agosto 09, 2012


«A arte da guerra assim considerada no sentido limitado, novamente se divide em táctica e estratégia. A primeira ocupa-se com a forma do combate em separado, a última com a sua utilização. Ambas estão relacionadas com as circunstâncias das marchas, acampamentos e aquartelamentos apenas através do combate, e estas circunstâncias são tácticas ou estratégicas conforme se relacionam com a forma ou a significação da batalha.

Sem dúvida que muitos leitores irão considerar supérflua esta cuidadosa separação de duas coisas que estão tão próximas, como é a táctica e a estratégia, visto isso não ter qualquer efeito directo na condução propriamente dita da guerra. Certamente que admitimos que seria pedantismo procurar efeitos directos de uma distinção teórica num campo de batalha.

Mas a primeira obrigação de todas as teorias é esclarecer os conceitos e ideias que têm andado misturdos e, podemos dizê-lo, embaraçados e confusos, e só quando se estabelece uma compreensão correcta quanto a nomes e conceitos, é que se pode esperar progredir com clareza e facilidade e estar certos de que autor e leitores sempre verão as coisas do mesmo ponto de vista. A táctica e a estratégia são duas actividadesque mutuamente se entrelaçam no tempo e no espaço, e que ao mesmo tempo são actividades essencialmente diferentes, cujas leis interiores e mútuas relações não podem de modo algum ser inteligíveis até que se estabeleça uma clara concepção da natureza de cada actividade,

Todo aquele para quem isto nada signifique, ou deve repudiar toda a consideração teorética, ou o seu entendimento ainda não teve de sofrer com as ideias confusas e perplexas que se não apoiam em nenhum ponto de vista fixo, que não conduzem a qualquer resultado satisfatório, que umas vezes são maçadoras, outras fantásticas, outras vezes, ainda, pairam em generalidades vagas — ideias que muitas vezes somos obrigados a ouvir ou a ler sobre a condução da guerra, devido ao facto de, até agora, o espírito de investigação científica pouco se ter interessado por estes asssuntos.»

op.cit., Livro II, Capítulo 1, pp.100-101(a arte da guerra, a táctica e a estratégia)

agosto 05, 2012


«Mas na guerra, devido às muitas e fortes impressões a que a mente está exposta, e na incerteza de todo o conhecimento e ciência, mais coisas ocorrem para desviar um homem do caminho por onde se lançou, para o fazer duvidar de si próprio e dos outros, do que em qualquer outra actividade humana.

A avassaladora vista do perigo e do sofrimento facilmente leva a que os sentimentos ganhem ascendência sobre a convicção do raciocínio; e na penumbra que tudo envolve, uma vista profunda e clara é tão difícil que uma alteração de opinião é mais concebível e perdoável.

A todo o tempo temos de agir apenas sobre conjecturas ou suposições sobre a verdade. Por isso que em parte alguma as diferenças de opinião são tão grandes como na guerra, e a corrente de impressões, actuando contra as nossas próprias convicções, não cessa nunca de correr. Mesmo a maior impassibildade de espírito dificilmente está à prova delas, porque as impressões são poderosas por natureza e sempre actuam simultaneamente sobre os sentimentos.

Quando o discernimento é claro e profundo o resultado não pode ser outra coisa que não princípios gerais e vistas de acção de um alto nível; é nestes princípios que está ancorada a opinião em cada caso particular imediatamente sob consideração.

Mas manter-se dentro destes resultados da refexão passada, em oposição à corrente de opinião e fenómenos que o presente traz consigo é, justamente, a dificuldade.

Entre o caso particular e o princípio geral há muitas vezes um amplo espaço que nem sempre pode ser atravessado por uma cadeia visível de conclusões, e onde uma certa fé em si próprio é necessária e um certo cepticismo é bastante útil.

Nestes casos, muitas vezes, nada mais nos pode ajudar senão uma máxima imperativa, independente do raciocínio, e que logo o controla: a máxima é, em todos os casos duvidosos, deve aderir-se à primeira opinião, e não desistir dela até que a isso sejamos forçados por uma convicção clara.

Devemos crer firmemente na superior autoridade de máximas bem experimentadas, e sob a ofuscante influência de acontecimentos de momento, não esquecer que o seu valor é de qualidade inferior.

Com esta preferência que em casos duvidosos damos à primeira convicção e aderimos à mesma, as nossas acções adquirem aquela estabilidade e consistência que compõem aquilo a eu chamamos carácter.

A força de carácter conduz-nos a uma variedade ilegítimada mesma — a obstinação. Em casos concretos, é muitas vezes difícil dizer onde acaba uma e começa a outra; por outro lado, não parece difícil determinar qual a diferença no plano dos conceitos.

A obstinação não é um defeito do entendimento; usamos o termo para exprimir uma resistência contra o nosso melhor julgamento, e seria inconsistente culpar dela o entendimento, pois este é o poder de julgar.

A obstinação é defeito dos sentimentos ou do coração. Esta inflexibilidade da vontade, esta impaciência perante a contradição, tem a sua origem apenas numa particular espécie de egotismo, que coloca acima de qualquer outro prazer o de governar tanto os outros como a si próprio, apenas segundo o seu raciocínio.

Devíamos chamar-lhe uma espécie de vaidade se não fosse, decididamente, algo de melhor. A vaidade fica satisfeita com meras aparências, mas a obstinação baseia-se nop gozo da coisa.

Dizemos, pois, que a força de carácter degenera em obstinação sempre que a resistência a julgamentos opostos provém, não de melhores convicções ou da fé em alguma máxima de mais confiança, mas apenas de um sentimento de oposição.»

op, cit., Livro I, Capítulo 3 – pp.74-75 (a força de carácter)

julho 28, 2012


«Que a concepção do científico não consiste apenas, ou principalmente, no sistema e nas suas acabadas construções teóricas não carece, hoje em dia, de explicitação. Neste tratado não vamos encontrar o sistema à superfície e, em vez de todo um acabado edifício, teremos apenas materiais.

O científico reside, aqui, na tentativa de aprofundar a natureza dos fenómenos militares para mostrar a sua afinidade com a natureza dos elementos de que se compõe.

Em nenhum lugar se fugiu ao argumento filosófico, mas onde ele se tornava por demais ténue, o autor preferiu cortá-lo de vez e regressar aos correspondentes resultados da experiência; porque, do mesmo modo que muitas plantas só dão fruto se não se tornarem grandes demais, assim também nas artes práticas, as folhas e flores teóricas não se devem deixar desenvolver demais, mas devem ser mantidas próximas da experiência, que é o seu solo natural.

Está fora de dúvida que seria um erro tentar descobrir a forma de uma espiga de milho a partir dos ingredientes químicos de um grão dela, pois temos apenas de ir ao campo para ver as espigas maduras. A investigação e a observação, a filosofia e a experiência não devem desprezar-se nem excluir-se mutuamente; antes mutuamente se concedem os direitos de cidadania.

Em consequência disso, as afirmações deste livro, com a sua arquitectura de inerente necessidade, são comprovadas quer pela experiência quer pela concepção da guerra em si própria como pontos externos, por isso que não são ilimitadas (*)

(*) Que este não é o caso nas obras de muitos escritoreas militares, especialmente daqueles que pretenderam tratar da própria guerra de um modo científico, é-nos mostrado em muitas instâncias nas quais, devido aos seus raciocínios, os prós e os contras se comem mutuamente de modo tão efectivo que não ficam vestígios das caudas dos dois leões.

