novembro 12, 2011








......... € 0.09 (noves fora nada)




novembro 11, 2011



«O político português [anos 90], ainda preocupado em demarcar-se dos consensos implícitos ou forçados do tempo da ditadura [Salazar-Caetano], adora reivindicar hoje [1999] aquilo que nem nos «amanhãs que cantam» poderá obter. Esta incultura cívica não é contudo apanágio dos políticos eleitos a nível local e nacional. Pelo contrário, afirmou-se também nas ocupações mais sujeitas à falta de participação e à censura no regime anterior. Estão seguramente nessas condições jornalistas e sindicalistas, classes que mais tempo conseguiram [já não conseguem] uma imagem de abertura e responsabilização democráticas, mantendo contudo práticas corporativas [agora (2011), só prosseguidas por magistrados judiciais, polícias, exército] muito para além do exigido pelas características da transição portuguesa.»

Bem Comum dos Portugueses, Jorge Braga de Macedo,
José Adelino Maltez, Mendo Castro Henriques,
Lisboa, Vega, 1999, p.195

novembro 09, 2011



«E embora devamos esforçar-nos por
tornar os nossos princípios tão universais quanto possível,
ampliando ao máximo as nossas experiências e explicando
todos os efeitos pelas causas mais simples e menos numerosas,

continua a ser certo

que não podemos ir além da experiência e
que qualquer hipótese que pretenda descobrir
as qualidades originais últimas da natureza ( )
deve desde logo ser rejeitada como presunçosa e quimérica.»

David Hume, Tratado da natureza humana

novembro 05, 2011



Uma argumentação surpreendente e persuasiva
contra o intervencionismo do Estado na actividade
económica, - que voltou a aparecer nos escaparates
das livrarias -, em defesa do liberalismo político.

Ver no site de filosofia portuguesa, a refutação
da filosofia nórdica, oriunda de Stº Agostinho
e Duns Escoto e triunfante com Descartes.

Vale a pena ler Orlando Vitorino,
que mais não seja pelo rigor
da argumentação.

outubro 27, 2011



«Quando o curso da civilização toma um rumo inesperado, em vez do progresso contínuo que esperávamos, nos encontramos ameaçados pelos erros e males que acumulámos ao longo dos anos de barbárie, atribuímos a culpa de tal situação a tudo menos a nós próprios.

Pois não lutámos todos pelos mais nobres ideais? Pois não trabalharam incessantemente os nossos mais elevados espíritos para fazer deste mundo um mundo melhor? E todos esses esforços e esperanças não tiveram sempre como fim uma maior liberdade, justiça e prosperidade?

Se o resultado veio a ser tão diferente dos nossos objectivos e se em vez da liberdade é a escravidão e a miséria que vemos à nossa frente, não será evidente que existem forças sinistras que fizeram malograr as nossas intenções e que somos vítimas de algum poder demoníaco que teremos de vencer caso queiramos retomar a estrada que nos leva a um melhor destino?

Por maior que seja o nosso desacordo quanto ao nome do culpado, seja ele o malvado capitalismo, seja o espírito perverso de determinada nação, seja a estupidez dos nossos antepassados, seja ainda um sistema social contra o qual lutamos há meio século sem o conseguirmos derrubar completamente, há uma coisa sobre a qual todos nos pomos de acordo ou, pelo menos até há bem pouco tempo, todos nos púnhamos de acordo:

— as ideias triunfantes que, durante a última geração, se tornaram comuns à maior parte das pessoas bem intencionadas e que determinaram as principais modificações da nossa vida social, essas de modo algum as consideramos erradas.


Poderemos aceitar todas as explicações para a crise actual da nossa civilização, excepto uma: a de que o estado actual do mundo possa ser consequência de um erro nosso e de que a fidelidade a alguns dos nossos mais queridos ideais nos tenha conduzido a resultados totalmente diferentes daqueles que prevíamos.»

Frederico Hayeck, O caminho para a servidão,
(«The road to serfdom»), trad. Mª Ivone Serrão
de Moura, rev. de Orlando Vitorino, Teoremas,
Lisboa, 1977, pp.35-6

outubro 25, 2011



«O trabalho anual de uma nação é o fundo de que provêm originariamente todos os bens necessários à vida e ao conforto que a nação anualmente consome, e que consistem sempre ou em produtos imediatos desse trabalho, ou em bens adquiridos às outras nações em troca deles.

Portanto, consoante esta produção, ou aquilo que é adquirido mediante ela, se apresente em maior ou menor proporção relativamente ao número daqueles que vão consumi-la, a nação estará melhor ou pior fornecida de todos aqueles bens necessários à vida e ao conforto que estaria em condições de consumir.

