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março 28, 2011


«Olhando uma parede branca, é-me muito difícil pensar.
Mas eu sei que a parede está guardando o meu olhar.»


Maria Gabriela Llansol, Um Falcão no Punho, p.63

novembro 27, 2010



«Quando se realiza, muito do que se pensa se perde.
Quando se constrói uma casa, a maior parte do universo
fica de fora; mas quando se destrói uma casa, a cosmogonia fica dentro.»


Maria Gabriela Llansol, Um arco singular - Livro de Horas II,
Assírio & Alvim, Lisboa, 2010, p.222

novembro 21, 2010



«[ ] não vislumbrei as nascentes do Tigre e do Eufrates,
que talvez nesse labirinto de ruas de água que suportam
o mundo / a vida presente, Tejo-rio se tenha perdido.»


Maria Gabriela Llansol, Um arco singular - Livro de Horas II,
Assírio & Alvim, Lisboa, 2010, p. 233

novembro 19, 2010


Christopher Latham Sholes, inventor que deu início à indústria
de máquinas de escrever. Sholes acreditava que sua invenção
fora fundamental na emancipação feminina, pois possibilitou
que a mulher ingressasse no mercado de trabalho dos escritórios.

(Herkimer County Historical Society)

«Escrevem à máquina em face deste campo; milhões de folhas
de papel para triliões de folhas de árvores; mulheres sentadas
oito horas por dia a escrever cartas e a dar forma lapidar
à evidência. Senhor doutor, senhor ovo de sabedoria,
senhor de gema perdida; é o meio-dia das duas
horas livres para continuar à tarde; com
este horário de contenção biológica,
com esta incubadora de leis,
política vai gerando político,

eternamente.

Acumulam-se informaçóes, mas
o Estado, composto por estes
milhões de homens machos
que vomitam frases
e testículos e

lugares comuns de há séculos,
não vota a lei do seu desaparecimento.»


Maria Gabriela Llansol, Uma data em cada mão
- Livro de Horas I, Lisboa, Assírio & Alvim, 2010, p. 95

novembro 17, 2010


Tamara de Lempicka

«Sim, diz-me a mulher,
pousando as mãos nos meus joelhos.

Desejo encontar alguém
que me ame com bondade
e que seja um homem.


Alguém que queira ressuscitar para ti?
Sim, alguém que tenha para comigo essa memória.»


maria gabriela llansol, amigo e amiga,
Assírio & Alvim, Lisboa, 2006, p.240

outubro 27, 2010


Quadro de Melyta

«Não sei se este pensamento elucida o dia, se a noite.
Veio às cinco da manhã, e às dezoito do mesmo dia.
Aqui o deixo__________________________ a ilha é

Um lugar onde o mar ruge por todos os lados. Quando
O vento a submerge, batem nas rochas e nas escarpas
Peixes, assinalados por terem morrido em vão.»



Maria Gabriela Llansol, O começo de um livro é precioso
Assírio & Alvim, Lisboa, 2003, p.196

outubro 13, 2010



Numa destrinça subtil,
cada um traz a sua ausência.

Mas há uma escala graduada
de valores libidinais,

onde a muda ausência da amada,
muda a beleza dessa ausência.


(texto de gabriela llansol adaptado)

setembro 03, 2010

~
img aqui

«Na origem, tudo é origem.»

Maria Gabriela Llansol, Uma data em cada mão
- Livro de Horas I
, Lisboa, Assírio & Alvim, 2010, p. 114

setembro 02, 2010


Img in Blog do Manel

«O que mais desejo é uma grande economia de palavras.»

Maria Gabriela Llansol, Uma data em cada mão
- Livro de Horas I
, Lisboa, Assírio & Alvim, 2010, p. 221

setembro 01, 2010



«À noite assisti, na televisão, a um debate sobre o desemprego,
que me apareceu como uma encruzilhada de todos os problemas.
Porque é que trabalhar é uma realidade incontestável? Porque
é que só uma parte da actividade das pessoas é remunerada?
Porque é que há uma hierarfquia no trabalho? Porque é que
se exagerou de tal modo a função da máquina? Porque é
que há uma tão grande diferença de recieitas de indivíduo
para indivíduo? Porque é que o trabalho, na maior parte
dos casos, só ocupa o tempo e garante o ganho, em vez
de ser uma forma de expressão, ou uma paticipação
directa na vida comum?»

Maria Gabriela Llansol, Uma data em cada mão
- Livro de Horas I, Lisboa, Assírio & Alvim, 2010, p. 221

agosto 31, 2010



«Nessa confrontação de um único dia
(medida unitária do tempo) com todos
os dias (medida fragmentada do tempo)
percebeu que o que a cansava e fazia sofrer
era a perda de consciência motivada pelo trabalho.

Ser destinado à morte (de facto, assim era)
necessitava de, já em vida corporal,
mergulhar no sentido eterno.

Por causa da distracção permanente
a que os seus sentidos mais queridos
eram impelidos [no local do trabalho]
[este] transformara-se num lugar de penas,
e raros momentos de reencontro.

As pessoas passavam, passavam desligadas
dessa aragem do cosmos com que se perfumavam,
e as noites caíam sobre dias esmagados
pelos trabalhos no tempo.»


Maria Gabriela Llansol, Uma data em cada mão -
Livro de Horas I, Lisboa, Assírio & Alvim, 2010, p. 137

julho 28, 2010

P A R T Í C U L A 61 — A aranha

«[ ] As virgens da Casa — com ou sem sexo rasgado — evoluem à mi-
nha volta e, quando param, confirmam a exactidão do meu disfarce.

