Lembrando a crítica demolidora
do jornalismo manipulatório:
e seus deploráveis discípulos
«Num tom acusatório e à revelia da ética da cidadania
que nos dita a consideração e a boa-fé perante os entrevistados,
ambas [Judite e Clara de Sousa, da RTP e da SIC] adoptaram
como forma de entrevistar o Presidente do Supremo Tribunal
de Justiça, o recurso a perguntas insistentes e manipulatórias
que visavam a obtenção de respostas que, para si-próprias,
pareciam pré-definidas como ideais, no sentido
de virem a corroborar afirmações lesivas da Justiça
e da lisura da actuação de Noronha do Nascimento.
Os tele-espectadores puderam assim assistir a um lamentável
episódio da comunicação social portuguesa muito mais evidente
do que a alegada falta de liberdade de imprensa...»
in blog A Nossa Candeia
(destaque meu)
fevereiro 14, 2010

imagem in Marcas d´Água
É PARA LÁ QUE EU VOU
Para além da orelha existe um som,
à extremidade do olhar um aspecto,
às pontas dos dedos um objecto
— é para lá que eu vou.
À ponta do lápis o traço.
Onde expira um pensamento está uma ideia,
ao derradeiro hálito de alegria uma outra alegria,
à ponta da espada a magia
— é para lá que eu vou.
Clarice Lispector, Onde Estiveste de Noite?,
Relógio d´Água, Lisboa, s/d, p. 71
fevereiro 11, 2010
Alonso Quijano
para o José Bento e o Miguel Serras Pereira
Viveste um sonho, Alonso. A tua vida
ainda hoje transcende a ilusória
verdade que há num corpo, a sua história
tão pobre e desde sempre repetida.
Viveste, Alonso, fora da medida
que sempre limitou a transitória
razão dos seres humanos na inglória
febre de mil desejos sem saída.
Amaste para sempre a tua ideia
num rosto a que chamaste Dulcineia
desde o primeiro dia, cavaleiro.
Por isso estás aqui e em toda a parte
enquanto houver alguém a imaginar-te
num sonho que extravasa o mundo inteiro.
Fernando Pinto do Amaral
fevereiro 10, 2010

Giannini, U., Woman with flower
Blog Branco no Branco
A alegria das coisas não é a posse
mas a semelhança delas com os nossos dedos.
Nem as coisas têm forma própria
mas a que lhes dá a mão, usando-as
(fiama hasse pais brandão)
fevereiro 07, 2010