Mas esta proporção deve, em todas as nações, ser regulada por duas circunstâncias diferentes: em primeiro lugar, pela perícia, destreza e bom senso com que o seu trabalho é geralmente executado; e em segundo lugar, pela proporção entre o número dos que estão empregados em trabalho útil e o daqueles que o não estão. Sejam quais forem o solo, o clima e a extensão do território de uma nação, a abundância ou escassez do seu suprimento anual dependerão sempre, em cada caso particular, destas duas condições.»

op.cit., pp.69-70

outubro 20, 2011




Pequena Fábula

«"Ai de mim", disse o rato. "O mundo está a ficar cada dia mais pequeno. Ao princípio era tão grande que eu tinha medo, estava sempre a correr, a correr, e fiquei contente quando finalmente vi paredes lá ao longe, à esquerda e à direita, mas estas longas paredes estreitaram-se tão depressa que eu agora estou já no último compartimento e ali no canto está a ratoeira para a qual sou obrigado a correr." "Só precisas de mudar de direcção", disse o gato, que logo o engoliu.»

in blog Catharsis: - Franz Kafka, Contos


Pequena Grande Fábula!

E ainda e sempre o problema
eterno d'o que parece e não é,
e também o do seu inverso
o d'o que é e não parece...

Sempre estamos posicionados
num dado referencial, e
não nos apercebermos
do referencial de
que o nosso
depende!

Dou este exemplo: - viajamos
num carro a cem à hora, até
fumamos os nossos cigarros.
Tal e qual como se num
sofá estivessemos
conversando.

Apenas, sucede
que esse convívio
de bem-estar referencia-se
ele próprio à condição de uma
velocidade em que algum ínfimo
detalhe pode causar a hecatombe
do primeiro habitat, tudo em estrita
obediência às leis invioláveis da Física.


Assim o caso
quando nos movemos
num referencial que parece, mas não é,
impossibilitando-nos de antever o que pode acontecer.

outubro 14, 2011


Noto que os "governantes"
- da troika dos credores -,
andam todos com a bandeira
nacional à lapela.

Ora, discordo desse
monopólio e já o destituí
usando-o e não governando.

Não que não concorde
com as medidas de austeridade
já tomadas, mas porque discordo
das que continuam a não ser tomadas.

A saber: trabalhar; vender, não comprar
e pagar ao estrangeiro, permita-o ou não
a legislação europeia e o comércio internacional.

Só assim procedendo se verá quem está certo e quem está errado.

outubro 11, 2011



Eco, publicou um novo 'policial-histórico',
a que chamou Il Cimitero di Praga, a trama
política ao longo do século xix,
a "teoria da conspiração"
ao rubro, digladiando
entre si, carbonários,
maçons, jesuítas
e católicos,

ante-câmara onde teriam sido forjados
os famosos Protocolos dos Sábios do Sião.

Numa mescla muito própria, Umberto Eco
mistura a história e a literatura,
a realidade e a ficção, num enredo de distância
crítica que, sob a capa de um aparente cepticismo,

vai destilando uma crença genuína e envergonhada
na cabala da "Forma Universal de Conluio",
onde o "povo eleito" acabará por
'administrar' o mundo inteiro!


Em boa verdade, não gostei :(

Sem dúvida, U. Eco é habilidoso
e tem talento, mas a trama
apresenta uma linearidade
algo infantil, embora
obscura.

E não gosto de ver misturada a História
com fantasias conspirativas e manias
de perseguição.

Pode bem dar-se que hajam muitas
sociedades secretas que almejam
fins de interesse pessoal
ou mesmo de interesse
universal e civilizacional.

No entanto, aprecio mais
ler o transcurso histórico
de um ou alguns séculos,

segundo a interacção intelectual e objectiva
do homem colectivo com a natureza
— em que se insere e de que depende —,

e não só pela rivalidade entre estados,
sociedades e classes sociais
em que a humanidade
se pluraliza.

setembro 29, 2011

setembro 24, 2011


David Lean, Desencanto – 1946

«— E coragem? — Quando se apresenta o facto consumado
encolhem os ombros. São só cruéis nas decisões
que ainda não estão tomadas. De resto,
encolhem-se como cordeiros. Reparei
nisso tantas vezes.»

Ruben A., A Torre da Barbela (1964),
Assírio & Alvim, Lisboa, 1995, pp.303-4.

setembro 23, 2011



«Deixa andar, deixa correr — o rio sentir-se-á
mais alegre no balouçar das margens e
os pássaros saltarão para fora dos
arbustos num perguntar
admirado.

As coisas caminharão na indiferença do destino,
alheias ao que nós pensamos ou fazemos.

Tudo irá sentir-se num gravar de memória
cheio de imprevistos e colhendo
os frutos defesos do porvir.
[ ]
Enche-se o futuro de ilusões e
na companhia de enganos fáceis
apronta-se o destino.»

