setembro 10, 2009

blogs a conhecer

primeiros escritos
grande joia
dias imperfeitos
direito e avesso
restolhando
pretérito-mais-que-perfeito
et alter
Só criando. — O que me custou e me custa ainda constantemente mais sofrimento, é dar-me conta de que é infinitamente mais importante conhecer o nome das coisas do que saber o que elas são. A sua reputação e o seu nome, o seu aspecto e a sua importância, a sua medida tradicional, o seu peso geralmente aceite — todas as qualificações que estiveram na origem dos frutos do erro e do capricho, na sua maior parte, roupagens que se lançaram sobre elas sem tomar a precaução de as adaptar à sua essência e nem sequer à sua cor de pele — tudo isso, à força de ser acreditado, de se transmitir, de se fortificar em cada nova geração, acabou por formar o seu corpo; a aparência primitiva acaba sempre por se tornar a essência e fazer o efeito da essência! Bem louco quem acreditasse que basta recordar essa origem e mostrar esse véu nebuloso da ilusão para destruir o mundo que passa por essencial, a que se chama «realidade»! Só criando o podemos aniquilar!... Mas não esqueçamos também isto: é que basta forjar nomes novos, novas apreciações e novas probabilidades para criar com o tempo também «coisas» novas.

(Gaia Ciência, Livro II, § 58)
No mesmo universo
em que D'eus observam
aquelas galáxias - tal como
existiam há vários milhões
de anos - ecoa no espaço
a música que a lua azul
nos sugere :)

Novas fotos do telescópio Hubble
recentemente reparado no espaço.


O que lembra uma borbeleta é na verdade um caldeirão de gases


A galáxia NGC 6217 foi fotografada entre 13 de junho e 8 de julho



A omega Centaury é uma variedade colorida de 10 milhões de estrelas

Imagens in O Correio da Bahia

setembro 09, 2009

Aos Realistas. — Ó seres frios que vos sentis tão couraçados contra a paixão e a quimera e que tanto gostaríeis de fazer da vossa doutrina um adorno e um objecto de orgulho, dais-vos o nome de realistas e dais a entender que o mundo é verdadeiramente tal como vos aparece; que sois os únicos a ver a verdade isenta de véus e que sois vós talvez a melhor parte dessa verdade ... ó queridas imagens de Sais! Mas não sereis ainda vós próprios, mesmo no vosso estado mais despojado, seres supremamente obscuros e apaixonados se vos compararmos aos peixes? ( ) Vede esta montanha, este mago. O que haverá de «real» neles? Experimentai tirar-lhes as nossas fantasmagorias, aquilo que os homens lhes acrescentaram, homens positivos! Ah se fôsseis capazes disso! Se pudésseis esquecer a vossa origem, o vosso passado, as vossas escolas preparatórias, ... tudo o que há em vós de humano e de animal! Não há para nós nenhuma «realidade», — estamos longe de sermos tão estranhos uns para os outros como pensais, e a nossa boa vontade em ultrapassar a embriaguês é talvez tão respeitável como a crença que tendes de serdes incapazes de qualquer embriaguês.

(Gaia Ciência, Livro II, § 57)

setembro 08, 2009


Envaidecido, agradeço ao blog Catharsis
o prémio 'viciante' que me atribuiu.

As regras dizem que devo observar os seguintes pontos:

1. Mencionar três compromissos para o futuro
Assumo estes:

i) Mostrar o pensamento poético de maria gabriela llansol
e clarice lispector assim como a bela poesia
de fiama hasse pais brandão;

ii) Visitar e procurar conhecer outros e mais variados
blogs, designadamente os premiados

pelo Lemniscata e pelo "Viciante"

iii) Evitar 'viciar-me' seja na biosfera,
na blogosfera ou na noosfera!

2. Indicar 10 blogues viciantes
Não posso por enquanto, porque tenho primeiro
de cumprir o compromisso ii) e, eventualmente
incumprir o iii)!


Impacto de um cometa de 1 km de comprimento
no planeta Júpiter, segundo imagem do telescópio
espacial Hubble, e primeiro notado em 19 de Julho
de 2009 por um astrónomo amador. Vide notícia.


Que fina percepção do Porto,
a de Agostinho da Silva,

«uma ilha rodeada por Portugal» :))

Rui Moreira, op. cit., p.80

setembro 06, 2009


"Se na nossa cidade há muito quem troque o B por V,
há muito pouco quem troque a liberdade pela servidão."

Almeida Garrett, (cit. p.29, op. supra)

setembro 05, 2009


A ti eu dei asas, com as quais sobrevoarás
o mar ilimitado e toda a terra, elevando-te
facilmente. Que estejas nos banquetes e nas cerimônias
todas, repousando nas bocas de muitos
e, com flautinhas de som agudo, amáveis jovens
juntos cantarão ordenadamente coisas belas e harmoniosas
a teu respeito. E quando, sob as entranhas escuras da terra,
tu fores para as moradas multilamentosas do Hades,
nunca, nem estando morto, perderás tua glória, mas sempre
tu importarás aos homens tendo nome imperecível.
Ó Kyrnos, vagando pela terra da Hélade e por suas ilhas,
cruzando por sobre o piscoso mar estéril,
não tendo-te sentado nos dorsos dos cavalos, por certo os dons
esplêndidos das Musas de coroas de violetas te enviarão.
Para todos quantos o canto importa e para os que virão a existir,
tu existirás da mesma forma, enquanto existirem terra e sol.
No entanto, eu não obtenho nem um pouco de respeito de ti,
mas como a uma pequena criança tu me enganas com palavras.

Teógnis de Mégara (séc.VI a.c.), fr. 237-254 A

setembro 04, 2009

As palavras são as imagens das palavras

TÁBUA DAS COMPARAÇÕES
(continuação e fecho)


Pintura de Gustav Klimt

Uma longa sucessão de cantos para alcançar
.........................................a convicção
e a exorbitância. As palavras são as imagens
das palavras. O texto não é mais eterno
.........................................do que o contexto.
Uma álea de cimento, uma figura nova
.....................................entre as áleas de terra.

