janeiro 01, 2012


Paul Laurenzi, imagem in Modus Vivendi

«Não é o medo da loucura que nos vai
obrigar a hastear a meio-pau
a bandeira da imaginação.»

André Breton, Manifesto do Surrealismo (1924)

dezembro 30, 2011


«Qu'est-ce tout cela qui n'est pas universelle?» :)

Notável ensaio de Raymond Aron (1905-1983),
datado de 1954, antes da destalinização
de Khrushchev, do Tratado de Roma,
da descolonização da Argélia,
da Vª República de Gaulle!

Um manifesto desassombrado
contra o narcótico religioso
da esquerda comunista militante,
denunciando-lhe a ilusão utópica
em que se debate ou, franqueado
o limiar da militância,
o sacrifício do livre
e independente
julgamento
da razão.

dezembro 22, 2011



Principiamos onde o outro acaba
pois um ao outro
oferecemos mais
que a verdade consentida a cada um,
a vida inteira descobrindo
nossa
no mistério paralelo revelado.


Helder Macedo, Poemas Novos e Velhos,
Editorial Presença, Lisboa 2011

dezembro 21, 2011



Quebrado o espelho
resta ainda a face
impessoal e exacta
a desvendar

Quebrado o espelho
estamos face a face
mais um do outro
do que de nós mesmos.

Quebrado o espelho
meu amor
busquemos
tanto um no outro

que se reconstrua
dos nossos corpos
contra a morte erguidos
a essência mortal que os definiu.

Helder Macedo, Poemas Novos e Velhos,
Editorial Presença, Lisboa 2011

dezembro 20, 2011



Não disse tudo
ainda.
Nem nunca poderia com palavras
libertar
o fogo original
que tenho a revelar
em ti.

Comigo morrerá o fogo eterno
que me cabe
morrendo o tempo e o espaço do meu corpo
que deu à morte a forma exacta
e obscura
de um destino.

Mas não há palavras para falar da morte
nem da morte há palavras para ouvir
salvo o grito gelado
que enclausurou o tempo
em prazos de uma vida.

As palavras da morte somos nós
és tu e eu
meu solitário amor
altivos no pavor do seu grito de comando.

Helder Macedo, Poemas Novos e Velhos,
Editorial Presença, Lisboa 2011

dezembro 19, 2011

dezembro 18, 2011

O acólito

Destak — 14.12.2011
“Coluna Vertical” — José Luís Seixas, Advogado



Não há conferência de imprensa ou comunicação pública convocada pelo Banco Central Europeu em que o Dr. Victor Constâncio não figure na mesa ladeando o Presidente. Assemelha-se a um adereço obrigatório, como os ramos de cravos nas cerimónias do 25 de Abril. Ou, numa outra perspectiva, a um acólito que marca a sua presença na cerimónia litúrgica sem, porém, nela participar, nem sequer para entoar os salmos. Não ouso comparar o Dr. Victor Constâncio a um cravo ou mesmo a uma flor. Pelo que prefiro equivalê-lo à figura respeitável do acólito., De qualquer forma, julgo que todos ficamos um pouco espantados com esta sua persistente aparição. É muito recente a memória da sua governação do Banco de Portugal, das omissões no acompanhamento do BPN e do BPP, na fiscalização da actividade finanaceira, designadamente nas práticas de concessão de crédito, no controlo da dívida pública e no crescimento demencial do endividamento do Estado. Integra, em lugar de destaque, a galeria dos maiores responsáveis da situação a que chegámos que nos custa o presente e compromete o futuro. Por isso, se foram os mandatos do Dr. Constâncio à frente do Banco de Portugal que o alcandoraram a segunda figura do BCE estamos bem tramados. É que, como diz o Povo, “pela montra se vê a loja”. Resta a esperança de que a sua função seja, realmente, de acólito. Arrogante e sobranceiro embora, como é da sua idiossincracia. Mas com isto todos podemos bem.