(Introdução do autor)

julho 26, 2012


Il est vrai que ce monde où nous respirons mal
N'inspire plus en nous qu'un dégoût manifeste,
Une envie de s'enfuir sans demander son reste,
Et nous ne lisons plus les titres du journal.


Nous voulons retourner dans l'ancienne demeure
Où nos pères ont vécu sous l'aile d'un archange,
Nous voulons retrouver cette morale étrange
Qui sanctifiait la vie jusqu'à la dernière heure.


Nous voulons quelque chose comme une fidélité,
Comme un enlacement de douces dépendances,
Quelque chose qui dépasse et contienne l'existence
Nous ne pouvons plus vivre loin de l'éternité.


op. cit., ibidem, p.207

julho 15, 2012


«Whatever a person actively does
must raise his level of health and vitality.»
, p.259

julho 12, 2012


REVERSIBILIDADE


Não sei assim
do que de mim foi feito
daquele que não fui.


O que não fui não conta
é cousa que abjurei
mas ainda existe.


Existe e persiste
na sua memória
cecretamente.


A outra face
a de quem não fui
e não quis que o fosse


é o outro lado
desta face que é
a verdadeira ou não.
 Não sei assim
do que de mim foi feito
daquele que não fui.


Lago de Nóbrega*

In "Jorge Barbosa, Poesia Inédita e Dispersa",
Pref., organiz. e notas de Elsa Rodrigues dos Santos,
Edições ALAC - África, Literatura, Arte e Cultura, Lda.,
Lisboa, 1993, p. 103


* Pseudónimo de Jorge Barbosa,
escrito em 1962.

julho 10, 2012

Recordando o Sal



Lembrando Jorge Barbosa,

FOLHA SECA

Folha seca
tiste do outono
desvairado
vento a levou.

E foi subindo
subindo em vertical
pelo espaço
rodopiando.

Mas repentino
parou o vento.
e a folha seca
abandonada

veio pairando
vagarosa e leve
caindo pelo espaço
em espiral.

Deus vebndo-a
desamparada
na lenta
queda rodopiando

Deus compadeceu
e a transformou
em súbita
e ágil andorinha.

Todos os anos
pela primavera
volta de longe
volúvel e breve.

Chega veloz e passa
acrobática roçando
a tarde lírica
da ilha pequena.


Ilha do Sal (1963)

junho 12, 2012



I'll be several days over there

junho 11, 2012



«É apenas no silêncio que funciona o único e verdadeiramente
poderoso meio de informação que é o murmúrio. Cada povo,
mesmo que oprimido pelo mais censurador dos tiranos,
sempre conseguiu saber tudo aquilo que acontece
no mundo através do murmúrio.

Os editores sabem que os livros que se tornaram um best-seller
não se tornaram tal pela publicidade ou pelas recensões,
mas por um termo que, em francês, se diz
bouche à oreille, em inglês se diz
word of mouth, em italiano
diz-se passaparola:

os livros atingem o sucesso
apenas através do murmúrio.

Perdendo a condição do silêncio, perde-se a possibilidade
de captar o murmúrio, que é o único meio fundamental
e fidedigno de comunicação.


Eis que, portanto, e em conclusão, direi que um dos problemas
éticos que se põe é como voltar ao silêncio. E um
dos problemas semióticos que poderemos
enfrentar é estudar melhor a função
do silêncio nos vários modos
de comunicação.

Abordar uma semiótica do silêncio: pode ser
uma semiótica da reticência, uma
semiótica do silêncio no
teatro, uma semiótica
do silêncio em
política,

uma semiótica do silêncio no discurso político,
isto é, a longa pausa, o silêncio como
criador de suspense, o silêncio
como ameaça, o silêncio
como negação,

o silêncio na música.


E, portanto, italianos,
eu não vos convido às histórias,
mas convido-vos ao silêncio.»

Umbero Eco, Construir o Inimigo e
outros escritos ocasionais, («Construire
il Nemico a altri scritti occasionali»), trad.
Jorge Vaz de Carvalho, Lisboa, Gradiva, 2011, PP.200-1

junho 06, 2012


«Sabemos como os nomes actuam sobre a alma
e até sobre o pensamento dos homens
que os recebem ao nascer e
de acordo com o rito,
ou ao renascerem.


Considera, por exemplo,
o alto nome de Aristóteles.




Tantos livros se têm escrito sobre o filósofo grego
e, que eu saiba, nunca ninguém observou que,
significando o seu nome «o melhor é o fim»,
pois 'aristos significa o melhor
e télos o fim', isso condiz
inteiramente com a
sua doutrina
de que


«a melhor das causas é a causa final».

:)

António Telmo, Congeminações de um
Neopitagórico, Sintra, Zefiro, 2009, p.67

junho 03, 2012


The Psychopath Test

Bob seemed melancholy. It was as if the crash had made him
introspective. He said, almost to himself, "I should never
have done all my research in prisons. I should have
spent my time inside the Stock Exchange as well."

I looked at Bob.
"Do you mean that?" I asked.
"I mean it," he said.
"But surely stock market psychopaths
can't be as bad as serial killer psychopaths," I said.

"Serial killers ruin families," shrugged Bob.
"Corporate and political and religious
psychopaths ruin economies.
They ruin societies."

junho 01, 2012


«Os heróis que a multidão seguiu após os acontecimentos
de Mafeking [guerra dos Boers, n'África do Sul]
eram bem inferiores aos heróis
que havia seguido
antes da guerra.

O gentleman inglês começou
a desaparecer da vida pública
e a dar lugar a labregos incitando
a revolta da populaça - [] -
do género Lloyd George,
Chamberlain, [], Churchill,
[].

A liberdade pessoal
e a legalidade estrita, [],
foram apagadas
das tábuas inglesas
da lei, ao mesmo tempo
que o centro de gravidade
social e político se deslocou
para um plano inferior.»

Henry Louis Mencken, Os Americanos
(«On Being An American», 1922),
Lisboa, Antígona, 2005

maio 29, 2012




























Ichiro Tsuruta, img in Modus Vivendi

APELO

Atravessa os campos da noite
e vem.

A minha pele
ainda cálida de sol
te será margem.

Nas fontes, vivas,
do meu corpo
saciarás a tua sede.

Os ramos dos meus braços
serão sombra rumorejante
ao teu sono, exausto.

Atravessa os campos da noite
e vem.


Luísa Dacosta, A maresia e o sargaço dos dias,
Asa, Porto, 2011, colecção "Frente e Verso"

maio 25, 2012



















ANTÍSTROFE


Essa que um dia disse «fosse eu
mais atenta aos sons e ouviria
gorgolejar a água»
, agora,
das árvores, ela ouve
o eco da folhagem sem o movimento.
Das ondas, escuta
a absoluta linha silente do horizonte.
De Bóreas, ela sabe
que o inaudível vário vento
no que é diverso traz o mesmo.
E ouvinte de leitor, alheio e seu,
ela ouve o som das suas letras
e aprende que os silêncios breves
somente são um eco das palavras
e que o total silêncio é no Todo
o máximo eco para que tende a voz.

fiama hasse pais brandão - 24/5/94

maio 19, 2012




















Ishiro Taruta
img in Modus Vivendi



Será que não sabes
que este mundo não é mais
que um breve sonho acordado?
Por muito que te quisesse,
também foi coisa passada.


