agosto 19, 2012


«Quanto mais nos elevamos numa posição de comando, tanto mais a mente, compreensão e penetração predominam na actividade e tanto mais, portanto, a ousadia, que é propriedade dos sentimentos, é mantida em sujeição, e por isso a encontramos tão raramente nos postos mais elevados.

Mas então, tanto mais deveria ser admirada.

A ousadia dirigida por uma inteligência dominante, é a marca do herói: esta ousadia não consiste em aventurar-se directamente contra a natureza das coisas, num perfeito desprezo pelas leis das probabilidades mas, uma vez feita uma escolha, na rigorosa aderência a esse cálculo superior, que o génio, o tacto do julgamento, verificou com a velocidade do raio.

Quanto mais asas a ousadia emprestar à mente e ao discernimento, tanto mais longe alcançarão no seu voo, tanto mais compreensível será a vista geral, tanto mais exacto o resultado, mas certamente que sempre apenas no sentido que, com maiores objectivos, maiores são os perigos com eles relacionados.

O homem vulgar, sem falar nos fracos e irresolutos, chega a um resultado exacto na medida em que isso for possível sem uma demonstração ocular, no máximo depois de diligente reflexão no seu aposento, à distância do perigo e da responsabilidade.

Se o perigo e a responsabilidade começarem a cercá-lo em todas as direcções, então perde o poder de visão compreensivo e se, por influência dos outros, retém este em certa medida, sempre perderá o seu poder de decisão, porque nesse ponto ninguém o poderá ajudar.»

op.cit.,Livro III, Capítulo 6, p. 175 (a ousadia)

agosto 12, 2012



«A influência dos princípios teóricos sobre a vida real é fruto mais da crítica que da doutrina, porque, como a crítica é uma aplicação da verdade abstracta a acontecimentos reais, ela não só traz esta verdade para mais próximo da vida, como também, com a constante repetição da sua aplicação, acostuma mais o entendimento a tais verdades. Achamos, por isso, necessário fixar o ponto de vista da crítica próximo do da teoria.

Da simples narração de uma ocorrência histórica que coloca os acontecimentos por ordem cronológica ou, no máximo, toca de leve nas suas causas mais imediatas, separamos o crítico.

Neste crítico podem observar-se três diferentes operações mentais.

Primeiro, a investigação histórica e a determinação de factos duvidosos. Isto é pesquisa histórica pura, e nada tem de comum com a teoria.

Em segundo lugar, o ligar os efeitos às causas. Esta é a verdadeira investigação crítica; é indispensável para a teoria, porque tudo aquilo que na teoria tem de ser estabelecido, justificado ou apenas explicado pela experiência, só deste modo pode ser determinado.

Em terceiro lugar, o testar dos meios empregados. Isto é crítica propriamente dita, onde se inclui louvor e censura. É aí que a teoria ajuda a história, ou antes, os ensinamentos que dela se podem derivar.

Nestas duas partes estritamente críticas do estudo histórico, tudo depende de seguir o curso dos factos até aos seus elementos primários, ou seja, até verdades indubitáveis e não, como é muito vezes feito, parar a meio do caminho em qualquer assunção ou suposição arbitrária.

op. cit., Livro II, Capítulo 5, p. 129 (a crítica)

agosto 09, 2012


«A arte da guerra assim considerada no sentido limitado, novamente se divide em táctica e estratégia. A primeira ocupa-se com a forma do combate em separado, a última com a sua utilização. Ambas estão relacionadas com as circunstâncias das marchas, acampamentos e aquartelamentos apenas através do combate, e estas circunstâncias são tácticas ou estratégicas conforme se relacionam com a forma ou a significação da batalha.

Sem dúvida que muitos leitores irão considerar supérflua esta cuidadosa separação de duas coisas que estão tão próximas, como é a táctica e a estratégia, visto isso não ter qualquer efeito directo na condução propriamente dita da guerra. Certamente que admitimos que seria pedantismo procurar efeitos directos de uma distinção teórica num campo de batalha.

