«O saber perene reconhece em cada forma a representação de um significado, a manifestação de um conteúdo, a dedução de um princípio.»
Orlando Vitorino, Refutação da filosofia triunfante, in "A Fenomenologia do Mal e outros ensaios filosóficos", Lisboa, INCM, 2010, p.420
fevereiro 01, 2012
"A política é a arte de criar rebanhos de animais que não são nem aquáticos nem aéreos mas terrestres, que não são cornúpetos mas sem cornos, que não são quadrúpedes mas bípedes, que não são plumados mas têm a pele nua. A política é a arte de criar rebanhos de bípedes implumes"
Platão, O Político, 265-268, cit. por Orlando Vitorino, A Fenomenologia do Mal, Lisboa, INCM, 2010, p.426
janeiro 27, 2012
Meia Palavra, Susana Félix
Tudo aquilo que queres ouvir já to disseram com muito mais sal é tempo de poderes descobrir quanto é que o silêncio vale
Escuta cada entrelinha está lá tudo o que há para dizer põe a tua mão na minha e ouve o marfim a correr
Meia palavra basta para falar de amor palavra e meia é muito, sê bom entendedor sê bom, sê bom entendedor, sê bom, sê bom entendedor meia palavra basta para falar de amor palavra e meia é muito sê bom entendedor sê bom, sê bom entendedor, sê bom...
Não sejas um filme tão espesso com mil voltas para ir daqui ali eu quero virar-te do avesso e ler o que de melhor há em ti
Procura um sinal em cada olhar a química não sabe mentir deixa o silêncio falar está lá tudo o que é preciso ouvir
Meia palavra basta para falar de amor palavra e meia é muito sê bom entendedor sê bom, sê bom entendedor, sê bom, sê bom entendedor meia palavra basta para falar de amor palavra e meia é muito sê bom entendedor sê bom, sê bom entendedor, sê bom, sê bom entendedor
Não sejas delicodoce nem piegas o amor avança sempre às cegas ele sabe o caminho, deixa-o andar não fales muito para não o assustar
Meia palavra basta para falar de amor palavra e meia é muito sê bom entendedor sê bom, sê bom entendedor, sê bom, sê bom entendedor
janeiro 15, 2012
«Os jornais são o ponteiro dos segundos da história. Esse ponteiro, no entanto, não só é geralmente de metal inferior ao dos outros dois [o dos minutos, os factos históricos; o das horas, a filosofia ou espírito do tempo] como raramente trabalha bem.
Os chamados «artigos de fundo» são o coro das tragédias dos factos correntes. O exagero em todos os sentidos é essencial, tanto nos jornais como nos dramas: porque a questão principal reside em tirar o máximo partido de cada ocorrência.
Por isso, todos os jornalistas são, em virtude da sua profissão, alarmistas: é a forma que têm de tornar as coisas interessantes.
O que realmente fazem, no entanto, é assemelharem-se aos cachorros que, logo que vêm alguma coisa a mexer, desatam a ladrar.
É necessário, por isso, não prestarmos grande atenção aos seus alarmes e apercebermo-nos, em geral, de que o jornal é uma lente de aumentar, e isso no melhor dos casos, porque, muito frequentemente, não passa de um jogo de sombras na parede.»
Arthur Schopenhauer, Aforismos Public.Europa-América, Lisboa 1998, pp.110-111
«Coincide comigo a sequência perfeita do que ainda não existe»
Sandra Costa, Sob a luz do mar, Campo das Letras, Porto 2002, p. 66
janeiro 10, 2012
«A arte de não ler é muito importante. Consiste em não sentir interesse algum por aquilo que está a atrair a atenção do público ........................[numa determinada altura.
Quando um panfleto político ou eclesiástico, um romance ou um poema estão a causar grande sensação, não devemos esquecer-nos de que quem escreve para tolos tem sempre grande público. Uma condição prévia para ler bons livros é não ler os maus: — a nossa vida é curta.»
Arthur Schopenhauer, Aforismos Public.Europa-América, Lisboa 1998
janeiro 09, 2012
Emprego da tração animal em ferrovias
«O maior benefício conferido pelos caminhos-de-ferro é poupar milhões de cavalos de tracção à sua miserável existência.»
Arthur Schopenhauer, op.cit.
janeiro 08, 2012
Revelação. As efémeras gerações humanas nascem e passam em rápida sucessão; os indivíduos, oprimidos pelo medo, as carências e os desgostos, vêm a cair nos braços da morte.
Enquanto o fazem, nunca se cansam de perguntar o que os atormenta e o que significa toda aquela tragicomédia. Suplicam ao Céu uma resposta, mas o Céu permanece silencioso. Em vez de uma voz do Céu, vêm os padres com revelações.
Arthur Schopenhauer, Aforismos Public.Europa-América, Lisboa 1998
janeiro 07, 2012
«Ter esperança é confundir o desejo de uma coisa com a sua probabilidade.»
Arthur Schopenhauer, Aforismos Public.Europa-América, Lisboa 1998
Ditoso seja aquele que somente Se queixa de amorosas esquivanças; Pois por elas não perde as esperanças De poder nalgum tempo ser contente.
Luís de Camões
janeiro 01, 2012
Paul Laurenzi, imagem in Modus Vivendi «Não é o medo da loucura que nos vai obrigar a hastear a meio-pau a bandeira da imaginação.»