Isumi Shikibu (974?-1034?), in "O Japão no Feminino - I
- Tanka - Séculos IX a XI" Organização e versão portuguesa
Luísa Freire, Assírio & Alvim, Lisboa, 2007.

maio 17, 2012


«Já só sou aquilo que vier a ser.»


Jacques Attali, A Vida Eterna, («La Vie Éternelle»)
Trad. J.L. Gomes, Lisboa, 1991, «Livros do Brasil»

maio 13, 2012


GRIFOS

Também a sombra está na sombra não só a água.
Barra a barra a balaustrada projecta-se.
Na varanda emblemática apercebo-me
da grade de ar. Petrogli
fos percorridos pela sombrografia.

Algo muda os grifos com os bicos de sombra
para outros. O sol corre
entre as formas dos traços. Heterogenea
mente vão deixando de estar
figurados como grifos.

Coesa ainda que dupla a varanda des
figurada. Foi outra a fibra das figuras
diariamente. Antes depois a balaustrada recta
com o sol curva-se.

Na mudança de sentido
Haver algo grífico na varanda não é difícil.
Não vejo a sombra nas sombras tão nítida
Como vi deslumbrar-me a luz que escurece.
1


1Soleil noir.


fiama hasse pais brandão

maio 12, 2012

Pessoalmente,
esta foi sempre para mim,
a mais poética canção de José Afonso.



Pombas brancas
Que voam altas
Riscando as sombras
Das nuvens largas
Lá vão
Pombas que não voltam

Trazem dentro
Das asas prendas
Nas bicos rosas
Nuvens desfeitas
No mar
Pombas do meu cantar

Canto apenas
Lembranças várias
Vindas das sendas
Que ninguém sabe
Onde vão
Pombas que não voltam

maio 10, 2012

Quarenta e oito anos depois,
uma releitura e a mesma verdade

sobre a realidade do mundo actual!


«L’oeil de l’enfant s’ouvre d’abord dans un chaos de lumières et d’ombres, tourne et s’oriente à chaque instant dans un groupe d’inégalités lumineuses; et il n’y a rien de commun encore entre ces régions de lueurs et les autres sensations de son corps. Mais les petits mouvements de ce corps lui imposent d’autre part un tout autre désordre d’impressions: il touche, il tire, il presse; et son être, peu à peu, se dégrossit le sentiment total de sa propre forme. Par moments distincts et progressifs s’organise cette connaissance; l’édifice de relations et de prévisions se dégage des contrastes et des séquences. L’oeil, et le tact, et les actes se coordonnent en une table à plusieurs entrées, qui est le monde sensible, et il arrive enfin — événement capital ! — qu’un certain système de correspondances soit nécessaire et suffisant pour ajuster uniformément toutes les sensations colorées à toutes les sensations de la peau et des muscles. Cependant les forces de l’enfant s’accroissent, et le réel se construit comme une figure d’équilibre en laquelle la diversité des impressions et les conséquences des mouvements se composent.

L’espèce humaine s’est comportée comme cet être vivant le fait quand il s’anime et se développe dans un milieu dont il explore peu à peu et assemble par tâtonnements et raccords successifs les propriétés et l’étendue. L’espèce a reconnu lentement et irrégulièrement la figure superficielle de la terre; visité et représenté de plus en plus près ses parties; soupçonné et vérifié sa convexité fermée; trouvé et résumé les lois de son mouvement; découvert, évalué, exploité les ressources et les réserves utilisables de la mince couche dans laquelle toute vie est contenue...

Accroissement de netteté et de précision, accroissement de puissance, voilà les faits essentiels de l’histoire des temps modernes; et que je trouve essentiels, parce qu’ils tendent à modifier l’homme même, et que la modification de la vie dans ses modes de conservation, de diffusion et de relation me paraît être le critérium de l’importance des faits à retenir et à méditer. Cette considération transforme les jugements sur l’histoire et sur la politique, y fait apparaître des disproportions et des lacunes, des présences et des absences arbitraires.

A ce point de mes réflexions, il m’apparut que toute l’aventure de l’homme jusqu’à nous devait se diviser en deux phases bien différentes: la première, comparable à la période de ces tâtonnements désordonnés, de ces pointes et de ces reculs dans un milieu informe, de ces éblouissements et de ces impulsions dans l’illimité, qui est l’histoire de l’enfant dans le chaos de ses premières expériences. Mais un certain ordre s’installe; une ère nouvelle commence. Les actions en milieu fini, bien déterminé, nettement délimité, richement et puissamment relié, n’ont plus les mêmes caractères ni les mêmes conséquences qu’elles avaient dans un monde informe et indéfini.

Considérant alors l’ensemble de mon époque, et tenant compte des remarques précédentes, je m’efforçai de ne percevoir que les circonstances les plus simples et les plus générales, qui fussent en même temps des circonstances nouvelles. Je constatai presque aussitôt un événement considérable, un fait de première grandeur, que sa grandeur même, son évidence, sa nouveauté, ou plutôt sa singularité essentielle avaient rendu imperceptible à nous autres ses contemporains.

Toute la terre habitable a été de nos jours reconnue, relevée, partagée entre des nations. L’ère des terrains vagues, des territoires libres, des lieux qui ne sont à personne, donc l’ère de libre expansion, est close. Plus de roc qui ne porte un drapeau; plus de vides sur la carte; plus de région hors des douanes et hors des lois; plus une tribu dont les affaires n’engendrent quelque dossier et ne dépendent, par les maléfices de l’écriture, de divers humanistes lointains dans leurs bureaux. Le temps du monde fini commence. Le recensement général des ressources, la statistique de la main-d’oeuvre, le développement des organes de relation se poursuit. Quoi de plus remarquable et de plus important que cet inventaire, cette distribution et cet enchaînement des parties du globe? Leurs effets sont déjà immenses. Une solidarité toute nouvelle, excessive et instantanée, entre les régions et les événements est la conséquence déjà très sensible de ce grand fait. Nous devons désormais rapporter tous les phénomènes politiques à cette condition universelle récente; chacun d’eux représentant une obéissance ou une résistance aux effets de ce bornage définitif et de cette dépendance de plus en plus étroite des agissements humains. Les habitudes, les ambitions, les affections contractées au cours de l’histoire antérieure ne cessent point d’exister — mais insensiblement transportées dans un milieu de structure très différente, elles y perdent leur sens et deviennent causes d’efforts infructueux et d’erreurs.