Mas a primeira obrigação de todas as teorias é esclarecer os conceitos e ideias que têm andado misturdos e, podemos dizê-lo, embaraçados e confusos, e só quando se estabelece uma compreensão correcta quanto a nomes e conceitos, é que se pode esperar progredir com clareza e facilidade e estar certos de que autor e leitores sempre verão as coisas do mesmo ponto de vista. A táctica e a estratégia são duas actividadesque mutuamente se entrelaçam no tempo e no espaço, e que ao mesmo tempo são actividades essencialmente diferentes, cujas leis interiores e mútuas relações não podem de modo algum ser inteligíveis até que se estabeleça uma clara concepção da natureza de cada actividade,

Todo aquele para quem isto nada signifique, ou deve repudiar toda a consideração teorética, ou o seu entendimento ainda não teve de sofrer com as ideias confusas e perplexas que se não apoiam em nenhum ponto de vista fixo, que não conduzem a qualquer resultado satisfatório, que umas vezes são maçadoras, outras fantásticas, outras vezes, ainda, pairam em generalidades vagas — ideias que muitas vezes somos obrigados a ouvir ou a ler sobre a condução da guerra, devido ao facto de, até agora, o espírito de investigação científica pouco se ter interessado por estes asssuntos.»

op.cit., Livro II, Capítulo 1, pp.100-101(a arte da guerra, a táctica e a estratégia)

agosto 05, 2012


«Mas na guerra, devido às muitas e fortes impressões a que a mente está exposta, e na incerteza de todo o conhecimento e ciência, mais coisas ocorrem para desviar um homem do caminho por onde se lançou, para o fazer duvidar de si próprio e dos outros, do que em qualquer outra actividade humana.

A avassaladora vista do perigo e do sofrimento facilmente leva a que os sentimentos ganhem ascendência sobre a convicção do raciocínio; e na penumbra que tudo envolve, uma vista profunda e clara é tão difícil que uma alteração de opinião é mais concebível e perdoável.

A todo o tempo temos de agir apenas sobre conjecturas ou suposições sobre a verdade. Por isso que em parte alguma as diferenças de opinião são tão grandes como na guerra, e a corrente de impressões, actuando contra as nossas próprias convicções, não cessa nunca de correr. Mesmo a maior impassibildade de espírito dificilmente está à prova delas, porque as impressões são poderosas por natureza e sempre actuam simultaneamente sobre os sentimentos.

Quando o discernimento é claro e profundo o resultado não pode ser outra coisa que não princípios gerais e vistas de acção de um alto nível; é nestes princípios que está ancorada a opinião em cada caso particular imediatamente sob consideração.

Mas manter-se dentro destes resultados da refexão passada, em oposição à corrente de opinião e fenómenos que o presente traz consigo é, justamente, a dificuldade.

Entre o caso particular e o princípio geral há muitas vezes um amplo espaço que nem sempre pode ser atravessado por uma cadeia visível de conclusões, e onde uma certa fé em si próprio é necessária e um certo cepticismo é bastante útil.

Nestes casos, muitas vezes, nada mais nos pode ajudar senão uma máxima imperativa, independente do raciocínio, e que logo o controla: a máxima é, em todos os casos duvidosos, deve aderir-se à primeira opinião, e não desistir dela até que a isso sejamos forçados por uma convicção clara.

Devemos crer firmemente na superior autoridade de máximas bem experimentadas, e sob a ofuscante influência de acontecimentos de momento, não esquecer que o seu valor é de qualidade inferior.

Com esta preferência que em casos duvidosos damos à primeira convicção e aderimos à mesma, as nossas acções adquirem aquela estabilidade e consistência que compõem aquilo a eu chamamos carácter.

A força de carácter conduz-nos a uma variedade ilegítimada mesma — a obstinação. Em casos concretos, é muitas vezes difícil dizer onde acaba uma e começa a outra; por outro lado, não parece difícil determinar qual a diferença no plano dos conceitos.

