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janeiro 30, 2013


«Igualmente interessados [os filósofos racionalistas] em respeitar a razão e em basear nela a autoridade da fé, do mesmo modo que a ordem política, os pensadores deste período [século XVII] atingem, por isso mesmo, o mais alto grau de sinceridade religiosa e de profundeza moral.

A riqueza de inteligência dos grandes filósofos modernos [Descartes, Espinosa, Leibniz], autênticos clássicos da meditação metafísica, é o mais belo fruto desse esforço renovado, dessa visão penetrante que a sinceridade, o rigor e a solidez moral do sábio proporcionaram à consciência ocidental.»

Pierre Ducassé (1905-1983), As Grandes Correntes da Filosofia, («Les Grandes Philosophies», 1972)Trad. Álvaro Salema, Lisboa, Public. Europa-América, Colecção Saber nº 10, n.31, p.60

agosto 02, 2011




«Il ne me reste plus maintenant qu’à examiner s’il y a
des choses matérielles: et certes au moins sais-je déjà
qu’il y en peut avoir, en tant qu’on les considère comme
l’objet des dé-monstrations de géométrie, vu que de cette
façon je les conçois fort clairement et fort distinctement.
Car il n’y a point de doute que Dieu n’ait la puissance
de produire toutes les choses que je suis capable
de concevoir avec distinction – et je n’ai jamais
jugé qu’il lui fût impossible de faire quelque
chose, qu’alors que je trouvais de la
contradiction à la pouvoir
bien concevoir.»



Sixième Méditation

julho 29, 2011



«Il me reste beaucoup d’autres choses à examiner,
touchant les attributs de Dieu, et touchant ma propre nature,
c’est-à-dire celle de mon esprit : mais j’en reprendrai
peut-être une autre fois la recherche.

Maintenant (après avoir remarqué ce qu’il faut faire ou éviter
pour parvenir à la connaissance de la vérité),
ce que j’ai principalement à faire,
est d’essayer de sortir et de me débarrasser
de tous les doutes où je suis tombé ces jours passés,
et voir si l’on ne peut rien connaître de certain
touchant les choses matérielles.


Mais avant que j’examine s’il y a de telles choses
qui existent hors de moi, je dois considérer leurs idées,
en tant qu’elles sont en ma pensée, et voir quelles sont celles
qui sont distinctes, et quelles sont celles qui sont confuses.»




Cinquième Méditation

julho 24, 2011



«Je me suis tellement accoutumé ces jours passés
à détacher mon esprit des sens, et j’ai si exactement
remarqué qu’il y a fort peu de choses que l’on connaisse
avec certitude touchant les choses corporelles, qu’il y en a
beaucoup plus qui nous sont connues touchant l’esprit humain,
et beaucoup plus encore de Dieu même, que maintenant
je détournerai sans aucune difficulté ma pensée
de la considération des choses sensibles ou ~
imaginables, pour la porter à celles qui,
étant dégagées de toute matière,
sont purement intelligibles.»

Quatrième méditation

julho 18, 2011



«Je fermerai maintenant les yeux, je boucherai mes oreilles,
je détournerai tous mes sens, j’effacerai même de ma pensée
toutes les images des choses corporelles, ou du moins,
parce qu’à peine cela se peut-il faire, je les réputerai
comme vaines et comme fausses ; et ainsi m’entretenant
seulement moi-même, et considérant mon intérieur,
je tâcherai de me rendre peu à peu plus connu
et plus familier à moi-même.»



Troisième Méditation



julho 15, 2011



«Je crois que le corps, la figure, l'étendue,
le mouvement et le lieu ne sont que des fictions
de mon esprit. Qu'est-ce donc qui pourra être estimé
véritable? Peut-être rien autre chose, sinon
qu'il n'y a rien au monde de certain.»

