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fevereiro 04, 2014
«Habitando a paciência da ondulada
sombra vibramos numa rede
de veemências suaves de sabores secretos
e sentimos a terra deslizando connosco.»
António Ramos Rosa, in Dinâmica Subtil, 1984,
in "Antologia poética", Selecção, Prefácio e Bibliografia
de Ana Paula Coutinho Mendes, Public. Dom Quixote,
Lisboa, 2001, p. 214.
(img in blog Olhar)
fevereiro 03, 2014
Helena Almeida, Pintura habitada (1975)
«Num ponto qualquer
sensualmente subtil
algo que antes não servia para nada
irradia agora habitada surpresa.»
António Ramos Rosa, in Dinâmica Subtil, 1984,
in "Antologia poética", Selecção, Prefácio e Bibliografia
de Ana Paula Coutinho Mendes, Public. Dom Quixote,
Lisboa, 2001, p. 213.
março 05, 2011
Kees van Dongen
A nudez requer um delta ou um oásis
ou a branca integridade do deserto
E dizemos que é uma balança um barco ou uma coluna
embora todas as margens se apaguem na brancura
O esplendor de um corpo é sumptuoso e puro
e tem a integridade de uma surpresa nua
Como pode a palavra cingir as voluptuosas linhas
em que o desejo dança dilacerado e ébrio?
A graciosa gravidade túmida e delicada
de um corpo que equilibra o mundo e o anula
é um doce e violento desafio
à volúvel e frágil fantasia da palavra
antónio ramos rosa
dezembro 10, 2010
Para a meg, herself :):

Não queiras mais que a gratuita lucidez
do instante sem caminho Não julgues que ele é mais
do que a casual aragem de não ser mais nada
do que o voluptuoso fluir de um puro vazio
Em distraído vagar como uma leve nuvem
torna-te vago também deixa ascender em ti
essa torre ténue que quer a transparência
e a graça flexível de pertencer ao ar
Não queiras conhecer o que há por trás desse fulgor puro
se é que há algo por detrás Aceita a sua dádiva gratuita
porque ele é precisamente nulo
e tão essencial como o ar que se respira
António Ramos Rosa, As Palavras,
Campo das Letras, Porto, 2001
Não queiras mais que a gratuita lucidez
do instante sem caminho Não julgues que ele é mais
do que a casual aragem de não ser mais nada
do que o voluptuoso fluir de um puro vazio
Em distraído vagar como uma leve nuvem
torna-te vago também deixa ascender em ti
essa torre ténue que quer a transparência
e a graça flexível de pertencer ao ar
Não queiras conhecer o que há por trás desse fulgor puro
se é que há algo por detrás Aceita a sua dádiva gratuita
porque ele é precisamente nulo
e tão essencial como o ar que se respira
António Ramos Rosa, As Palavras,
Campo das Letras, Porto, 2001