Ruben A., A Torre da Barbela (1964),
Assírio & Alvim, Lisboa, 1995, pp.302-3

setembro 22, 2011


«Havia nos Barbelas um orgulho de casta que em alguns se transmitia
em vaidade de pecado mortal, mas mesmo esta vaidade era uma vaidade
académica, secundária, vingativa, vaidade que mais tarde se exteriorizou
[ ] em preocupações exclusivas de que só eles eram sapientes.


Uma vaidade sem grandeza, desprezível onde o desequilíbrio entre
o ser que pensava e o ser que se envaidecia era tal que o vaidoso
dominava o inteligente [ ] E nessa mistura de sensações,
sentimentos, reacções, uma coisa era aquilo que
os Barbelas pensavam, outra o que faziam.

Falavam, falavam, conversavam fiado por tempos sem conta,
discutiam, assentavam decisões e conversas, e ao fim
encaminhavam-se ao natural de nada se ter passado.

[ ] Enfim, o que havia, era, bem ou mal, a prata da casa.»


Ruben A., A Torre da Barbela (1964),
Assírio & Alvim, Lisboa, 1995, pp.233-4

setembro 21, 2011


«Ce que femme veut Dieu le veut.»

Ruben A., A Torre da Barbela (1964),
Assírio & Alvim, Lisboa, 1995, p.243.

setembro 19, 2011


«E à volta de cada um sentado à mesa
corria vertiginoso o destino
tanto de felicidade como
de indiferença.»


Ruben A., A Torre da Barbela (1964),
Assírio & Alvim, Lisboa, 1995, p.83.

setembro 18, 2011



«Os dois em cima do garrano continuavam silenciosos.

O passio frustrara-se. Da posição ligeiramente imprópria
de mariposa o Cavaleiro voltou-se de costas para a frente
e à queima-roupa disse à Madeleine: «Que bonito peito que a prima
tem! Deita fumo?» Madeleine ficou perplexa com a tirada. A frase
sintetizava, com certeza, a ruminação de muitas horas. Madeleine
entupiu. Sair fumo dos peitos! Estavam calados, a mirar-se e
a compor palavras. Olharam-se mais intimamente. Desceram
como de um altar. Viraram as costas à fauna e à flora.

Estavam quase. Vilancete pastava, alheio àquela
história de gente. Os segundos eternizavam-se
e só se ouvia o piar de uns mochos
atarefados em agoiros.

Momento quase horrível!
Vilancete sacudiu as orelhas arredando-se
e então os dois corpos agarraram-se de salto
para caírem em absoluto delírio.


Madeleine descobria que o Cavaleiro era virgem.
O seu emaranhar transmitia uma loucura nunca até aí
vivida por Madeleine. Era um coito que atravessava séculos.
Uma coisa de sempre e de nunca, como os desejos escondidos
de todos os que se passeiam pelo mundo. A noite clareava-se
e os raios de extinta luz lembravam o fumeiro da Beringela.
Discretamente, Vilancete escondera-se com o rabo entre as pernas.»

Ruben A., A Torre da Barbela (1964),
Assírio & Alvim, Lisboa, 1995, pp.34-5.

setembro 17, 2011



Mais um filme de Woody Allen,
mágico, divertido, belo e
com algumas verdades :)

setembro 15, 2011


imagem in blog Octávio V. Gonçalves

«Parece Espinho no Inverno,
não se vê vivalma.»


:))

Ruben A., A Torre da Barbela (1964),
Assírio & Alvim, Lisboa, 1995, pp.227.

setembro 14, 2011


Dali à Moutosa ainda se contavam duas léguas bem andadas.
Iam a meio caminho, no subir da encosta que se debruçava
vagarosamente sobre o Lima. A neblina rala espalhava-se
aos balões pelas cabeças mais salientes. Aquela procissão
de burras e mulas parecia uma bicha tum-tum-tum entrando
por um buraco da natureza e aparecendo do lado oposto. A
conversa obcecava os primos da Barbela sabido que todos
conheciam de cor e salteado o córrego da Moutosa.

Só Madeleine não estava iniciada naquela visão;
era a mais atenta no vislumbrar da paisagem.
Como aquilo, nunca vira nada.
Um outro mundo.

O que se começava a ver não tinha sido feito pelo homem;
sentia-se a própria Criação à solta, liberta de peias
domésticas e preconcebidas
. Se a Beleza tivesse
refúgio secreto para os Deuses da Flora,
seria ali o reino desse sonho desmedido.

Madeleine extasiava-se, dela se apoderava
uma inclusão diáfana que trespassava a panorâmica.»

:)

Ruben A., A Torre da Barbela (1964),
Assírio & Alvim, Lisboa, 1995, pp.121-2.

setembro 13, 2011


«Ao fim da tarde, antes do crepúsculo cantar as suas loas e
sem se descortinar a realidade, apoderava-se da Barbela
um sentido incógnito da existência.