A obstinação não é um defeito do entendimento; usamos o termo para exprimir uma resistência contra o nosso melhor julgamento, e seria inconsistente culpar dela o entendimento, pois este é o poder de julgar.

A obstinação é defeito dos sentimentos ou do coração. Esta inflexibilidade da vontade, esta impaciência perante a contradição, tem a sua origem apenas numa particular espécie de egotismo, que coloca acima de qualquer outro prazer o de governar tanto os outros como a si próprio, apenas segundo o seu raciocínio.

Devíamos chamar-lhe uma espécie de vaidade se não fosse, decididamente, algo de melhor. A vaidade fica satisfeita com meras aparências, mas a obstinação baseia-se nop gozo da coisa.

Dizemos, pois, que a força de carácter degenera em obstinação sempre que a resistência a julgamentos opostos provém, não de melhores convicções ou da fé em alguma máxima de mais confiança, mas apenas de um sentimento de oposição.»

op, cit., Livro I, Capítulo 3 – pp.74-75 (a força de carácter)

julho 28, 2012


«Que a concepção do científico não consiste apenas, ou principalmente, no sistema e nas suas acabadas construções teóricas não carece, hoje em dia, de explicitação. Neste tratado não vamos encontrar o sistema à superfície e, em vez de todo um acabado edifício, teremos apenas materiais.

O científico reside, aqui, na tentativa de aprofundar a natureza dos fenómenos militares para mostrar a sua afinidade com a natureza dos elementos de que se compõe.

Em nenhum lugar se fugiu ao argumento filosófico, mas onde ele se tornava por demais ténue, o autor preferiu cortá-lo de vez e regressar aos correspondentes resultados da experiência; porque, do mesmo modo que muitas plantas só dão fruto se não se tornarem grandes demais, assim também nas artes práticas, as folhas e flores teóricas não se devem deixar desenvolver demais, mas devem ser mantidas próximas da experiência, que é o seu solo natural.

Está fora de dúvida que seria um erro tentar descobrir a forma de uma espiga de milho a partir dos ingredientes químicos de um grão dela, pois temos apenas de ir ao campo para ver as espigas maduras. A investigação e a observação, a filosofia e a experiência não devem desprezar-se nem excluir-se mutuamente; antes mutuamente se concedem os direitos de cidadania.

Em consequência disso, as afirmações deste livro, com a sua arquitectura de inerente necessidade, são comprovadas quer pela experiência quer pela concepção da guerra em si própria como pontos externos, por isso que não são ilimitadas (*)

(*) Que este não é o caso nas obras de muitos escritoreas militares, especialmente daqueles que pretenderam tratar da própria guerra de um modo científico, é-nos mostrado em muitas instâncias nas quais, devido aos seus raciocínios, os prós e os contras se comem mutuamente de modo tão efectivo que não ficam vestígios das caudas dos dois leões.

(Introdução do autor)

julho 26, 2012


Il est vrai que ce monde où nous respirons mal
N'inspire plus en nous qu'un dégoût manifeste,
Une envie de s'enfuir sans demander son reste,
Et nous ne lisons plus les titres du journal.


Nous voulons retourner dans l'ancienne demeure
Où nos pères ont vécu sous l'aile d'un archange,
Nous voulons retrouver cette morale étrange
Qui sanctifiait la vie jusqu'à la dernière heure.


Nous voulons quelque chose comme une fidélité,
Comme un enlacement de douces dépendances,
Quelque chose qui dépasse et contienne l'existence
Nous ne pouvons plus vivre loin de l'éternité.


op. cit., ibidem, p.207

julho 15, 2012


«Whatever a person actively does
must raise his level of health and vitality.»
, p.259

julho 12, 2012


REVERSIBILIDADE


Não sei assim
do que de mim foi feito
daquele que não fui.


O que não fui não conta
é cousa que abjurei
mas ainda existe.


Existe e persiste
na sua memória
cecretamente.


A outra face
a de quem não fui
e não quis que o fosse


é o outro lado
desta face que é
a verdadeira ou não.
 Não sei assim
do que de mim foi feito
daquele que não fui.


