meu bem desenganado.
Letra de Luís de Camões
Música de Alain Oulman
Com que voz chorarei meu triste fado,
Que em tão dura paixão me sepultou.
Que mor não seja a dor que me deixou
O tempo, de meu bem desenganado.
Mas chorar não se estima neste estado
Aonde suspirar nunca aproveitou.
Triste quero viver, pois se mudou
Em tristeza, a alegria do passado.
De tanto mal a causa é amor puro
Devido a quem de mim tenho ausente
Por quem a vida e bens dele aventuro.
Com que voz chorarei meu triste fado,
Que em tão dura paixão me sepultou.
Que mor não seja a dor que me deixou
O tempo, de meu bem desenganado.
Letra de Luís de Camões
Música de Alain Oulman
dezembro 08, 2008
dezembro 07, 2008
Mais mundo, para lá do anglo-saxónico!
Lhasa de Sela - De cara a la pared
Llorando
de cara a la pared
se apaga la ciudad
Llorando
Y no hay màs
muero quizas
Adonde estàs?
Soñando
de cara a la pared
se quema la ciudad
Soñando
sin respirar
te quiero amar
te quiero amar
Rezando
de cara a la pared
se hunde la ciudad
Rezando
Santa Maria
Santa Maria
Santa Maria
Lhasa de Sela - De cara a la pared
Llorando
de cara a la pared
se apaga la ciudad
Llorando
Y no hay màs
muero quizas
Adonde estàs?
Soñando
de cara a la pared
se quema la ciudad
Soñando
sin respirar
te quiero amar
te quiero amar
Rezando
de cara a la pared
se hunde la ciudad
Rezando
Santa Maria
Santa Maria
Santa Maria
dezembro 06, 2008
AMALIA RODRIGUES, MEU AMOR, MEU AMOR
Meu amor, meu amor,
Meu corpo em movimento,
Minha voz à procura,
Do seu próprio lamento.
Meu limão de amargura,
Meu punhal a crescer,
Nós parámos o tempo,
Não sabemos morrer.
E nascemos, nascemos
Do nosso entristecer.
Meu amor, meu amor
Meu pássaro cinzento,
A chorar a lonjura,
Do nosso afastamento.
Meu amor, meu amor
Meu nó de sofrimento,
Minha mó de ternura,
Minha nau de tormento.
Este mar não tem cura,
Este céu não tem ar,
Nós parámos o vento,
Não sabemos nadar.
E morremos, morremos
Devagar, devagar.
Letra de José Carlos Ary dos Santos
Música de Alain Oulman
Meu amor, meu amor,
Meu corpo em movimento,
Minha voz à procura,
Do seu próprio lamento.
Meu limão de amargura,
Meu punhal a crescer,
Nós parámos o tempo,
Não sabemos morrer.
E nascemos, nascemos
Do nosso entristecer.
Meu amor, meu amor
Meu pássaro cinzento,
A chorar a lonjura,
Do nosso afastamento.
Meu amor, meu amor
Meu nó de sofrimento,
Minha mó de ternura,
Minha nau de tormento.
Este mar não tem cura,
Este céu não tem ar,
Nós parámos o vento,
Não sabemos nadar.
E morremos, morremos
Devagar, devagar.
Letra de José Carlos Ary dos Santos
Música de Alain Oulman
dezembro 04, 2008
dezembro 02, 2008

Edgar Degas, O Bebedor de Absinto
Eu, que sou feio, sólido, leal,
A ti, que és bela, frágil, assustada,
Quero estimar-te, sempre, recatada
Numa existência honesta, de cristal.
Sentado à mesa dum café devasso.
Ao avistar-te, há pouco, fraca e loura.
Nesta Babel tão velha e corruptora,
Tive tenções de oferecer-te o braço.
E, quando socorreste um miserável,
Eu que bebia cálices de absinto,
Mandei ir a garrafa, porque sinto
Que me tornas prestante, bom, saudável.
«Ela aí vem!» disse eu para os demais;
E pus-me a olhar, vexado e suspirando,
O teu corpo que pulsa, alegre e brando,
Na frescura dos linhos matinais.
Via-te pela porta envidraçada;
E invejava, - talvez não o suspeites!-
Esse vestido simples, sem enfeites,
Nessa cintura tenra, imaculada.
Ia passando, a quatro, o patriarca.
Triste eu saí. Doía-me a cabeça.
Uma turba ruidosa, negra, espessa,
Voltava das exéquias dum monarca.
