Ditoso seja aquele que somente Se queixa de amorosas esquivanças; Pois por elas não perde as esperanças De poder nalgum tempo ser contente.
Luís de Camões
dezembro 09, 2009
Pois meus olhos não deixam de chorar Tristezas que não cansam de cansar-me Pois não abranda o fogo em que abrasar-me Pode quem eu jamais pude abrandar Não canse o cego amor de me guiar A parte donde não saiba tornar-me Nem deixe o mundo todo de escutar-me Enquanto me a voz fraca não deixar E se em montes, em rios, ou em vales Piedade mora ou dentro mora amor Em feras, aves, plantas, pedras, águas Ouçam a longa história de meus males E curem sua dor com minha dor Que grandes mágoas podem curar mágoas
Ana Moura canta Camões
junho 10, 2009
Tanto de meu estado me acho incerto Que em vivo ardor tremendo estou de frio Sem causa, justamente choro e rio O mundo todo abraço nada aperto
É tudo quanto sinto um desconcerto Da alma um fogo me sai, da vista um rio Agora espero, agora desconfio Agora desvario, agora acerto
Estando em terra, chego ao céu voando Numa hora acho mil anos, e é de jeito Que em mil anos não posso achar uma hora
Se me pergunta alguém porque assim ando Respondo que não sei; porém suspeito Que só porque vos vi, minha Senhora
luíz vaz de camões
maio 03, 2009
Picasso Sabe, canção, que porque não vejo engano com palavras o meu desejo.
(Camões)
abril 20, 2009
«Que as Ninfas do Oceano, tão fermosas, Tétis e a Ilha angélica pintada, Outra cousa não é que as deleitosas Honras que a vida fazem sublimada. Aquelas preminências gloriosas, Os triunfos, a fronte coroada De palma e louro, a glória e maravilha: Estes são os deleites desta Ilha.
Que as imortalidades que fingia A antiguidade, que os Ilustres ama, Lá no estelante Olimpo, a quem subia Sobre as asas ínclitas da Fama, Por obras valerosas que fazia, Pelo trabalho imenso que se chama Caminho da virtude, alto e fragoso, Mas, no fim, doce, alegre e deleitoso,
Não eram senão prémios que reparte, Por feitos imortais e soberanos, O mundo cos varões que esforço e arte Divinos os fizeram, sendo humanos; Que Júpiter, Mercúrio, Febo e Marte, Eneias e Quirino e os dous Tebanos, Ceres, Palas e Juno com Diana, Todos foram de fraca carne humana.
Mas a Fama, trombeta de obras tais, Lhe deu no mundo nomes tão estranhos De Deuses, Semideuses, Imortais, Indígetes, Heróicos e de Magnos. Por isso, ó vós que as famas estimais, Se quiserdes no mundo ser tamanhos, Despertai já do sono do ócio ignavo, Que o ânimo, de livre, faz escravo.
E ponde na cobiça um freio duro, E na ambição também, que indignamente Tomais mil vezes, e no torpe e escuro Vício da tirania infame e urgente; Porque essas honras vãs, esse ouro puro, Verdadeiro valor não dão à gente. Milhor é merecê-los sem os ter, Que possuí-los sem os merecer.»
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Destarte se esclarece o entendimento, Que experiências fazem repousado, E fica vendo, corno de alto assento, O baixo trato humano embaraçado. Este, onde tiver força o regimento Direito, e não de afeitos ocupado, Subirá (como deve) a ilustre mando, Contra vontade sua, e não rogando.
Vincenzo Bellini, Norma Luís de Camões, Os Lusíadas