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fevereiro 11, 2011

Vittoria Colonna



Quando 'l gran lume appar nell'oriente,Che 'l negro manto della notte sgombra,
E dalla terra il gelo o la fredd'ombra
Dissolve e scaccia col suo raggio ardente:

De' primi affanni, ch'avea dolcemente
Il sonno mitigati, allor m'ingombra:
Ond'ogni mio piacer dispiega in ombra,
Quando da ciascun lato ha l'altre spente.

Così mi sforza la nimica sorte
Le tenebre cercar, fuggir la luce,
Odiar la vita e desiar la morte.

Quel che gli altri occhi appanna a' miei riluce,
Perchè chiudendo lor, s'apron le porte
Alla cagion ch'al mio sol mi conduce.
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Quando o grão lume surge lá no oriente,
que o negro manto desta noite afasta,
e sobre a terra o gelo se desgasta,
já dissolvido no seu raio ardente,

a antiga dor, que o sono gentilmente
me adormentara, acorda mais desgasta:
que quando aos outros o prazer se gasta
é que revive o meu mais docemente.

Assim me força uma inimiga sorte
às trevas procurar, fugir da luz,
odiar a vida e desejar a morte.

Que a um outro olhar escurece, ao meu reluz:
se fecho os olhos, abrem-se-me as portas
à dor profunda que a meu sol conduz.

Vittoria Colonna

fevereiro 07, 2011

Vittoria Colonna



Assai lunge a provar nel petto il gelo
De' noiosi pensier ch'apportan gli anni,
Allora er'io, che in tenebre ed affanni
Mi lasciasti, o mio sol, tornandò al cielo.

Indegna forse fui del caldo zelo,
Onde tu acceso apristi altero i vanni,
Infiammarmi a schivar l'ire e gl'inganni
Del mondo, e sprezzar teco il mortal velo.

Tu volasti leggiero; i' sotto l'ali,
Che allor spiegavi, avrei ben preso ardire
Salir con te lontana ai nostri mali.

Lassa, ch'io non fui teco al tuo partire!
E le mie forze senza te son tali,
Ch'or mi si toglie e vivere e morire!


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ASSAI LUNGE A PROVAR...
Assaz longe do gelo em peito meu
dos tristes pensamentos. de ano em ano,
estava eu então, que em trevas e que em dano
tu me deixaste, ó sol, tornando ao céu.

Indigna fui do ardente zelo teu
e das tuas asas, com que aceso e ufano
tu me inflamavas a esquivar o engano
e a desprezar contigo o mortal véu.

Ligeiro tu voaste: e quando abrias
as grandes asas, ah, como foi triste
eu não subir contigo onde subias!

Mas se eu não estava, quando tu partiste!
E minhas forças são sem ti tão frias,
que já não sei se vida ou morte existe.


Vittoria Colonna

fevereiro 05, 2011

Vittoria Colonna

Vittoria Colonna (Marino, abril de 1490 - Roma, 25 de fevereiro de 1547), Marquesa de Pescara, foi uma poetisa da Itália. Era filha de Fabrizio Colonna, grande condestável de Nápoles, e de Agnese da Montefeltro. Foi uma das mulheres mais notáveis da Itália quinhentista. Ainda jovem casou-se com Fernando de Ávalos, Marquês de Pescara, que morreu na Batalha de Pavia lutando ao lado de Carlos de Lannoy. Tornou-se autora de poesias louvadas como impecáveis, das mais importantes continuadoras da tradição de Petrarca em sua geração, uma mediadora política, reformadora religiosa e seus méritos próprios foram amplamente reconhecidos ainda em sua vida [ ] É possível que tenha encontrado Michelangelo em torno de 1537, mas sua relação só se estreitou em torno de 1542 quando Michelangelo já era idoso e ela, viúva há dezessete anos. Discutiam arte e religião. Para ela Michelangelo escreveu várias poesias e produziu desenhos, e ela por sua vez dedicou-lhe também uma série de poemas. [ ]


1530s 40s Florentine School,
Portrait of a Woman Said

to be Vittoria Colonna
(Southerbys)

janeiro 29, 2011

Vittoria Colonna

Vittoria Colonna


A quale strazio la mia vita adduceAmor, che oscuro il chiaro sol mi rende,
E nel mio petto al suo apparire accende
Maggior disio della mia vaga luce!

Tutto il bel che natura a noi produce,
Che tanto aggrada a chi men vede e intende,
Più di pace mi toglie e sì m'offende,
Ch'ai più caldi sospir mi riconduce.

Se verde prato e se fior vari miro,
Priva d'ogni speranza trema l'alma
Chè rinverde il pensier del suo bel frutto

Che morte svelse. A lui la grave salma
Tolse un dolce e brevissimo sospiro,
E a me lasciò l'amaro eterno lutto


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A QUALE STRAZIO...

A que tormento a vida me reduzamor que obscuro o claro sol me prende
e no meu peito ao renascer acende
maior desejo da perdida luz!

Beleza que Natura nos produz
que tanto agrada a quem não dela entende,
mais minha paz me tolhe e mais me ofende,
que a mais quentes suspiros me conduz.

Se verdes prados e se flores miro,
privada de esperanças. me arreceio,
pois reverdece a ideia daquel fructo

que a morte me colheu. Do grave seio
ela tirou brevíssimo suspiro.
e a mim deixou-me o amargo e eterno luto.



Vittoria Colonna

janeiro 25, 2011

Vittoria Colonna


Sebastiano del Piombo, Vittoria Colonna

O che tranquillo mar, che placid’ onde
Solcava un tempo in bel spalmata barca,
Di bei favori, e d’ util merci carca,
L’ aer sereno avea, l’ aure seconde.
Il Ciel, ch’ or suoi benigni lumi asconde,
Dava luce di nebbia e d’ ombra scarca;
Non dee creder alcun, che sicur varca,
Mentre al principio il fin non corrisponde.
L’ avversa stella mia, l’ empia fortuna
Scoperser poi l’ irate inique fronti,
Dal cui furor cruda procella insorge.
Venti, pioggia, saette il Cielo aduna,
Mostri d’ intorno a divorarmi pronti;
Ma l’ alma ancor sua tramontana scorge.

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ON the calm billows of that tranquil sea,
A gallant bark with swelling sails was seen,
Freighted with treasures, moving proud and free,
With favouring breezes and with skies serene.
But soon thick clouds obscured the heavenly ray,
With fearful gloom the awful tempest rose ;
And none, who saw the dawning of that day,
Foretold how dark would be the evening's close.
So did my stars on me their aspects change,
By adverse winds o'er waves of sorrow driven,
Oppressed by cruel fates and fortunes strange,
Lorn, reft, and stricken by the shafts of heaven,
Gathering around me, threatening storms appear,
But still my soul beholds her polestar near.