Adorável! Tu muito natural,
Seguias a pensar no teu bordado;
Avultava, num largo arborizado,
Uma estátua de rei num pedestal."
Cesário Verde
dezembro 01, 2008
fiama hasse pais brandão
novembro 30, 2008

«A memória é essa claridade fictícia das sobreposições
que se anulam. O significado é essa espécie
de mapa das interpretações que se cruzam
como cicatrizes de sucessivas pancadas.
Os nossos sentimentos.
A intensidade do sentir é intolerável.
Do sentir ao sentido do sentido ao significado:
o que resta é impacto que substitui impacto
— eis a invenção.»
Ana Hatherly, in 'Tisanas'
novembro 29, 2008
Eis os três primeiros indemonstráveis
da lógica estóica de Crisipo (277-204),
cf. expostos por Gilbert Hottois:
1º ) Primeiro Indemonstrável:
«Se o primeiro, então o segundo;
ora o primeiro, logo o segundo.»
= modus (ponendo) ponens:
[(p>q)•p]>q
2º) Segundo Indemonstrável:
«Se o primeiro, o segundo;
ora não o segundo, logo não o primeiro.»
= modus (tollendo) tollens:
[(p>q)•-q]>-p
3º) Terceiro Indemonstrável:
«Não (o primeiro e o segundo);
ora o primeiro, logo não o segundo.»
= modus ponendo-tollens:
[-(p•q)•p]>-p
novembro 10, 2008
novembro 02, 2008
outubro 23, 2008
Imagem in blog-do-otário
Poema in Modus Vivendi
Dos acasos literários
A vida tem destes acasos literários:
um comboio, dois livros e a pior
das razões para nos apaixonarmos.
Tenho vinte e dois anos e o equivalente
em retratos teus -periféricos ou não-
catalogados de acordo com as horas psicologicamente
intermináveis do teu sorriso.
O nosso amor é como o lado vazio de uma ampulheta,
ou seja, inverso ao próprio tempo que não marca
o surgir inesperado daquelas noites em que tudo acontece
numa peça de teatro à qual nunca comparecemos.
As tuas mãos são um jardim demasiado inconstante
para fazer fila e esperar a morte. Tens seis letras no nome
e antes que amanheça saberei em que lugar do meu corpo
cada uma delas cabe.
David Teles Pereira
outubro 21, 2008
outubro 12, 2008
setembro 17, 2008

"paleta de cores para pintar os sonhos"
(1864-1927) Serusier em Modus Vivendi
Jejuei sob o nome das coisas desejadas,
com a boca presa aos resíduos do medo
na secura dos olhos.
Herdei a nomenclatura dos vadios
e fico onde não sei,
à procura de tudo e de nada.
Apátrida. Sem rota. Terra ocupada.
O meu poema não cabe nesta angústia
de ter nos pés o funambulismo
litigioso dos sonhos.
Sobrevivo a todas as memórias,
mesmo às que definham no rosto dos velhos.
E a minha voz tornou-se tão plural como o silêncio.
Graça Pires, Labirintos
Câmara Municipal de Murça, 1997
setembro 01, 2008
ana karenina
«Era o retrato de Ana pintado ( ) Levine examinou o retrato
que avultava na sua moldura sob a chapa da luz.
Não podia apartar dele a vista.
Esqueceu até mesmo onde estava,
e sem prestar a menor atenção ao que se dizia,
quedou-se de olhos fascinados.
Não era um quadro. Era uma mulher viva e fascinante.
Só não estava viva, por ser mais bela do que a mais bela mulher real.
— «Tenho muito prazer» — disse, de súbito, uma voz junto aos ouvidos de Levine.
Essa voz dirigia-se a ele, naturalmente; e era a voz da mulher cujo retrato contemplava.
Ana vinha ao seu encontro e Levine pôde ver,
na meia-luz do escritório, a mulher do retrato ( ).
Embora a sua atitude e a sua expressão fossem outras,
a beleza era do mesmo género da representada pelo pintor.
Com efeito, era menos deslumbrante mas, em compensação,
havia nela algo de novo e de atraente que o quadro não tinha.»
Um instantâneo algo 'platónico'
dado o imediato confronto entre
a 'cópia' e o 'original.
:)
agosto 31, 2008
Não descansa, não mora
santa felicidade
em torres, em tesouros, em grandezas.
Errada vaidade!
Isso são bens de fora;
nosso só é o saber, que tanto prezas.
