fevereiro 25, 2009



«É que às vezes ela pensava pensamentos tão adelgaçados
que eles subitamente se quebravam no meio antes de chegar ao fim.

E porque eram tão finos,
mesmo sem completá-los
ela os conhecia de uma só vez.

Embora jamais pudesse pensá-los de novo,
indicá-los com uma palavra sequer.»

Clarice Lispector, O Lustre,
ed. Francisco Alves, Rio de Janeiro, 1995 , p. 46

fevereiro 23, 2009

Bach, Well-Tempered Klavier II - No. 14 F#-

fevereiro 20, 2009

Glenn Gould plays J.S.Bach Piano Concerto No.7 in G minor BW

fevereiro 18, 2009


(Francisco Toledo)

«Não há objecto que possa existir sozinho.
Para o definir precisamos de designar o que lhe pertence
e, nessa designação, definir o conjunto de tudo o que ele não é.
Caracterizar «A» é, ao mesmo tempo, caracterizar «não-A».»

Albert Jacquard, com a participação de Huguette Planès,
Pequeno manual de filosofia para uso dos não-filósofos,
Terramar, Lisboa, 1997, P.73

fevereiro 11, 2009

«Eu ando a revisitar os lugares do meu passado.
Recrio o meu passado inventando-lhe a significação
que actualmente lhe confiro.

Há duas ideais de avenidas: a minha e a dos outros. ( )
Lá bebe-se café, come-se bolos, lê-se o jornal
e engatam-se miúdas.

( ) Entro, lá estão eles ao canto reforçando a evidência
das palavras transparentes que proferem. Lá está ela
no centro deles: a verdade eterna, o único sentido
científico que a humanidade possui. ( )

Olho-os com indiferença. ( ) Obviamente que algo
nos separa: a compreensão e a extensão da ilusão,
para falar em termos aristotélicos. ( )

Ao fim e ao cabo, vivemos no mesmo mundo
e possuímos mundos diferentes.

Peço um café, mais para cumprir o ritual
do que por necessidade. Aproveito e
peço um bolo qualquer. O empregado
traz-me um «bom bocado»,
segundo me informou.

A diferença entre um «bom bocado» e
um «pastel de nata» é mínima e quase
imperceptível à primeira vista.
Enquanto este tem o bordo circular superior
liso, aquele tem, a partir de um bordo circular
imaginário, o bordo constituído por uma dezena
de arcos de circunferência.

Eu explico de forma simples

«bom bocado»

«pastel de nata»


Constato que o pasteleiro criador tem, além da rotina
da forma do bolo, uma certa imaginação
quanto aos bordos, de tal maneira
que, a partir de uma diferença
mínima, construiu um novo
modelo de bolo.

Além de que o nome
é engraçado, infantil e sugestivo.


Perguntei ao empregado se vendia mais «bons bocados»
que «pastéis de nata». Um pouco admirado,
respondeu-me que, de facto, se vendia
mais dos segundos.

Exactamente como eu pensava: a partir de uma subtil
introdução nova numa forma velha,
acompanhada de um nome atraente,
as pessoas diversificam-se:

os conservadores ( ) agarram-se aos «pastéis de nata»,
enquanto os progressistas ( ) são atraídos
pelos «bons bocados». ( )


Levanto-me e pago o café e o «bom bocado».
Volto as costas ao Ideal das Avenidas.

De facto, este café não me agrada,
não me dá prazer. É um prazer sair. ( )

Eu vou explicar tudo de uma forma muito simples.

A filosofia foi a porta de entrada dos meus delírios. ( )
Dela germinavam as minhas ânsias teóricas,
as quais eu logo colava a uma ideologia. ( )

Hoje sou amante da filosofia e adverso das ideologias. ( )

Desracionalizando a filosofia como saber principal
das ideologias, restou-me o que é originariamente
filosófico: um espaço de busca, de procura,
de movimento, de desassossego intelectual,
um espanto do inesperado,
uma insaciável sede
de ler e de saber

para além das sabedorias
(filosofias mais ideologias)
institucionalizadas:

a sabedoria do outro e do mesmo



Luís Martins, O outro e o mesmo,
Contexto, Lisboa, 1981, pp. 157-65.

fevereiro 09, 2009

"Belos Tempos" By Fernando Farinha

fevereiro 08, 2009



«Pensava ter ancorado em porto seguro
e, de súbito, eis-me de novo perdido
em pleno alto mar.»

Leibniz

fevereiro 01, 2009



«O acaso é o efeito do cruzamento de
duas ou mais séries causais independentes


Cournot

janeiro 29, 2009


Diálogo de Hera e Zeus Crónida
(Ilíada, I.536-69):

«[ ] Porém, a Hera
não passou despercebido que com ele se aconselhara
Tétis dos pés prateados, filha do Velho do Mar.
Logo falou a Zeus Crónida com palavras mordazes:

”Quem dos deuses, Pensador de Enganos, contigo se aconselhou?
Sempre te é caro manteres-te afastado de mim,
judiciando coisas pensadas em segredo! E nunca tu ousaste
declarar-me a palavra que tens em teu pensamento.”

