fevereiro 16, 2012

Livro de Ester, 2, 21-23; 3, 1-2

Naquele tempo, pois, em que Mardoqueu estava à porta do rei, mostraram-se mal contentes [ ] dois eunucos do rei, que eram porteiros, [ ] e intentaram levantar-se contra o rei e matá-lo. Isto foi sabido por Mardoqueu, o qual imediatamente deu parte à rainha Ester, e ela ao rei em nome de Mardoqueu [ ].Fizeram-se as as investigações, e averiguou-se ser verdade; ambos foram pendurados numa forca. [ ] (2, 21—23)

Depois destes acontecimentos, o rei Assuero exaltou Aman, filho de Amadati, que era da linhagem de Agag, e pôs o seu assento sobre todos os grandes que o cercavam. Todos os servos do rei, que estavam à porta do palácio dobravam os joelhos, prostravam-se diante de Aman, porque assim lhes tinha ordenado o imperador; só Mardoqueu não dobrava os joelhos nem se prostrava diante dele (por considerar isto um acto de idolatria). (3, 1—2)



Bíblia Sagrada, Antigo Trestamento, vol. II,
Versão segundo os textos originais, pelo
Padre Matos Soares, Tipografia Alberto de Oliveira, Lda.,
Imprimatur Portucale, die 7 Octubris 1955,
Antonius, Ep. Portucalensis

Jean-François de TROY, Le Dédain de Mardochée envers Aman 1740
«só Mardoqueu não dobrava os joelhos nem se prostrava diante dele»

fevereiro 15, 2012

Livro de Ester, 2, 10-17

Ester não lhe quis descobrir de que terra, nem de que nação era, porque Mardoqueu tinha-lhe ordenado que guardasse nisso um grande segredo. (2, 10)

Passado, pois, um certo tempo, estava já próximo o dia em que devia ser apresentada ao rei Ester, filha de Abiail, tio de Mardoqueu, a qual este tinha adoptado por filha. (2, 15)

Foi, pois, levada à câmara do rei Assuero no décimo mês, chamado Tebet, no sétimo ano do seu reinado. O rei amou-a mais do que a todas as outras mulheres, e ela achou graça e favor diante dele, mais que todas as mulheres; pôs-lhe sobre a cabeça a coroa real e constituiu-a rainha no lugar de Vasti. (2, 16—17)

Bíblia Sagrada, Antigo Trestamento, vol. II,
Versão segundo os textos originais, pelo
Padre Matos Soares, Tipografia Alberto de Oliveira, Lda.,
Imprimatur Portucale, die 7 Octubris 1955,
Antonius, Ep. Portucalensis

«O rei amou-a mais do que a todas as outras mulheres,
e ela achou graça e favor diante dele»

fevereiro 14, 2012

Livro de Ester, 2, 1-9

Passadas assim estas, quando a ira do rei estava já aplacada, lembrou-se ele de Vasti, do que ela tinha feito e do que tinha sofrido (2, 1)

Então os servos do rei e os seus ministros disseram: enviem-se por todas as províncias pessoas, que escolham donzelas formosas e virgens [ ] e tragam-nas à cidade de Susa; ponham-se na casa das mulheres, sob o cuidado do eunuco Egeu, que está encarregado de guardar as mulheres do rei, e aprontem-se-lhe todos os seus atavios e tudo o necessário para o seu uso. Aquela que entre todas mais agradar aos olhos do rei, essa será rainha em lugar de Vasti. Agradou este parecer ao rei, e mandou-lhes que fizessem conforme tinham aconselhado. (2, 2—4)

Havia na cidade de Susa um homem judeu, chamado Mardoqueu, filho de Jair [ ], da linhagem de Benjamim, o qual tinha sido deportado de Jerusalém naquele tempo em que Nabucodonosor, rei da Babilónia, tinha feito levar para esta cidade a Jeconias, rei de Judá. Tinha ele criado Edissa, filha de seu irmão, chamada por outro nome Ester, órfã de pai e mãe; era em extremo formosa e de aspecto gracioso. Depois do falecimento de seu pai e sua mãe, Mardoqueu tinha-a adoptado por filha. (2, 5—7)

Tendo-se, pois, publicado por toda a parte o mandato do rei, e levando-se a Susa, segundo a sua ordem, muitas donzelas formosíssimas [ ], levaram-lhe também Ester entre as outras donzelas, para ser guardada com as mulheres. Ela agradou-lhe e achou graça aos seus olhos. Ele apressou-se a dar-lhe o necessário ao seu adorno e subsistência, assim como sete donzelas das de melhor parecer da casa do rei (para a servirem), e mandou-a com elas para o melhor aposento da casa das mulheres. (2, 8—9)





