novembro 13, 2011



.................... «O Rei Vai Nú»

novembro 12, 2011








......... € 0.09 (noves fora nada)




novembro 11, 2011



«O político português [anos 90], ainda preocupado em demarcar-se dos consensos implícitos ou forçados do tempo da ditadura [Salazar-Caetano], adora reivindicar hoje [1999] aquilo que nem nos «amanhãs que cantam» poderá obter. Esta incultura cívica não é contudo apanágio dos políticos eleitos a nível local e nacional. Pelo contrário, afirmou-se também nas ocupações mais sujeitas à falta de participação e à censura no regime anterior. Estão seguramente nessas condições jornalistas e sindicalistas, classes que mais tempo conseguiram [já não conseguem] uma imagem de abertura e responsabilização democráticas, mantendo contudo práticas corporativas [agora (2011), só prosseguidas por magistrados judiciais, polícias, exército] muito para além do exigido pelas características da transição portuguesa.»

Bem Comum dos Portugueses, Jorge Braga de Macedo,
José Adelino Maltez, Mendo Castro Henriques,
Lisboa, Vega, 1999, p.195

novembro 09, 2011



«E embora devamos esforçar-nos por
tornar os nossos princípios tão universais quanto possível,
ampliando ao máximo as nossas experiências e explicando
todos os efeitos pelas causas mais simples e menos numerosas,

continua a ser certo

que não podemos ir além da experiência e
que qualquer hipótese que pretenda descobrir
as qualidades originais últimas da natureza ( )
deve desde logo ser rejeitada como presunçosa e quimérica.»

David Hume, Tratado da natureza humana

novembro 05, 2011



Uma argumentação surpreendente e persuasiva
contra o intervencionismo do Estado na actividade
económica, - que voltou a aparecer nos escaparates
das livrarias -, em defesa do liberalismo político.

Ver no site de filosofia portuguesa, a refutação
da filosofia nórdica, oriunda de Stº Agostinho
e Duns Escoto e triunfante com Descartes.

Vale a pena ler Orlando Vitorino,
que mais não seja pelo rigor
da argumentação.

outubro 27, 2011



«Quando o curso da civilização toma um rumo inesperado, em vez do progresso contínuo que esperávamos, nos encontramos ameaçados pelos erros e males que acumulámos ao longo dos anos de barbárie, atribuímos a culpa de tal situação a tudo menos a nós próprios.

Pois não lutámos todos pelos mais nobres ideais? Pois não trabalharam incessantemente os nossos mais elevados espíritos para fazer deste mundo um mundo melhor? E todos esses esforços e esperanças não tiveram sempre como fim uma maior liberdade, justiça e prosperidade?

Se o resultado veio a ser tão diferente dos nossos objectivos e se em vez da liberdade é a escravidão e a miséria que vemos à nossa frente, não será evidente que existem forças sinistras que fizeram malograr as nossas intenções e que somos vítimas de algum poder demoníaco que teremos de vencer caso queiramos retomar a estrada que nos leva a um melhor destino?

Por maior que seja o nosso desacordo quanto ao nome do culpado, seja ele o malvado capitalismo, seja o espírito perverso de determinada nação, seja a estupidez dos nossos antepassados, seja ainda um sistema social contra o qual lutamos há meio século sem o conseguirmos derrubar completamente, há uma coisa sobre a qual todos nos pomos de acordo ou, pelo menos até há bem pouco tempo, todos nos púnhamos de acordo:

— as ideias triunfantes que, durante a última geração, se tornaram comuns à maior parte das pessoas bem intencionadas e que determinaram as principais modificações da nossa vida social, essas de modo algum as consideramos erradas.


Poderemos aceitar todas as explicações para a crise actual da nossa civilização, excepto uma: a de que o estado actual do mundo possa ser consequência de um erro nosso e de que a fidelidade a alguns dos nossos mais queridos ideais nos tenha conduzido a resultados totalmente diferentes daqueles que prevíamos.»

Frederico Hayeck, O caminho para a servidão,
(«The road to serfdom»), trad. Mª Ivone Serrão
de Moura, rev. de Orlando Vitorino, Teoremas,
Lisboa, 1977, pp.35-6

outubro 25, 2011



«O trabalho anual de uma nação é o fundo de que provêm originariamente todos os bens necessários à vida e ao conforto que a nação anualmente consome, e que consistem sempre ou em produtos imediatos desse trabalho, ou em bens adquiridos às outras nações em troca deles.

Portanto, consoante esta produção, ou aquilo que é adquirido mediante ela, se apresente em maior ou menor proporção relativamente ao número daqueles que vão consumi-la, a nação estará melhor ou pior fornecida de todos aqueles bens necessários à vida e ao conforto que estaria em condições de consumir.