Depois da estrofe banho-me de sol assim como
teogonis bebia pelo seu escudo. Desde há muitos séculos
.........................................................o Ocidente
está obcecado pelo sentido do indivíduo
.........................................e o da solidão.
Uiva, em intenção do meu nome, o mastim, que eu
como parte integrante do meu ser observo
...........................................na iluminura.




:)

setembro 03, 2009

Quando o céu está vermelho

Foi clAud,
uma forista dos idos de 2000,
que me mostrou e deu a conhecer
fiama hasse pais brandão. O poema
inicial que me encantou
foi a sua TÁBUA DAS COMPARAÇÕES :))




Quando o céu está vermelho comparo-o,
e embora o fogo ainda esteja próximo
da semiologia da fosforescência eu distancio-o
com a frase divinatória: amanhã a alva
há-de romper de sangue. Pela separação semântica

coloco o tom sanguíneo à distância
sobre uma árvore calva. Nos seus ramos
o pardal acumula também a premonição
da noite, consente que na elipse do horizonte
a grande mancha seja comparada a um sinal
ignoto que engendra os sinais.

Se tudo é cognoscível a quem está no reino
do conhecimento com as beatas palavras (felizes)
geradas no horizonte, a tarde esplêndida
acende como uma tocha a madrugada. Este silêncio
místico prepara a
tábua rasa das comparações.

:))

agosto 29, 2009

Tudo o que vivêramos

A casa de família
de Fiama, em Carcavelos





Urbanização

Tudo o que vivêramos
um dia fundiu-se com o que estava
a ser vivido.
Não na memória
mas no puro espaço
dos cinco sentidos.
Havíamos estado no mundo, raso,
um campo vazio de tojo seco.

Depois, alguém
urbanizou o vazio,
e havia casas e habitantes
sobre o tojo. E eu,
que estivera sempre presente,
vi a dupla configuração de um campo,
ou a sós em silêncio
ou narrando esse meu ver.


Fiama Hasse Pais Brandão
As Fábulas, 2002

agosto 24, 2009

esperanças são discursos


Esperanças renovadas - óleo sobre tela 100X80cm

«esperanças são discursos
que cada um faz a si próprio
e imagens que se pintam em nós.»


Platão, Filebo, xxiv

agosto 23, 2009

Princesa Elizabeth de Boémia


Princesa Elizabeth da Boémia (1618-1680)


Sereníssima Princesa,

O mais importante fruto que colhi dos escritos que até agora

publiquei foi o facto de Vos terdes dignado lê-los e, por esse
motivo, me terdes admitido no Vosso conhecimento, o que
me deu ocasião de conhecer os Vossos dotes, que são tais
que considero ser um serviço à humanidade propô-los
como exemplo aos séculos vindouros.

Não faria sentido que eu adulasse ou afirmasse algo não

suficientemente examinado (...); e sei que será mais grato
à Vossa generosa modéstia o juízo não afectado e simples
de um Filósofo do que os louvores adornados de homens
lisonjeiros. (...)

É evidente que este sumo cuidado [o da vontade firme e

constante de nada omitir (do que conduza) ao conhecimento
do que é recto e de fazer tudo aquilo que julgar recto] existe
em Vossa Alteza, pois nem as distracções da corte, nem a
educação habitual que costuma condenar as raparigas
à ignorância puderam impedir que investigásseis todas
as boas artes e ciências. Além disso, a grande e incomparável
perspicácia do Vosso espírito manifesta-se também no facto
de terdes inspeccionado profundamente todos os segredos
destas ciências e de em pouco tempo os terdes conhecido
em pormenor. (...)

E quando observo que esse conhecimento tão diversificado

e perfeito de todas as coisas não existe em algum sábio mestre
já idoso que tenha dedicado muitos anos a meditar, mas sim
numa jovem Princesa, que pela forma e pela idade mais faz
lembrar uma das Graças do que a penetrante Minerva ou
alguma das Musas, não posso deixar de ser tomado pela
mais elevada admiração.

Por fim, verifico que não há nada que se requeira para

a absoluta e sublime sabedoria, tanto da parte da vontade
como da parte do conhecimento, que não brilhe nos
Vossos costumes. Pois aparece neles a benignidade
e a mansidão associadas a uma certa singular
majestade, ferida por contínuas injúrias da sorte,

mas nunca perturbada nem quebrada.

E esta sabedoria que em Vós observo de tal modo

de mim exige veneração, que não só considero
que devo dedicar-lhe e consagrar-lhe esta minha
Filosofia (pois ela própria mais não é do que o estudo
da sabedoria), como prefiro antes ser servidor
devotíssimo de Vossa Sereníssima Alteza
do que ser tido por filósofo.

...............................................................Descartes

agosto 19, 2009

Descartes

«Le plus profond c'est la peau»
Paul Valéry

«Mais pour procéder ici avec plus de franchise,
je ne dissimulerai point que je me persuade
qu’il n’y a rien autre chose par quoi nos sens
soient touchés, que cette seule superficie qui
est le terme des dimensions du corps qui
est senti ou aperçu par les sens.


Car c’est en la superficie seule
que se fait le contact, lequel est
si nécessaire pour le sentiment,
que j’estime que sans lui pas un
de nos sens pourrait être mû.»


(Descartes, Méditations métaphysiques,
"Quatrièmes réponses", AT, IX, 192)

agosto 18, 2009

E, com certeza, concluo rectamente


Imagem in Poéticas em Português

«Além disso, também a natureza me ensina que existem diversos corpos em volta do meu corpo, alguns dos quais devem ser procurados por mim, enquanto devo evitar outros. E, com certeza, concluo rectamente que do facto de sentir diversas espécies de cores, sons, odores, sabores, calor, dureza e coisa da mesma natureza, há nos corpos de que me chegam estas várias percepções dos sentidos diferenças correspondentes, embora talvez não semelhantes a elas. E, porque sucede que algumas daquelas percepções me são agradáveis, outras desagradáveis, é absolutamente certo que o meu corpo, ou melhor eu na totalidade, enquanto sou composto de corpo e espírito, posso ser afectado agradável e desagradávelmente pelos corpos circunjacentes.»