Bíblia Sagrada, Antigo Trestamento, vol. II,
Versão segundo os textos originais, pelo
Padre Matos Soares, Tipografia Alberto de Oliveira, Lda.,
Imprimatur Portucale, die 7 Octubris 1955,
Antonius, Ep. Portucalensis

Theodore Chasseriau, La Toilette d'Esther (1841)
«Ele apressou-se a dar-lhe o necessário ao seu adorno e subsistência,
assim como sete donzelas das de melhor parecer da casa do rei»

fevereiro 13, 2012

Livro de Ester,1, 13-22

O rei, irado com isto, todo transportado em furor, consultou os sábios, que andavam sempre junto dele, conforme o uso de todos os reis, e por cujo conselho fazia todas as coisas, pois conheciam as leis e costumes dos maiores. (1, 13)

(Perguntou-lhes, pois, o rei) a que pena estava sujeita a rainha Vasti, por não ter obedecido à ordem que o rei Assuero lhe tinha intimado por meio dos eunucos. (1, 15)

Mamucan respondeu em presença do rei e dos grandes: A rainha Vasti não somente ofendeu o rei , mas também todos os povos e todos os príncipes que há por todas as províncias do rei Assuero. Com efeito, o que a rainha fez chegará ao conhecimento de todas as mulheres, as quais serão assim levadas a desprezar os seus maridos e dirão: O rei Assuero mandou ir a rainha Vasti à sua presença, mas ela não foi. (1, 16—17)

De hoje em diante, as princesas da Pérsia e da Média, conhecendo o que a rainha fez, citarão isso mesmo a todos os grandes do rei, donde resultará muito desprezo e cólera. Se é, pois, do teu agrado publique-se por tua ordem um edito, e escreva-se conforme a lei dos Persas e Medos, (a qual não é permitido violar) que a rainha Vasti não torne a entrar jamais à presença do rei, e que a sua dignidade de rainha seja recebida por outra mais digna do que ela. Quando isto for publicado por todas as províncias do seu império (que é vastíssimo), todas as mulheres, tanto dos grandes como dos pequenos, honrarão os seus maridos. (1, 18—20)

Pareceu bem este conselho ao rei e aos grandes, e o rei procedeu segundo o conselho de Mamucan. Enviou cartas a todas as províncias do seu reino, a cada uma, conforme os seus caracteres, e a cada povo, conforme a sua língua, dizendo que os maridos são os senhores e os superiores em suas casas, e (mandando) que isto se publicasse por todos os povos. (1, 21—22)



Bíblia Sagrada, Antigo Trestamento, vol. II,
Versão segundo os textos originais, pelo
Padre Matos Soares, Tipografia Alberto de Oliveira, Lda.,
Imprimatur Portucale, die 7 Octubris 1955,
Antonius, Ep. Portucalensis

'Vashti Deposed' by Ernest Normand, 1890

«que a rainha Vasti não torne a entrar jamais à presença do rei,
e que a sua dignidade de rainha seja recebida por outra mais digna do que ela.»

fevereiro 12, 2012

Livro de Ester, 1, 9-12

A rainha Vasti também deu um banquete às mulheres, no palácio em que o rei Assuero costumava residir. Ao sétimo dia, o rei, quando estava mais alegre pelo calor do vinho, que tinha bebido com excesso ordenou [aos eunucos] que introduzissem à presença do rei a rainha Vasti, com o seu diadema na cabeça, para que todos os seus povos e grandes da corte vissem a sua beleza, porque era em extremo formosa. Ela, porém, recusou-se a obedecer à ordem do rei transmitida pelos eunucos. (1, 9—12)


Bíblia Sagrada, Antigo Trestamento, vol. II,
Versão segundo os textos originais, pelo
Padre Matos Soares, Tipografia Alberto de Oliveira, Lda.,
Imprimatur Portucale, die 7 Octubris 1955,
Antonius, Ep. Portucalensis

«para que todos os seus povos e grandes
da corte vissem a sua beleza, porque
era em extremo formosa»

fevereiro 11, 2012

Livro de Ester (1, 5; 7)

Estando a terminar os dias do festim, convidou todo o povo, que se encontrava em Susa, desde o maior até o menor, e ordenou que, durante sete dias, se preparasse um banquete no átrio do jardim do palácio real (1, 5)

Os convidados bebiam por vasos de ouro, de diferentes formas. O vinho era servido em abundância, graças à liberalidade do rei. Ninguém constrangia a beber os que não queriam, antes tinha ordenado o rei aos da sua corte que deixassem cada um tomar o que quisesse. (1, 7)


Bíblia Sagrada, Antigo Trestamento, vol. II,
Versão segundo os textos originais, pelo
Padre Matos Soares, Tipografia Alberto de Oliveira, Lda.,
Imprimatur Portucale, die 7 Octubris 1955,
Antonius, Ep. Portucalensis

convidou todo o povo, que se encontrava
em Susa, desde o maior até o menor»

fevereiro 10, 2012

Livro de Ester (1, 1—3)