Imagem: Stuelpnagel, D. s/ título (2002)
Vídeo: Ella Fitzgerald, What is this thing called love
Origem: Blog Branco no Branco
Se eu não morresse, nunca! E eternamente
Buscasse e conseguisse a perfeição das cousas!
Esqueço-me a prever castíssimas esposas,
Que aninhem em mansões de vidro transparente!
Ó nossos filhos! Que de sonhos ágeis,
Pousando, vos trarão a nitidez às vidas!
Cesário Verde
fevereiro 06, 2010
os mistérios de eleusis - posfácio iv
fevereiro 05, 2010
os mistérios de eleusis - posfácio iii
«… não é o mesmo feixe de trigo que nasce da semente.
É outro, um novo feixe de trigo, o que indica
que a nossa imortalidade está realmente
entre as nossas pernas.
A nossa semente faz realmente um novo homem,
mas ele não é nós. O filho não é o pai.
O pai é enterrado e esse é o seu fim.
O filho é um homem diferente que um dia
fará outro homem e assim sucessivamente,
talvez para sempre; porém,
a consciência individual
termina.»
Gore Vidal, Juliano (1962), trad.
Carlos Leite, P. Dom Quixote,
Lisboa, 1990, p.152
fevereiro 04, 2010
os mistérios de eleusis - posfácio ii
«Alguns perguntaram: criámos estes deuses ou foram eles que nos criaram?
É uma discussão muito antiga. Somos um sonho da divindade
ou cada um de nós um sonhador separado,
que evoca a sua própria realidade?
Embora não haja uma certeza, todos os nossos sentidos nos dizem
que existe uma única criação e que estamos contidos nela para sempre.
Ora, os cristãos impõem um mito final e rígido
àquilo que sabemos ser variado e estranho.
Nem sequer um mito, pois o Nazareno
existiu em carne e osso.
Ao passo que os deuses que adoramos
nunca foram homens; são, em vez disso,
qualidades e poderes, que se transformaram
em poesia para nossa edificação.
Com o culto do judeu morto, a poesia acabou.
Os cristãos desejam substituir as nossas belas lendas
pelo cadastro policial de um rabi reformista.
Com esse material impossível esperam fazer
uma síntese definitiva de todas as religiões conhecidas.
Agora apropriam-se dos nossos dias festivos.
Transformam divindades locais em santos.
Tiram bocados aos nossos ritos de mistério,
Especialmente aos de Mitra.
Os sacerdotes de Mitra são chamados «pais», «padres».
Então os cristãos chamam aos seus sacerdotes padres.
Imitam inclusivamente a tonsura, esperando impressionar
os conversos com os adornos dum culto antigo.
Agora começam a chamar ao nazareno «salvador» e «aquele que cura».
Porquê? Porque um dos nossos deuses mais amados é Asclépio,
A quem chamamos «salvador» e «aquele que cura».»
Gore Vidal, Juliano (1962),
P. Dom Quixote, Lisboa, 1990, pp. 82-3
É uma discussão muito antiga. Somos um sonho da divindade
ou cada um de nós um sonhador separado,
que evoca a sua própria realidade?
Embora não haja uma certeza, todos os nossos sentidos nos dizem
que existe uma única criação e que estamos contidos nela para sempre.
Ora, os cristãos impõem um mito final e rígido
àquilo que sabemos ser variado e estranho.
Nem sequer um mito, pois o Nazareno
existiu em carne e osso.
Ao passo que os deuses que adoramos
nunca foram homens; são, em vez disso,
qualidades e poderes, que se transformaram
em poesia para nossa edificação.
Com o culto do judeu morto, a poesia acabou.
Os cristãos desejam substituir as nossas belas lendas
pelo cadastro policial de um rabi reformista.
Com esse material impossível esperam fazer
uma síntese definitiva de todas as religiões conhecidas.
Agora apropriam-se dos nossos dias festivos.
Transformam divindades locais em santos.
Tiram bocados aos nossos ritos de mistério,
Especialmente aos de Mitra.
Os sacerdotes de Mitra são chamados «pais», «padres».
Então os cristãos chamam aos seus sacerdotes padres.
Imitam inclusivamente a tonsura, esperando impressionar
os conversos com os adornos dum culto antigo.
Agora começam a chamar ao nazareno «salvador» e «aquele que cura».
Porquê? Porque um dos nossos deuses mais amados é Asclépio,
A quem chamamos «salvador» e «aquele que cura».»
Gore Vidal, Juliano (1962),
P. Dom Quixote, Lisboa, 1990, pp. 82-3
fevereiro 03, 2010
os mistérios de eleusis - posfácio i
A seita dos cristãos, como muitas outras do médio oriente, espalhou-se por Roma,
capital do império, e granjeou seguidores pelo zelo dos seus prosélitos.
Perseguida, erradicada para o submundo das catacumbas,
conseguiu no entanto alguns adeptos nas legiões
de Roma. Só no iv século, Constantino
oficializou a religião cristã.
Os bispos rapidamente se instalaram nas cadeias
de comando do Império, e o Solstício de Inverno,
uma das principais festas celebradas
no mundo antigo,
logo se transmutou na festa da Natividade
do profeta Jesus Cristo,
aquele que veio estender a religião monoteísta
do "povo eleito" a todo o Império Romano!
capital do império, e granjeou seguidores pelo zelo dos seus prosélitos.
Perseguida, erradicada para o submundo das catacumbas,
conseguiu no entanto alguns adeptos nas legiões
de Roma. Só no iv século, Constantino
oficializou a religião cristã.
Os bispos rapidamente se instalaram nas cadeias
de comando do Império, e o Solstício de Inverno,
uma das principais festas celebradas
no mundo antigo,
logo se transmutou na festa da Natividade
do profeta Jesus Cristo,
aquele que veio estender a religião monoteísta
do "povo eleito" a todo o Império Romano!
fevereiro 02, 2010
os mistérios de eleusis li
fevereiro 01, 2010
os mistérios de eleusis l
janeiro 31, 2010
os mistérios de eleusis xlix
janeiro 30, 2010
os mistérios de eleusis xlviii
janeiro 29, 2010
os mistérios de eleusis xlvii
janeiro 28, 2010
os mistérios de eleusis xlvi
Hermes: — Ó aspirantes dos mistérios,
cuja vida está ainda obscurecida pelos fumos da má vida,
esta é a vossa história.
Guardai e meditai estas palavras de Empédocles:
«A geração é uma destruição terrível que faz
passar os vivos para os mortos.
Antes vós vivestes a vida verdadeira,
e depois, cativos de um encanto,
caístes no abismo terrestre,
subjugados pelo corpo.
O vosso presente não é mais que um sonho fatal.
O passado e o futuro, só eles existem verdadeiramente.
Aprendei a lembrar-vos, aprendei a prever.»
janeiro 27, 2010
janeiro 26, 2010
os mistérios de eleusis xliv

Rubens, O rapto de Perséfona
[A terra entreabre-se ao seu lado. Da fenda aberta e negra
surge lentamente, até meia altura, Plutão, sobre
um carro atrelado a dois cavalos negros.
Agarra Perséfona no momento em que colhe a flor
e puxa-a com violência para si. Esta torce-se
inutilmente nos seus braços
e solta um grande grito.
Logo o carro se afunda e desaparece.
A sua marcha extingue-se ao longe
como um temporal subterrâneo.
As ninfas dispersam-se pelo bosque, gemendo.
Eros desvanece-se com uma gargalhada.]
janeiro 25, 2010
os mistérios de eleusis xliii
janeiro 24, 2010
os mistérios de eleusis xlii

Eros: — Os homens chamam-lhe Narciso; mas eu chamo-lhe Desejo.
Vê, como ela te contempla, se vira para ti. As suas brancas pétalas
estremecem como vivas; do seu coração de ouro
escapa um perfume que enche o ar de volúpia.
Assim que chegares esta flor ao teu rosto,
verás num quadro imenso e maravilhoso,
os monstros do abismo.
Nada te será escondido.



