janeiro 05, 2010

os mistérios de eleusis xxiii



Perséfona (tira as mãos do rosto, que mudou de expressão;
sorri através das lágrimas): — Patetas que sois!
Insensata que eu era! Lembro-me agora,
ouvi-o dizer nos mistérios olímpicos:
Eros é o mais belo dos Deuses;

sobre um carro alado
preside às evoluções dos Imortais,
na mistura das primeiras essências.

É ele que conduz os homens ousados, os heróis,
do fundo do Caos aos cumes do Éter. Ele sabe tudo;
como o Príncipe-Fogo, atravessa os mundos e
tem as chaves do céu e da terra!
Quero vê-lo!

janeiro 04, 2010

A cantora Lhasa de Sela morreu



When my lifetime had just ended
And my death had just begun
I told you I'd never leave you
But I knew this day would come

Give me blood for my blood wedding
I am ready to be born
I feel new
As if this body were the first I'd ever worn

I need straw for the straw fire
I need hard earth for the plow
Don't ask me to reconsider
I am ready to go now

I'm going in I'm going in
This is how it starts
I can see in so far
But afterwards we always forget
Who we are

I'm going in I'm going in
I can stand the pain
And the blinding heat
'Cause I won't remember you
The next time we meet

You'll be making the arrangements
You'll be trying to set me free
Not a moment for the meeting
I'll be busy as a bee

You'll be talking to me
But I just won't understand
I'll be falling by the wayside
You'll be holding out your hand

Don't you tempt me with perfection
I have other things to do
I didn't burrow this far in
Just to come right back to you

I'm going in I'm going in
I have never been so ugly
I have never been so slow
These prison walls get closer now
The further in I go

I'm going in I'm going in
I like to see you from a distance
And just barely believe
And think that
Even lost and blind
I still invented love

I'm going in
I'm going in
I'm going in

os mistérios de eleusis xxii



O coro: — Oh! Virgem divina, não é senão um sonho, mas
tomará conta do teu corpo, e tornar-se-á uma realidade
inelutável, e o teu céu desaparecerá como um sonho vão,
se tu cedes ao teu desejo culpável.

Obedece a esse aviso saudável, retoma a tua agulha e
tece o teu véu. Esquece o astucioso, o impudente,
o criminoso Eros!

janeiro 03, 2010

os mistérios de eleusis xxi



Perséfona - (com os olhos fixos no vazio e cheios de espanto):
— Será uma recordação? Será um pressentimento terrível?
O Caos… os homens…. o abismo das gerações,
o grito das paridelas, os clamores furiosos

do ódio e da guerra… a agonia da morte!

Compreendo, vejo tudo isso,

e esse abismo atrai-me,
toma-me, preciso sair.

Eros nele me mergulha com a sua tocha incendiária.
Ah! vou morrer! Para longe este sonho horrível!
(Cobre o rosto com as mãos e soluça.)

janeiro 02, 2010



Advertido pelo que do filme disse analima dos Dias Imperfeitos,
fui ver Parlez-moi de la pluie de Agnès Jaoui
com Jean-Pierre Bacri, ambos judeus,
franceses, ela natural da Tunísia,
ele da Argélia.

Já conhecia J.-P. Bacri do notável filme
Le goût des autres e esperei assim
um belo momento de cinema:
- e foi! Talvez não perdesse
em ser um pouco mais
intelectualizado...

mas é realmente
uma estória singela
contada com grande
maestria, graça
e beleza.

:))

- Sem dúvida, aquele repórter
cinematográfico conseguia
pôr à vontade os entrevistados.

Só era desastroso, por afinal,
não os conseguir sequer filmar!

lol

os mistérios de eleusis xx



O coro: — Não procures saber mais.
As questões perigosas foram a perdição
dos homens e mesmo dos Deuses.

janeiro 01, 2010

os mistérios de eleusis xix



Perséfona (levanta-se e afasta o véu): — Eros!
O mais antigo e contudo o mais jovem dos Deuses,
fonte inesgotável de alegria e choro
— pois, assim me falaram de ti —
deus terrível,

o único desconhecido e invisível dos Imortais,
o único desejável, misterioso Eros!

que perturbação, que vertigem
me assalta ao teu nome!

dezembro 31, 2009

os mistérios de eleusis xviii



As ninfas: — Não penses nisso. Porquê essa vã questão?

dezembro 30, 2009

Música recolhida numa
das melhores "emissoras"
da blogspotsphere,

a pretérito mais-que-perfeito

os mistérios de eleusis xvii



Perséfona: — Sobre este véu azul de dobras intermináveis,
bordo, com a minha agulha de marfim, as figuras
inumeráveis dos seres e de todas as coisas.

Terminei a história dos Deuses:
bordei o Caos terrível de
cem cabeças e
mil braços.

Dele deverão surgir os seres mortais.
Quem, então, os fez nascer?

O Pai dos Deuses disse-me que foi Eros.
Mas nunca o vi, ignoro a sua forma.