La reconnaissance totale du champ de la vie humaine étant accomplie, il arrive qu’à cette période de prospection succède une période de relation. Les parties d’un monde fini et connu se relient nécessairement entre elles de plus en plus. Or, toute politique jusqu’ici spéculait sur l’isolement des événements. L’histoire était faite d’événements qui se pouvaient localiser. Chaque perturbation produite en un point du globe se développait comme dans un milieu illimité; ses effets étaient nuls à distance suffisamment grande; tout se passait à Tokio comme si Berlin fût à l’infini. Il était donc possible, il était même raisonnable de prévoir, de calculer et d’entreprendre. Il y avait place dans le monde pour une ou plusieurs grandes politiques bien dessinées et bien suivies.
Ce temps touche à sa fin. Toute action désormais fait retentir une quantité d’intérêts imprévus de toutes parts, elle engendre un train d’événements immédiats, un désordre de résonnances dans une enceinte fermée. Les effets des effets, qui étaient autrefois insensibles ou négligeables relativement à la durée d’une vie humaine, et à l’aire d’action d’un pouvoir humain, se font sentir presque instantanément à toute distance, reviennent aussitôt vers leurs causes, ne s’amortissent que dans l’imprévu. L’attente du calculateur est toujours trompée, et l’est en quelques mois ou en peu d’années. En quelques semaines, des circonstances très éloignées changent l’ami en ennemi, l’ennemi en allié, la victoire en défaite. Aucun raisonnement économique n’est possible. Les plus experts se trompent; le paradoxe règne. Il n’est de prudence, de sagesse ni de génie que cette complexité ne mette rapidement en défaut, car il n’est plus de durée, de continuité ni de causalité reconnaissable dans cet univers de relations et de contacts multipliés. Prudence, sagesse, génie ne sont jamais identifiés que par une certaine suite d’heureux succès; dès que l’accident et le désordre dominent, le jeu savant ou inspiré devient indiscernable d’un jeu de hasard; les plus beaux dons s’y perdent. Par là, la nouvelle politique est à l’ancienne ce que les brefs calculs d’un agioteur, les mouvements nerveux de la spéculation dans l’enceinte du marché, ses oscillations brusques, ses retournements ses profits et ses pertes instables sont à l’antique économie du père de famille, à l’attentive et lente agrégation des patrimoines... Les desseins longuement suivis, les profondes pensées d’un Machiavel ou d’un Richelieu auraient aujourd’hui la consistance et la valeur d’un «tuyau de Bourse».»

Paul Valéry, Regards sur le monde actuel,
Paris, Gallimard, 1998, p.19-23.


maio 08, 2012

«Voilà votre métier, dont vous parlez en amant tout à fait heureux*. Quant à moi, je n’en connais qu’un, puisqu’il est essentiellement niable, et que tout homme, s’armant d’une plume, peut se targuer d’en être maître; et je ne dis le connaître que pour m’être fait un sens toujours plus exquis, et comme ombrageux, de ses difficultés — et presque — de son impossibilité.

Mais, de cette expérience particulière, j’ai du moins retiré une grande révérance pour toute personne qui sait faire quelque chose, et un singulière considération pour celles que nous montrent par leur exemple que l’exercice d’une peut valoir à son homme un autre avantage que son traitement ou son salair, son avancement ou son nom; mais un accroissement et une édification de son être.

                                             Robert Delaunay, La Tour Eiffel

Si j’aimais, plus que je ne fais, les termes considérables, je dirai que tout métier, même très humble, ébauche en nous une éthique et une esthétique, tellement que, à partir de l’obligation de «gagner sa vie» au moyen d’un travail bien défini, quelqu’un peut s’élever à une possession de soi-même et à un pouvoir de compréhension en tous genres, qui surprennet parfois celui qui les observe chez des individus dont il n’eût pas attendu des remarques d’artistes ou des sentences de philosophe, exprimées en termes semi-pittoresques, semi-professionnels.»

(*) Il s’agit d’une lettre-préface à un livre d’un ami.

Paul Valéry, Regards sur le monde actuel,
Paris, Gallimard, 1998, p.242

maio 07, 2012


«Je pense à l’art grec et à celui des Arabes. Ces derniers portent à l’excès du délire limpide la construction des figures par opérations accumulées, dont ils avaient reçu les principes de l´´ecole hellénique de géometrie. L’imagination déductive la plus déliée, accordant merveilleusement la rigueur mathématique à celle des préceptes de l’Islam, qui proscrivent religieusement la recherche de la ressemblance des êtres dans l’ordre plastique, invente l’Arabesque. J’aime cette défense. Elle elimine de l’art l’idolâtrie, le trompe-l’oeil, l’anecdote, la crédulité, la simulation de la nature et de la vie — tout ce qui n’est pas pur, qui n’est point l’acte générateur, développant ses ressources intrinsèques, découvrant ses limites propres, visant à édifier un système de formes uniquemente déduit de la nécessité et de la liberté réelles des fonctions qu’il met en oeuvre. Dans la musique, l’harmonie imitative n’est-elle pas tenue pour un artifice secondaire et grossier? Imiter, décrire, représenter l’homme ou les autres choses, ce n’est pas imiter la nature dans son opération: c’est en imiter les produits, ce que est fort différent. Si l’on veut se faire semblable à ce qui produit (Natura: productrice), il faut, au contraire, exploiter l’entier domaine de notre sensibilité et de notre action, poursuivre les combinaisons de leurs élements, dont les objets et les êtres donnés ne sont que des singularités, des cas très particuliers, que s’opposent à l’ensemble de tout ce que nous pourrions voir et concevoir.

L’Artiste de l’Arabesque, placé devant le vide du mur ou la nudité du panneau, sommé de créer, empêché de recourir au souvenir des choses, couvre cette espace libre, ce désert, d’une végétation formelle que ne ressemble à rien, qui s’implante par quelques points , et s’assujetit à quelques nombres; qui se féconde elle-même par actes d’intersections et de projections, et qui peut indéfiniment proliférer, se différencier, se rejoindre à elle-même. Notre artiste est la source unique. Il ne peut compter sur aucune image préexistante dans l’esprit des autres. Il ne peut songer à rappeler quoi que ce soit: il lui incombe au contraire, d’APPELER QUELQUE CHOSE…
Je l’envie…»

Paul Valéry, Regards sur le monde actuel,
Paris, Gallimard, 1998, p.166-67

maio 06, 2012



O Porto, realmente, é "outro país"!
Ignorava de todo, este "hit"musical...
E, em Lisboa, nunca se ouviu.
Mas, por acaso, até gostei.
Não percebi ainda porquê,
é qualquer coisa,
totalmente
anti-comercial,
gostei!

Parabéns ao Porto e aos azeitonas :)):

Os Azeitonas

Anda comigo ver os aviões levantar voo
A rasgar as nuvens
Rasgar o céu
Anda comigo ao porto de leixões ver os navios
A levantar ferro
A rasgar o mar
Um dia eu ganho a lotaria
Ou faço uma magia
(mas que eu morra aqui)
Mulher tu sabes o quanto eu te amo,
O quanto eu gosto de ti
E que eu morra aqui
Se um dia eu não te levo à América
Nem que eu leve a América até ti
Anda comigo ver os automóveis à avenida
A rasgar as curvas
A queimar pneus
Um dia vamos ver os foguetões levantar voo
A rasgar as núvens
A rasgar o céu...
Um dia eu ganho o totobola
Ou pego na pistola
Mas que eu morra aqui
Mulher tu sabes o quanto eu te amo
O quanto eu gosto de ti
E que eu morra aqui
Se um dia eu não te levo à lua
Nem que eu roube a lua,
Só para ti
Um dia eu ganho o totobola
Ou pego na pistola
Nem que eu morra que aqui
Mulher tu sabes o quanto eu te amo
O quanto eu gosto de ti
E que eu morra aqui
Se um dia eu não te levo à América
Nem que eu leve a América até ti

abril 26, 2012

                                                        img blog A Máxima


Quando rebenta a flor nova no
alpendre da casa, parte de mim
entrega-se a essa aparição. A mesma fuga
leva os insectos entre um ponto claro
e outro. As janelas foram escavadas
nas faces. Trepadeiras confusas
parecem muros. Estas visões evitam
que a casa se destrua. Sou o sujeito
que imagina o pensamento dessa figura
comparada a uma ruína.

