«A queda da monarquia tinha sido tão rápida que, passada a primeira estupefacção, houve entre os burgueses como que um espanto por ainda estarem vivos.
A execução sumária de alguns ladrões, fuzilados sem julgamento, pareceu uma coisa muito justa.»
Gustave Flaubert, A Educação Sentimental («L'Éducation Sentimentale», 1869) Trad. João Costa, Relógio d'Água, Lisboa, 2008, p.237
«… contou o seu fracasso, e pouco a pouco os seus trabalhos, a sua existência, falando estoicamente de si próprio e dos outros com azedume.»
Gustave Flaubert, A Educação Sentimental («L'Éducation Sentimentale», 1869) Trad. João Costa, Relógio d'Água, Lisboa, 2008, p.95
fevereiro 15, 2010
«Compreendi então o que significava toda a beleza dos habitantes do Mundo Superior. Muito agradável era o seu dia, tão agradável quanto o dia do gado no pasto. E como o gado, não conheciam inimigos e não se precaviam contra as necessidades. E o fim era o mesmo. [ ] Sofri só de pensar como fora fugaz o sonho do intelectual. [ ] Existe uma lei da Natureza que ignoramos, que a versatilidade intelectual é a compensação pela mudança, o perigo, os problemas. Um animal em perfeita harmonia com o seu meio envolvente é um mecanismo perfeito. A Natureza nunca apela à inteligência senão quando o hábito e o instinto se tornam irrelevantes. Não existe inteligência onde não existir mudança nem necessidade de mudança.»
H.G. Wells, A Máquina do Tempo («The Time Machine», 1865), Trad. Maria Georgina Segurado, Public. Europa-América, Lisboa, 1992, p. 81-2
fevereiro 14, 2010
Lembrando a crítica demolidora do jornalismo manipulatório:
e seus deploráveis discípulos
«Num tom acusatório e à revelia da ética da cidadania que nos dita a consideração e a boa-fé perante os entrevistados, ambas [Judite e Clara de Sousa, da RTP e da SIC] adoptaram como forma de entrevistar o Presidente do Supremo Tribunal de Justiça, o recurso a perguntas insistentes e manipulatórias que visavam a obtenção de respostas que, para si-próprias, pareciam pré-definidas como ideais, no sentido de virem a corroborar afirmações lesivas da Justiça e da lisura da actuação de Noronha do Nascimento.
Os tele-espectadores puderam assim assistir a um lamentável episódio da comunicação social portuguesa muito mais evidente do que a alegada falta de liberdade de imprensa...»
A alegria das coisas não é a posse mas a semelhança delas com os nossos dedos. Nem as coisas têm forma própria mas a que lhes dá a mão, usando-as
(fiama hasse pais brandão)
fevereiro 07, 2010
Imagem: Stuelpnagel, D. s/ título (2002) Vídeo: Ella Fitzgerald, What is this thing called love Origem: Blog Branco no Branco Se eu não morresse, nunca! E eternamente Buscasse e conseguisse a perfeição das cousas! Esqueço-me a prever castíssimas esposas, Que aninhem em mansões de vidro transparente!
Ó nossos filhos! Que de sonhos ágeis, Pousando, vos trarão a nitidez às vidas!
«… não é o mesmo feixe de trigo que nasce da semente. É outro, um novo feixe de trigo, o que indica que a nossa imortalidade está realmente entre as nossas pernas.
A nossa semente faz realmente um novo homem, mas ele não é nós. O filho não é o pai. O pai é enterrado e esse é o seu fim.
O filho é um homem diferente que um dia fará outro homem e assim sucessivamente, talvez para sempre; porém, a consciência individual termina.»
Gore Vidal, Juliano (1962), trad. Carlos Leite, P. Dom Quixote, Lisboa, 1990, p.152
«Alguns perguntaram: criámos estes deuses ou foram eles que nos criaram?
É uma discussão muito antiga. Somos um sonho da divindade ou cada um de nós um sonhador separado, que evoca a sua própria realidade?
Embora não haja uma certeza, todos os nossos sentidos nos dizem que existe uma única criação e que estamos contidos nela para sempre.
Ora, os cristãos impõem um mito final e rígido àquilo que sabemos ser variado e estranho. Nem sequer um mito, pois o Nazareno existiu em carne e osso.
Ao passo que os deuses que adoramos nunca foram homens; são, em vez disso, qualidades e poderes, que se transformaram em poesia para nossa edificação.
Com o culto do judeu morto, a poesia acabou.
Os cristãos desejam substituir as nossas belas lendas pelo cadastro policial de um rabi reformista.
Com esse material impossível esperam fazer uma síntese definitiva de todas as religiões conhecidas.
Agora apropriam-se dos nossos dias festivos. Transformam divindades locais em santos. Tiram bocados aos nossos ritos de mistério, Especialmente aos de Mitra.
Os sacerdotes de Mitra são chamados «pais», «padres». Então os cristãos chamam aos seus sacerdotes padres. Imitam inclusivamente a tonsura, esperando impressionar os conversos com os adornos dum culto antigo.
Agora começam a chamar ao nazareno «salvador» e «aquele que cura». Porquê? Porque um dos nossos deuses mais amados é Asclépio, A quem chamamos «salvador» e «aquele que cura».»
Gore Vidal, Juliano (1962), P. Dom Quixote, Lisboa, 1990, pp. 82-3
A seita dos cristãos, como muitas outras do médio oriente, espalhou-se por Roma, capital do império, e granjeou seguidores pelo zelo dos seus prosélitos.
Perseguida, erradicada para o submundo das catacumbas, conseguiu no entanto alguns adeptos nas legiões de Roma. Só no iv século, Constantino oficializou a religião cristã.
Os bispos rapidamente se instalaram nas cadeias de comando do Império, e o Solstício de Inverno, uma das principais festas celebradas no mundo antigo,
logo se transmutou na festa da Natividade do profeta Jesus Cristo,
aquele que veio estender a religião monoteísta do "povo eleito" a todo o Império Romano!
de onde o ciclo da natureza dos campos inertes durante o Inverno, — em protesto recorrente de Deméter por a filha ausente —, e fecundos no Verão, com o regresso de Perséfona!
Então, Apolo terá intermediado um acordo entre Deméter, Plutão e Júpiter de modo a que, durante seis meses por ano, Perséfona ficava nas profundezas subterrâneas com Plutão, e os outros seis meses regressava ao convívio da mãe Deméter!
Mas, Júpiter não tinha poder de contrariar nenhum dos Doze — em que se incluía Deméter. Assim, toda a Terra foi levada ao desastre e os homens pereciam de fome.
O mito de Perséfona e Deméter está ligado ao solstício de Inverno.
Diz-se que Deméter ao regressar à gruta, perante a filha desaparecida — raptada por um dos doze Deuses do Olimpo, Plutão — ameaçou Júpiter de não mais dispensar os seus cuidados à agricultura!