dezembro 12, 2008


Serra das Meadas. Lamego.

Somos como árvores
só quando o desejo é morto.
Só então nos lembramos
que dezembro traz em si a primavera.
Só então, belos e despidos,
ficamos longamente à sua espera.

Eugénio de Andrade, Primeiros Poemas
Aishwarya Rai

dezembro 11, 2008


fotografia de Michelle Clement


Es el amor.

Tendré que ocultarme o que huir.
crecen los muros de su cárcel, como en un sueño atroz.
La hermosa máscara ha cambiado, pero como siempre es la única.

De qué me servirán mis talismanes: el ejercicio de las letras,
la vaga erudición, el aprendizaje de las palabras que usó el áspero norte
para cantar sus mares y sus espadas, la serena amistad,

las galerías de las bibliotecas, las cosas comunes,
los hábitos, el joven amor de mi madre,
la sombra militar de mis muertos,
la noche intemporal,
el sabor del sueño?

estar o no estar contigo es la medida de mi tiempo.

ya el cántaro se quiebra sobre la fuente,
ya el hombre se levanta a la voz del ave,
ya se han oscurecido los que miran por las ventanas,

pero la sombra no ha traido la paz.
es, ya lo sé, el amor: la ansiedad y el alivio de oír tu voz,
la espera y la memoria, el horror de vivir en lo sucesivo.
es el amor con sus mitologías, con sus pequeñas magias inútiles.

hay una esquina por la que no me atrevo a pasar.
ya los ejércitos me cercan, las hordas.

esta habitación es irreal; ella no la ha visto.

el nombre de una mujer me delata.
me duele una mujer en todo el cuerpo
.

JORGE L. BORGES
(el oro de los tigres, 1972)
Um dia visitarei
a cidade de JLBorges!


geraldine rojas paludi madrid tango
O que aprendo com a Tazul,
compositores e modos de
edição de gravações.
:)

Erik Satie - Gnossiennes No 1
Amalia Rodrigues - Cansaço



Por trás do espelho quem está
De olhos fixados nos meus
Alguém que passou por cá
E seguiu ao deus-dará
Deixando os olhos nos meus.

Quem dorme na minha cama,
E tenta sonhar meus sonhos?
Alguém morreu nesta cama,
E lá de longe me chama
Misturada nos meus sonhos.

Tudo o que faço ou não faço,
Outros fizeram assim
Daí este meu cansaço
De sentir que quanto faço
Não é feito só por mim.



Letra de Luís de Macedo
Música de Joaquim Campos

dezembro 10, 2008

Persian Gulf Bandari music mix

dezembro 09, 2008

Amalia Rodrigues _ Com que voz



Com que voz chorarei meu triste fado,
Que em tão dura paixão me sepultou.
Que mor não seja a dor que me deixou
O tempo, de meu bem desenganado.

Mas chorar não se estima neste estado
Aonde suspirar nunca aproveitou.
Triste quero viver, pois se mudou
Em tristeza, a alegria do passado.

De tanto mal a causa é amor puro
Devido a quem de mim tenho ausente
Por quem a vida e bens dele aventuro.


Com que voz chorarei meu triste fado,
Que em tão dura paixão me sepultou.
Que mor não seja a dor que me deixou
O tempo, de meu bem desenganado.

Letra de Luís de Camões
Música de Alain Oulman

dezembro 08, 2008

Esta cantora esteve para ser saneada
depois da revolução do Egipto
que depôs o rei Farouk.

Foi Nasser que se insurgiu
contra a enormidade
de destituirem
tão talentosa
intérprete
da canção
e poesia
árabe.

Ei-la,

Oum Kalthoum

dezembro 07, 2008

Inexcedível!
Chavela Vargas - Paloma Negra
Arrebatador!
No volveré - Chavela Vargas
Mais mundo, para lá do anglo-saxónico!
Lhasa de Sela - De cara a la pared


Llorando
de cara a la pared
se apaga la ciudad

Llorando
Y no hay màs
muero quizas
Adonde estàs?

Soñando
de cara a la pared
se quema la ciudad

Soñando
sin respirar
te quiero amar
te quiero amar

Rezando
de cara a la pared
se hunde la ciudad

Rezando
Santa Maria
Santa Maria
Santa Maria
Belo!
Lila Downs canta Paloma negra
Notável!
Chavela Vargas - La Llorona

dezembro 06, 2008

AMALIA RODRIGUES, MEU AMOR, MEU AMOR



Meu amor, meu amor,
Meu corpo em movimento,
Minha voz à procura,
Do seu próprio lamento.
Meu limão de amargura,
Meu punhal a crescer,
Nós parámos o tempo,
Não sabemos morrer.

E nascemos, nascemos
Do nosso entristecer.

Meu amor, meu amor
Meu pássaro cinzento,
A chorar a lonjura,
Do nosso afastamento.

Meu amor, meu amor
Meu nó de sofrimento,
Minha mó de ternura,
Minha nau de tormento.
Este mar não tem cura,
Este céu não tem ar,
Nós parámos o vento,
Não sabemos nadar.

E morremos, morremos
Devagar, devagar.



Letra de José Carlos Ary dos Santos
Música de Alain Oulman

dezembro 04, 2008

signing from morocco

dezembro 02, 2008


Edgar Degas, O Bebedor de Absinto

Eu, que sou feio, sólido, leal,
A ti, que és bela, frágil, assustada,
Quero estimar-te, sempre, recatada
Numa existência honesta, de cristal.

Sentado à mesa dum café devasso.
Ao avistar-te, há pouco, fraca e loura.
Nesta Babel tão velha e corruptora,
Tive tenções de oferecer-te o braço.

E, quando socorreste um miserável,
Eu que bebia cálices de absinto,
Mandei ir a garrafa, porque sinto
Que me tornas prestante, bom, saudável.

«Ela aí vem!» disse eu para os demais;
E pus-me a olhar, vexado e suspirando,
O teu corpo que pulsa, alegre e brando,
Na frescura dos linhos matinais.

Via-te pela porta envidraçada;
E invejava, - talvez não o suspeites!-
Esse vestido simples, sem enfeites,
Nessa cintura tenra, imaculada.

Ia passando, a quatro, o patriarca.
Triste eu saí. Doía-me a cabeça.
Uma turba ruidosa, negra, espessa,
Voltava das exéquias dum monarca.

Adorável! Tu muito natural,
Seguias a pensar no teu bordado;
Avultava, num largo arborizado,
Uma estátua de rei num pedestal."


Cesário Verde

dezembro 01, 2008

Para a Tinta Azul :):
BACH and rhythms of Gabon - Lambarena
Por orientação da Tinta Azul, o belíssimo coro de
Bach: Coro "Lasset uns den nicht zerteilen", BWV 245/54

fiama hasse pais brandão



Somente quem apague a memória
liberta as suas imagens
para a não-existência imediata.


fiama hasse pais brandão