A que floresce com o vulto da primavera
há-de deteriorar-se na penumbra
que vai ruir. Terá a vida própria
de um conceito. A porta que dá para o caos.
Enquanto vivo gozo a aparência
de cachos de glícinias roxas
enroscadas nas colunas sem matéria.

Na casa transparente a metade translúcida
aumenta esse esplendor em silêncio.
A que se fundamenta na existência
da minha mesma parte ausente.
Que é uma gruta. Em cima
volteiam mariposas por dentro de um vapor.
O hálito da garganta que a abertura
da janela expele do interior de um halo.

(fiama hasse pais brandão)

                                                      Img blog Cleopatra Moon

abril 20, 2012


Canto da Sombra




















Ao Sol cada tronco cai em sombra
e, no chão, a floresta ou o pomar
mostram o duplo real que nos enfrenta.
Passamos sobre sombras entre as árvores
atentos ao desenho singular,
que não pisamos, dos intervalos da luz.
Passamos entre sombras e não lançamos
os braços em redor de cada árvore,
ávidos da suave escuridão pisamos
os troncos que tombaram junto à sombra.
Se vou ao pomar das árvores cítricas
recolher o fruto que nos dá o aroma,
aí, ao lado de cada tronco, eu vejo
a umbela de sombra que me impele
para o desejo desse fruto duplo.
E a memória retém o objecto e o Outro,
tronco de choupo ou copa de limoeiro;
conhecermo-nos, como diz Sócrates,
é conhecermo-nos no Outro quem nós somos.
A sombra serve ao Canteiro para o traço
da infinita recta, que se torna curva
e lhe dá a forma ideal que reúne
o recto e o curvo, o perto e o além.
No frontão do Pórtico inscreveu
na medida da sombra a esfera do Sol.
Cada dia temos as mínimas sombras
de tudo o que recolhe a mão,
e as nossas casas jazem diante de si mesmas
e vão rodando no seu eixo de sombra.
O cone escuro da nossa própria Terra
escurece a luz do luar branco.
Na geometria dos vultos planetários
por fim ficamos, na escurecida Terra,
predizendo o sentido do futuro.

(Fiama Hasse Pais Brandão, Cantos do Canto,
Relógio d'Água, Lisboa, 1995, p. 17-18)

abril 14, 2012

Um dia, num fórum, intervim a indicar
qual o livro mais divertido que li,
ao invés do mais deprimente
que o questionário
inquiria!

Reproduzo a resposta :):

«Qual o livro mais divertido que já leram? Augusto Abelaira :))))»

O livro mais deprimente????..........
Varreu-se-me da memória, se é que existiu!

Em questão alternativa, proponho:
o livro mais divertido que já leram :)

«Qual o livro mais divertido que já leram?»


Para mim, foi


Augusto Abelaira, O último animal que?,
Edições «O Jornal», Lisboa, 1985,
(situação de mercado: Esgotado)



Termina abruptamente
no capítulo 25, pp 335-336,
com cenas "inimagináveis"
[após ambos os amantes
terem morrido!
] — :)).
Cenas como esta:

Apalpa-me, mexe-me!
Angustiado, respondo:
Como posso mexer-te?

Omiti a palavra apalpar que me pareceu grosseira.
Mas como poderia afagá-la,
se tinha na minha frente um ser invisível,
que não oferecia resistência às minhas mãos
(as ideias visíveis não eram tocáveis)?

Apalpa-me, mexe-me! — repetia, raivosa.

Este, o drama: ( )
E as minhas mãos perdiam-se no vazio,
sem pernas,
sem ventre,
sem braços para tocar.
( )
Situação angustiante.
Quando nos encontrávamos,
não colhíamos o amor completo,
só metade.

E ambos nos esforçávamos por guardar na memória
o outro lado da experiência para,
depois,
virando ao contrário a situação,
completar com ela o que nos faltava.

Mas a memória
— descobrimos —
é frágil,
tem pouca intensidade,
não resiste ao choque do mundo presente.



Um dia lembrei-lhe:
E se engolíssemos uma grande quantidade de comprimidos?
Se as nossas almas se materializassem de tal modo que
pudessem sentir-se uma à outra como se fossem corpos?


A tentativa fracassou.
A Lucy enfrascou-se em comprimidos,
mas a alma transformou-se-lhe
num bloco de ferro e de fósforo,
deixou de pensar e de sentir.
Ficou tão pesada
que não conseguia distanciar-se ( ),
de tal modo a mineralização
tirava a agilidade ao corpo.



Quando, depois de uma cura de águas,
eliminou o excesso de mineralização,
propôs-me:
— Se eu iniciasse uma viagem com corpo até Lisboa?
— Milhares de quilómetros, selva, desertos, o mar...
— Em Lisboa confundia-me com os macacos de Campo de Ourique.
— Como entravas na cadeia?
— Limaria as grades, poderíamos fugir.

Nota do editor: aqui situa-se a explosão solar que não permitiu à antena Holmedel
registar o resto. Mas a preocupação de saber o resto não será um vício condenável?
Se resto houve.
Se resto há.

E termina assim! :))

Ri-me, neste livro, da primeira à última página.

Lol

abril 09, 2012



«a economia parece ter tão pouco de ciência social e humana...»
_________________________________________________



A economia não é uma ciência inumana, mas é imperativa, tem leis logicas necessárias, embora violáveis com gravosas consequências.

Schumpeter passa em revista os maiores cultores da ciência económica apreciando as inovações teóricas aportadas pelos grandes mestres.

É verdade que a economia almeja comparar-se com a física teórica e tal é um modo correcto de firmar o saber. As leis da economia infringem-se ao preço de desastres inconvenientes que constrangem tanto como as leis estrictas da física.

Como em qualquer ramo do saber, a economia distingue a aparência da realidade ou essência de cada facto e não pode culpar-se a ciência de o curso da natureza ser o que decorre das leis que nela vigoram.

Por exemplo, a física diz que a lei da gravidade atrai os corpos para o centro da Terra. Ora, esta é uma lei que impera no planeta, e não é pelo facto de um objecto deposto numa mesa não cair para o centro da Terra que a lei deixa de agir!

Assim a economia. A colectiva produção de bens efectiva-se com a divisão do trabalho, é possível pela fecundidade da natureza, e alcança múltipla eficácia segundo o grau de civilização atingido pela inteligência e o engenho do homem.

A circulação e distribuição da riqueza opera-se pela troca de bens, a qual, em equilíbrio, é equitativa e adequada, pelo que cessa qualquer incentivo ou razão para alterar o respectivo estado de equilíbrio.

A crise financeira, iniciada no Ocidente em 2007-8, originou-se na prévia desregulação do sector bancário, o qual, enquanto prestador de crédito às empresas e às famílias, e como emissor de dinheiro (moeda de troca de bens), agiu incondicionado de limites que anteriormente restringiam a sua autonomia de decisão.