Mas esta proporção deve, em todas as nações, ser regulada por duas circunstâncias diferentes: em primeiro lugar, pela perícia, destreza e bom senso com que o seu trabalho é geralmente executado; e em segundo lugar, pela proporção entre o número dos que estão empregados em trabalho útil e o daqueles que o não estão. Sejam quais forem o solo, o clima e a extensão do território de uma nação, a abundância ou escassez do seu suprimento anual dependerão sempre, em cada caso particular, destas duas condições.»

op.cit., pp.69-70

outubro 20, 2011




Pequena Fábula

«"Ai de mim", disse o rato. "O mundo está a ficar cada dia mais pequeno. Ao princípio era tão grande que eu tinha medo, estava sempre a correr, a correr, e fiquei contente quando finalmente vi paredes lá ao longe, à esquerda e à direita, mas estas longas paredes estreitaram-se tão depressa que eu agora estou já no último compartimento e ali no canto está a ratoeira para a qual sou obrigado a correr." "Só precisas de mudar de direcção", disse o gato, que logo o engoliu.»

in blog Catharsis: - Franz Kafka, Contos


Pequena Grande Fábula!

E ainda e sempre o problema
eterno d'o que parece e não é,
e também o do seu inverso
o d'o que é e não parece...

Sempre estamos posicionados
num dado referencial, e
não nos apercebermos
do referencial de
que o nosso
depende!

Dou este exemplo: - viajamos
num carro a cem à hora, até
fumamos os nossos cigarros.
Tal e qual como se num
sofá estivessemos
conversando.

Apenas, sucede
que esse convívio
de bem-estar referencia-se
ele próprio à condição de uma
velocidade em que algum ínfimo
detalhe pode causar a hecatombe
do primeiro habitat, tudo em estrita
obediência às leis invioláveis da Física.


Assim o caso
quando nos movemos
num referencial que parece, mas não é,
impossibilitando-nos de antever o que pode acontecer.

outubro 14, 2011


Noto que os "governantes"
- da troika dos credores -,
andam todos com a bandeira
nacional à lapela.

Ora, discordo desse
monopólio e já o destituí
usando-o e não governando.

Não que não concorde
com as medidas de austeridade
já tomadas, mas porque discordo
das que continuam a não ser tomadas.

A saber: trabalhar; vender, não comprar
e pagar ao estrangeiro, permita-o ou não
a legislação europeia e o comércio internacional.

Só assim procedendo se verá quem está certo e quem está errado.

outubro 11, 2011



Eco, publicou um novo 'policial-histórico',
a que chamou Il Cimitero di Praga, a trama
política ao longo do século xix,
a "teoria da conspiração"
ao rubro, digladiando
entre si, carbonários,
maçons, jesuítas
e católicos,

ante-câmara onde teriam sido forjados
os famosos Protocolos dos Sábios do Sião.

Numa mescla muito própria, Umberto Eco
mistura a história e a literatura,
a realidade e a ficção, num enredo de distância
crítica que, sob a capa de um aparente cepticismo,

vai destilando uma crença genuína e envergonhada
na cabala da "Forma Universal de Conluio",
onde o "povo eleito" acabará por
'administrar' o mundo inteiro!


Em boa verdade, não gostei :(

Sem dúvida, U. Eco é habilidoso
e tem talento, mas a trama
apresenta uma linearidade
algo infantil, embora
obscura.

E não gosto de ver misturada a História
com fantasias conspirativas e manias
de perseguição.

Pode bem dar-se que hajam muitas
sociedades secretas que almejam
fins de interesse pessoal
ou mesmo de interesse
universal e civilizacional.

No entanto, aprecio mais
ler o transcurso histórico
de um ou alguns séculos,

segundo a interacção intelectual e objectiva
do homem colectivo com a natureza
— em que se insere e de que depende —,

e não só pela rivalidade entre estados,
sociedades e classes sociais
em que a humanidade
se pluraliza.

setembro 29, 2011

setembro 24, 2011


David Lean, Desencanto – 1946

«— E coragem? — Quando se apresenta o facto consumado
encolhem os ombros. São só cruéis nas decisões
que ainda não estão tomadas. De resto,
encolhem-se como cordeiros. Reparei
nisso tantas vezes.»

Ruben A., A Torre da Barbela (1964),
Assírio & Alvim, Lisboa, 1995, pp.303-4.

setembro 23, 2011



«Deixa andar, deixa correr — o rio sentir-se-á
mais alegre no balouçar das margens e
os pássaros saltarão para fora dos
arbustos num perguntar
admirado.

As coisas caminharão na indiferença do destino,
alheias ao que nós pensamos ou fazemos.

Tudo irá sentir-se num gravar de memória
cheio de imprevistos e colhendo
os frutos defesos do porvir.
[ ]
Enche-se o futuro de ilusões e
na companhia de enganos fáceis
apronta-se o destino.»