Deuxième méditation

julho 11, 2011



«Tout ce que j'ai reçu jusqu'à présent pour le plus vrai et assuré,
je l'ai appris des sens, ou par les sens: or j'ai quelque fois éprouvé
que ces sens étaient trompeurs, et il est de la prudence
de ne se fier jamais entièrement
à ceux que nous ont une fois
trompés.»
Première Méditation

abril 09, 2010

Tender is the night



Tender is the night
So tender is the night
There's no one in the world
Except the two of us

Should tomorrow
Find us disenchanted
We have shared a love
That few have known

Summers by the sea
A sailboat in Capri
These memories shall be
Our very own

Even though our dreams may vanish
With the morning light
We loved once in splendour
How tender, how tender the night

(Orchestral Break)

Even though our dreams may vanish
With the morning light
We loved once in splendour
How tender, how tender the night



(Transcribed by Mel Priddle - January 2004)




O que mais apreciei neste romance de Fitzgerald
foi a arguta e rigorosa observação da progressão
de um processo insidioso de desamor, culminando
no acto final, cirúrgico e irreversível de divórcio!

Ver Aqui

agosto 23, 2009

Princesa Elizabeth de Boémia


Princesa Elizabeth da Boémia (1618-1680)


Sereníssima Princesa,

O mais importante fruto que colhi dos escritos que até agora

publiquei foi o facto de Vos terdes dignado lê-los e, por esse
motivo, me terdes admitido no Vosso conhecimento, o que
me deu ocasião de conhecer os Vossos dotes, que são tais
que considero ser um serviço à humanidade propô-los
como exemplo aos séculos vindouros.

Não faria sentido que eu adulasse ou afirmasse algo não

suficientemente examinado (...); e sei que será mais grato
à Vossa generosa modéstia o juízo não afectado e simples
de um Filósofo do que os louvores adornados de homens
lisonjeiros. (...)

É evidente que este sumo cuidado [o da vontade firme e

constante de nada omitir (do que conduza) ao conhecimento
do que é recto e de fazer tudo aquilo que julgar recto] existe
em Vossa Alteza, pois nem as distracções da corte, nem a
educação habitual que costuma condenar as raparigas
à ignorância puderam impedir que investigásseis todas
as boas artes e ciências. Além disso, a grande e incomparável
perspicácia do Vosso espírito manifesta-se também no facto
de terdes inspeccionado profundamente todos os segredos
destas ciências e de em pouco tempo os terdes conhecido
em pormenor. (...)

E quando observo que esse conhecimento tão diversificado

e perfeito de todas as coisas não existe em algum sábio mestre
já idoso que tenha dedicado muitos anos a meditar, mas sim
numa jovem Princesa, que pela forma e pela idade mais faz
lembrar uma das Graças do que a penetrante Minerva ou
alguma das Musas, não posso deixar de ser tomado pela
mais elevada admiração.

Por fim, verifico que não há nada que se requeira para

a absoluta e sublime sabedoria, tanto da parte da vontade
como da parte do conhecimento, que não brilhe nos
Vossos costumes. Pois aparece neles a benignidade
e a mansidão associadas a uma certa singular
majestade, ferida por contínuas injúrias da sorte,

mas nunca perturbada nem quebrada.

E esta sabedoria que em Vós observo de tal modo

de mim exige veneração, que não só considero
que devo dedicar-lhe e consagrar-lhe esta minha
Filosofia (pois ela própria mais não é do que o estudo
da sabedoria), como prefiro antes ser servidor
devotíssimo de Vossa Sereníssima Alteza
do que ser tido por filósofo.

...............................................................Descartes

agosto 19, 2009

Descartes

«Le plus profond c'est la peau»
Paul Valéry

«Mais pour procéder ici avec plus de franchise,
je ne dissimulerai point que je me persuade
qu’il n’y a rien autre chose par quoi nos sens
soient touchés, que cette seule superficie qui
est le terme des dimensions du corps qui
est senti ou aperçu par les sens.


Car c’est en la superficie seule
que se fait le contact, lequel est
si nécessaire pour le sentiment,
que j’estime que sans lui pas un
de nos sens pourrait être mû.»


(Descartes, Méditations métaphysiques,
"Quatrièmes réponses", AT, IX, 192)

agosto 18, 2009

E, com certeza, concluo rectamente


Imagem in Poéticas em Português

«Além disso, também a natureza me ensina que existem diversos corpos em volta do meu corpo, alguns dos quais devem ser procurados por mim, enquanto devo evitar outros. E, com certeza, concluo rectamente que do facto de sentir diversas espécies de cores, sons, odores, sabores, calor, dureza e coisa da mesma natureza, há nos corpos de que me chegam estas várias percepções dos sentidos diferenças correspondentes, embora talvez não semelhantes a elas. E, porque sucede que algumas daquelas percepções me são agradáveis, outras desagradáveis, é absolutamente certo que o meu corpo, ou melhor eu na totalidade, enquanto sou composto de corpo e espírito, posso ser afectado agradável e desagradávelmente pelos corpos circunjacentes.»