Descartes, Meditações sobre a filosofia primeira,
6ª Meditação [14]

agosto 17, 2009

Um relógio composto de rodas e pesos



«[...] Um relógio composto de rodas e pesos não observa menos cuidadosamente todas as leis da natureza quando é mal fabricado e não indica as horas certas do que quando satisfaz a todos os respeitos a intenção do artífice: analogamente, o mesmo se dá com o corpo do homem, se o considero como uma certa máquina equipada e composta de tal maneira, por ossos, nervos, músculos, veias, sangue e peles, que, mesmo que não existisse nela nenhum espírito, possuiria no entanto todos os movimentos que agora executa e não procedem do império da vontade e, por conseguinte, do espírito.»

Meditações sobre a filosofia primeira, 6ª Meditação [16]

E assim, ( ) senti que tinha uma cabeça, mãos, pés


Picasso, Mademoiselles d'Avignon

«E assim, em primeiro lugar, senti que tinha uma cabeça, mãos,
pés e os restantes membros de que consta aquele corpo
que eu considerava como parte de mim próprio
ou, possivelmente, como eu todo.

E senti que este corpo está entre muitos outros corpos,
pelos quais pode ser afectado de modo favorável ou desfavorável,
e eu media o favorável por um certo sentimento de prazer
e o desfavorável por um sentimento de dor.»


Meditações sobre a filosofia primeira,
6ª Meditação [6]

agosto 16, 2009

... de que pense um monte com vale não se conclui...


Mountain Valley
«Mas, [ ] ainda que na verdade eu não possa pensar um Deus
a não ser existente, nem um monte sem um vale, entretanto
como de que pense um monte com vale não se conclui,
com certeza, que existe no mundo algum monte
também não parece concluir-se que Deus existe,
pelo facto de eu pensar Deus como existente.

Com efeito, o meu pensamento não impõe necessidade
às coisas: assim como me é lícito imaginar um cavalo
alado, mesmo que nenhum cavalo tenha asas,talvez
eu também possa atribuir a existência a Deus,
embora não exista nenhum Deus.»
Descartes, Meditações sobre a filosofia primeira,
5ª Meditação [9]

agosto 15, 2009

concebo também inúmeras particularidades



[...] Além disso, se presto atenção, concebo também
inúmeras particularidades sobre as figuras, o número,
o movimento, e coisas semelhantes, cuja verdade
é tão clara e consentânea com a minha natureza
que, logo que as começo a descobrir, parece-me
que não aprendo qualquer coisa de novo,
mas que, ao contrário, me recordo
do que já anteriormente sabia
[...]

Descartes, 5ª Meditação[4]

agosto 14, 2009

Eu sou uma coisa que pensa



«Eu sou uma coisa que pensa, quer dizer,
que duvida, que afirma, que nega,
que conhece poucas coisas,
que ignora muitas,

que quer,
que não quer,

que também imagina,
e que sente.»

agosto 12, 2009

Sandra Costa



«Amar a ternura de um olhar
como se fossemos um pássaro e um peixe

e entre nós sobrasse o céu e o mar.»

Sandra Costa, Sobre a luz do mar,
Campo das Letras, Porto, 2002

Juliette Greco





Un petit poisson, un petit oiseau
S'aimaient d'amour tendre
Mais comment s'y prendre
Quand on est dans l'eau
Un petit poisson, un petit oiseau
S'aimaient d'amour tendre
Mais comment s'y prendre
Quand on est là-haut

Quand on est là-haut
Perdu aux creux des nuages
On regarde en bas pour voir
Son amour qui nage
Et l'on voudrait bien changer
Ses ailes en nageoires
Les arbres en plongeoir
Le ciel en baignoire

Un petit poisson, un petit oiseau
S'aimaient d'amour tendre
Mais comment s'y prendre
Quand on est là-haut
Un petit poisson, un petit oiseau
S'aimaient d'amour tendre
Mais comment s'y prendre
Quand on est dans l'eau

Quand on est dans l'eau
On veut que vienne l'orage
Qui apporterait du ciel
Bien plus qu'un message
Qui pourrait d'un coup
Changer au cours du voyage
Des plumes en écailles
Des ailes en chandail
Des algues en paille.

agosto 10, 2009

Zona Económica Exclusiva



Interessante, também, naquela entrevista
do Prof António Costa e Silva, o conceito
estratégico de Portugal como

"país-arquipélago"

com as potencialidades
que a sua Zona Económica Exclusiva,
dois milhões de quilómetros quadrados,
lhe proporciona para desenvolver
um cluster do mar.


E não se diga que o País
não tem futuro, porque
desde 1143 que Portugal
está p'ra acabar!

Matriz Energética



Há dias, o Prof. António Costa e Silva,
do IST, deu uma excelente e esperançosa

entrevista na SIC.Notícias no programa
"Negócios da Semana" de José Gomes Ferreira.

A matriz energética do futuro acentuará
a sobreposição da condição "produtor-consumidor";
a micro-geração de energia expandir-se-á; no limite,
idealmente, o próprio consumidor produziria a energia
que consome! :)). Por exemplo, os carros eléctricos
do futuro, porque não haveriam de ter tejadilho
com painel solar e ventoinha de produção
de energia eólica, do próprio vento
da deslocação automóvel,
carregando em contínuo
a bateria de lítio
de que até
há minas

em Portugal!?

:)

agosto 09, 2009

Offenbach



Le temps fuit et sans retour
Emporte nos tendresses,
Loin de cet heureux séjour
Le temps fuit sans retour.

Zéphyrs embrasés,
Versez-nous vos caresses,
Zéphyrs embrasés,
Donnez-nous vos baisers!
vos baisers! vos baisers! Ah!

Belle nuit, ô nuit d'amour,
Souris à nos ivresses,
Nuit plus douce que le jour,
Ô belle nuit d'amour!
Ah! Souris à nos ivresses!
Nuit d'amour, ô nuit d'amour!
Ah! ah! ah! ah! ah! ah! ah! ah! ah! ah!