No tempo de Assuero (1), que reinou desde a Índia até à Etiópia sobre cento e vinte e sete províncias, quando ele se sentou no trono do seu reino, era a cidade de Susa a capital do seu império. Ora, no ano terceiro do seu império ofereceu um grande festim, a todos os seus príncipes e a todos os seus ministros. (1, 1—3)


(1) Assuero, do Livro Ester do Antigo Testamento, foi o rei persa Xerxes I (c. 519-c. 466 a.C.), filho de Dario e Atossa, filha de Ciro


Bíblia Sagrada, Antigo Trestamento, vol. II,
Versão segundo os textos originais,
pelo
Padre Matos Soares, Tipografia Alberto de Oliveira, Lda.,
Imprimatur Portucale, die 7 Octubris 1955,
Antonius, Ep. Portucalensis


Xerxes (c.519- 465 a.C.)

«… que reinou desde a Índia até à Etiópia sobre cento e vinte e sete províncias»

fevereiro 02, 2012


«O saber perene reconhece em cada forma
a representação de um significado,
a manifestação de um conteúdo,
a dedução de um princípio.»



Orlando Vitorino, Refutação da filosofia triunfante,
in "A Fenomenologia do Mal e outros ensaios filosóficos",

Lisboa, INCM, 2010, p.420

fevereiro 01, 2012



"A política é a arte de criar rebanhos de animais
que não são nem aquáticos nem aéreos mas terrestres,
que não são cornúpetos mas sem cornos, que não são
quadrúpedes mas bípedes, que não são plumados mas
têm a pele nua. A política é a arte de criar
rebanhos de bípedes implumes"


Platão, O Político, 265-268, cit. por
Orlando Vitorino, A Fenomenologia do Mal,
Lisboa, INCM, 2010, p.426

janeiro 27, 2012



Meia Palavra,
Susana Félix

Tudo aquilo que queres ouvir
já to disseram com muito mais sal
é tempo de poderes descobrir
quanto é que o silêncio vale

Escuta cada entrelinha
está lá tudo o que há para dizer
põe a tua mão na minha
e ouve o marfim a correr

Meia palavra basta para falar de amor
palavra e meia é muito, sê bom entendedor
sê bom, sê bom entendedor,
sê bom, sê bom entendedor
meia palavra basta para falar de amor
palavra e meia é muito sê bom entendedor
sê bom, sê bom entendedor, sê bom...

Não sejas um filme tão espesso
com mil voltas para ir daqui ali
eu quero virar-te do avesso
e ler o que de melhor há em ti

Procura um sinal em cada olhar
a química não sabe mentir
deixa o silêncio falar
está lá tudo o que é preciso ouvir

Meia palavra basta para falar de amor
palavra e meia é muito sê bom entendedor
sê bom, sê bom entendedor,
sê bom, sê bom entendedor
meia palavra basta para falar de amor
palavra e meia é muito sê bom entendedor
sê bom, sê bom entendedor,
sê bom, sê bom entendedor

Não sejas delicodoce nem piegas
o amor avança sempre às cegas
ele sabe o caminho, deixa-o andar
não fales muito para não o assustar

Meia palavra basta para falar de amor
palavra e meia é muito sê bom entendedor
sê bom, sê bom entendedor,
sê bom, sê bom entendedor

janeiro 15, 2012



«Os jornais são o ponteiro dos segundos da história.
Esse ponteiro, no entanto, não só é geralmente
de metal inferior ao dos outros dois [o dos
minutos, os factos históricos; o das horas, a
filosofia ou espírito do tempo] como
raramente trabalha bem.

Os chamados «artigos de fundo»
são o coro das tragédias dos factos correntes.
O exagero em todos os sentidos é essencial,
tanto nos jornais como nos dramas:
porque a questão principal reside em tirar
o máximo partido de cada ocorrência.

Por isso, todos os jornalistas são,
em virtude da sua profissão,
alarmistas: é a forma
que têm de tornar
as coisas interessantes.

O que realmente fazem, no entanto,
é assemelharem-se aos cachorros
que, logo que vêm alguma coisa a mexer,
desatam a ladrar.

É necessário, por isso, não prestarmos
grande atenção aos seus alarmes
e apercebermo-nos, em geral,
de que o jornal é uma lente
de aumentar, e isso no
melhor dos casos,
porque,
muito frequentemente,
não passa de um jogo de sombras na parede.»



Arthur Schopenhauer, Aforismos
Public.Europa-América, Lisboa 1998, pp.110-111

janeiro 11, 2012


David Downton, img in Modus Vivendi


«Coincide comigo a sequência perfeita do que ainda
não existe»



Sandra Costa, Sob a luz do mar,
Campo das Letras, Porto 2002, p. 66