Descartes, Meditações sobre a filosofia primeira,
6ª Meditação [14]

agosto 17, 2009

Um relógio composto de rodas e pesos



«[...] Um relógio composto de rodas e pesos não observa menos cuidadosamente todas as leis da natureza quando é mal fabricado e não indica as horas certas do que quando satisfaz a todos os respeitos a intenção do artífice: analogamente, o mesmo se dá com o corpo do homem, se o considero como uma certa máquina equipada e composta de tal maneira, por ossos, nervos, músculos, veias, sangue e peles, que, mesmo que não existisse nela nenhum espírito, possuiria no entanto todos os movimentos que agora executa e não procedem do império da vontade e, por conseguinte, do espírito.»

Meditações sobre a filosofia primeira, 6ª Meditação [16]

E assim, ( ) senti que tinha uma cabeça, mãos, pés


Picasso, Mademoiselles d'Avignon

«E assim, em primeiro lugar, senti que tinha uma cabeça, mãos,
pés e os restantes membros de que consta aquele corpo
que eu considerava como parte de mim próprio
ou, possivelmente, como eu todo.

E senti que este corpo está entre muitos outros corpos,
pelos quais pode ser afectado de modo favorável ou desfavorável,
e eu media o favorável por um certo sentimento de prazer
e o desfavorável por um sentimento de dor.»


Meditações sobre a filosofia primeira,
6ª Meditação [6]

agosto 16, 2009

... de que pense um monte com vale não se conclui...


Mountain Valley
«Mas, [ ] ainda que na verdade eu não possa pensar um Deus
a não ser existente, nem um monte sem um vale, entretanto
como de que pense um monte com vale não se conclui,
com certeza, que existe no mundo algum monte
também não parece concluir-se que Deus existe,
pelo facto de eu pensar Deus como existente.

Com efeito, o meu pensamento não impõe necessidade
às coisas: assim como me é lícito imaginar um cavalo
alado, mesmo que nenhum cavalo tenha asas,talvez
eu também possa atribuir a existência a Deus,
embora não exista nenhum Deus.»
Descartes, Meditações sobre a filosofia primeira,
5ª Meditação [9]

agosto 15, 2009

concebo também inúmeras particularidades



[...] Além disso, se presto atenção, concebo também
inúmeras particularidades sobre as figuras, o número,
o movimento, e coisas semelhantes, cuja verdade
é tão clara e consentânea com a minha natureza
que, logo que as começo a descobrir, parece-me
que não aprendo qualquer coisa de novo,
mas que, ao contrário, me recordo
do que já anteriormente sabia
[...]

Descartes, 5ª Meditação[4]

agosto 14, 2009

Eu sou uma coisa que pensa



«Eu sou uma coisa que pensa, quer dizer,
que duvida, que afirma, que nega,
que conhece poucas coisas,
que ignora muitas,

que quer,
que não quer,

que também imagina,
e que sente.»

maio 22, 2009

Descartes



A propósito deste vídeo,
a que cheguei através de Bach
da Sol, do Branco no Branco, recordo
uma antiga homenagem ao ilustre filósofo,


Descartes: Uma singela homenagem.

Neste final de milénio, em que virou moda, com Damásio e outros,
denunciar O Erro de Descartes… aqui deixo o meu testemunho juvenil
de sincera gratidão àquele que foi o primeiro racionalista europeu.


E lembro um par de manhãs, num café do Porto, já desaparecido ,
nos idos de cinquenta do século passado, onde, aconchegado
por um “pingo bem tirado e uma “mirita torrada” :),
compreendi maravilhado toda a demonstrada
exposição da geometria analítica plana,

essa absorção da geometria milenar de Euclides
pelo simbolismo e análise algébrica,
esteio da nova ciência
impulsionada por Descartes.


