janeiro 09, 2012


Emprego da tração animal em ferrovias

«O maior benefício conferido pelos caminhos-de-ferro
é poupar milhões de cavalos de tracção
à sua miserável existência.»


Arthur Schopenhauer, op.cit.

janeiro 08, 2012



Revelação. As efémeras gerações humanas nascem e
passam em rápida sucessão; os indivíduos,
oprimidos pelo medo, as carências
e os desgostos, vêm a cair
nos braços da morte.

Enquanto o fazem, nunca se cansam de perguntar
o que os atormenta e o que significa toda aquela tragicomédia.
Suplicam ao Céu uma resposta, mas o Céu permanece silencioso.
Em vez de uma voz do Céu, vêm os padres com revelações.

Arthur Schopenhauer, Aforismos
Public.Europa-América, Lisboa 1998

janeiro 07, 2012



«Ter esperança é confundir
o desejo de uma coisa com
a sua probabilidade.»



Arthur Schopenhauer, Aforismos
Public.Europa-América, Lisboa 1998

janeiro 05, 2012


Paul Laurenzi, imagem in Modus Vivendi

Amorosas esquivanças

Ditoso seja aquele que somente
Se queixa de amorosas esquivanças;
Pois por elas não perde as esperanças
De poder nalgum tempo ser contente.


Luís de Camões

janeiro 01, 2012


Paul Laurenzi, imagem in Modus Vivendi

«Não é o medo da loucura que nos vai
obrigar a hastear a meio-pau
a bandeira da imaginação.»

André Breton, Manifesto do Surrealismo (1924)

dezembro 30, 2011


«Qu'est-ce tout cela qui n'est pas universelle?» :)

Notável ensaio de Raymond Aron (1905-1983),
datado de 1954, antes da destalinização
de Khrushchev, do Tratado de Roma,
da descolonização da Argélia,
da Vª República de Gaulle!

Um manifesto desassombrado
contra o narcótico religioso
da esquerda comunista militante,
denunciando-lhe a ilusão utópica
em que se debate ou, franqueado
o limiar da militância,
o sacrifício do livre
e independente
julgamento
da razão.

dezembro 22, 2011



Principiamos onde o outro acaba
pois um ao outro
oferecemos mais
que a verdade consentida a cada um,
a vida inteira descobrindo
nossa
no mistério paralelo revelado.


Helder Macedo, Poemas Novos e Velhos,
Editorial Presença, Lisboa 2011

dezembro 21, 2011



Quebrado o espelho
resta ainda a face
impessoal e exacta
a desvendar

Quebrado o espelho
estamos face a face
mais um do outro
do que de nós mesmos.

Quebrado o espelho
meu amor
busquemos
tanto um no outro

que se reconstrua
dos nossos corpos
contra a morte erguidos
a essência mortal que os definiu.

Helder Macedo, Poemas Novos e Velhos,
Editorial Presença, Lisboa 2011

dezembro 20, 2011



Não disse tudo
ainda.
Nem nunca poderia com palavras
libertar
o fogo original
que tenho a revelar
em ti.

Comigo morrerá o fogo eterno
que me cabe
morrendo o tempo e o espaço do meu corpo
que deu à morte a forma exacta
e obscura
de um destino.

Mas não há palavras para falar da morte
nem da morte há palavras para ouvir
salvo o grito gelado
que enclausurou o tempo
em prazos de uma vida.

As palavras da morte somos nós
és tu e eu
meu solitário amor
altivos no pavor do seu grito de comando.

Helder Macedo, Poemas Novos e Velhos,
Editorial Presença, Lisboa 2011

dezembro 19, 2011

dezembro 18, 2011

O acólito

Destak — 14.12.2011
“Coluna Vertical” — José Luís Seixas, Advogado



Não há conferência de imprensa ou comunicação pública convocada pelo Banco Central Europeu em que o Dr. Victor Constâncio não figure na mesa ladeando o Presidente. Assemelha-se a um adereço obrigatório, como os ramos de cravos nas cerimónias do 25 de Abril. Ou, numa outra perspectiva, a um acólito que marca a sua presença na cerimónia litúrgica sem, porém, nela participar, nem sequer para entoar os salmos. Não ouso comparar o Dr. Victor Constâncio a um cravo ou mesmo a uma flor. Pelo que prefiro equivalê-lo à figura respeitável do acólito., De qualquer forma, julgo que todos ficamos um pouco espantados com esta sua persistente aparição. É muito recente a memória da sua governação do Banco de Portugal, das omissões no acompanhamento do BPN e do BPP, na fiscalização da actividade finanaceira, designadamente nas práticas de concessão de crédito, no controlo da dívida pública e no crescimento demencial do endividamento do Estado. Integra, em lugar de destaque, a galeria dos maiores responsáveis da situação a que chegámos que nos custa o presente e compromete o futuro. Por isso, se foram os mandatos do Dr. Constâncio à frente do Banco de Portugal que o alcandoraram a segunda figura do BCE estamos bem tramados. É que, como diz o Povo, “pela montra se vê a loja”. Resta a esperança de que a sua função seja, realmente, de acólito. Arrogante e sobranceiro embora, como é da sua idiossincracia. Mas com isto todos podemos bem.

dezembro 17, 2011

Acerca da oferta pública do BPN ao BCI

Destak — 14.12.2011
Cartas do Leitor — JosÉ Amaral, V.N. Gaia





Após o elevadíssimo sorvedouro público para manter em funcionamento o BPN — Banco para alguns Nabos —, sem que qualquer administrador fosse obrigado a repor o que tivera desviado em proveito próprio, ou beneficiado amigalhaços nessas dolosas negociatas, ou ainda desbaratando muitos milhões em loucuras de verdadeira sumptuosidade, sem sequer irem parar à prisão, o Estado, segundo novas notícias vindas a lume e que são altamente lesivas e sempre ultrajantes, lá vai dá-lo por 40 milhões de euros, repartidos em quatro suaves prestações , ao BCI — Banco Comprador de Insolvências Fictícias —, em que, para cúmulo do admissível, o Estado ainda é obrigado a injectar no abismo de tal buraco negro a módica quantía de 500 milhões de euros e ficar obrigado a receber no seu seio social metade dos trabalhadores.

