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julho 12, 2012
REVERSIBILIDADE
Não sei assim
do que de mim foi feito
daquele que não fui.
O que não fui não conta
é cousa que abjurei
mas ainda existe.
Existe e persiste
na sua memória
cecretamente.
A outra face
a de quem não fui
e não quis que o fosse
é o outro lado
desta face que é
a verdadeira ou não.
Não sei assim
do que de mim foi feito
daquele que não fui.
Lago de Nóbrega*
In "Jorge Barbosa, Poesia Inédita e Dispersa",
Pref., organiz. e notas de Elsa Rodrigues dos Santos,
Edições ALAC - África, Literatura, Arte e Cultura, Lda.,
Lisboa, 1993, p. 103
* Pseudónimo de Jorge Barbosa,
escrito em 1962.
julho 10, 2012
Recordando o Sal
Lembrando Jorge Barbosa,
FOLHA SECA
Folha seca
tiste do outono
desvairado
vento a levou.
E foi subindo
subindo em vertical
pelo espaço
rodopiando.
Mas repentino
parou o vento.
e a folha seca
abandonada
veio pairando
vagarosa e leve
caindo pelo espaço
em espiral.
Deus vebndo-a
desamparada
na lenta
queda rodopiando
Deus compadeceu
e a transformou
em súbita
e ágil andorinha.
Todos os anos
pela primavera
volta de longe
volúvel e breve.
Chega veloz e passa
acrobática roçando
a tarde lírica
da ilha pequena.
Ilha do Sal (1963)
Lembrando Jorge Barbosa,
FOLHA SECA
Folha seca
tiste do outono
desvairado
vento a levou.
E foi subindo
subindo em vertical
pelo espaço
rodopiando.
Mas repentino
parou o vento.
e a folha seca
abandonada
veio pairando
vagarosa e leve
caindo pelo espaço
em espiral.
Deus vebndo-a
desamparada
na lenta
queda rodopiando
Deus compadeceu
e a transformou
em súbita
e ágil andorinha.
Todos os anos
pela primavera
volta de longe
volúvel e breve.
Chega veloz e passa
acrobática roçando
a tarde lírica
da ilha pequena.
Ilha do Sal (1963)