Claro que toda a matemática, por muito abstracta e criativa
que seja, pulsa e vibra na própria natureza: assim a definição
da posição de um ponto, por meio de um par de números,
uma sugestão natural para o homem
na sua existência sobre a Terra!

Que o diga, o rapaz de dez anos que fui,
em férias de Páscoa no campo: - reencontrar
o esconderijo habitual do milheiral :) — invisível
ao nível do chão, por a altura das canas ultrapassar
a sua própria — tornou-se habilidade mental exacta,
ao constatar, do monte, a cova das canas partidas

na “terceira fila do canavial”, e
no segundo poste de granito da vinha”!

E que prazer ter mudado da procura às cegas,
para o caminhar certeiro ao lugar do esconderijo! :)

Só nunca “gostei” muito do «penso, logo existo»!
Porque, quando tal me acontecia, no limiar da Razão,
aos sete-oito anos, na cama a “dormir acordado”,
imaginava como seria se não houvesse ninguém
nem nada no mundo, «então, eu sozinho,
por montes e vales, sem sol
nem árvores nem viv'alma»,

«seria assim...», pensava;
«logo, seria um horror, tal mundo!»;
e «ainda bem que havia pessoas.»

Mas já Espinosa, crítico genial de Descartes,
— que não obstante, no Tratado das Paixões da Alma
sua última obra, se redime da secura racionalista,
embora ‘se perca na glândula pineal’ sob cujo paradigma,
em todo caso, Damásio conduz sua pesquisa neurológica
— enunciava o seu anti-solipsismo:

«Não existe coisa singular na Natureza
que seja mais útil ao homem
do que o (seu semelhante)
que vive sob a direcção
da Razão.»
(Ética IV, prop. XXXV, corol. I).

E isto é verdade, mesmo que o exercício da Razão,
em condições de liberdade, resulte necessariamente
numa racionalidade plural!, cuja tolerância
é apanágio dos sábios.

:)

março 12, 2008

Descartes


Geraldo de Barros

Descartes
Sou o único homem na terra e talvez não haja terra nem homem.
Talvez um deus me engane.
Talvez um deus me condenasse ao tempo, essa longa ilusão.
Sonho a lua e sonho os meus olhos que percepcionam a lua.
Sonhei a tarde e a manhã do primeiro dia.
Sonhei Cartago e as legiões que devastaram Cartago.
Sonhei Lucano.
Sonhei a colina do Gólgota e as cruzes de Roma.
Sonhei a geometria.
Sonhei o ponto, a linha, o plano e o volume.
Sonhei o amarelo, o azul e o vermelho.
Sonhei a minha infância adoentada.
Sonhei os mapas e os reinos e aquele duelo na alba.
Sonhei a inconcebível dor.
Sonhei a minha espada.
Sonhei Isabel da Boémia.
Sonhei a dúvida e a certeza.
Sonhei o dia de ontem.
Talvez não tenha tido ontem, talvez não tenha nascido.
Talvez sonhe ter sonhado.
Sinto um pouco de frio, um pouco de medo.
Sobre o Danúbio está a noite.
Continuarei a sonhar Descartes e a fé dos seus pais.

JL Borges, A cifra, in Obras Completas, Vol. III,
Círculo de Leitores, Lisboa, 1998, p. 309

setembro 23, 2007

Descartes

Da Admiração. Sua definição e causa

A Admiração é uma súbita surpresa da alma, que a dispõe a considerar com atenção os objectos que lhe parecem raros e extraordinários. Ela tem como causa, em primeiro lugar, a impressão que se tem no cérebro, e que representa o objecto como raro, e digno por consequência de ser muito considerado; em seguida o movimento dos espíritos, que tendem com grande força, em virtude dessa impressão para a zona do cérebro onde ela existe, para a fortalecerem e conservarem; como também são dispostos por ela a passarem daí aos músculos, que servem para manter os orgãos dos sentidos na situação em que se encontram, a fim de a manterem, se foi por eles que ela se formou.

Descartes, Tratado das paixões da alma, artigo LXX

agosto 05, 2007

Descartes



A Alegria e a Tristeza

E a consideração do bem presente provoca a Alegria,
a do mal a Tristeza, quando é um bem ou um mal
que se nos apresenta como nosso.

Descartes, Tratado das paixões da alma, artigo LXI