Lago de Nóbrega*

In "Jorge Barbosa, Poesia Inédita e Dispersa",
Pref., organiz. e notas de Elsa Rodrigues dos Santos,
Edições ALAC - África, Literatura, Arte e Cultura, Lda.,
Lisboa, 1993, p. 103


* Pseudónimo de Jorge Barbosa,
escrito em 1962.

julho 10, 2012

Recordando o Sal



Lembrando Jorge Barbosa,

FOLHA SECA

Folha seca
tiste do outono
desvairado
vento a levou.

E foi subindo
subindo em vertical
pelo espaço
rodopiando.

Mas repentino
parou o vento.
e a folha seca
abandonada

veio pairando
vagarosa e leve
caindo pelo espaço
em espiral.

Deus vebndo-a
desamparada
na lenta
queda rodopiando

Deus compadeceu
e a transformou
em súbita
e ágil andorinha.

Todos os anos
pela primavera
volta de longe
volúvel e breve.

Chega veloz e passa
acrobática roçando
a tarde lírica
da ilha pequena.


Ilha do Sal (1963)

junho 12, 2012



I'll be several days over there

junho 11, 2012



«É apenas no silêncio que funciona o único e verdadeiramente
poderoso meio de informação que é o murmúrio. Cada povo,
mesmo que oprimido pelo mais censurador dos tiranos,
sempre conseguiu saber tudo aquilo que acontece
no mundo através do murmúrio.

Os editores sabem que os livros que se tornaram um best-seller
não se tornaram tal pela publicidade ou pelas recensões,
mas por um termo que, em francês, se diz
bouche à oreille, em inglês se diz
word of mouth, em italiano
diz-se passaparola:

os livros atingem o sucesso
apenas através do murmúrio.

Perdendo a condição do silêncio, perde-se a possibilidade
de captar o murmúrio, que é o único meio fundamental
e fidedigno de comunicação.


Eis que, portanto, e em conclusão, direi que um dos problemas
éticos que se põe é como voltar ao silêncio. E um
dos problemas semióticos que poderemos
enfrentar é estudar melhor a função
do silêncio nos vários modos
de comunicação.

Abordar uma semiótica do silêncio: pode ser
uma semiótica da reticência, uma
semiótica do silêncio no
teatro, uma semiótica
do silêncio em
política,

uma semiótica do silêncio no discurso político,
isto é, a longa pausa, o silêncio como
criador de suspense, o silêncio
como ameaça, o silêncio
como negação,

o silêncio na música.


E, portanto, italianos,
eu não vos convido às histórias,
mas convido-vos ao silêncio.»

Umbero Eco, Construir o Inimigo e
outros escritos ocasionais, («Construire
il Nemico a altri scritti occasionali»), trad.
Jorge Vaz de Carvalho, Lisboa, Gradiva, 2011, PP.200-1

junho 06, 2012


«Sabemos como os nomes actuam sobre a alma
e até sobre o pensamento dos homens
que os recebem ao nascer e
de acordo com o rito,
ou ao renascerem.


Considera, por exemplo,
o alto nome de Aristóteles.




Tantos livros se têm escrito sobre o filósofo grego
e, que eu saiba, nunca ninguém observou que,
significando o seu nome «o melhor é o fim»,
pois 'aristos significa o melhor
e télos o fim', isso condiz
inteiramente com a
sua doutrina
de que


«a melhor das causas é a causa final».

:)

António Telmo, Congeminações de um
Neopitagórico, Sintra, Zefiro, 2009, p.67

junho 03, 2012


The Psychopath Test

Bob seemed melancholy. It was as if the crash had made him
introspective. He said, almost to himself, "I should never
have done all my research in prisons. I should have
spent my time inside the Stock Exchange as well."

I looked at Bob.
"Do you mean that?" I asked.
"I mean it," he said.
"But surely stock market psychopaths
can't be as bad as serial killer psychopaths," I said.

