dezembro 20, 2009



Gracias a tu cuerpo hoy
Por haberme esperado
Tuve que perderme pa'
llegar hasta tu lado

Gracias a tus brazos hoy
Por haberme alcanzado
Tuve que alejarme pa'
llegar hasta tu lado

Gracias a tus manos hoy
Por haberme aguantado
Tuve que quemarme
Pa'llegar hasta tu lado

os mistérios de eleusis vii



Os pequenos mistérios celebravam-se todos os anos
em Fevereiro, num burgo vizinho de Eleusis.

Os aspirantes eram recebidos por
um padre assimilado a Hermes.

Este era o guia, o mediador,
o intérprete dos mistérios.

dezembro 19, 2009

os mistérios de eleusis vi



A história de Psiqué-Perséfona
era para cada alma uma revelação surpreendente.

A vida explicava-se como uma expiação ou uma prova.

Aquém e além do seu presente terrestre, o homem
descobria um passado e um futuro divinos.

dezembro 18, 2009

os mistérios de eleusis v



No seu íntimo, o mito é a representação simbólica
da história da alma, a sua descida ao mundo material,
os sofrimentos nas trevas do esquecimento, depois
a sua reascensão e regresso à vida divina:
o drama da queda e redenção
na forma helénica.

dezembro 17, 2009

os mistérios de eleusis iv



O mito de Céres e sua filha Proserpina
forma o núcleo do culto de Eleusis.

Toda a iniciação roda e desenvolve-se
em volta do círculo luminoso.

dezembro 16, 2009

os mistérios de eleusis iii



Os padres de Eleusis ensinaram sempre a grande doutrina
esotérica que lhes viera do Egipto. Mas, no decurso
das idades revestiram-na do encanto de uma
mitologia plástica e fascinante.

Por uma arte subtil e profunda, esses sedutores
souberam servir-se das paixões terrestres
para exprimir as ideias celestes.

dezembro 15, 2009

os mistérios de eleusis ii



Se o povo reverenciava em Céres a terra mãe
e a deusa da agricultura, os iniciados
viam-na como a luz celeste, mãe das almas,
e a inteligência divina, mãe dos Deuses cósmicos.

O seu culto era servido por sacerdotes da Ática.


Diziam-se filhos da Lua, quer dizer,
mediadores entre a Terra e o Céu,
oriundos da esfera onde
se encontra a ponte

pela qual as almas descem e sobem.

dezembro 14, 2009

os mistérios de eleusis i

Porque aí vem mais um Natal
e um Solstício de Inverno
vou recontar e registar
neste blog

a bela estória
de Deméter e Perséfona,
um dos mitos natalícios
dos Mistérios de Elêusis




Os mistérios de Eleusis foram, na antiguidade grega e latina,
objecto de uma veneração especial. Em tempos imemoriais,
uma colónia grega vinda do Egipto trouxe à tranquila baía
de Eleusis o culto da grande Ísis sob o nome de Deméter
ou a mãe universal.

Desde então Eleusis conservou-se um centro de iniciação.
Deméter e sua filha Perséfona presidiam aos grandes mistérios.

dezembro 13, 2009



Nunca pensei assistir na vida
a um concerto de José Cid!
Não é que o ache mau cantor
e compositor: não acho; e

orgulho-me que ele contrarie,
com a sua criatividade
e talento, esse predomínio
asfixiante da música anglo-
-saxónica: é com produtores
como José Cid que se contribui
para substituir importações!

O facto é que nunca me moveria
a ir a ouvi-lo, salvo a circunstância
inesperada de ter sido convidado
para acompanhar duas senhoras,
todos nós, elas, eu e o Cid cantor,
todos da mesma idade e geração.

Gostei de ver que o artista
tem o seu auditório fiel;
é um prazer ver o prazer
das pessoas, felizes com o seu
ídolo! :) Uma coisa, porém,
é deplorável: o volume imbecil
das colunas de som! Para quando
a Asae dos espectáculos musicais!?

:)

dezembro 11, 2009



«Não tenho sentimento nenhum político ou social.
Tenho, porém, num sentido, um alto sentimento patriótico.
Minha pátria é a língua portuguesa.

Nada me pesaria que invadissem ou tomassem Portugal,
desde que não me incomodassem pessoalmente.

Mas odeio, com ódio verdadeiro, com o único ódio que sinto,
não quem escreve mal português, não quem não sabe sintaxe,
não quem escreve com ortografia simplificada,

mas a página mal escrita, como pessoa própria,
a sintaxe errada, como gente em que se bata,
a ortografia sem ípsilon, como o escarro directo
que me enoja independentemente de quem o cuspisse.

Sim, porque a ortografia também é gente.
A palavra é completa vista e ouvida.

E a gala da transliteração greco-romana
veste-ma do seu vero manto régio,
pelo qual é senhora e rainha.»


Bernardo Soares, Livro do Desassossego,
Assírio & Alvim, ed. Richard Zenith,
Lisboa 1998, #259.

dezembro 10, 2009



Coração! Esquecê-lo-emos!
Tu e eu – esta noite!
Tu poderás esquecer o calor que nos deu –
Eu esquecerei a luz!