Tudo al são pobrezas
num ânimo contente,
que mil mundos despreza, e só deseja
deixar à sua gente,
por honra e por riquezas,
saber, e vida livre de ódio e de inveja.
António Ferreira, Poemas Lusitanos ("Livro I das Odes -5")
santa felicidade
em torres, em tesouros, em grandezas.
Errada vaidade!
Isso são bens de fora;
nosso só é o saber, que tanto prezas.
Tudo al são pobrezas
num ânimo contente,
que mil mundos despreza, e só deseja
deixar à sua gente,
por honra e por riquezas,
saber, e vida livre de ódio e de inveja.
António Ferreira, Poemas Lusitanos ("Livro I das Odes -5")
agosto 29, 2008
Ne chantez pas la Mort, c'est un sujet morbide
Le mot seul jette un froid, aussitôt qu'il est dit
Les gens du "show-business" vous prédiront le "bide"
C'est un sujet tabou... Pour poète maudit
La Mort... La Mort...
Je la chante et, dès lors, miracle des voyelles
Il semble que la Mort est la soeur de l'amour
La Mort qui nous attend, l'amour que l'on appelle
Et si lui ne vient pas, elle viendra toujours
La Mort... La Mort...
La mienne n'aura pas, comme dans le Larousse
Un squelette, un linceul, dans la main une faux
Mais, fille de vingt ans à chevelure rousse
En voile de mariée, elle aura ce qu'il faut
La Mort... La Mort...
De grands yeux d'océan, la voix d'une ingénue
Un sourire d'enfant sur des lèvres carmin
Douce, elle apaisera sur sa poitrine nue
Mes paupières brûlées, ma gueule en parchemin
La Mort... La Mort...
"Requiem" de Mozart et non "Danse Macabre"
Pauvre valse musette au musée de Saint-Saëns !
La Mort c'est la beauté, c'est l'éclair vif du sabre
C'est le doux penthotal de l'esprit et des sens
La Mort... La Mort...
Et n'allez pas confondre et l'effet et la cause
La Mort est délivrance, elle sait que le Temps
Quotidiennement nous vole quelque chose
La poignée de cheveux et l'ivoire des dents
La Mort... La Mort...
Elle est Euthanasie, la suprême infirmière
Elle survient, à temps, pour arrêter ce jeu
Près du soldat blessé dans la boue des rizières
Chez le vieillard glacé dans la chambre sans feu
La Mort... La Mort...
Le Temps, c'est le tic-tac monstrueux de la montre
La Mort, c'est l'infini dans son éternité
Mais qu'advient-il de ceux qui vont à sa rencontre ?
Comme on gagne sa vie, nous faut-il mériter
La Mort... La Mort...
Cliquez ici: La Mort ?...
agosto 19, 2008
Au pays parfumé que le soleil caresse
J'ai connu, sous un dais d'arbres tout empourprés
Et de palmiers d'où pleut sur les yeux la paresse,
Une dame créole aux charmes ignorés.
Son teint est pâle et chaud; la brume enchanteresse
A dans le cou des airs noblement maniérés;
Grande et svelte en marchant comme une chasseresse,
Son sourire est tranquille et ses yeux assurés.
Si vous alliez, Madame, au vrai pays de gloire,
Sur les bords de la Seine ou de la verte Loire,
Belle digne d’orner les antiques manoirs,
Vous feriez, à l’abri des ombreuses retraites
Germer mille sonnets dans le cœur des poètes,
Que vos grands yeux rendraient plus soumis que vos noirs.
Baudelaire
J'ai connu, sous un dais d'arbres tout empourprés
Et de palmiers d'où pleut sur les yeux la paresse,
Une dame créole aux charmes ignorés.
Son teint est pâle et chaud; la brume enchanteresse
A dans le cou des airs noblement maniérés;
Grande et svelte en marchant comme une chasseresse,
Son sourire est tranquille et ses yeux assurés.
Si vous alliez, Madame, au vrai pays de gloire,
Sur les bords de la Seine ou de la verte Loire,
Belle digne d’orner les antiques manoirs,
Vous feriez, à l’abri des ombreuses retraites
Germer mille sonnets dans le cœur des poètes,
Que vos grands yeux rendraient plus soumis que vos noirs.
Baudelaire
agosto 17, 2008
Presumível retrato da poetisa grega Safo ?