"Serial killers ruin families," shrugged Bob.
"Corporate and political and religious
psychopaths ruin economies.
They ruin societies."

junho 01, 2012


«Os heróis que a multidão seguiu após os acontecimentos
de Mafeking [guerra dos Boers, n'África do Sul]
eram bem inferiores aos heróis
que havia seguido
antes da guerra.

O gentleman inglês começou
a desaparecer da vida pública
e a dar lugar a labregos incitando
a revolta da populaça - [] -
do género Lloyd George,
Chamberlain, [], Churchill,
[].

A liberdade pessoal
e a legalidade estrita, [],
foram apagadas
das tábuas inglesas
da lei, ao mesmo tempo
que o centro de gravidade
social e político se deslocou
para um plano inferior.»

Henry Louis Mencken, Os Americanos
(«On Being An American», 1922),
Lisboa, Antígona, 2005

maio 29, 2012




























Ichiro Tsuruta, img in Modus Vivendi

APELO

Atravessa os campos da noite
e vem.

A minha pele
ainda cálida de sol
te será margem.

Nas fontes, vivas,
do meu corpo
saciarás a tua sede.

Os ramos dos meus braços
serão sombra rumorejante
ao teu sono, exausto.

Atravessa os campos da noite
e vem.


Luísa Dacosta, A maresia e o sargaço dos dias,
Asa, Porto, 2011, colecção "Frente e Verso"

maio 25, 2012



















ANTÍSTROFE


Essa que um dia disse «fosse eu
mais atenta aos sons e ouviria
gorgolejar a água»
, agora,
das árvores, ela ouve
o eco da folhagem sem o movimento.
Das ondas, escuta
a absoluta linha silente do horizonte.
De Bóreas, ela sabe
que o inaudível vário vento
no que é diverso traz o mesmo.
E ouvinte de leitor, alheio e seu,
ela ouve o som das suas letras
e aprende que os silêncios breves
somente são um eco das palavras
e que o total silêncio é no Todo
o máximo eco para que tende a voz.

fiama hasse pais brandão - 24/5/94

maio 19, 2012




















Ishiro Taruta
img in Modus Vivendi



Será que não sabes
que este mundo não é mais
que um breve sonho acordado?
Por muito que te quisesse,
também foi coisa passada.


Isumi Shikibu (974?-1034?), in "O Japão no Feminino - I
- Tanka - Séculos IX a XI" Organização e versão portuguesa
Luísa Freire, Assírio & Alvim, Lisboa, 2007.

maio 17, 2012


«Já só sou aquilo que vier a ser.»


Jacques Attali, A Vida Eterna, («La Vie Éternelle»)
Trad. J.L. Gomes, Lisboa, 1991, «Livros do Brasil»

maio 13, 2012


GRIFOS

Também a sombra está na sombra não só a água.
Barra a barra a balaustrada projecta-se.
Na varanda emblemática apercebo-me
da grade de ar. Petrogli
fos percorridos pela sombrografia.

Algo muda os grifos com os bicos de sombra
para outros. O sol corre
entre as formas dos traços. Heterogenea
mente vão deixando de estar
figurados como grifos.

Coesa ainda que dupla a varanda des
figurada. Foi outra a fibra das figuras
diariamente. Antes depois a balaustrada recta
com o sol curva-se.

Na mudança de sentido
Haver algo grífico na varanda não é difícil.
Não vejo a sombra nas sombras tão nítida
Como vi deslumbrar-me a luz que escurece.
1


1Soleil noir.


fiama hasse pais brandão

maio 12, 2012

Pessoalmente,
esta foi sempre para mim,
a mais poética canção de José Afonso.



Pombas brancas
Que voam altas
Riscando as sombras
Das nuvens largas
Lá vão
Pombas que não voltam

Trazem dentro
Das asas prendas
Nas bicos rosas
Nuvens desfeitas
No mar
Pombas do meu cantar

Canto apenas
Lembranças várias
Vindas das sendas
Que ninguém sabe
Onde vão
Pombas que não voltam