Assim, quem me pintará o seu rosto?

dezembro 29, 2009

os mistérios de eleusis xvi



O coro das ninfas: — Ó Perséfona! Ó Virgem, Ó casta noiva
do Céu, que bordas as figuras dos Deuses no teu véu,
possas tu nunca conhecer as ilusões vãs
e os inúmeros males da terra.

A eterna Verdade sorri-te. O Teu esposo celeste, Dionisos,
espera-te no Empíreo. Por vezes ele aparece-te sob a forma
de um sol longínquo; seus raios acariciam-te;
respira o teu sopro e bebes a sua luz…

Antecipadamente, vós vos possuís!…
Ó Virgem, quem é mais feliz do que tu?

dezembro 28, 2009

os mistérios de eleusis xv



Perséfona: — Sim, mãe augusta e respeitável,
por essa luz que te envolve e que me é cara,
prometo-o, e que os Deuses me castiguem
se não cumprir o meu juramento.

dezembro 27, 2009

os mistérios de eleusis xiv



Deméter: — Filha amada dos Deuses,
conserva-te nesta gruta até eu regressar
e borda o meu véu.

O céu é a tua pátria e o universo é teu.
Tu vês os Deuses; eles acorrem à tua chamada.

Mas não escutes a voz de Eros, o ardiloso,
de olhar suave e pérfidos conselhos.

Guarda-te de sair da gruta e
nunca colhas as sedutoras flores da terra;
o seu perfume perturbador e funesto
far-te-ia perder a luz do sol
e até a memória.

Borda o meu véu e
sê feliz até ao meu regresso
com as ninfas tuas companheiras.


Então, no meu carro de fogo, atrelado de serpentes,
levar-te-ei aos esplendores do Éter, sob a via láctea.

dezembro 26, 2009

os mistérios de eleusis xiii



Hermes: — Deméter dá-nos dois presentes maravilhosos:
os frutos, para que não vivamos como os animais e a iniciação
que dá uma esperança mais doce a todos que nela participam.

Prestai atenção às palavras que ides ouvir e às coisas que ides ver.

dezembro 25, 2009

os mistérios de eleusis xii



Chegavam dois a dois, a uma clareira.
Ao fundo viam-se rochas e uma gruta. Á frente,
um prado com ninfas deitadas em volta de uma fonte.

Ao fundo da gruta, avistava-se Perséfona, sentada num trono,
nua até à cintura como uma Psiqué, o seu busto esbelto
emergindo casto de uma túnica enrolada como
um vapor de azul nos seus flancos.

Ela parecia feliz, inconsciente da sua beleza
e bordando um longo véu de fios multicores.

Deméter, sua mãe, está de pé,
perto dela, com o ceptro na mão.

dezembro 24, 2009

os mistérios de eleusis xi



Vários dias passavam-se a seguir
em abluções, orações e instrução.

Na noite do último dia, os neófitos
reuniam-se na parte mais secreta
do bosque sagrado para aí
assistir à ascensão
de Perséfona.

dezembro 23, 2009

os mistérios de eleusis x



E declaravam com gestos solenes:

«Ó aspirantes dos Mistérios, eis que estais na morada de Proserpina.
Tudo que ides ver, vai surpreender-vos. Aprendereis
que a vida presente não é mais do que um manto
de sonhos mentirosos e confusos.

O sono que vos envolve numa zona de trevas,
arrasta os vossos sonhos e os vossos dias na sua corrente,
como nuvens passageiras que se desfazem ao olhar.

Mas no além, estende-se uma zona de luz eterna.

Que Perséfona vos seja propícia e
ela mesmo vos ensine a franquear o rio das trevas
e a penetrar até à Deméter Celeste.»

dezembro 22, 2009

os mistérios de eleusis ix



Então as sacerdotisas de Proserpina
saíam do templo em túnicas imaculadas,
braços nus, coroadas de narcisos.

Então alinhavam ao alto da escadaria
e entoavam uma melodia grave ao modo dórico.

dezembro 21, 2009

Solstício de Inverno

Em 2009, o Solstício de Inverno ocorre no dia 21 de Dezembro às 17h47m. Este instante marca o início do Inverno no Hemisfério Norte, a estação mais fria do ano, que se prolonga por 88,99 dias. A Primavera chegará com o próximo Equinócio, no dia 20 de Março de 2010 às 17h32m.

Os solstícios (em Junho e Dezembro) são os pontos da eclíptica em que o Sol atinge as posições máxima e mínima de altura em relação ao equador, isto é, pontos em que a declinação do Sol atinge extremos: máxima no solstício de Verão e mínima no solstício de Inverno.

in Modus Vivendi

os mistérios de eleusis viii



Conduzia os principiantes
a um pequeno templo de colunas jónicas
dedicado à grande virgem Perséfona.

O gracioso santuário escondia-se ao fundo
de um vale tranquilo, no meio de um bosque sagrado.