Quando o tiveres feito, peço-te que me digas
Para que eu possa recomeçar!
Apressa-te! Senão, enquanto te demoras
Lembrá-lo-ei!

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Heart! We will forget him!
You and I – tonight!
You may forget the warmth he gave –
I will forget the light!

When you have done, pray tell me
That I may straight begin!
Haste! Lest while you're lagging
I remember him!


Emily Dickinson (1830-86), Poemas
Trad. Nuno Júdice, Ed. Cotovia, Lisboa, 2000

dezembro 09, 2009



Pois meus olhos não deixam de chorar
Tristezas que não cansam de cansar-me
Pois não abranda o fogo em que abrasar-me
Pode quem eu jamais pude abrandar
Não canse o cego amor de me guiar
A parte donde não saiba tornar-me
Nem deixe o mundo todo de escutar-me
Enquanto me a voz fraca não deixar
E se em montes, em rios, ou em vales
Piedade mora ou dentro mora amor
Em feras, aves, plantas, pedras, águas
Ouçam a longa história de meus males
E curem sua dor com minha dor
Que grandes mágoas podem curar mágoas


Ana Moura canta Camões

dezembro 08, 2009



Eu amo o amor.
O amor é vermelho.
O ciúme é verde.
Meus olhos são verdes.
Mas são verdes tão escuros que na fotografia saem negros.
Meu segredo é ter os olhos verdes e ninguém saber.


Clarice Lispector, Onde estiveste de noite,
Relógio d'Água, s/d, p. 72

dezembro 07, 2009



Toda a beleza sente-se no ventre,
mesmo a que a janela traz aos olhos
ou os instrumentos de som deixam no ouvido.
Tudo o que a mão palpa, com doçura ou ardor,
tudo o que nos comove ou nos exalta
ata-nos no ventre um nó dentro do corpo.


(fiama hasse pais brandão)

dezembro 06, 2009


Denis, M., La dormeuse ou jeune fille endormie (1892)
imagem in Branco no Branco

«O silêncio brilha acariciado.»

Eugénio de Andrade,
As nascentes da ternura,
in "Ostinato Rigore"

dezembro 05, 2009

Na pré-adolescência
do tempo de Salazar,


Sabe-se lá,
Frederico Valério,
Silva Tavares,
Amália Rodrigues



Lá porque ando em baixo agora
Não me neguem vossa estima
Que os alcatruzes da nora
Quando chora
Não andam sempre por cima
Rir da gente ninguém pode
Se o azar nos amofina
E se Deus não nos acode
Não há roda que mais rode
Do que a roda da má sina.

Sabe-se lá
Quando a sorte é boa ou má
Sabe-se lá
Amanhã o que virá
Breve desfaz - se
Uma vida honrada e boa
Ninguém sabe, quando nasce
Pró que nasce uma pessoa.

O preciso é ser-se forte
Ser-se forte e não ter medo
Eis porque às vezes a sorte
Como a morte
Chega sempre tarde ou cedo
Ninguém foge ao seu destino
Nem para o que está guardado
Pois por um condão divino
Há quem nasça pequenino
Pr'a cumprir um grande fado.

dezembro 04, 2009


«Se tudo é cognoscível a quem está no reino
do conhecimento com as beatas palavras (felizes)
geradas no horizonte, a tarde esplêndida
acende como uma tocha a madrugada. Este silêncio
místico prepara a tábua rasa das comparações.»



(fiama hasse pais brandão)

dezembro 03, 2009

Gosto :):

dezembro 02, 2009

«Tive sempre uma repugnância física pelas coisas secretas
— intrigas, diplomacia, sociedades secretas, ocultismo.
Sobretudo me incomodaram sempre estas duas últimas coisas
— a pretensão, que têm certos homens, de que, por entendimentos
com Deuses ou Mestres ou Demiurgos, sabem — lá entre eles,
exclusos todos nós outros — os grandes segredos
que são os caboucos do mundo.

Não posso crer que isso seja assim.
Posso crer que alguém o julgue assim.
Por que não estará essa gente toda doida, ou iludida?
Por serem vários? Mas há alucinações colectivas.

O que sobretudo me impressiona,
nesses mestres e sabedores do invisível,
é que, quando escrevem para nos contar
ou sugerir os seus mistérios,
escrevem todos mal.

Ofende-me o entendimento
que um homem seja capaz de dominar o Diabo
e não seja capaz de dominar a língua portuguesa.

Por que há o comércio com os demónios
ser mais fácil que o comércio com a gramática?»

Bernardo Soares

dezembro 01, 2009


«Era uma vez uma ausência
que andava em missão de viagem.

Quando chegava a uma encruzilhada
dava três voltas sobre si própria
para perder por completo
a noção do caminho
por onde viera

atingindo assim com regularidade
as regiões efémeras do esquecimento.


Depois regressava a casa.»

:))

ana hatherly, 463 tisanas,
Quimera, 2006, #72