dezembro 17, 2011

Acerca da oferta pública do BPN ao BCI

Destak — 14.12.2011
Cartas do Leitor — JosÉ Amaral, V.N. Gaia





Após o elevadíssimo sorvedouro público para manter em funcionamento o BPN — Banco para alguns Nabos —, sem que qualquer administrador fosse obrigado a repor o que tivera desviado em proveito próprio, ou beneficiado amigalhaços nessas dolosas negociatas, ou ainda desbaratando muitos milhões em loucuras de verdadeira sumptuosidade, sem sequer irem parar à prisão, o Estado, segundo novas notícias vindas a lume e que são altamente lesivas e sempre ultrajantes, lá vai dá-lo por 40 milhões de euros, repartidos em quatro suaves prestações , ao BCI — Banco Comprador de Insolvências Fictícias —, em que, para cúmulo do admissível, o Estado ainda é obrigado a injectar no abismo de tal buraco negro a módica quantía de 500 milhões de euros e ficar obrigado a receber no seu seio social metade dos trabalhadores.

E é por causa de iguais negociatas e roubos de igual jaez, dirimidos por dragonados estrategos pagos a peso de ouro e intocáveis a tudo que de mal têm engendrado, que Portugal está mergulhado na maior e mais nefasta encruzilhada de toda a sua honrosa e heróica História multissecular. E o mais exótico desta e outras palhaçadas é o interlocutor, metido na compra/venda/BCI/Estado/BPN, ser o reformado mais bem pago de Portugal.

dezembro 08, 2011


«Ora, estando Josué nos arredores da cidade de Jericó,
levantou os olhos e viu diante de si um homem em pé,
que tinha uma espada desembaínhada; foi ter com ele
e disse-lhe: Tu és dos nossos ou dos inimigos?»

Livro de Josué, 5, 13

dezembro 03, 2011



«Geração significa
passagem ou transição
de um extremo a outro;
por isso dizemos que o erro
é como uma transição ou decepção.»


(Aristóteles)

novembro 30, 2011






[Schopenhauer e a Democracia]

«O intelecto é uma grandeza de intensidade,
não uma grandeza de extensão, por isso,
a esse respeito, pode-se sem dúvida
pegar em dez mil tolos e não
conseguir formar
um único
sábio.»

Arthur Schopenhauer, Aforismos,
Public. Europa-América, Colecção
Livros de Bolso nº 605, Lisboa, 1998, p. 16

novembro 24, 2011



«Faz, Senhor, que a soberba deste homem
seja cortada com a sua própria espada; seja ele
preso ao laço dos seus olhos, fixos sobre mim;
fere-o com as doces palavras dos meus lábios.

Dá firmeza ao meu coração para eu o desprezar, e
fortaleza para o perder. Ganhará o teu nome uma
glória memorável, se a mão de uma mulher o derrubar.

O teu poder, Senhor, não está na multidão,
nem tu te comprazes na força dos cavalos;
nunca te agradaram os soberbos, mas
sempre te agradou a súplica dos
humildes e dos mansos.»

Judit, 9, 12—16

novembro 19, 2011





«Toda a aquisição de saber autêntico significa um alargamento do nosso Eu. ( )
Na contemplação, [ ] de onde nós partimos é do Não-Eu, e
é por intermédio da grandeza deste que se logra ampliar os confins do Eu;

( ) O conhecer, em suma, é uma forma da união do Não-Eu e do Eu;
( ) O livre intelecto deverá enxergar assim como Deus poderia ver: -
sem aqui, nem agora; sem esperança e sem medo;
isento das crenças costumeiras e dos preconceitos tradicionais
(...)
O espírito que se habituou, na contemplação filosófica, a ser livre e equânime,
algo trará dessa imparcialidade livre para o mundo da acção e da emoção.