Les contes d'Hoffmann
Jacques Offenbach

agosto 07, 2009

Maria del Mar Bonet

Outra bela canção
de Maria del Mar Bonet
indicada por eli:):




Cançión de la bruixa cremada

A Maria del Mar Bonet

Bruixa, que és de matinada, / Bruja, que es de mañana,
ja surten els muriacs / ja salen los murciélagos
que et fan nit a la finestra / que te velan la ventana
i t’enramen el portal. / y te enraman el portal

El portal t’enramen d’arços / El portal te enraman de espinos
i el balcó de tempestats. / y el balcón de tempestades.
Surt, la bruixa, a trenc de dia / Sale, la bruja, al apuntar el día
com una ombra al camí ral. / como una sombra en el camino real

Bruixa, arrenca’t de les trenes, / Bruja, arráncate de las trenzas,
que s’acosta el Sol botxí, / que se acerca el sol verdugo
amb el seu arc de sagetes / con su arco se flechas
mulladetes de verí. / mojaditas de veneno.

De la teva cabellera, / De tu cabellera
en farem coixí daurat / haremos cojín dorado
per als xiquets de la vila / para los mozos del pueblo
que la son els has robat. / a quien les robaste el sueño.

Bruixa, els teus ulls cremen massa: / Bruja, tus ojos queman demasiado:
per això els darem al foc. / por eso los prenderemos.
Cap fadrí darrere cendra / Ningún muchacho tras la ceniza
perdrà els passos ni la sort. / perderá ni pasos ni suerte.

Bruixa, plou sobre la vila. /Bruja, llueve en el pueblo.
Ja sols resta el teu vestit. / Sólo queda tu vestido.
A pleret la nit s’acosta / A sus anchas la noche se acerca
tota negra d’estalzim. / toda negra de tizne.


Maria Mercè Marçal Serra

agosto 04, 2009

Michel Onfray

Michel Onfray, a potência de existir
(«La puissance d'exister», 2006)
trad. José Luís Pérez
Campo da Comunicação, Lisboa, 2009


Li. Excelente manual hedonista que nos alerta contra as múltiplas atitudes nihilistas e alienantes que pululam em algumas doutrinas filosóficas. Nada objecto à posição de Onfray antes reconheço, como ele, a pura imanência de toda a sabedoria. Contudo, para lá da busca da felicidade, é legítimo acurar e acarinhar a grande curiosidade do ser humano em conhecer o real e perscrutar a matéria do mundo que "depois do fim e para lá do fim do homem e do indivíduo" visa enunciar os «grandes discursos» da representação do mundo.

agosto 03, 2009

Cristina Ali Farah



Cristina Ali Farah

No número 01 da revista “Próximo Futuro”
da Fundação Calouste Gulbenkian
encontrei um belo poema
da escritora ítalo-somali
Cristina Ali Farah

Ei-lo em versão trilingue

Espera, deixa-me atravessar o limiar de olhos fechados
a cadeira do rei está vazia, a luva mostra a investidura
o poder está desconexo
Vendas e desvendas, olhar oblíquo, ubíquo
Como é fácil, afinal, enganar à vista
(escondes o braço imputado)
Ser mestre dos confins do vazio

Cavei a terra com as mãos nuas procurando o segredo do que fica
de três mil virgens de terracota,
veias de água, ninhos e túmulos por baixo de camadas de areia e pele
Os meus dedos desenham fragmentos e espelhos,
cancelados na memória

Volto a subir as pulsações do tempo,
minha mãe, a mãe da minha mãe, matrioskas perfuradas
Dêem-me uma vela para que eu possa olhar dentro
E recompor o mapa do amor nos corpos desconsagrados


CRISTINA ALI FARAH
Tradução: Livia Apa

----------- // ------------

Wait, let me cross the threshold, my eyes closed,
the king’s chair is empty, the glove shows the investiture,
the power is disconnected
Veils and unveils, looking oblique, ubiquitous
How easy it is, after all, to deceive the sight
(you hide your imputed arm)
to be master of the confines of the void

I dug the earth with bare hands seeking the secret of what remains
of three thousand terracotta virgins,
veins of water, nests and tombs ’neath strata of sand and skin
My fingers draw fragments and mirrors,
cancelled from my memory

I reclimb the beats of time
My mother, my mother’s mother, perforated matryoshkas
Give me a candle so that I can I can look inside
And recompose the map of love in desecrated bodies


(Translation: John Elliott)

----------- // ------------

Espera, déjame trasponer el umbral con los ojos cerrados
El trono del rey está vacío, el guante muestra la investidura
el poder está desmembrado
Encubres y desvelas, mirada oblicua, ubicua
Es tan fácil, sin embargo, engañar a la vista
(escondes el brazo imputado)
amaestra los confines del vacío

He cavado la tierra con las manos desnudas buscando el secreto de lo que resta
de tres mil vírgenes de terracota,
venas de agua, nidos y tumbas bajo capas de arena y piel
Mis dedos dibujan fragmentos y espejos,
cancelados en la memoria

Vuelvo a subir las pulsaciones del tiempo,
mi madre, la madre de mi madre, matrioskas perforadas
Denme una vela para que pueda mirar dentro
Y recomponer el mapa del amor en los cuerpos desconsagrados


(Traducción: Alberto Piris Guerra)

agosto 02, 2009

fiama hasse pais brandão


Marie-Hélène, óleo sobre tela de Arpad Szenes, 1942

TERRAÇO

Por mais que vos olhe vos esqueço. Não sois
mais do que formas desordenadas. Riscos
díspares como peles de felinos.
Em cadeirões familiares distorcidos.


(fiama hasse pais brandão)

agosto 01, 2009


in Catharsis

haunt me
in my dreams
if you please
your breath is with me now and always
it's like a breeze

so should you ever doubt me
if it's help that you need
never dare to doubt me

and if you want to sleep
i'll be quiet
like an angel
as quiet as your soul could be
if you only knew
you had a friend like me

so should you ever doubt me
if it's help that you need
never dare to doubt me

julho 31, 2009



LISBON REVISITED
(1923)

Não: Não quero nada.
Já disse que não quero nada.