E é por causa de iguais negociatas e roubos de igual jaez, dirimidos por dragonados estrategos pagos a peso de ouro e intocáveis a tudo que de mal têm engendrado, que Portugal está mergulhado na maior e mais nefasta encruzilhada de toda a sua honrosa e heróica História multissecular. E o mais exótico desta e outras palhaçadas é o interlocutor, metido na compra/venda/BCI/Estado/BPN, ser o reformado mais bem pago de Portugal.

dezembro 08, 2011


«Ora, estando Josué nos arredores da cidade de Jericó,
levantou os olhos e viu diante de si um homem em pé,
que tinha uma espada desembaínhada; foi ter com ele
e disse-lhe: Tu és dos nossos ou dos inimigos?»

Livro de Josué, 5, 13

dezembro 03, 2011



«Geração significa
passagem ou transição
de um extremo a outro;
por isso dizemos que o erro
é como uma transição ou decepção.»


(Aristóteles)

novembro 30, 2011






[Schopenhauer e a Democracia]

«O intelecto é uma grandeza de intensidade,
não uma grandeza de extensão, por isso,
a esse respeito, pode-se sem dúvida
pegar em dez mil tolos e não
conseguir formar
um único
sábio.»

Arthur Schopenhauer, Aforismos,
Public. Europa-América, Colecção
Livros de Bolso nº 605, Lisboa, 1998, p. 16

novembro 24, 2011



«Faz, Senhor, que a soberba deste homem
seja cortada com a sua própria espada; seja ele
preso ao laço dos seus olhos, fixos sobre mim;
fere-o com as doces palavras dos meus lábios.

Dá firmeza ao meu coração para eu o desprezar, e
fortaleza para o perder. Ganhará o teu nome uma
glória memorável, se a mão de uma mulher o derrubar.

O teu poder, Senhor, não está na multidão,
nem tu te comprazes na força dos cavalos;
nunca te agradaram os soberbos, mas
sempre te agradou a súplica dos
humildes e dos mansos.»

Judit, 9, 12—16

novembro 19, 2011





«Toda a aquisição de saber autêntico significa um alargamento do nosso Eu. ( )
Na contemplação, [ ] de onde nós partimos é do Não-Eu, e
é por intermédio da grandeza deste que se logra ampliar os confins do Eu;

( ) O conhecer, em suma, é uma forma da união do Não-Eu e do Eu;
( ) O livre intelecto deverá enxergar assim como Deus poderia ver: -
sem aqui, nem agora; sem esperança e sem medo;
isento das crenças costumeiras e dos preconceitos tradicionais
(...)
O espírito que se habituou, na contemplação filosófica, a ser livre e equânime,
algo trará dessa imparcialidade livre para o mundo da acção e da emoção.

A contemplação amplifica por esta forma,
além dos objectos do pensamento,
também os objectos da nossa acção,
e outrossim os objectos do nosso afecto;
de nós faz ela cidadãos do universo,
e não somente de uma cidade murada,
em estado de guerra com tudo o mais. »


Bertrand Russell, Os problemas da filosofia

novembro 17, 2011



«[ ] Todo o mundo se transformou na aldeia global da informação
simultânea, como o consequente aparecimento de uma engenharia
social que molda uma opinião pública mundializada [ ].
O homem massa transformou-se em audiência,
em consumidor, em vítima potencial
de novas armas de destruição
massiça.

Com a transmissão de dados à velocidade da luz,
com a banalização dos satélites de telecomunicações,
grupos poderosos como Estados tratam a informação.
[ ] São agências globais de informação audiovisual [ ].

[ ]

Não será que a guerra não passa da continuação da política
por outros meios e vice-versa? O comércio como o substituto
da guerra ou aquilo com que se faz o comércio é aquilo com que
se faz a guerra?

Qual a fronteira que separa a informação da propaganda,
a comunicação da acção psicológica? Não será
que a informação-espectáculo do poder
mediático nos faz viver em regime
de realidade virtual?»

Bem Comum dos Portugueses, Jorge Braga de Macedo,
José Adelino Maltez, Mendo Castro Henriques,
Lisboa, Vega, 1999, p.202-3

novembro 15, 2011



»Vivemos num tempo de vertiginosa aceleração dos acontecimentos
globais que a hiperinformação efemeriza. E as lentes utilizadas pelos
analistas do curto prazo, descrevendo, com os mais pormenorizados
zooms das reportagens directas, as árvores da nossa floresta, quando
não a casca ou um pedaço de folha, não nos têm deixado perspectivar
a própria floresta.»

Bem Comum dos Portugueses, Jorge Braga de Macedo,
José Adelino Maltez, Mendo Castro Henriques,
Lisboa, Vega, 1999, p. 199

novembro 13, 2011



.................... «O Rei Vai Nú»