Forte como as nacionalidades e rija como a têmpera da
lâmina do Xasco, o maior escanhoador da Ribeira Lima,
a Torre preparava-se para o banho noctívago
na sua vida de séculos.

Existissem ou não estrelas, fosse breu ou
luar a jorros pelos campos marginais,
o mundo abria-se então
dividindo o tempo. [ ]

Quando a linha do horizonte baixava em intensidade e
os fumos azulados batiam a favor do vento e do andar das coisas,
naquela dimensão abrupta que testemunhava o acender das constelações,
os Barbelas realizavam-se vindos do sonho e da fantasia
para os reais domínios da Torre.

De noite, ressuscitavam e, de companhia, traziam
os amores e os ódios de outras eras e
de outras sensibilidades [ ].

Aquele ressuscitar transfigurava a Torre

Ruben A., A Torre da Barbela (1964),
Assírio & Alvim, Lisboa, 1995, pp.17;18.

setembro 12, 2011


«E aqueles dois seres humanos caminhavam indistintos de compreensão futura,
aos bordos sentimentais, a polir arestas salientes do dia a dia. Para os dois
o mundo estava isolado por um dique intransponível.

A vida projectava-se de um lado e do outro,
como as margens adormecidas do Rio Lima.

Podiam parar, olhar para a noite, fazer tudo aquilo que aos
outros humanos era sentimento passageiro de igualdade.

Pouco importava agora a sua separação. Sentiam-se diferentes,
como as caras das pessoas que se cruzam nas ruas.

Só a tragédia ou a aventura os podia aproximar

Ruben A., A Torre da Barbela (1964),
Assírio & Alvim, Lisboa, 1995, p. 102-3

setembro 11, 2011



«Afasta-te, diabo, que andas sempre distraído,
não vês Dona Urraca a rezar com o breviário
debaixo do braço. Parece sonâmbula, nem
repara em nós. Deito-lhe as mãos e
obrigo-a a confessar-se de
pecadoria geral.

Raios me partam se aquele fedúncias
do Menino das Enguias não é filho dela.

E a quererem passar por santos,
lá na terra querem todos ser santos,
dizem que são santos e ficam contentes,
bastam-se com pouco.

Fazem as maiores poucas-vergonhas
e são todos uns santos.

Então os primos mais
sociais da Grande Barbela
quanto mais pouca-vergonha,
mais missa e mais santos na família.»

:)


Ruben A., A Torre da Barbela (1964),
Assírio & Alvim, Lisboa, 1995, p. 230

setembro 10, 2011



«Torna-se também difícil explicar o que se passava
no espírito de Dom Raymundo. Parece haver a certeza
de que Dom Raymundo era um destes seres que se
deixa amar sem perguntar porquê. Irresponsável
e poeta, com uma barbicha e um encanto de deitar
abaixo as piores intenções, deixava-se amar com um
ar olímpico de quem à superfície da terra é um Deus
e, como tal, não pode medir as consequências
benéficas ou maléficas dos seus actos. Vivia num

laissez faire que amedrontava os homens como
Frey Cyro, procuradores honestos de uma verdade
nas coisas e nos indivíduos. Não era o enfant terrible
da Barbela, sim um homem terrível, que deixava ao
deus-dará as consequências dos amores com que
queimava vidas alheias. E nisto constituía-se muito
latino e muito português. Generoso no amor, cruel
na desgraça. A memória que varresse o passado;
mesmo a saudade ficava apenas dos bons momentos,
que dos maus não se lembrava.»

op.cit., pp.180-81

setembro 03, 2011



"Post blanda veneris"

Depois do suave ardor
Do sexo,
Dos nervos se distende
O nexo.
Como que flutuando
Da treva a um mundo novo
Os olhos vêm vogando
Num remar das pálpebras!
Ah, como é doce o trânsito
Da posse ao entressonho!
Mas mais doce é o regresso
Do entressonhar à posse.



De Carmina Burana,
conjunto de poemas medievais

agosto 30, 2011


Amrita Sher-Gil, Sleeping woman(1933)
img in Branco no Branco

Sou a outra que me vê,
sombra que conhece há muito as figuras.
Durmo, transformo-me no sono
em sonhadora da minha cabeça.


Fiama Hasse Pais Brandão

agosto 29, 2011


Louise Peabody, sunbather
img in blog Branco no Branco

«Sempre são excessivos os desejos de quem sonha
a vida toda num momento.»


Graça Pires

agosto 27, 2011



O cheiro da praia tornando-se abstracto.
não fui eu a primeira a transpô-lo.
dos restos de água para a espuma
das lembranças. da ressaca
que distribui conchas ao acaso
até à narração literária desse abandono.
Aónio recolheu os fragmentos enquanto
Desencadeava os ecos atás do Amor.
as algas amontoam-se estendidas com perfeição
ao longo dos limites. Riscam a água
com um diamante. dali tudo jorra
como o cheiro de um vapor brando
que aparece.

mas eu perco-o como algo
volátil. impregno-me do que flutua.
na imagem que me resta um papel arde
e contorce-se. a tinta esbate-se
em forma de onda. as letras emocionantes
diluem-se. os poemas antigos
banhados pelo mar tornam-se matéria
pura. piso-os e observo no refluxo
pequenos orifícios. Lambem a sombra
ou o que eu sou quando o poente
bate sobre um lado do corpo.