Não me venham com conclusões!
A única conclusão é morrer.

Não me tragam estéticas!
Não me falem em moral!
Tirem-me daqui a metafísica!
Não me apregoem sistemas completos, não me enfileirem
conquistas
Das ciências (das ciências, Deus meu, das ciências!) -
Das ciências, das artes, da civilização moderna!

Que mal fiz eu aos deuses todos?

Se têm a verdade, guardem-na!

Sou um técnico, mas tenho técnica só dentro da técnica.
Fora disso sou doido, com todo o direito a sê-lo.
Com todo o direito a sê-lo, ouviram?

Não me macem, por amor de Deus!

Queriam-me casado, fútil, quotidiano e tributável?
Queriam-me o contrário disto, o contrário de qualquer coisa?
Se eu fosse outra pessoa, fazia-lhes, a todos, a vontade.

Assim, como sou, tenham paciência!
Vão para o diabo sem mim,
Ou deixem-me ir sozinho para o diabo!
Para que havemos de ir juntos?

Não me peguem no braço!
Não gosto que me peguem no braço. Quero ser sozinho.
Já disse que sou sozinho!
Ah, que maçada quererem que eu seja da companhia!

O céu azul - o mesmo da minha infância -
Eterna verdade vazia e perfeita!
Ó macio Tejo ancestral e mudo,
Pequena verdade onde o céu se reflecte!
Ó mágoa revisitada, Lisboa de outrora de hoje!
Nada me dais, nada me tirais, nada sois que eu me sinta.

Deixem-me em paz! Não tardo, que eu nunca tardo...
E enquanto tarda o Abismo e o Silêncio quero estar sozinho!

julho 30, 2009

fiama hasse pais brandão


escultura de Francisco Simões

Ninguém tanto quanto Sócrates desprezou
a escrita, por falaz instrumento,
disse-nos. Porque nos faria esquecer
o mundo, memorizado até ao fascínio,
pelos olhos e pela fala. Mas eu amo-o,
porque no Fedro o seu pensamento
teve medo de perder a realidade,
se a muda mão duplicasse mesquinha
o esplendor dos dentes, da língua, do palato.
Se o silêncio, que sempre colocámos
por detrás das órbitas, se esvaziasse
dos sons e das figuras que o preenchem.


(fiama hasse pais brandão)

:))


Belíssimo poema!
Admirável advertência!

Que a escrita não nos faça «esquecer o mundo»,
nem a internet o esplendor dos sentidos.

julho 29, 2009

A propósito de Musil,
este excerto:

«- Porque não escreve um livro acerca das suas concepções?
- Mas como quer que eu escreva um livro?
Sou filho de uma mulher e não de um tinteiro!»

:)

in

julho 28, 2009

fiama hasse pais brandão

Gratificante, a memória desenrolada
por garrett, platão e sófocles



COM AS PERSONAGENS

Sei que as minhas palavras neste texto são as tuas, o que é literal
e simultaneamente simbólico. Assim o real é ambíguo.
Sei que a tua voz é o meu Rosto, o que é ambíguo
e acessoriamente irreal. No vale de santarém ~
as silhuetas comutavam com as viagens
na minha terra, e nesse estado de espírito
em que indo em um comboio
ele passava porém perante os meus olhos
porque eu, nele, convocara o meu primordial desejo de um comboio,
regressei contigo a um ponto fixo. Soluçamos de noite e eu revi
o que está condenado à minha morte desde o início.

Hémon, o amante de antígona, bate na pedra dura à superfície.
Nada abre a caverna do inverno sobretudo quando
é um domícilo, ou um regresso ao pensamento extinto
como o foi o exílio de antígona no subterrâneo.
Foi esse o acto político de creonte,
ou o acto filosófico de sófocles:
dar em figura a antígona o que não era a letra de platão.
Como se vê e não se vê. Que o não ver é regredir para o âmago,
não ser e não estar no vale de santarém, com as personagens.

(fiama hasse pais brandão)

julho 27, 2009

julho 26, 2009

fiama hasse pais brandão



Um só ramo me faria dizer
que a água está presente,
que na minha vida algures
há um quadrilátero em volta do reflexo.


(fiama hasse pais brandão)

julho 25, 2009



O Fado nasceu um dia,
quando o vento mal bulia
e o céu o mar prolongava
na amurada dum veleiro,
no peito dum marinheiro
que, estando triste, cantava,
que, estando triste, cantava.

Ai, que lindeza tamanha,
meu chão , meu monte, meu vale,
de folhas, flores, frutas de oiro,
vê se vês terras de Espanha,
areias de Portugal,
olhar ceguinho de choro.

Na boca dum marinheiro
do frágil barco veleiro,
morrendo a canção magoada,
diz o pungir dos desejos
do lábio a queimar de beijos
que beija o ar, e mais nada,
que beija o ar, e mais nada.

Mãe, adeus. Adeus, Maria.
Guarda bem no teu sentido
que aqui te faço uma jura:
que ou te levo à sacristia,
ou foi Deus que foi servido
dar-me no mar sepultura.

Ora eis que embora outro dia,
quando o vento nem bulia
e o céu o mar prolongava,
à proa de outro velero
velava outro marinheiro
que, estando triste, cantava,
que, estando triste, cantava.


José Régio

julho 24, 2009


«La vida es sueño y sueño de un sueño.» (Calderon)

julho 23, 2009

julho 22, 2009

Que diz a delicadeza?



«Que diz a delicadeza?
Diz ao outro que ele foi visto.
Logo, que ele
é

fiama hasse pais brandão

BAIRRO OU GALÁXIA?




Aquele espaço que se repartia
em estreitas ruas ocasionais
depois de o conhecermos
melhor do que os visitantes
e mais do que todas as personagens
era nosso. Sei que havia galáxias
semelhantes. Intensa atracção longínqua
que nos guiava desde o princípio
da vida em que pisávamos
com os pés o empedrado
dessas ruas fantasiosas
do bairro campestre e doméstico.