André Breton, Manifesto do Surrealismo (1924)
dezembro 30, 2011
«Qu'est-ce tout cela qui n'est pas universelle?» :)
Notável ensaio de Raymond Aron (1905-1983), datado de 1954, antes da destalinização de Khrushchev, do Tratado de Roma, da descolonização da Argélia, da Vª República de Gaulle!
Um manifesto desassombrado contra o narcótico religioso da esquerda comunista militante, denunciando-lhe a ilusão utópica em que se debate ou, franqueado o limiar da militância, o sacrifício do livre e independente julgamento da razão.
dezembro 22, 2011
Principiamos onde o outro acaba
pois um ao outro
oferecemos mais
que a verdade consentida a cada um,
a vida inteira descobrindo
nossa
no mistério paralelo revelado.
Helder Macedo, Poemas Novos e Velhos, Editorial Presença, Lisboa 2011
dezembro 21, 2011
Quebrado o espelho resta ainda a face impessoal e exacta a desvendar
Quebrado o espelho estamos face a face mais um do outro do que de nós mesmos.
Quebrado o espelho meu amor busquemos tanto um no outro
que se reconstrua dos nossos corpos contra a morte erguidos a essência mortal que os definiu.
Helder Macedo, Poemas Novos e Velhos, Editorial Presença, Lisboa 2011
dezembro 20, 2011
Não disse tudo ainda. Nem nunca poderia com palavras libertar o fogo original que tenho a revelar em ti.
Comigo morrerá o fogo eterno que me cabe morrendo o tempo e o espaço do meu corpo que deu à morte a forma exacta e obscura de um destino.
Mas não há palavras para falar da morte nem da morte há palavras para ouvir salvo o grito gelado que enclausurou o tempo em prazos de uma vida.
As palavras da morte somos nós és tu e eu meu solitário amor altivos no pavor do seu grito de comando.
Helder Macedo, Poemas Novos e Velhos, Editorial Presença, Lisboa 2011
dezembro 19, 2011
dezembro 18, 2011
O acólito
Destak — 14.12.2011 “Coluna Vertical” — José Luís Seixas, Advogado
Não há conferência de imprensa ou comunicação pública convocada pelo Banco Central Europeu em que o Dr. Victor Constâncio não figure na mesa ladeando o Presidente. Assemelha-se a um adereço obrigatório, como os ramos de cravos nas cerimónias do 25 de Abril. Ou, numa outra perspectiva, a um acólito que marca a sua presença na cerimónia litúrgica sem, porém, nela participar, nem sequer para entoar os salmos. Não ouso comparar o Dr. Victor Constâncio a um cravo ou mesmo a uma flor. Pelo que prefiro equivalê-lo à figura respeitável do acólito., De qualquer forma, julgo que todos ficamos um pouco espantados com esta sua persistente aparição. É muito recente a memória da sua governação do Banco de Portugal, das omissões no acompanhamento do BPN e do BPP, na fiscalização da actividade finanaceira, designadamente nas práticas de concessão de crédito, no controlo da dívida pública e no crescimento demencial do endividamento do Estado. Integra, em lugar de destaque, a galeria dos maiores responsáveis da situação a que chegámos que nos custa o presente e compromete o futuro. Por isso, se foram os mandatos do Dr. Constâncio à frente do Banco de Portugal que o alcandoraram a segunda figura do BCE estamos bem tramados. É que, como diz o Povo, “pela montra se vê a loja”. Resta a esperança de que a sua função seja, realmente, de acólito. Arrogante e sobranceiro embora, como é da sua idiossincracia. Mas com isto todos podemos bem.
dezembro 17, 2011
Acerca da oferta pública do BPN ao BCI
Destak — 14.12.2011 Cartas do Leitor — JosÉ Amaral, V.N. Gaia
Após o elevadíssimo sorvedouro público para manter em funcionamento o BPN — Banco para alguns Nabos —, sem que qualquer administrador fosse obrigado a repor o que tivera desviado em proveito próprio, ou beneficiado amigalhaços nessas dolosas negociatas, ou ainda desbaratando muitos milhões em loucuras de verdadeira sumptuosidade, sem sequer irem parar à prisão, o Estado, segundo novas notícias vindas a lume e que são altamente lesivas e sempre ultrajantes, lá vai dá-lo por 40 milhões de euros, repartidos em quatro suaves prestações , ao BCI — Banco Comprador de Insolvências Fictícias —, em que, para cúmulo do admissível, o Estado ainda é obrigado a injectar no abismo de tal buraco negro a módica quantía de 500 milhões de euros e ficar obrigado a receber no seu seio social metade dos trabalhadores.
E é por causa de iguais negociatas e roubos de igual jaez, dirimidos por dragonados estrategos pagos a peso de ouro e intocáveis a tudo que de mal têm engendrado, que Portugal está mergulhado na maior e mais nefasta encruzilhada de toda a sua honrosa e heróica História multissecular. E o mais exótico desta e outras palhaçadas é o interlocutor, metido na compra/venda/BCI/Estado/BPN, ser o reformado mais bem pago de Portugal.
dezembro 08, 2011
«Ora, estando Josué nos arredores da cidade de Jericó, levantou os olhos e viu diante de si um homem em pé, que tinha uma espada desembaínhada; foi ter com ele e disse-lhe: Tu és dos nossos ou dos inimigos?»
Livro de Josué, 5, 13
dezembro 03, 2011
«Geração significa passagem ou transição de um extremo a outro; por isso dizemos que o erro é como uma transição ou decepção.»