O consequente endividamento das firmas, famílias e estados, falaciosa e ilusoriamente confundido com desenvolvimento, — observe-se que é verdade uma sociedade poder desenvolver-se através da dívida, mas só se investir tais recursos na útil produção de bens e serviços necessários, e não no mero consumo ou em investimentos sem retorno —, levou à crise que grassa presentemente no Ocidente.

O chocante na nossa política de combate à crise não é a austeridade imposta à população, mas, no meu juízo, dois aspectos: a desigualdade na distribuição de sacrifícios e a retardada adopção de medidas adequadas à crise — notoriamente só o FMI e a UE têm estratégia séria, pois o governo não contribuiu ainda com qualquer medida que encaminhe o país para o crescimento viável.

E no entanto, tanto quanto me apercebo nos debates livres televisionados, há na opinião pública pessoas de saber comprovado insatisfeitas com a política do governo; exemplifico com os casos de João Salgueiro, Marinho e Pinto, Adriano Moreira de quem ouço críticas e sugestões pertinentes de política económica, justiça, defesa e relações exteriores. A meu ver, as suas opiniões deviam ser acatadas pelo governo

Por último, tenho a noção que esta crise na economia ocidental (EUA e UE) ou termina numa inflação descontrolada seguida de profunda depressão que arrastará as economias emergentes ou será vencida com o modo responsável de os bancos e os estados dirigirem a economia, a par da modificação de regras do comércio internacional que acabem com o oligopólio da OPEP na fixação dos preços do petróleo e com o dumping salarial da China e da Índia na concorrência desleal de preços dos bens exportados.

abril 04, 2012



Uma obra clássica de Joseph Schumpeter,
História da Análise Económica, que
vale a pena revisitar para bem
apreciar como nascem
lentamente as
ideias

mais preciosas,

e como devemos estar gratos
aos pioneiros que as descobriram
e elaboraram, atribuindo
a cada investigador

o mérito que lhe
é próprio, e

mostrando a influência
de cada qual na melhoria
e progresso do conhecimento.

abril 03, 2012

Hedy Lamarr, Inventor of Radio Controlled Torpedo

Born in Austria as Hedwig Eva Maria Kiesler,
Hedy Lamarr was an A list actress in the 1930s and
40s, and was billed as the most beautiful woman in the world.


She and a co-inventor also concieved of a way to control torpedoes by a constantly changing radio frequency so that it could not be jammed. The shortcoming of radio controlled torpedoes was that the control signal could be jammed on any particular frequency. Ms. Larmar and her partner thought of the way to get around a jamming signal, by having the controller and the receiver in the torpedo change frequency in unison and continually, so the signal could not be jammed. The controller and the receiver on the torpedo would change frequency at predetermined times, to predetermined frequencies so that a jamming signal could not follow the sequence. The exact configuration of coordinating the frequency changes that Lamarr came up with was not used, but the idea of frequency changing is used in many technologies today.

Origem do texto e da imagem:

março 27, 2012


«Esse est percipere et percipi»

março 26, 2012

março 25, 2012


Hashiguchi Goyo in Modus Vivendi

O meu desejo de ti
é forte para contê-lo —
assim ninguém vai culpar-me
se à noite for ter contigo
pela estrada de meus sonhos.



Ono No Komachi (834?-?), in "O Japão
no Feminino I Tanka - séculos ix xi
",
Assírio & Alvim, Lisboa, 2007, p.22

março 23, 2012



«Cuando el derecho se reduce a la elaboración estatal de las leyes, una «concepción voluntarista» o una «teoría del mandato» de la ley sustituye gradualmente a la idea de la ley como common law, es decir, a la idea de un processo acumulativo de elaboración de las leyes derivado de la costumbre (la lex terrae) y definido por el hallazgo del derecho [jurisprudência] de las decisiones judiciales.

Nuestra concepción legislativa del derecho adolece — según lo estamos descubriendo — de muchos inconvenientes. En primer lugar, el gobierno de los legisladores está abocando a una verdadera manía por legislar, a una temible inflación de leyes. [ ] el hecho es que la inflación legislativa desacredita al derecho.

Pero existen otros inconvenientes. No es sólo la cantidad excesiva de leys lo que disminuye el valor del derecho, es también su mala calidad. [ ] La cuestión aquí (…) [es] que el sistema no estaba pensado para que los legisladores remplazaran a los juristas y a la jurisprudencia. [ ] el deterioro actual de las leys en relación con su generalidad [es] el problema de la legislación dictada en función de unos intereses específicos. [ ] ese tipo de legislación sectorial sugiere una caracterización de la ley como si fuera una «orden».

Pero [lo más preocupante] es que la fabricación masiva de leyes acaba por poner en peligro el outro requisito fundamental del dercho: su certeza. La certeza no consiste sólo en una redacción precisa de las leyes, ni en el hecho de que sean leyes escritas; es además la certeza de futuro de que las leyes serán duraderas.

Por último, [ ] la teoría y la prática del «derecho legislado» (la concepción legislativa del derecho) nos acostumbra a aceptar todas las órdenes del Estado [ ]. La legitimidad se resuelve en la legalidad, y en una legalidad meramente formal, ya que rechaza por
meta-jurídico el problema de la ley injusta.

Sobre esta base pueden ocurrir dos cosas.

La primera es que los jueces dejen de considerarse como buscadores de la ley (en el proceso de administración de justicia) y se conviertan más y más en jueces-legisladores a la manera do políticos-legisladores; ambas categorías, cada vez com más frecuencia, enarbolan la ley como si se tratara de un triunfo. Si eso ocurre, la «república de los diputados» (como llamaban los franceses a su república) encuentra aquí un antagonista igualmente desintegrador en la «república de los jueces».

La segunda [ ] es que una vez que estemos habituados al dominio de los legisladores, el gubernaculum se libera vis-à-vis la iurisdictio. Lo que implica la factibilidad de la supresión legal de la legalidad constitucional.

Cuando el fascismo se instaló en el poder, el tránsito se produjo tranquilamente, casi inadvertidamente, y, a decir verdad, com una pequeña ruptura de la continuidad. Sucedió una vez y puede suceder de nuevo.

Non llegaré a afirmar que el tránsito del imperio de la ley al dominio por las leys que se aproxima veladamente al gobierno de los hombres, nos haya privado ya de la sustancia de la protección jurídica.

Pero deseo destacar que hemos llegado a un punto en el que tal protección depende de modo crucial de la supervivencia de un sistema de garantías constitucionales, dado que nuestros derechos no están seguros con una concepción de la ley meramente formal, positivista. [ ]

En las últimas décadas se há producido una demanda generalizada en favor de la «democratización» de la constitución [ ]. El ideal de estos reformadores es transformar la ley en simple legislación en un gobierno de los legisladores, liberado de las ataduras proprias de un sistema de frenos y contrapesos.

Así, pues, su ideal es una constitutión que no es ya, propria y estrictamente hablando, una constitución. Parece que no nos damos cuenta de que a medida que el denominado constitucionalismo democrático socava los logros del constitucionalismo liberal, más nos acercamos a la solución a la que llegaron los griegos, y que determinó su caída; a saber, que los hombres se vieron sometidos a leyes tan fácilmente cambiables que eran incapces de asegurar la protección de la ley.