Fiama Hasse Pais Brandão, Areia Branca,
in Obra Breve, Assíro & Alvim, Lisboa, 2008, p. 312

agosto 20, 2011



Epístola para Dédalo

Porque deste a teu filho asas de plumagem e cera
se o sol todo-poderoso no alto as desfaria?
Não me ouviu, de tão longe, porém pensei que disse:
todos os filhos são Ícaros que vão morrer no mar.
Depois regressam, pródigos, ao amor entre o sangue
dos que eram e dos que são agora, filhos dos filhos.



Fiama Hasse Pais Brandão,
in Epístolas e Memorandos, 1996

agosto 14, 2011



«insana... jangada, que me sustem... ainda assim, livre.»

Ana de Sousa, Fragmentos





agosto 11, 2011



Num sistema em que os bens se troquem por promessas de entrega,
no futuro, de outros úteis e desejados bens, a confiança de que tal
acontecerá é a condição para essa forma de 'pagamento' ser aceite.

Se o sistema for perdendo credibilidade, a troca cessará
de permitir qualquer diferimento de pagamento, a subida
arrebatadora de juros sendo tão só uma outra forma
de findar trocas sem pronto pagamento.

Porém, se houver mesmo incumprimentos vultuosos,
não é expectável contar com a passividade
dos respecticvos credores, mesmo
quando os devedores têm bombas
nucleares - posto que os credores
também as tenham...
(como é o caso!)


Perdido por cem, perdido por mil!

agosto 02, 2011




«Il ne me reste plus maintenant qu’à examiner s’il y a
des choses matérielles: et certes au moins sais-je déjà
qu’il y en peut avoir, en tant qu’on les considère comme
l’objet des dé-monstrations de géométrie, vu que de cette
façon je les conçois fort clairement et fort distinctement.
Car il n’y a point de doute que Dieu n’ait la puissance
de produire toutes les choses que je suis capable
de concevoir avec distinction – et je n’ai jamais
jugé qu’il lui fût impossible de faire quelque
chose, qu’alors que je trouvais de la
contradiction à la pouvoir
bien concevoir.»



Sixième Méditation

julho 29, 2011



«Il me reste beaucoup d’autres choses à examiner,
touchant les attributs de Dieu, et touchant ma propre nature,
c’est-à-dire celle de mon esprit : mais j’en reprendrai
peut-être une autre fois la recherche.

Maintenant (après avoir remarqué ce qu’il faut faire ou éviter
pour parvenir à la connaissance de la vérité),
ce que j’ai principalement à faire,
est d’essayer de sortir et de me débarrasser
de tous les doutes où je suis tombé ces jours passés,
et voir si l’on ne peut rien connaître de certain
touchant les choses matérielles.


Mais avant que j’examine s’il y a de telles choses
qui existent hors de moi, je dois considérer leurs idées,
en tant qu’elles sont en ma pensée, et voir quelles sont celles
qui sont distinctes, et quelles sont celles qui sont confuses.»




Cinquième Méditation

julho 24, 2011



«Je me suis tellement accoutumé ces jours passés
à détacher mon esprit des sens, et j’ai si exactement
remarqué qu’il y a fort peu de choses que l’on connaisse
avec certitude touchant les choses corporelles, qu’il y en a
beaucoup plus qui nous sont connues touchant l’esprit humain,
et beaucoup plus encore de Dieu même, que maintenant
je détournerai sans aucune difficulté ma pensée
de la considération des choses sensibles ou ~
imaginables, pour la porter à celles qui,
étant dégagées de toute matière,
sont purement intelligibles.»

Quatrième méditation

julho 22, 2011



Le déserteur

Paroles: Boris Vian, adaptation: Mouloudji. Musique: Harold Berg 1954

Messieurs qu'on nomme Grands
Je vous fais une lettre
Que vous lirez peut-être
Si vous avez le temps
Je viens de recevoir
Mes papiers militaires
Pour partir à la guerre
Avant mercredi soir
Messieurs qu'on nomme Grands
Je ne veux pas la faire
Je ne suis pas sur terre
Pour tuer des pauvres gens
C'est pas pour vous fâcher
Il faut que je vous dise
Les guerres sont des bétises
Le monde en a assez