(fiama hasse pais brandão)

julho 21, 2009

Krugman



Interessante o gráfico de Krugman
sobre a comparação da crise
com e sem intervenção
do Estado no apoio
ao investimento
e ao consumo.

A diferença é explicada aqui,
no blog "O valor das ideias".

Mas continuo perplexo com a incompletude
de análise económico-política
que abstraia da notável
percepção que a queda
da produção traduz
bens e serviços
que ninguém
quer


porque não servem para nada!



Sair da situação de desemprego, sub-emprego,
emprego desqualificado, passa substancialmente
por afectar recursos a produções e a serviços
com interesse, obviamente desejados e procurados.

Por isso, choca-me não conseguir distinguir
se as iniciatvas do plano tecnológico,
da produção de energia renovável,
e da informatização em massa
são deveras impulsionadoras
de desenvolvimento
ou mera propaganda
partidária!

...

Teresa Cardoso Menezes

julho 20, 2009


Tamara de Lempicka

O IMPORTANTE

Quando te procurei
Estaria por acaso a verdade à minha espera?
O amor ocorre num espaço flutuante
Num exíguo lugar-nenhum
E o sonho é matéria incerta
Mestre na arte da fuga


Ana Hatherly, A neo-Penélope,
&etc, Lisboa, 2007

julho 19, 2009

La Liberté des Mers

Écoutez La Liberté des Mers
par Gérard Pierron (Cliquez l'image)
(CD selecionado por Nuno Rogeiro no programa "Sociedade das Nações")
Tony Bennett, It Had To Be You

It had to be you
It had to be you
I wandered around
And finally found
Somebody who
Could make me be true
Could make me be blue.
Or even be glad
Just to be sad
Thinking of you.

Some others I've seen,
Might never mean.
Might never be cross,
Or try to be boss,
But they wouldn't do.
For nobody else gave me a thrill,
With all your faults I love you still.
It had to be you, wonderful you,
It had to be you.

julho 18, 2009

fiama hasse pais brandão



Cheira a alfazema, gardénias, lírios,
neste jardim em que por momentos estaremos,
e os aromas embebem-se-nos no corpo
como se fôssemos cegos amantes que o ventre
impelisse uns para os outros.


(fiama hasse pais brandão)

julho 17, 2009

Vivaldi, L'inverno (RV 297)

Requiem por mim

Aproxima-se o fim.
E tenho pena de acabar assim.
Em vez de natureza consumada,
Ruína humana.
Inválido do corpo
E tolhido da alma.
Morto em todos os orgãos e sentidos.
Longo foi o caminho e desmedidos
Os sonhos que nele tive.
Mas ninguém vive
Contra as leis do destino.
E o destino não quis
Que eu me cumprisse como porfiei,
E caisse de pé, num desafio.
Rio feliz a ir de encontro ao mar
Desaguar,
E, em largo oceano, eternizar
O seu esplendor torrencial de rio.


Miguel Torga, Diário XVI

julho 16, 2009



The shadow of your smile
When you are gone
Will color all my dreams
And light the dawn
Look into my eyes, my love, and see
All the lovely things you are to me
A wistful little star
Was far too high
A tear drop kissed your lips and so did I
Now when I remember spring
All the joy that love can bring
I will be remembering
The shadow of your smile
Now when I remember spring
All the love that joy can bring
I will be remembering
The shadow of your smile...


Written by P.F.Webster & J.Mandel

julho 14, 2009


Tomb of Omar Khayyam


QUEM FOI OMAR KHAYYAM?

Viveu na Pérsia de 1048 a 1123. Homem de grande cultura e sabedoria: matemático, geómetra, astrónomo e poeta. Foi discípulo de Avicena. Na juventude, escreveu tratados de geometria e álgebra, resolvendo equações de 3º grau.

Conta-se que na sua juventude três companheiros de escola: Nizam Al-Mulk, Hassan Ibn Sabbah e Omar Khayyam fizeram um pacto: o que obtivesse primeiro uma posição de relevo ajudaria os outros. Nizam destacou-se primeiro, como secretário do sultão Alp Arslan. Cumpriu o pacto; deu a Hassan um posto administrativo e atendeu o desejo de Omar: uma pensão vitalícia que lhe permitisse estudar, escrever e levar uma vida sossegada num jardim de delícias terrenas…

Obtida a pensão Omar Khayyam «retira-se para a cidade natal e dedica-se à astronomia, à matemática, à filosofia, à poesia e à amizade, quer dizer ao ócio, tal como Aristóteles entendia a «diagogé»-«ocupação e gozo intelectual e estético como compete ao homem livre».

Mas, Hassan não ficou satisfeito com 'a pouca categoria do cargo' que Nizan lhe deu e rebelou-se, refugiando-se nas montanhas onde desenvolveu uma luta «terrorista» contra as autoridades, originando a terrível seita dos «HASSASSIN» - de onde provém a palavra ocidenta «assassino», dada a técnica do atentado mortal por eles seguida.

Nizam morre assassinado. Os inimigos religiosos de Omar Khayyam sempre o quiseram comprometer como herege e não respeitador dos dogmas da religião muçulmana, tentando ligá-lo a episódios comprometedores.

Na Pérsia Islâmica havia três religiões: o Judaísmo, o Cristianismo e o Zoroastrismo. A cultura de Omar era tocada de todas estas influências a que se sobrepunha uma segura base racional e crítica de origem grega, obtida nos ensinamentos do seu mestre Avicena. Tal cultura torná-lo-ia herético, mas não menos Persa.

A fama ocidental de Omar Khayyam como poeta do vinho é redutora do significado filosófico da sua posição quer como cientista quer como poeta. A sua inquietação poética provém de uma verificação irrecusável: a brevidade da vida humana e a ausência de respostas às perguntas que formula. Daí a valorização de tudo o que possa atenuar o sofrimento ou produzir o prazer. A poesia de Omar Khayyam deve ser lida numa perspectiva em que viver e filosofar têm um só sentido: obter a perenidade do momento que passa:

«Jamais desejei o manto do engano
Mas roubaria por um copo de vinho»


[ Transcrição livre do prefácio de E.M. de Melo e Castro, Rubaiyat, ed. Estampa,1990]
A propósito dos 220 anos
do 14 Juillet,
três hinos


Hino da França (La Marseillaise)



1
Avante, filhos da Pátria,
O dia da Glória chegou.
O estandarte ensangüentado da tirania
Contra nós se levanta.
Ouvis nos campos rugirem
Esses ferozes soldados?
Vêm eles até nós
Degolar nossos filhos, nossas mulheres.
Às armas cidadãos!
Formai vossos batalhões!
Marchemos, marchemos!
Nossa terra do sangue impuro se saciará!