Concurren, pues, muchos motivos de alarma. Mientras que la ley, como se entendia antiguamente, servía de modo efectivo de barrera frente al poder arbitrario, la legislación, tal y como se entiende ahora, puede convertirse en una garantía inexistente.»

Giovanni Sartori, Teoría de la democracia,
(«The theory of democracy revisited», 1987)
versión española, 2 vol.’s, Madrid,
Alianza Universidad, 1988, pp.404-7


Eis um livro de política de notável clareza e lucidez. Apresentar conceitos teóricos iluminados pela conotação e a significação histórica de que se revestiram no passado; fazer ver como os as forças sociais condicionam e são condicionadas pelo jogo e a interacção das circunstâncias históricas e sociais; manter a disciplina do raciocínio teórico na apreciação do modelo político democrático enquanto poder do povo com a salvaguarda da liberdade individual perante o Estado, não é tarefa fácil que se realize imune a enviesamentos de mera propaganda ideológica. Giovanni Sartori consegue-o com brilho nesta sua obra instrutiva que é um livro clássico de doutrina política.

março 21, 2012



O Fortuna, Imperatrix Mundi

O Fortuna,
Velut Luna
Statu variabilis,
Semper crescis
Aut decrescis;
Vita detestabilis
Nunc obdurat
Et tunc curat
Ludo mentis aciem,
Egestatem,
Potestatem
Dissolvit ut glaciem.

Sors immanis
Et inanis,
Rota tu volubilis
Status malus,
Vana salus
Semper dissolubilis,
Obumbrata
Et velata
Michi quoque niteris;
Nunc per ludum
Dorsum nudum
Fero tui sceleris.

Sors salutis
Et virtutis
Michi nunc contraria
Est affectus
Et defectus
Semper in angaria.
Hac in hora
Sine mora
Corde pulsum tangite;
Quod per sortem
Sternit fortem,
Mecum omnes plangite!

------------- // ---------------

Ó Sorte,
És como a Lua
Mutável,
Sempre aumentas
Ou diminuis;
A detestável vida
Ora oprime
E ora cura
Para brincar com a mente;
Miséria,
Poder,
Ela os funde como gelo.

Sorte imensa
E vazia,
Tu, roda volúvel
És má,
Vã é a felicidade
Sempre dissolúvel,
Nebulosa
E velada
Também a mim contagias;
Agora por brincadeira
O dorso nu
Entrego à tua perversidade.

A sorte na saúde
E virtude
Agora me é contrária.

E tira
Mantendo sempre escravizado
Nesta hora
Sem demora
Tange a corda vibrante;
Porque a sorte
Abate o forte,
Chorai todos comigo!

março 19, 2012



«We’re an empire now, and when we act,
we create our own reality.

And while you’re studying that reality
— judiciously, as you will—we’ll act again,
creating other new realities, which you
can study too, and that´s how
things will sort out.

We’re history’s actors… and you, all of you,
will be left to just study what we do.»

—Senior adviser to former president George W. Bush,
as quoted in the New York Times Magazine, October 17, 2004,
cit. in Noam Chomsky, Making the Future, London,
Hamish Hamilton, Penguin Books, 2012

março 17, 2012

Livro de Ester, 9, 29-32; 10, 1-3

A rainha Ester, filha de Abiail, e Mardoqueu, judeu, escreveram também uma segunda carta, para que com o maior cuidado ficasse estabelecido este dia solene para o futuro. Enviaram-na a todos os Judeus, que moravam nas cento e vinte e sete províncias do rei Assuero, para que tivessem paz e recebessem a verdade, observando os dias das sortes, e celebrando-os a seu tempo com grande alegria, como Mardoqueu e Ester tinham estabelecido; eles se obrigaram, por si e pela sua descendência, a guardar os jejuns, os clamores (a Deus), os dias das sortes, tudo o que se contem na história deste livro, que se intitula Ester. (9, 29—32)


O rei Assuero tinha feito tributária toda a terra e todas as ilhas do mar. Nos livros dos Medos e dos Persas se acha escrito qual foi o seu poder e o seu domínio, a dignidade e a grandeza a que ele exaltou Mardoqueu, de que modo Mardoqueu, judeu de nação, chegou a ser o segundo depois do rei Assuero, como foi grande entre os Judeus e amado pela multidão dos seus irmãos, procurando o bem do seu povo e interessando-se por aquilo que se referia à tranquilidade da sua raça. (10, 1—3)

-------------- // -------------

Bíblia Sagrada, Antigo Trestamento, vol. II,
Versão segundo os textos originais, pelo
Padre Matos Soares, Tipografia Alberto de Oliveira, Lda.,
Imprimatur Portucale, die 7 Octubris 1955,
Antonius, Ep. Portucalensis

The Mausoleum of Esther and Mordecai
Hamadan

março 16, 2012

Livro de Ester, 9, 26-28

Desde aquele tempo, estes dias foram chamados Purim, isto é, das sortes, porque o Pur, ou a sorte, foi lançada na urna. Todas as coisas que aconteceram estão contidas no volume desta carta, isto é, deste livro. (9, 26)

Em memória do que sofreram e da (feliz) mudança que depois houve, os Judeus obrigaram-se por si e pelos seus descendentes, e por todos os que quiseram agregar-se à sua religião, que a nenhum fosse lícito passar sem solenidade estes dois dias que são indicados neste escrito, e se observam, em tempos determinados, pelos anos sucessivos. (9, 27)

Estes são dias que nunca serão esquecidos, e os quais todas as províncias de geração em geração celebrarão por toda a terra; não há cidade alguma onde os dias de Purim, isto é, das sortes, não sejam solenizados pelos Judeus e pela sua descendência, que está obrigada a estas cerimónias.
(9, 28)


Bíblia Sagrada, Antigo Trestamento, vol. II,
Versão segundo os textos originais, pelo
Padre Matos Soares, Tipografia Alberto de Oliveira, Lda.,
Imprimatur Portucale, die 7 Octubris 1955,
Antonius, Ep. Portucalensis

«Desde aquele tempo, estes dias foram
chamados Purim, isto é, das sortes»

março 15, 2012

Livro de Ester, 9, 20-25

Mardoqueu escreveu todas estas coisas, e, resumindo-as numa carta, mandou-a aos Judeus que habitavam em todas as províncias do rei, tanto nas mais próximas, como nas mais remotas, a fim de que o dia catorze e o dia quinze do mês de Adar fossem para eles dias de festa, celebrados, todos os anos, com honras solenes, porque nestes dias se vingaram os Judeus dos seus inimigos, e o seu luto e tristeza converteram-se em festa e alegria. [ ] (9, 20—22)

Os Judeus admitiram entre os seus ritos solenes tudo o que começaram a fazer naquele tempo, e que Mardoqueu na sua carta lhes ordenou que fizessem. Com efeito, Aman, filho de Amadati, da linhagem de Agag, inimigo e adversário dos Judeus, formara contra eles o mau projecto de os matar e de os extinguir, e lançara sobre isto o Pur, que significa sorte. (9, 23—24)

Porém, tendo-se apresentado Ester ao rei, este ordenou, por escrito, que caisse sobre a cabeça do seu autor, o projecto perverso que Aman formara contra os Judeus, e que ele (Aman) e seus filhos fossem crucificados. (9, 25)