Depuis que je suis né
J'ai vu mourir des pères
J'ai vu partir des frères
Et pleurer des enfants
Des mères ont tant souffert
Et d'autres se gambergent
Et vivent à leur aise
Malgré la boue de sang
Il y a des prisonniers
On a vole leur âme
On a vole leur femme
Et tout leur cher passé
Demain de bon matin
Je fermerai ma porte
Au nez des années mortes
J'irai par les chemins

Je vagabonderai
Sur la terre et sur l'onde
Du Vieux au Nouveau Monde
Et je dirai aux gens:
Profitez de la vie
Eloignez la misère
Vous êtes tous des frères
Pauvres de tous les pays
S'il faut verser le sang
Allez verser le vôtre
Messieurs les bon apôtres
Messieurs qu'on nomme Grands
Si vous me poursuivez
Prévenez vos gendarmes
Que je n'aurai pas d'armes
Et qu'ils pourront tirer
Et qu'ils pourront tirer...


Nota:
La version initiale des 2 derniers vers était:
"que je tiendrai une arme ,
et que je sais tirer ..."
corrigée pour conserver le côté pacifiste de la chanson.

julho 19, 2011


blog katelouise
«A existência individual carece de sombra.»

Paula Cristina Pereira, Do sentir e do Pensar
Edições Afrontamento, Porto, 2007

julho 18, 2011



«Je fermerai maintenant les yeux, je boucherai mes oreilles,
je détournerai tous mes sens, j’effacerai même de ma pensée
toutes les images des choses corporelles, ou du moins,
parce qu’à peine cela se peut-il faire, je les réputerai
comme vaines et comme fausses ; et ainsi m’entretenant
seulement moi-même, et considérant mon intérieur,
je tâcherai de me rendre peu à peu plus connu
et plus familier à moi-même.»



Troisième Méditation



julho 15, 2011



«Je crois que le corps, la figure, l'étendue,
le mouvement et le lieu ne sont que des fictions
de mon esprit. Qu'est-ce donc qui pourra être estimé
véritable? Peut-être rien autre chose, sinon
qu'il n'y a rien au monde de certain.»

Deuxième méditation

julho 11, 2011



«Tout ce que j'ai reçu jusqu'à présent pour le plus vrai et assuré,
je l'ai appris des sens, ou par les sens: or j'ai quelque fois éprouvé
que ces sens étaient trompeurs, et il est de la prudence
de ne se fier jamais entièrement
à ceux que nous ont une fois
trompés.»
Première Méditation

julho 05, 2011








Dance me to your beauty with a burning violin
Deixa-me dançar à volta da tua beleza ao som de um ardente violino

Dance me through the panic 'til I'm gathered safely in
Ajuda-me a vencer o pânico até que entre a salvo no teu coração

Lift me like an olive branch and be my homeward dove
Ergue-me como um ramo de oliveira e sê meu ninho de pomba

Dance me to the end of love
Dança comigo até ao fim do amor

Dance me to the end of love

Let me see your beauty when the witnesses are gone
Deixa-me contemplar a tua beleza quando todas as testemunhas tiverem saído

Let me feel you moving like they do in Babylon
Deixa-me sentir o teu corpo mover-se como era o costume na Babilónia

Show me slowly what I only know the limits of
Mostra-me devagar aquilo de que só conheço os limites

Dance me to the end of love
Dance me to the end of love

Dance me to the wedding now, dance me on and on
Dança agora comigo até à boda, outra e outra vez

Dance me very tenderly and dance me very long
Dança ternamente comigo por muito e muito tempo

We're both of us beneath our love, we're both of us above
Nós somos ambos inferiores ao nosso amor e somos-lhe ambos superiores

Dance me to the end of love
Dance me to the end of love

Dance me to the children who are asking to be born
Dança comigo até às crianças que necessitam ser criadas

Dance me through the curtains that our kisses have outworn
Dança comigo por entre as cortinas que os nossos beijos romperam

Raise a tent of shelter now, though every thread is torn
Ergue agora uma tenda que nos abrigue ainda que o tecido esteja gasto

Dance me to the end of love
Dance me to the end of love
Dance me to your beauty with a burning violin
Dance me through the panic till I'm gathered safely in

Touch me with your naked hand or touch me with your glove
Toca-me com a tua mão nua ou toca-me com a tua luva

Dance me to the end of love
Dance me to the end of love
Dance me to the end of love



julho 01, 2011



«Sento-me à mesa de trabalho, destapo a máquina de escrever
vou começar o meu retrato. Escrevo: não vivo no meu
endereço. Nunca vivi no endereço que dei. A singularidade
da minha experiência reside na observância da singularidade
da sua percepção. Paro e leio o que escrevi. Depois acrescento:
A história do mundo atravessa-me.»


[ana hatherly]
__________________________________________________________




A poetisa não se introspeciona nem se explica a si própria,
qual mónada singular do universo, onde se atravessa
a história do mundo o qual, enquanto causa de si,
existe em si e por si, sem outra essência
que a de simplesmente existir.