«ah, como é estético um esquilo no homem.»

E as que têm essa devoção sentem a natureza e, em simultâneo,
resguardam as perguntas que hão-de fazer-lhe no interior da vagina.

São apenas umas poucas as mulheres da Casa.
No entanto, valem por muitas.[ ]»

:)

Maria Gabriela Llansol, Os cantores da leitura,
Assírio & Alvim, Lisboa, 2007

abril 21, 2010



Nada mais seguro do que um bairro
Destruído. Que podem sobre ele
Taxas, bombas, traficantes, polícias
E sinos dobrando pelos mortos?
Não ouses, suplico-te, com teus
Instantâneos, Elvira, louvar as
Ruínas. Honra as conquistas do
Deserto. Não sei explicar. Vejo
As ruínas como imagem pura
Do encadeamento dos actos.
Pelo contrário, o deserto clama
Pelo encadeado dos elos.



Maria Gabriela Llansol, O começo de um livro é precioso
Assírio & Alvim, Lisboa, 2003, p.141

abril 06, 2010



Dir-lhe-ia [ ]:
Deve-se guardar o secreto
com o secreto.
Torná-lo (cão) de guarda.
Não o deixar pronunciar
Uma única palavra sobre
A implosão do inseguro
Mesmo quando a confidência
Parece que te liberta. É falso.
Apenas difundiste um som. Este
Violou o secreto e abriu uma
Ferida insanável no rigor
Inviolável da palavra.


Maria Gabriela Llansol, O começo de um livro é precioso
Assírio & Alvim, Lisboa, 2003, p.342

março 09, 2010


imagem aqui

««Assim», disse ele num tom de conversa figurativa, «você,
Aqui presente, não existe»
. O outro não se assustou, julgando
Impropriamente que estavam apenas a chamá-lo à razão
(Hipotética) de um outro. Mas o facto é que, naquele momento,
Por um efeito marcial directo do que fora dito, desapareceu.
Para o homem especulativo impunha-se provar a congruência
Do sucedido mas, tu, Literatura, sabes que a ocorrência é um
Típico percalço de personagem. O escritor não disse?»

:)

Maria Gabriela Llansol, O começo de um livro é precioso
Assírio & Alvim, Lisboa, 2003, p.204

março 08, 2010


imagem in blog Miluzinha

«Agora que ele começa onde ela principia,
Que fazer de dois hetero-humanos que se
Iniciam?



Maria Gabriela Llansol, O começo de um livro é precioso
Assírio & Alvim, Lisboa, 2003, p.97

novembro 30, 2009



Não sei se precisamos de notícias; precisamos,
Certamente, de saber. O jornal apaga os passos
Que foi dando, ficando à espera de que haja mais.
O espaço vazio é mero arquivo. Decorrido um
Ror de tempo nessa aventura (tendo-lhe eu, entretanto,
Pago uma fortuna), as notícias sempre e sempre,
Vai tornando o saber mais evasivo. «Não sei que
Pensar», não é certamente um objectivo.

:)


Maria Gabriela Llansol, O começo de um livro é precioso
Assírio & Alvim, Lisboa, 2003, p.103

novembro 29, 2009


Imagem: pesquisa google

«Uma voz, em face da sua mente, é muito susceptível
De ser influenciada. Antes de mais, pela mente. Tornar-
-Se uma mera incandescência. O rebordo do tom,
A inteligência com que se coloca, a certeza
Da frequência de onda, servem-se, todavia, mutuamente.
Mente e voz, vi-as hoje deitadas na mesma cama. Dormiam
A sesta, uma na outra envoltas. Não era necessário sonhar
Na luz branca. Depois, levantaram-se daquele amor,
E foram sentar-se à mesma mesa. Na toalha branca
Que partilham, a alvura cruzada com a limpidez dos
Copos é a imagem nua que sente. Sua qualidade ___
É difusa e, no entanto, focalizada.»

Maria Gabriela Llansol, O começo de um livro é precioso
Assírio & Alvim, Lisboa, 2003, p.138

novembro 28, 2009

Não lhe seguindo o exemplo,
uma bela fotografia de gabriela llansol



«Não me esqueço de que preferes que não se fale de ti
porque receias uma imagem que te guarde.

Mas, com todo o rigor,
um rosto que volta
é uma imagem que se desfaz.

A fonte é sempre a mesma
mas o aspecto adianta-se, imprevisível;

a tal ponto que a vontade se exerce,
não a captar a imagem,
mas a desposar a força que a gerou.»

Mª Gabriela Llansol,
Contos do mal errante

abril 12, 2009


«Diálogo entre duas amigas e seu Alguém:
— O espírito quando desce sobre mim deixa-me sem jeito.
(Pausa) Não sei como prendê-lo nos brincos ou no botão
Do seio.
— Não tens outro sensível onde o prender?
— Como queres que saiba? Os nichos que procura nunca
São os mesmos. Não se derrama duas vezes na mesma
Prega.
— Tão corpo é ele?
— Sinto-o como uma floração errante, Nunca murcha
Mas ignoro como pega.
— Não será no fundo uma evidência de recato?
— Não se repete. Inquieta-me. Acalma-me.
— É apenas um aceno que não te reconhece integralmente.
— Sim. Como este nosso diálogo. Não me diz que animal
Vivo eu sou, nem porque me chama.
— Diz, sim. Prende-te os cabelos com um laço.»

:)

Maria Gabriela Llansol, O começo de um livro é precioso
Assírio & Alvim, Lisboa, 2003, p.219