A ela deu resposta o pai dos homens e dos deuses:
“Hera, não penses vir a conhecer todas as minhas
palavras: difíceis elas te seriam, minha esposa embora sejas.
Porém aquilo que te compete ouvir, ninguém o ouvirá
primeiro, pertença ele à raça dos homens ou dos deuses.
Mas sobre aquilo que eu decido pensar afastado dos deuses,
não faças perguntas nem de modo algum procures saber.”

:)

janeiro 28, 2009

Paolo Conte - Come Away with Me (Vieni via con me)

janeiro 27, 2009

Vois Sur Ton Chemin

Para uma educação musical,
cortesia da rádio azul

Vois sur ton chemin
Gamins oubliés égarés
Donne leur la main
Pour les mener
Vers d'autres lendemains

Sens au coeur de la nuit
L'onde d'espoir
Ardeur de la vie
Sentier de gloire

Bonheurs enfantins
Trop vite oubliés effacés
Une lumière dorée brille sans fin
Tout au bout du chemin

Sens au coeur de la nuit
L'onde d'espoir
Ardeur de la vie
Sentier de gloire

e le e
i le e
e le i
i e le
e le e
i le e
i le e
i e

e le e
i le e
e le i
i e le
e le e
i le e
i le e
i e

Vois sur ton chemin
Gamins oubliés égarés
Donne leur la main
Pour les mener
Vers d'autres lendemains

Sens au coeur de la nuit
L'onde d'espoir
Ardeur de la vie
Sentier de gloire

janeiro 22, 2009



«Não evoluo, viajo.»

janeiro 21, 2009



«Em vinte anos de poder passei doze sem domicílio fixo.
Vivia alternadamente nos palácios dos mercadores da Ásia,
nas tranquilas casas gregas, nas belas villas com banhos e caloríferos
dos residentes romanos na Gália, em cabanas ou em propriedades rústicas.

A tenda ligeira,
a arquitectura de tela e de cordas,
era ainda a minha preferida.

Os navios não eram menos variados que as moradas terrestres:
tive o meu, provido de um ginásio e de uma biblioteca,

mas desconfiava demasiado de toda a fixidez
para me prender a qualquer habitação,
mesmo móvel.»


(Marguerite Yourcenar, Memórias de Adriano, 1974,
tradução de Maria Lamas, Ulisseia, 1981, p. 106)

os mistérios de eleusis xl

janeiro 20, 2009

Flamenco: Alegrias

janeiro 19, 2009

Lhasa De Sela - La Marée Haute


La marée haute
— paroles: Lhasa De Sela et Riad Malek
/ musique: Lhasa De Sela

LA ROUTE CHANTE
QUAND JE M'EN VAIS
JE FAIS TROIS PAS...
LA ROUTE SE TAIT

LA ROUTE EST NOIRE
À PERTE DE VUE
JE FAIS TROIS PAS...
LA ROUTE N'EST PLUS

SUR LA MARÉE HAUTE
JE SUIS MONTÉE
LA TÊTE EST PLEINE
MAIS LE CÕEUR N'A
PAS ASSEZ


MAINS DE DENTELLE
FIGURE DE BOIS
LE CORPS EN BRIQUE
LES YEUX QUI PIQUENT

MAINS DE DENTELLE
FIGURE DE BOIS
JE FAIS TROIS PAS...
ET TU ES LÀ

SUR LA MARÉE HAUTE
JE SUIS MONTÉE
LA TÊTE EST PLEINE
MAIS LE COEUR N'A
PAS ASSEZ

janeiro 18, 2009

Marco Antonio Bernardo (piano) - Orfeu e Euridice (Gluck)

janeiro 17, 2009

Cecil B. DeMille, Samson and Delilah,
Music by Victor Young




Samson, a Hebrew placed under Nazirite vows from birth by his mother, is engaged to a Philistine woman named Semadar. During a fight at their wedding feast, Semadar is killed and Samson becomes a hunted man. Semadar's sister, Delilah, plots to deliver Samson up for punishment.

To do so, she cuts his hair, which he feels gives him his strength. Falling in love with him, Delilah regrets her act after Samson is blinded by his captors. He is brought to the temple for entertainment, where he topples the structure, destroying his enemies.

janeiro 16, 2009

Nora Ney, Ninguém me ama


Ninguém me ama, ninguém me quer
Ninguém me chama de meu amor
A vida passa, e eu sem ninguém
E quem me abraça não me quer bem


Vim pela noite tão longa de fracasso em fracasso
E hoje descrente de tudo me resta o cansaço
Cansaço da vida, cansaço de mim
Velhice chegando e eu chegando ao fim

janeiro 15, 2009

The Boulevard of Broken Dreams (Gigolo and Gigolette)



http://www.youtube.com/watch?v=_uhpAKuQOQA