2
O que deseja essa horda de escravos
de traidores, de reis conjurados?
Para quem (são) esses ignóbeis entraves
Esses grilhões há muito tempo preparados? (bis)
Franceses! Para vocês, ah! Que ultraje!
Que élan deve ele suscitar!
Somos nós que se ousa criticar
Sobre voltar à antiga escravidão!

3
Que! Essas multidões estrangeiras
Fariam a lei em nossos lares!
Que! As falanges mercenárias
Arrasariam nossos fiéis guerreiros (bis)
Grande Deus! Por mãos acorrentadas
Nossas frontes sob o jugo se curvariam
E déspotas vis tornar-se-iam
Mestres de nossos destinos!

4
Estremeçam, tiranos! E vocês pérfidos,
Injúria de todos os partidos,
Tremei! Seus projetos parricidas
Vão enfim receber seu preço! (bis)
Somos todos soldados para combatê-los,
Se nossos jovens heróis caem,
A França outros produz
Contra vocês, totalmente prontos para combatê-los!

5
Franceses, em guerreiros magnânimos,
Levem/ carreguem ou suspendam seus tiros!
Poupem essas tristes vítimas,
que contra vocês se armam a contragosto. (bis)
Mas esses déspotas sanguinários
Mas esses cúmplices de Bouillé,
Todos esses tigres que, sem piedade,
Rasgam o seio de suas mães!...

6
Entraremos na batalha
Quando nossos antecessores não mais lá estarão.
Lá encontraremos suas marcas
E o traço de suas virtudes. (bis)
Bem menos ciumentos de suas sepulturas
Teremos o sublime orgulho
De vingá-los ou de segui-los.

7
Amor Sagrado pela Pátria
Conduza, sustente nossos braços vingativos.
Liberdade, querida liberdade
Combata com teus defensores!
Sob nossas bandeiras, que a vitória
Chegue logo às tuas vozes viris!
Que teus inimigos agonizantes
Vejam teu triunfo e nossa glória

Allons enfants de la Patrie,
Le jour de gloire est arrivé
Contre nous de la tyrannie
L'étendard sanglant est levé.
L'étendard sanglant est levé:
Entendez-vous dans les campagnes
Mugir ces féroces soldats!
Ils viennent jusque dans vos bras
Égorger vos fils et vos compagnes.
Aux armes citoyens,
Formez vos bataillons.
Marchons! Marchons!
Qu'un sang impur
Abreuve nos sillons
Que veut cette horde d'esclaves
De traîtres, de rois conjurés?
Pour qui ces ignobles entraves
Ces fers dès longtemps préparés
Ces fers dès longtemps préparés
Français, pour nous, Ah quel outrage
Quel transport il doit exciter!
C'est nous qu'on ose méditer
De rendre à l'antique esclavage
Quoi! Des cohortes étrangères
Feraient la loi dans nos foyers!
Quoi! Ces phalanges mercenaires
Terrasseraient nos fiers guerriers.
Terrasseraient nos fiers guerriers.
Grand Dieu! Par des mains enchaînées
Nos fronts, sous le joug, se ploieraient.
De vils despotes deviendraient
Les maîtres de nos destinées
Tremblez tyrans, et vous perfides
L'opprobe de tous les partis.
Tremblez, vos projets parricides
Vont enfin recevoir leur prix!
Vont enfin recevoir leur prix!
Tout est soldat pour vous combattre.
S'ils tombent nos jeunes héros,
La terre en produit de nouveaux
Contre vous, tous prêts à se battre
Français en guerriers magnanimes
Portez ou retenez vos coups.
Épargnez ces tristes victimes
A regrets s'armant contre nous!
A regrets s'armant contre nous!
Mais ce despote sanguinaire
Mais les complices de Bouillé
Tous les tigres qui sans pitié
Déchirent le sein de leur mère!
Amour Sacré de la Patrie
Conduis, soutiens nos braves vengeurs.
Liberté, Liberté chérie
Combats avec tes défenseurs
Combats avec tes défenseurs
Sous nos drapeaux, que la victoire
Accoure à tes mâles accents
Que tes ennemis expirants
Voient ton triomphe et nous, notre gloire
(« Couplet des enfants »)
Nous entrerons dans la carrière
Quand nos aînés n'y seront plus
Nous y trouverons leur poussière
Et la trace de leur vertus!
Et la trace de leur vertus!
Bien moins jaloux de leur survivre
Que de partager leur cercueil.
Nous aurons le sublime orgueil
De les venger ou de les suivre
Aux armes citoyens,
Formez vos bataillons.
Marchons! Marchons!
Qu'un sang impur
Abreuve nos sillons


A Internacional



De pé, ó vitimas da fome!
De pé, famélicos da terra!
Da idéia a chama já consome
A crosta bruta que a soterra.
Cortai o mal bem pelo fundo!
De pé, de pé, não mais senhores!
Se nada somos neste mundo,
Sejamos tudo, oh produtores!

Bem unido façamos,
Nesta luta final,
Uma terra sem amos
A Internacional

Senhores, patrões, chefes supremos,
Nada esperamos de nenhum!
Sejamos nós que conquistemos
A terra mãe livre e comum!
Para não ter protestos vãos,
Para sair desse antro estreito,
Façamos nós por nossas mãos
Tudo o que a nós diz respeito!

Bem unido façamos,
Nesta luta final,
Uma terra sem amos
A Internacional

Crime de rico a lei cobre,
O Estado esmaga o oprimido.
Não há direitos para o pobre,
Ao rico tudo é permitido.
À opressão não mais sujeitos!
Somos iguais todos os seres.
Não mais deveres sem direitos,
Não mais direitos sem deveres!