O HOMEM INVISÍVEL
O homem que se senta a meu lado
É um homem inventado
É um homem invisível:
...Fita-me sem me olhar
...E eu vejo-o sem o ver
Quando se ama
Qual é a relação entre o corpo e o espaço?
O invisível tem velocidade própria
E nos limites do impensado
Não existe batalha visual
Na câmara escura do sentir
Ana Hatherly, A neo-Penélope,
& etc, Lisboa, 2007
agosto 06, 2008
Se meu desejo só é sempre ver-vos,
que causará, senhora, qu’em vos vendo
assi me encolho logo, e arrependo,
que folgaria então poder esquecer-vos?
Se minha glória só é sempre ter-vos
no pensamento meu, porque em querendo
cuidar em vós, se vai entristecendo,
nem ousa meu espírito em si deter-vos?
Se por vós só a vida estimo, e quero,
como por vós a morte só desejo?
Quem achará em tais contrários meio?
Não sei entender o que em mim vejo.
Mas que tudo é amor entendo e creio,
e no qu’entendo e creio, nisso espero.
António Ferreira (1528-1569)
que causará, senhora, qu’em vos vendo
assi me encolho logo, e arrependo,
que folgaria então poder esquecer-vos?
Se minha glória só é sempre ter-vos
no pensamento meu, porque em querendo
cuidar em vós, se vai entristecendo,
nem ousa meu espírito em si deter-vos?
Se por vós só a vida estimo, e quero,
como por vós a morte só desejo?
Quem achará em tais contrários meio?
Não sei entender o que em mim vejo.
Mas que tudo é amor entendo e creio,
e no qu’entendo e creio, nisso espero.
António Ferreira (1528-1569)
maio 14, 2008
maio 12, 2008
maio 05, 2008
maio 01, 2008
Ukiyo-e (estampa japonesa, in Modus Vivendi)
Mesmo quando um rio
de lágrimas atravessa
e molha este corpo,
não chega para apagar
todo o fogo do amor.
Isumi Shikibu (974?-1034?), in "O Japão no Feminino - I
- Tanka - Séculos IX a XI" Organização e versão portuguesa
Luísa Freire, Assírio & Alvim, Lisboa, 2007, p. 59.
abril 28, 2008
Ukiyo-e (estampa japonesa)
Mesmo que eu agora
te visse uma vez que fosse,
o meu desejo de ti
atravessaria mundos,
todos esses mundos.*
*Escrito a um homem que lhe pediu que se encontrassem,
mesmo que fosse por uma única vez. Uma singular
mensagem de rejeição em que, ao recusar
o convite, se alega que um só encontro
a deixaria sempre com saudades.
:))
Isumi Shikibu (974?-1034?), in "O Japão no Feminino - I
- Tanka - Séculos IX a XI" Organização e versão portuguesa
Luísa Freire, Assírio & Alvim, Lisboa, 2007, n.3 p. 41
abril 26, 2008
“Oh, admirável mundo novo!”
“– Estabilidade – disse o Administrador – Estabilidade. Não há civilização sem estabilidade social. Não há estabilidade social sem estabilidade individual.”
“ - ... é bem o modo de os senhores procederem. Livrar-se de tudo o que é desagradável, em vez de aprender a suportá-lo. Se é mais nobre para a alma sofrer os golpes de funda e as flechas da fortuna adversa, ou pegar em armas contra um oceano de desgraças e, fazendo-lhes frente, destruí-las, mas os senhores não fazem nem uma coisa nem outra. Não sofrem e não enfrentam. Suprimem, simplesmente, as pedras e as flechas. É fácil demais.”
Aldous Huxley
“– Estabilidade – disse o Administrador – Estabilidade. Não há civilização sem estabilidade social. Não há estabilidade social sem estabilidade individual.”
“ - ... é bem o modo de os senhores procederem. Livrar-se de tudo o que é desagradável, em vez de aprender a suportá-lo. Se é mais nobre para a alma sofrer os golpes de funda e as flechas da fortuna adversa, ou pegar em armas contra um oceano de desgraças e, fazendo-lhes frente, destruí-las, mas os senhores não fazem nem uma coisa nem outra. Não sofrem e não enfrentam. Suprimem, simplesmente, as pedras e as flechas. É fácil demais.”
Aldous Huxley
março 25, 2008
William Etty - imagem in blog Modus Vivendi
Percursos
Hoje sinto-me vazia de mim
e
no afago da espera adivinho o percurso da sereia
no oceano de rumores que de meus sonhos,
flutuantes, se erguem.
