Que grande cobra, a lúbrica pessoa, Que espartilhada escolhe uns xales com debuxo! Sua excelência atrai, magnética, entre luxo, Que ao longo dos balcões de mogno se amontoa. ( )
:)
fevereiro 07, 2010
Imagem: Stuelpnagel, D. s/ título (2002) Vídeo: Ella Fitzgerald, What is this thing called love Origem: Blog Branco no Branco Se eu não morresse, nunca! E eternamente Buscasse e conseguisse a perfeição das cousas! Esqueço-me a prever castíssimas esposas, Que aninhem em mansões de vidro transparente!
Ó nossos filhos! Que de sonhos ágeis, Pousando, vos trarão a nitidez às vidas!
Cesário Verde
dezembro 02, 2008
Edgar Degas, O Bebedor de Absinto
Eu, que sou feio, sólido, leal, A ti, que és bela, frágil, assustada, Quero estimar-te, sempre, recatada Numa existência honesta, de cristal.
Sentado à mesa dum café devasso. Ao avistar-te, há pouco, fraca e loura. Nesta Babel tão velha e corruptora, Tive tenções de oferecer-te o braço.
E, quando socorreste um miserável, Eu que bebia cálices de absinto, Mandei ir a garrafa, porque sinto Que me tornas prestante, bom, saudável.
«Ela aí vem!» disse eu para os demais; E pus-me a olhar, vexado e suspirando, O teu corpo que pulsa, alegre e brando, Na frescura dos linhos matinais.
Via-te pela porta envidraçada; E invejava, - talvez não o suspeites!- Esse vestido simples, sem enfeites, Nessa cintura tenra, imaculada.
Ia passando, a quatro, o patriarca. Triste eu saí. Doía-me a cabeça. Uma turba ruidosa, negra, espessa, Voltava das exéquias dum monarca.
Adorável! Tu muito natural, Seguias a pensar no teu bordado; Avultava, num largo arborizado, Uma estátua de rei num pedestal."