Bem unido façamos,
Nesta luta final,
Uma terra sem amos
A Internacional

Abomináveis na grandeza,
Os reis da mina e da fornalha
Edificaram a riqueza
Sobre o suor de quem trabalha!
Todo o produto de quem sua
A corja rica o recolheu.
Querendo que ela o restitua,
O povo só quer o que é seu!

Bem unido façamos,
Nesta luta final,
Uma terra sem amos
A Internacional

Nós fomos de fumo embriagados,
Paz entre nós, guerra aos senhores!
Façamos greve de soldados!
Somos irmãos, trabalhadores!
Se a raça vil, cheia de galas,
Nos quer à força canibais,
Logo verá que as nossas balas
São para os nossos generais!

Bem unido façamos,
Nesta luta final,
Uma terra sem amos
A Internacional

Pois somos do povo os ativos
Trabalhador forte e fecundo.
Pertence a Terra aos produtivos;
Ó parasitas deixai o mundo
Ó parasitas que te nutres
Do nosso sangue a gotejar,
Se nos faltarem os abutres
Não deixa o sol de fulgurar!

Bem unido façamos,
Nesta luta final,
Uma terra sem amos
A Internacional



Debout , les damnés de la terre
Debout , les forçats de la faim
La raison tonne en son cratère ,
C'est l'éruption de la faim.
Du passé faisons table rase ,
Foule esclave , debout , debout
Le monde va changer de base ,
Nous ne sommes rien , soyons tout.
C'est la lutte finale ;
Groupons nous et demain
L'Internationnale
Sera le genre humain.
Il n'est pas de sauveurs suprêmes
Ni Dieu , ni César , ni Tribun ,
Producteurs , sauvons-nous nous-mêmes
Décrètons le salut commun .
Pour que le voleur rende gorge ,
Pour tirer l'esprit du cachot ,
Souflons nous-même notre force ,
Battons du fer tant qu'il est chaud.
L'Etat comprime et la Loi triche ,
L'impôt saigne le malheureux ;
Nul devoir ne s'impose au riche ;
Le droit du pauvre est un mot creux
C'est assez languir en tutelle ,
L'Egalité veut d'autres lois ;
" Pas de droits sans devoirs , dit-elle
Egaux pas de devoirs sans droits ".
Hideux dans leur apothéose ,
Les rois de la mine et du rail
Ont-ils jamais fait autre chose
Que dévaliser le travail ?
Dans les coffres-forts de la banque
Ce qu'il a crée s'est fondu ,
En décrétant qu'on le lui rende ,
Le peuple ne veut que son dû.
Les rois nous saoûlaient de fumée ,
Paix entre nous , guerre aux Tyrans
Appliquons la grève aux armées ,
Crosse en l'air et rompons les rangs !
S'ils s'obstinent ces cannibales
A faire de nous des héros ,
Ils sauront bientôt que nos balles
Sont pour nos propres généraux.
Ouvriers , paysans , nous sommes
Le grand parti des travailleurs ,
La terre n'appartient qu'aux hommes,
L'oisif ira loger ailleurs .
Combien de nos chairs se repaissent !
Mais si les corbeaux , les vautours ,
Un de ces matins disparaissent ,
Le soleil brillera toujours.


A Portuguesa


Heróis do mar, nobre povo,
Nação valente, imortal,
Levantai hoje de novo
O esplendor de Portugal!
Entre as brumas da memória,
Ó Pátria sente-se a voz
Dos teus egrégios avós,
Que há-de guiar-te à vitória!

Às armas, às armas!
Sobre a terra, sobre o mar,
Às armas, às armas!
Pela Pátria lutar
Contra os canhões marchar, marchar!

Desfralda a invicta Bandeira,
À luz viva do teu céu!
Brade a Europa à terra inteira:
Portugal não pereceu
Beija o solo teu jucundo
O Oceano, a rugir d'amor,
E teu braço vencedor
Deu mundos novos ao Mundo!

Às armas, às armas!
Sobre a terra, sobre o mar,
Às armas, às armas!
Pela Pátria lutar
Contra os canhões marchar, marchar!

Saudai o Sol que desponta
Sobre um ridente porvir,
Seja o eco de uma afronta
O sinal do ressurgir.
Raios dessa aurora forte
São como beijos de mãe,
Que nos guardam, nos sustêm,
Contra as injúrias da sorte.

Às armas, às armas!
Sobre a terra, sobre o mar,
Às armas, às armas!
Pela Pátria lutar
Contra os canhões marchar, marchar!

julho 13, 2009


Imagem in blog Lazuli

Escuta o que a Sabedoria
Está dizer-te o dia inteiro:
“Nada tens de comum com as plantas,
Que rebrotam quando podadas.”
Nenhum proveito trouxe ao Universo o meu
Nascimento.
Não o mudará na imensidade
Nem no esplendor a minha morte.
Quem me explica
Porque vim a este mundo e hei-de um dia ir-me embora?

Omar Khayyam, Rubaiyat

julho 12, 2009



Gota de água que cai e se perde no mar,
Grão de poeira que se funde na terra.
O que significa a nossa passagem neste mundo?
Um vil insecto apareceu, depois desapareceu.


Omar Khayyam, Rubaiyat

julho 11, 2009



Nada, eles nada sabem, nada querem saber.
Repara nestes ignorantes, eles dominam o mundo.
Se não te lhes juntas, chamam-te incréu.
Não lhes ligues, Khayyam, segue o teu caminho.


Omar Khayyam, Rubaiyat

julho 10, 2009



Perguntas-me donde vem o nosso sopro de vida.
Se me coubesse resumir uma mui longa história,
Eu diria que ele surge do fundo do oceano,
E depois de súbito o oceano o engole de novo.


Omar Khayyam, Rubaiyat

julho 09, 2009


Rabi Khan, Moment Before the Kiss

De súbito, o Céu furta-te o próprio instante
De que precisas para humedecer os lábios.


Omar Khayyam, Rubaiyat