«Era o retrato de Ana pintado ( ) Levine examinou o retrato
que avultava na sua moldura sob a chapa da luz.
Não podia apartar dele a vista.
Esqueceu até mesmo onde estava,
e sem prestar a menor atenção ao que se dizia,
quedou-se de olhos fascinados.
Não era um quadro. Era uma mulher viva e fascinante.
Só não estava viva, por ser mais bela do que a mais bela mulher real.
— «Tenho muito prazer» — disse, de súbito, uma voz junto aos ouvidos de Levine.
Essa voz dirigia-se a ele, naturalmente; e era a voz da mulher cujo retrato contemplava.
Ana vinha ao seu encontro e Levine pôde ver,
na meia-luz do escritório, a mulher do retrato ( ).
Embora a sua atitude e a sua expressão fossem outras,
a beleza era do mesmo género da representada pelo pintor.
Com efeito, era menos deslumbrante mas, em compensação,
havia nela algo de novo e de atraente que o quadro não tinha.»
Um instantâneo algo 'platónico'
dado o imediato confronto entre
a 'cópia' e o 'original.
:)