Liberto desenhos, sinais,
expulso a voz do peito
e espero que sigas meu corpo e o alcances
já que eu o não consigo.
De mim a vontade desfaz-se num último lume,
precária respiração
Tornei-me nómada
e pergunto-me se não estarei agora em ti.
(Ana Sousa, Fragmentos)
março 21, 2008
Numa conversa com a menina bluegift e o 'menino' Peter,
no blog Conversas de Xaxa, enunciei a seguinte tese:
.
«A causalidade que vamos identificando na casualidade
caótica dos eventos, apenas se reporta à regularidade
pretérita das sequências em que os observamos,
e as suposições que permitem dedutivamente explicá-los,
podem averar-se não ser as únicas que os causam.»
.
Isto está devidamente formulado em Raymond Boudon,
O Justo e o Verdadeiro, Instituto Piaget, Lisboa, 1998,
.
p. 104-5: - Suponhamos uma teoria T deduzida
de um conjunto de premissas {P}.
.
Ora, pode acontecer que, na realidade,
a teoria de facto explicativa seja T', a qual ,
para além de {P}, inclua um conjunto
de proposições implícitas {P'},
ou seja T' = {P} + {P'}.
.
Assim, pode dar-se que T -> C, isto é,
que a conclusão C se deduza de T
conforme o saber científico e,
.
na realidade,
.
o que ocorre é T' -> C',
por nem todas as suposições teóricas
estarem devidamente explicitadas.
.
Ora, ignorando-se {P'}, a ciência concluirá,
erradamente, que T -> C' o que
não é o caso realmente.
.
:)
março 19, 2008

esculturas de Gustav Vigeland (1869-1943),
no Frogner Park em Oslo, na Noruega
Escultura de amanhã
Dentro de um secular sossego
nós somos
a escultura de amanhã
(trilhos de formiga
descem no cabelo
patinado de pó o coração)
Tu e eu
só estátuas de amanhã
Não temos na mão a flor
um livro uma espingarda
uma cadeira gasta onde morrer
E sem o monstro gótico apunhalado aos pés
(Todos os sonhos são de pedra ou bronze
não os meus de palha ou de papel)
Tu e eu
baixo-relevo
vendidos tocados expostos em vida
perseguidos pelos milionários
e pelos mortos talvez que invadiram já
o pedestal das estátuas
Tu e eu
elípticos de sexo
ontem gritada no teu peito
hoje secreto no meu ventre
deserdados da sombra
já sem gesto
escultura de amanhã
Luiza Neto Jorge
Cortesia imagem e poema,
blogs Modus vivendi e aluaflutua
março 17, 2008
março 12, 2008
Descartes
Geraldo de Barros
Descartes
Sou o único homem na terra e talvez não haja terra nem homem.
Talvez um deus me engane.
Talvez um deus me condenasse ao tempo, essa longa ilusão.
Sonho a lua e sonho os meus olhos que percepcionam a lua.
Sonhei a tarde e a manhã do primeiro dia.
Sonhei Cartago e as legiões que devastaram Cartago.
Sonhei Lucano.
Sonhei a colina do Gólgota e as cruzes de Roma.
Sonhei a geometria.
Sonhei o ponto, a linha, o plano e o volume.
Sonhei o amarelo, o azul e o vermelho.
Sonhei a minha infância adoentada.
Sonhei os mapas e os reinos e aquele duelo na alba.
Sonhei a inconcebível dor.
Sonhei a minha espada.
Sonhei Isabel da Boémia.
Sonhei a dúvida e a certeza.
Sonhei o dia de ontem.
Talvez não tenha tido ontem, talvez não tenha nascido.
Talvez sonhe ter sonhado.
Sinto um pouco de frio, um pouco de medo.
Sobre o Danúbio está a noite.
Continuarei a sonhar Descartes e a fé dos seus pais.
JL Borges, A cifra, in Obras Completas, Vol. III,
Círculo de Leitores, Lisboa, 1998, p. 309
março 06, 2008
março 04, 2008
Também vi que a minha forma humana não podia ser definitiva;
que durante a minha vida aqui eu devia ir sempre mais longe
nesse corpo para, mais tarde e noutro lugar, poder reconhecer
o meu espírito pelas marcas indeléveis que nele houvera
deixado — condição sine qua non para não me dissolver
no tudo desconhecido.
Maria Gabriela Llansol, Contos do mal errante,
ed. Rolim, Lisboa, 1986