Bíblia Sagrada, Antigo Trestamento, vol. II,
Versão segundo os textos originais, pelo
Padre Matos Soares, Tipografia Alberto de Oliveira, Lda.,
Imprimatur Portucale, die 7 Octubris 1955,
Antonius, Ep. Portucalensis

«Mardoqueu escreveu todas estas coisas, e,
resumindo-as numa carta, mandou-a aos Judeus»

março 14, 2012

Livro de Ester, 9, 16-19

Da mesma sorte por todas as províncias que estavam sujeitas ao império do rei, puseram-se os Judeus em defesa das suas vidas, matando os seus inimigos e perseguidores, em tão grande número que chegaram os mortos a setenta e cinco mil homens. Todavia nenhum (judeu) pôs a mão em coisa alguma dos seus bens. (9, 16)

No dia treze do mês de Adar começou a matança em toda a parte, e cessou no dia catorze. Ordenaram que este dia fosse solene, e que se celebrasse por todos os séculos seguintes com banquetes, regozijos e festins. Os que tinham executado a mortandade na cidade de Susa, empregaram nela os dias treze e catorze do mesmo mês; cessaram de matar no dia quinze. Por esta razão estabeleceram que se solenizasse o mesmo dia com banquetes e regozijos. (9, 17—18)

Os Judeus, porém, que habitavam nas cidades sem muros, e nas aldeias, destinaram o dia catorze do mês de Adar para os banquetes e regozijos, de modo que neste dia fazem grandes divertimentos e mandam uns aos outros alguma coisa dos seus banquetes e iguarias. (9, 19)

Bíblia Sagrada, Antigo Trestamento, vol. II,
Versão segundo os textos originais, pelo
Padre Matos Soares, Tipografia Alberto de Oliveira, Lda.,
Imprimatur Portucale, die 7 Octubris 1955,
Antonius, Ep. Portucalensis

«No dia treze do mês de Adar começou a matança
em toda a parte, e cessou no dia catorze.»


Nota:- O quadro do pintor huguenote François Dubois
do séc. XVI d.C. retrata o massacre da noite de São Bartolomeu
de 1572, quando católicos franceses mataram protestantes
huguenotes em Paris, e não a matança dos partidários
de Haman, na Pérsia do séc.VI a.C.

março 13, 2012

Livro de Ester, 9, 11-15

Foi logo referido ao rei o número dos que tinham sido mortos em Susa. Ele disse à rainha: Na cidade de Susa mataram os Judeus quinhentos mortos, afora os dez filhos de Aman; quão grande cuidas tu que seja a mortandade que eles terão feito em todas as províncias? Que mais pedes, que queres tu que eu mande que se faça? (9, 11—12)

Ela respondeu-lhe: Se assim apraz ao rei, seja dado poder aos Judeus de fazerem ainda amanhã em Susa, o que fizeram hoje, e os dez filhos de Aman sejam pendurados em patíbulos. O rei ordenou que assim fosse feito, e lgo foi afixado em Susa o edito, e os dez filhos de Aman foram pendurados. Reunidos os Judeus no dia catorze do mês de Adar, foram mortos tresentos homens em Susa; porém não saquearam os seus bens. (9, 13—15)


Bíblia Sagrada, Antigo Trestamento, vol. II,
Versão segundo os textos originais, pelo
Padre Matos Soares, Tipografia Alberto de Oliveira, Lda.,
Imprimatur Portucale, die 7 Octubris 1955,
Antonius, Ep. Portucalensis

«Ela respondeu-lhe: Se assim apraz ao rei,
seja dado poder aos Judeus…»

março 12, 2012

Livro de Ester, 9, 1;5-10

No dia treze do duodécimo mês, que, [ ], se chama Adar, quando estava destinada a matança de todos os Judeus e quando os seus inimigos estavam ansiosos do seu sangue, os Judeus, pelo contrário, começaram a ser mais fortes e a vingar-se dos seus aversários. (9, 1)


Fizeram, pois, os Judeus um grande estrago nos seus inimigos, mataram-nos, infligindo-lhes o mal que lhes apeteceu. Em Susa mataram quinhentos homens sem contar os dez filhos de Aman Agagita, inimigo dos Judeus [ ]. Tendo-os matado, não quiseram os Judeus tocar no despojo de seus bens. (9, 5—10)



Bíblia Sagrada, Antigo Trestamento, vol. II,
Versão segundo os textos originais, pelo
Padre Matos Soares, Tipografia Alberto de Oliveira, Lda.,
Imprimatur Portucale, die 7 Octubris 1955,
Antonius, Ep. Portucalensis

«No dia treze do duodécimo mês,
que, [ ], se chama Adar»

março 11, 2012

Livro de Ester, 8, 15-17

Mardoqueu, saindo do palácio e da presença do rei, resplandecia com vestes reais, azuis e brancas, levando uma coroa de ouro na cabeça, e cobrindo-se com um manto de seda e de púrpura. Toda a cidade se encheu de festa e de alegria. (8, 15)

Aos Judeus parecia ter-lhes nascido uma nova luz, alegria, honra e júbilo. Em todos os povos, cidades e províncias, onde chegaram as ordens do rei, havia, entre os Judeus, uma alegria extraordinária, banquetes e festas, de tal sorte que muitos, dos outros povos e seitas, abraçavam a sua religião e as suas cerimónias, porque o nome do povo judaico tinha enchido todos de grande terror. (8, 16—17)


Bíblia Sagrada, Antigo Trestamento, vol. II,
Versão segundo os textos originais, pelo
Padre Matos Soares, Tipografia Alberto de Oliveira, Lda.,
Imprimatur Portucale, die 7 Octubris 1955,
Antonius, Ep. Portucalensis

Pieter Lastman, Triumph of Mordecai (1624)
«Mardoqueu, saindo do palácio e da presença do rei,
resplandecia com vestes reais...»

março 04, 2012

Vou estar fora uma semana!

Livro de Ester, 8, 9-14

Chamados os secretários e escrivães do rei [ ] foram escritas as cartas [ ] e dirigidas aos Judeus, aos príncipes, aos governadores e chefes, que presidiam a cento e vinte e sete províncias do reino, desde a Índia até à Etiópia, a cada província segundo (os caracteres da) sua escrita, a cada povo em sua própria língua, e aos Judeus, em sua língua e em seus caracteres. Estas cartas, que eram enviadas em nome do rei, foram seladas com o seu anel, e levadas pelos seus correios, os quais, percorrendo com diligência todas as províncias, evitaram por meio destas novas ordens (o efeito) das primeiras cartas. (8, 9—10)

O rei mandou-lhes também que em cada cidade buscassem os Judeus, e lhes ordenassem que se unissem todos, para defenderem as suas vidas e para matarem os seus inimigos [ ]. Foi estabelecido por todas as províncias um (mesmo) dia de vingança [ ]. Uma cópia do edito, que deveria ser promulgado como lei em cada província, foi enviada aberta a todos os povos, a fim de que os Judeus, nesse dia, estivessem prontos a vingar-se dos seus inimigos. Os correios partiram imediatamente, levando os avisos, e o edito do rei foi afixado em Susa. (8, 11—14)


Bíblia Sagrada, Antigo Trestamento, vol. II,
Versão segundo os textos originais, pelo
Padre Matos Soares, Tipografia Alberto de Oliveira, Lda.,
Imprimatur Portucale, die 7 Octubris 1955,
Antonius, Ep. Portucalensis