E o romance termina assim :):
«Qu’importaient les victimes que la machine écrasait en chemin !
N’allait-elle pas quand même à l’avenir insoucieuse du sang
répandu? Sans conducteur, au milieu des ténèbres, en bête
aveugle et sourde qu’on aurait lâchée parmi la mort,
elle roulait, chargée de cette chair à canon,
de ces soldats, déjà hébétés de fatigue,
et ivres, qui chantaient.»
o.p., p. 461-2 (folio classique)
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março 27, 2009
março 26, 2009
«Séverine, dans ce lit, où ils s’étaient aimés
pendant les heures brûlantes et noires
de la nuit précédente, ne bougeait
toujours pas. [ ]
Elle le suivait d’un va-et-vient du regard,
anxieuse elle aussi, agitée de la crainte
que, cette nuit-là encore, il n’osât point.
En finir, recommencer, elle ne voulait
que cela, au fond de son inconscience
de femme d’amour, complaisante à
l’homme, toute à celui qui la tenait,
sans cœur pour l’autre qu’elle
n’avait jamais désiré.»
o.p., p. 413 (folio classique)
março 25, 2009
Claude Monet
«Era o fim, o estremeção da agonia: pilhas de neve
tornavam a cair, cobriam as rodas [ ] E a Lison [locomotiva]
parou definitivamente, moribunda, no grande frio.
A sua respiração extinguiu-se,
ela estava imóvel, morta. [ ]
Depois nada mais se mexeu, a neve tecia o seu sudário.»
op.cit., pp. 165-6
março 24, 2009

«Mas, a dois passos, a um passo, foi uma derrocada. Tudo
se desmoronou nele, de súbito. Não, não, ele não mataria,
não podia matar assim aquele homem indefeso.
O raciocínio nunca levaria ao crime,
era preciso o instinto de morder,
o salto que lança sobre a presa,
a fome ou a paixão que dilacera.»
op.cit., p.224
março 23, 2009

«— Não me digas que queres que eu o mate? [ ]
Ela disse não, três vezes; mas os seus olhos diziam sim,
os seus olhos de mulher enamorada, toda entregue
à crueldade inexorável da sua paixão.»
————
«Matar esse homem, meu Deus! tinha porventura esse direito?
Quando uma mosca o importunava, ele esmagava-a com uma palmada. [ ] Mas aquele homem, um seu semelhante!
Teve de recomeçar todo o seu raciocínio para provar
a si próprio o direito de assassinar, o direito dos fortes
a quem os fracos incomodam, e que os destroem.»
————
«Era ele, agora, que a mulher do outro amava,
e ela própria queria ser livre para desposá-lo,
para lhe entregar a sua fortuna.
Tudo o que ele fazia era simplesmente afastar o obstáculo.
[ ] visto que essa era a lei da vida, devia obedecer-lhe,
deixando de lado os escrúpulos que tinham sido
inventados mais tarde para permitir
a vida em sociedade.»
op.cit., pp. 217;219.
março 22, 2009
«Era uma dessas máquinas expresso, com dois eixos acoplados,
de uma elegância fina e gigante, com as suas grandes rodas ligeiras
reunidas por braços de aço, o seu peitoril largo, os seus rins alongados
e pujantes, toda essa lógica e toda essa certeza que constituem a beleza
soberana dos seres de metal, a pressão na força.»
op.cit., p.126
março 21, 2009
O romance começa assim... :):

Monet, Claude: La Gare Saint-Lazare (1877).
Musée du Jeu de Paume, Paris
«Ao entrar no quarto, Roubaud pousou sobre a mesa o pão de libra,
a empada e a garrafa de vinho branco. Mas, de manhã,
antes de descer para o seu posto, a tia Vitória
devia ter coberto o fogo do seu calorífero
com tamanha dose de pó de carvão,
que o calor era sufocante.
E o subchefe de estação,
tendo aberto uma janela,
debruçou-se com os cotovelos no peitoril.»

trad. Daniel Augusto Gonçalves)
(Livraria Civilização Editora)
«En entrant dans la chambre, Roubaud posa sur la table
le pain d'une livre, le pâté et la bouteille de vin blanc.
Mais, le matin, avant de descendre à son poste,
la mère Victoire avait dû couvrir fe feu
de son poêle d'un tel poussier,
que le chaleur était
suffocante.
Et le souschef de gare,
ayant ouvert une fenêtre,
s'y accouda.»
Monet, Claude: La Gare Saint-Lazare (1877).
Musée du Jeu de Paume, Paris
«Ao entrar no quarto, Roubaud pousou sobre a mesa o pão de libra,
a empada e a garrafa de vinho branco. Mas, de manhã,
antes de descer para o seu posto, a tia Vitória
devia ter coberto o fogo do seu calorífero
com tamanha dose de pó de carvão,
que o calor era sufocante.
E o subchefe de estação,
tendo aberto uma janela,
debruçou-se com os cotovelos no peitoril.»
trad. Daniel Augusto Gonçalves)
(Livraria Civilização Editora)
«En entrant dans la chambre, Roubaud posa sur la table
le pain d'une livre, le pâté et la bouteille de vin blanc.
Mais, le matin, avant de descendre à son poste,
la mère Victoire avait dû couvrir fe feu
de son poêle d'un tel poussier,
que le chaleur était
suffocante.
Et le souschef de gare,
ayant ouvert une fenêtre,
s'y accouda.»
março 20, 2009
. Monet, Claude: The Gare St.-Lazare, Paris:
Arrival of a Train, detail (1877). Fogg Art Museum,
Harvard University Art Museums
Estou a acabar de ler o meu primeiro romance
de Émile Zola, A Besta Humana («La Bête Humaine»).
Uma escrita rigorosa, de grande qualidade narrativa,
quase um filme de acção e correspondentes emoções.
O romance desenrola-se ao longo da linha ferroviária
Havre - Rouen - Paris, durante o Segundo Império
de Napoleão III.
Uma história fatal, de paixão e morte,
todas as personagens subjugadas
na necessidade férrea
de um destino
com hora
marcada!