«Os jornais são o ponteiro dos segundos da história.
Esse ponteiro, no entanto, não só é geralmente
de metal inferior ao dos outros dois [o dos
minutos, os factos históricos; o das horas, a
filosofia ou espírito do tempo] como
raramente trabalha bem.
Os chamados «artigos de fundo»
são o coro das tragédias dos factos correntes.
O exagero em todos os sentidos é essencial,
tanto nos jornais como nos dramas:
porque a questão principal reside em tirar
o máximo partido de cada ocorrência.
Por isso, todos os jornalistas são,
em virtude da sua profissão,
alarmistas: é a forma
que têm de tornar
as coisas interessantes.
O que realmente fazem, no entanto,
é assemelharem-se aos cachorros
que, logo que vêm alguma coisa a mexer,
desatam a ladrar.
É necessário, por isso, não prestarmos
grande atenção aos seus alarmes
e apercebermo-nos, em geral,
de que o jornal é uma lente
de aumentar, e isso no
melhor dos casos,
porque,
muito frequentemente,
não passa de um jogo de sombras na parede.»
Arthur Schopenhauer, Aforismos
Public.Europa-América, Lisboa 1998, pp.110-111











