A poetisa mimetiza o seu criador! :)

junho 29, 2011



— «Via perfilar-se a cosa mentale, [ ] e pude então afirmar que compreendera. O prazer sexual não só era superior, em requinte e violência, a todos os outros prazeres que a vida podia comportar; não só era o único prazer não acompanhado de danos para o organismo, como contribuía, pelo contrário, para o manter ao mais alto nível da vitalidade e da força; era na verdade o único prazer, o único objectivo da existência humana, e todos os outros — associados a alimentos de luxo, ao tabaco, às bebidas alcoólicas ou à droga — eram apenas compensações irrisórias e desesperadas, mini-suicídios que não tinham a coragem de se nomear, tentativas para destruir mais rapidamente um corpo que já não tinha acesso ao prazer único.»

Michel Hoellebecq, op.cit.,p.320

junho 26, 2011


NGC 3132: The Eight Burst Nebula

«A nossa pertença a um espaço comum estava destinada a permanecer puramente teórica; nenhuma daquelas pessoas se deslocava num campo de realidade com o qual pudéssemos interagir, fosse de que maneira fosse; não tinham mais existência aos nossos olhos do que se fossem imagens num ecrã de cinema, diria mesmo menos.»

Michel Houellebecq, A possibilidade de uma ilha,
Lisboa, Public. Dom Quixote, p.215

junho 25, 2011


Imagem in blog Mar à Vista

«Ninguém pode ler dois mil livros.
... Aliás não é ler que importa, mas reler.»


JL Borges, O Livro de Areia

junho 20, 2011




«Ninguém se lembraria de explicar o movimento
por considerações de cor,

ao passo que o contrário
é ou foi tentado.



Há, pois diversidade.

Talvez por sermos fonte de movimentos,
e não de cores - e este poder ser

condição de explicação

(Paul Valéry, Op. cit., p. 103)

junho 17, 2011



«Não leio no jornal
aquele drama sonoro, aquele sucesso
que faz palpitar os corações.

A que lado me levariam, senão
ao verdadeiro limiar destes problemas abstractos
em que já me encontro instalado por inteiro?»



(Paul Valéry, O senhor Teste, Relógio d'Água, 1985, p. 53)

junho 08, 2011


Serge Latouche, Pequeno Tratado do Decrescimento Sereno,
(«Petit Traité de la Décroissance Sereine», 2007),
Trad. Victor Silva, Edições 70, Lisboa, 2011


Eis um título que me suscitou curiosidade por propor um resultado que nunca vi defendido embora o suspeite necessário: um decrescimento sereno! Sempre considerei que o capitalismo produz uma importante porção de bens e serviços que não serve para nada, de utilidade nula!

Por outro lado, repugnou-me desde novo a desenfreada mercantilização de cada segmento de prazer, apropriando-se os capitalistas da natureza, para cobrar preços por actividades que, — sei —, são livres e exercidas gratuitamente nos países menos desenvolvidos; rarificam assim a abundância natural, pelo fraccionamento de serviços e bens, que passam a vender a preços desmesurados aos povos já subjugados pelo comércio capitalista.

Por fim, sempre fui e sou consciente da validade objectiva da lei de Malthus, que é aliás logicamente incontroversa, porque não pode haver nenhum desenvolvimento ilimitado de qualquer singularidade dependente dum meio finito, limitado!

Por estas razões, era grande a minha curiosidade de ver como o autor trataria estes “adquiridos” do meu pré-juízo e como proporia o que se me afigurava deveras adequado: um descrescimento da produção, particularmente a dos bens e serviços inúteis! :)

(continua)
[vide abaixo]
(continuação 1)





Serge Latouche ilustra a eminência da catástrofe ecológica no planeta com o fenómeno do crescimento de uma alga verde num lago. Supondo uma duplicação anual da alga na superfície do lago, uma alga inicial ocupando a nonagésima terceira bilionésima parte da área lacustre, ocupar-lhe-á toda a superfície ao fim de trinta anos. É o desenvolvimento de um ser vivo em progressão geométrica de razão dois num meio finito como o do lago, nele gerando a eutrofização da água, asfixia da vida subaquática e a morte do sistema lacustre.

Vejam-se os termos da progressão geométrica

S=1= Superfície total do lago.
A0 = área da alga inicial implantada no lago= 93/100 000 000 000=
=9.3^10^-10=1/(2^30)=2^-30
(Nota:— O sinal “^” lê-se «elevado a»).