A contemplação amplifica por esta forma,
além dos objectos do pensamento,
também os objectos da nossa acção,
e outrossim os objectos do nosso afecto;
de nós faz ela cidadãos do universo,
e não somente de uma cidade murada,
em estado de guerra com tudo o mais. »


Bertrand Russell, Os problemas da filosofia

novembro 17, 2011



«[ ] Todo o mundo se transformou na aldeia global da informação
simultânea, como o consequente aparecimento de uma engenharia
social que molda uma opinião pública mundializada [ ].
O homem massa transformou-se em audiência,
em consumidor, em vítima potencial
de novas armas de destruição
massiça.

Com a transmissão de dados à velocidade da luz,
com a banalização dos satélites de telecomunicações,
grupos poderosos como Estados tratam a informação.
[ ] São agências globais de informação audiovisual [ ].

[ ]

Não será que a guerra não passa da continuação da política
por outros meios e vice-versa? O comércio como o substituto
da guerra ou aquilo com que se faz o comércio é aquilo com que
se faz a guerra?

Qual a fronteira que separa a informação da propaganda,
a comunicação da acção psicológica? Não será
que a informação-espectáculo do poder
mediático nos faz viver em regime
de realidade virtual?»

Bem Comum dos Portugueses, Jorge Braga de Macedo,
José Adelino Maltez, Mendo Castro Henriques,
Lisboa, Vega, 1999, p.202-3

novembro 15, 2011



»Vivemos num tempo de vertiginosa aceleração dos acontecimentos
globais que a hiperinformação efemeriza. E as lentes utilizadas pelos
analistas do curto prazo, descrevendo, com os mais pormenorizados
zooms das reportagens directas, as árvores da nossa floresta, quando
não a casca ou um pedaço de folha, não nos têm deixado perspectivar
a própria floresta.»

Bem Comum dos Portugueses, Jorge Braga de Macedo,
José Adelino Maltez, Mendo Castro Henriques,
Lisboa, Vega, 1999, p. 199

novembro 13, 2011



.................... «O Rei Vai Nú»

novembro 12, 2011








......... € 0.09 (noves fora nada)




novembro 11, 2011



«O político português [anos 90], ainda preocupado em demarcar-se dos consensos implícitos ou forçados do tempo da ditadura [Salazar-Caetano], adora reivindicar hoje [1999] aquilo que nem nos «amanhãs que cantam» poderá obter. Esta incultura cívica não é contudo apanágio dos políticos eleitos a nível local e nacional. Pelo contrário, afirmou-se também nas ocupações mais sujeitas à falta de participação e à censura no regime anterior. Estão seguramente nessas condições jornalistas e sindicalistas, classes que mais tempo conseguiram [já não conseguem] uma imagem de abertura e responsabilização democráticas, mantendo contudo práticas corporativas [agora (2011), só prosseguidas por magistrados judiciais, polícias, exército] muito para além do exigido pelas características da transição portuguesa.»

Bem Comum dos Portugueses, Jorge Braga de Macedo,
José Adelino Maltez, Mendo Castro Henriques,
Lisboa, Vega, 1999, p.195

novembro 09, 2011



«E embora devamos esforçar-nos por
tornar os nossos princípios tão universais quanto possível,
ampliando ao máximo as nossas experiências e explicando
todos os efeitos pelas causas mais simples e menos numerosas,

continua a ser certo

que não podemos ir além da experiência e
que qualquer hipótese que pretenda descobrir
as qualidades originais últimas da natureza ( )
deve desde logo ser rejeitada como presunçosa e quimérica.»

David Hume, Tratado da natureza humana

novembro 05, 2011



Uma argumentação surpreendente e persuasiva
contra o intervencionismo do Estado na actividade
económica, - que voltou a aparecer nos escaparates
das livrarias -, em defesa do liberalismo político.

Ver no site de filosofia portuguesa, a refutação
da filosofia nórdica, oriunda de Stº Agostinho
e Duns Escoto e triunfante com Descartes.

Vale a pena ler Orlando Vitorino,
que mais não seja pelo rigor
da argumentação.