Ruben A., A Torre da Barbela (1964),
Assírio & Alvim, Lisboa, 1995, pp.302-3

setembro 22, 2011


«Havia nos Barbelas um orgulho de casta que em alguns se transmitia
em vaidade de pecado mortal, mas mesmo esta vaidade era uma vaidade
académica, secundária, vingativa, vaidade que mais tarde se exteriorizou
[ ] em preocupações exclusivas de que só eles eram sapientes.


Uma vaidade sem grandeza, desprezível onde o desequilíbrio entre
o ser que pensava e o ser que se envaidecia era tal que o vaidoso
dominava o inteligente [ ] E nessa mistura de sensações,
sentimentos, reacções, uma coisa era aquilo que
os Barbelas pensavam, outra o que faziam.

Falavam, falavam, conversavam fiado por tempos sem conta,
discutiam, assentavam decisões e conversas, e ao fim
encaminhavam-se ao natural de nada se ter passado.

[ ] Enfim, o que havia, era, bem ou mal, a prata da casa.»


Ruben A., A Torre da Barbela (1964),
Assírio & Alvim, Lisboa, 1995, pp.233-4

setembro 21, 2011


«Ce que femme veut Dieu le veut.»

Ruben A., A Torre da Barbela (1964),
Assírio & Alvim, Lisboa, 1995, p.243.

setembro 19, 2011


«E à volta de cada um sentado à mesa
corria vertiginoso o destino
tanto de felicidade como
de indiferença.»


Ruben A., A Torre da Barbela (1964),
Assírio & Alvim, Lisboa, 1995, p.83.

setembro 18, 2011



«Os dois em cima do garrano continuavam silenciosos.

O passio frustrara-se. Da posição ligeiramente imprópria
de mariposa o Cavaleiro voltou-se de costas para a frente
e à queima-roupa disse à Madeleine: «Que bonito peito que a prima
tem! Deita fumo?» Madeleine ficou perplexa com a tirada. A frase
sintetizava, com certeza, a ruminação de muitas horas. Madeleine
entupiu. Sair fumo dos peitos! Estavam calados, a mirar-se e
a compor palavras. Olharam-se mais intimamente. Desceram
como de um altar. Viraram as costas à fauna e à flora.

Estavam quase. Vilancete pastava, alheio àquela
história de gente. Os segundos eternizavam-se
e só se ouvia o piar de uns mochos
atarefados em agoiros.

Momento quase horrível!
Vilancete sacudiu as orelhas arredando-se
e então os dois corpos agarraram-se de salto
para caírem em absoluto delírio.


Madeleine descobria que o Cavaleiro era virgem.
O seu emaranhar transmitia uma loucura nunca até aí
vivida por Madeleine. Era um coito que atravessava séculos.
Uma coisa de sempre e de nunca, como os desejos escondidos
de todos os que se passeiam pelo mundo. A noite clareava-se
e os raios de extinta luz lembravam o fumeiro da Beringela.
Discretamente, Vilancete escondera-se com o rabo entre as pernas.»

Ruben A., A Torre da Barbela (1964),
Assírio & Alvim, Lisboa, 1995, pp.34-5.

setembro 17, 2011



Mais um filme de Woody Allen,
mágico, divertido, belo e
com algumas verdades :)

setembro 15, 2011


imagem in blog Octávio V. Gonçalves

«Parece Espinho no Inverno,
não se vê vivalma.»


:))

Ruben A., A Torre da Barbela (1964),
Assírio & Alvim, Lisboa, 1995, pp.227.

setembro 14, 2011


Dali à Moutosa ainda se contavam duas léguas bem andadas.
Iam a meio caminho, no subir da encosta que se debruçava
vagarosamente sobre o Lima. A neblina rala espalhava-se
aos balões pelas cabeças mais salientes. Aquela procissão
de burras e mulas parecia uma bicha tum-tum-tum entrando
por um buraco da natureza e aparecendo do lado oposto. A
conversa obcecava os primos da Barbela sabido que todos
conheciam de cor e salteado o córrego da Moutosa.

Só Madeleine não estava iniciada naquela visão;
era a mais atenta no vislumbrar da paisagem.
Como aquilo, nunca vira nada.
Um outro mundo.

O que se começava a ver não tinha sido feito pelo homem;
sentia-se a própria Criação à solta, liberta de peias
domésticas e preconcebidas
. Se a Beleza tivesse
refúgio secreto para os Deuses da Flora,
seria ali o reino desse sonho desmedido.

Madeleine extasiava-se, dela se apoderava
uma inclusão diáfana que trespassava a panorâmica.»

:)

Ruben A., A Torre da Barbela (1964),
Assírio & Alvim, Lisboa, 1995, pp.121-2.