A área da alga no lago,
no final de cada ano,
progride como segue:

A1= 2x(2^-30)=2xA0
A2= 2xA1=2x2xA0=2^2xA0
A3= 2xA2=2x2x2xA0=2^3xA0
...
An= área da alga no final do nº ano= 2^nxA0
...
A24= 2^24xA0=2^-6=1.5625%
A25= 2^25xA0=2^-5=3.125%
A26= 2^26xA0=2^-4=6.25%
A27= 2^27xA0=2^-3=12.5%
A28= 2^28xA0=2^-2=25%
A29= 2^29xA0=2^-1=50%
A30= 2^30xA0=2^-0=100%

Ou seja, enquanto que para alcançar a cobertura de pouco mais de 3% da superfície do lago, a alga demorou duas décadas e meia, daí em diante o crescimento é galopante e num lustro a vida lacustre extingue-se.




Serge Latouche contrapõe a este destino ameaçador, a sabedoria de um outro ser vivo, o caracol, que para lá de ensinar a lentidão, ilustra como se inverte uma progressão de crescimento: o caracol constrói a arquitectura delicada da sua casca acrescentando sucessivamente espirais cada vez maiores; porém, bruscamente, inicia enrolamentos decrescentes, assim contendo o crescimento da casca nos limites da sua finalidade vital.

Conclui o autor: «Este afastasmento do caracol em relação à progressão geométrica, que, no entanto, abraçara durante algum tempo, aponta-nos o caminho para pensar uma sociedade do “decrescimento”, se possível serena e convivial.»

op. cit., pp.35-37.

(continua)
[vide abaixo]
(continuação 2)

Concordando embora quer com este diagnóstico malthusiano da coexistência precária do homem no planeta quer com a necessidade da inversão do sistema produtivista global e irrestrito, mantenho forte resistência à ecolatria dos novos cultos ecológicos.

Aplaudo sem reservas as medidas que reduzam o desperdício de energia, as que penalizem as despesas de publicidade, a abolição da obsolescência programada, a irrestrição do crédito, a par das que impulsionam a multiplicação de bens relacionais, como a amizade, a instrução e a ciência.

A relocalização de inúmeras actividades na proximidade dos núcleos habitacionais, restringindo as grandes superfícies comerciais, o restauro da agricultura camponesa, encorajando o consumo da produção mais local, mais sazonal e tradicional são medidas positivas de um eficaz decrescimento enquanto programa político.



Muito importante, as externalidades negativas da sociedade moribunda do crescimento têm de ser tributadas por taxas que “internalizem” nos custos dos seus agentes os danos que provocam à colectividade — inversamente, devem os agentes ser recompensados com subsídios pelos efeitos externos positivos que geram na comunidade. Este é o princípio do poluidor-pagador, que o Prof. Arthur Cecil Pigou, um economista ortodoxo, foi o primeiro a defender para que se atinja o óptimo, o bem-estar máximo do conjunto dos consumidores e produtores.


De certo modo, quase direi que limito a especifidades deste tipo o que de válido porventura há no ecológico “decrescimento sereno” de Serge Latouche.


(continua)
[vide abaixo]
(continuação 3)



No último capítulo do seu Pequeno Tratado, Serge Latouche interroga-se se o Decrescimento é um Humanismo. Aparentemente, defende que não, embora tente que não seja um anti-humanismo nem um anti-universalismo. Consegue-o? Não sei; mas por mim, eu limito-o pragmaticamente à condicionalidade social do princípio poluidor-pagador, defendido por Pigou há mais de oitenta anos.

Na verdade, os ecologistas rejeitam o «antropocentrismo das Luzes» e vinculam-se a um «ecocentrismo total»: - os seres humanos são uma das múltiplas espécies viventes e a sua realidade substancial não passa de um «denominador comum» dos seres humanos particulares realmente existentes.

Esta posição reconduz-nos ao debate metafísico do realismo aristotélico versus o de Platão. Para este, a realidade da humanidade não se limita à simples existência da espécie, porquanto há uma humanidade dos seres como seres humanos que independe dos seres humanos concretos (presentes, passados ou futuros), ou seja a substância do tipo «ser humano» é conceptualizável como uma abstracção e não como mero atributo comum de seres que existem de facto, como defende Aristóteles.

Enquanto a concepção aristotélica integra o homem no particularismo da sua cultura, religião, comunidade, relativizando as diferentes sociedades por um respeito equalizado por todas, independentemente das suas diferenças serem desprezáveis ou estimáveis, a concepção platónica aceita invariantes transculturais inquestionáveis como, por exemplo, os direitos do Homem, a democracia, a economia, repudiando o “comunitarismo” das culturas concretas, cujo relativismo “legitima e alimenta a barbárie” (Maryam Namazie)

Serge Latouche procura não ceder a nenhuma ecolatria buscando um meio termo entre a sacralização animista da natureza e o antropocentrismo, não tratando «os animais e as coisas como pessoas nem as pessoas como coisas (como o faz a tecnoeconomia). Há respeito pelas coisas, os seres e as pessoas», ou seja um verdadeiro ecoantropocentrismo, imprescindível à propria sobrevivência da humanidade.


(fim)
[vide abaixo, pos-escrito]