Impacto de um cometa de 1 km de comprimento no planeta Júpiter, segundo imagem do telescópio espacial Hubble, e primeiro notado em 19 de Julho de 2009 por um astrónomo amador. Vide notícia.
Que fina percepção do Porto, a de Agostinho da Silva, «uma ilha rodeada por Portugal» :))
Rui Moreira, op. cit., p.80
setembro 06, 2009
"Se na nossa cidade há muito quem troque o B por V, há muito pouco quem troque a liberdade pela servidão."
Almeida Garrett, (cit. p.29, op. supra)
setembro 05, 2009
A ti eu dei asas, com as quais sobrevoarás o mar ilimitado e toda a terra, elevando-te facilmente. Que estejas nos banquetes e nas cerimônias todas, repousando nas bocas de muitos e, com flautinhas de som agudo, amáveis jovens juntos cantarão ordenadamente coisas belas e harmoniosas a teu respeito. E quando, sob as entranhas escuras da terra, tu fores para as moradas multilamentosas do Hades, nunca, nem estando morto, perderás tua glória, mas sempre tu importarás aos homens tendo nome imperecível. Ó Kyrnos, vagando pela terra da Hélade e por suas ilhas, cruzando por sobre o piscoso mar estéril, não tendo-te sentado nos dorsos dos cavalos, por certo os dons esplêndidos das Musas de coroas de violetas te enviarão. Para todos quantos o canto importa e para os que virão a existir, tu existirás da mesma forma, enquanto existirem terra e sol. No entanto, eu não obtenho nem um pouco de respeito de ti, mas como a uma pequena criança tu me enganas com palavras.
Uma longa sucessão de cantos para alcançar .........................................a convicção e a exorbitância. As palavras são as imagens das palavras. O texto não é mais eterno .........................................do que o contexto. Uma álea de cimento, uma figura nova .....................................entre as áleas de terra.
Depois da estrofe banho-me de sol assim como teogonis bebia pelo seu escudo. Desde há muitos séculos .........................................................o Ocidente está obcecado pelo sentido do indivíduo .........................................e o da solidão. Uiva, em intenção do meu nome, o mastim, que eu como parte integrante do meu ser observo ...........................................na iluminura.
Foi clAud, uma forista dos idos de 2000, que me mostrou e deu a conhecer fiama hasse pais brandão. O poema inicial que me encantou foi a sua TÁBUA DAS COMPARAÇÕES :))
Quando o céu está vermelho comparo-o, e embora o fogo ainda esteja próximo da semiologia da fosforescência eu distancio-o com a frase divinatória: amanhã a alva há-de romper de sangue. Pela separação semântica
coloco o tom sanguíneo à distância sobre uma árvore calva. Nos seus ramos o pardal acumula também a premonição da noite, consente que na elipse do horizonte a grande mancha seja comparada a um sinal ignoto que engendra os sinais.
Se tudo é cognoscível a quem está no reino do conhecimento com as beatas palavras (felizes) geradas no horizonte, a tarde esplêndida acende como uma tocha a madrugada. Este silêncio místico prepara a tábua rasa das comparações.
Tudo o que vivêramos um dia fundiu-se com o que estava a ser vivido. Não na memória mas no puro espaço dos cinco sentidos. Havíamos estado no mundo, raso, um campo vazio de tojo seco.
Depois, alguém urbanizou o vazio, e havia casas e habitantes sobre o tojo. E eu, que estivera sempre presente, vi a dupla configuração de um campo, ou a sós em silêncio ou narrando esse meu ver.
O mais importante fruto que colhi dos escritos que até agora publiquei foi o facto de Vos terdes dignado lê-los e, por esse motivo, me terdes admitido no Vosso conhecimento, o que me deu ocasião de conhecer os Vossos dotes, que são tais que considero ser um serviço à humanidade propô-los como exemplo aos séculos vindouros.
Não faria sentido que eu adulasse ou afirmasse algo não suficientemente examinado (...); e sei que será mais grato à Vossa generosa modéstia o juízo não afectado e simples de um Filósofo do que os louvores adornados de homens lisonjeiros. (...)
É evidente que este sumo cuidado [o da vontade firme e constante de nada omitir (do que conduza) ao conhecimento do que é recto e de fazer tudo aquilo que julgar recto] existe em Vossa Alteza, pois nem as distracções da corte, nem a educação habitual que costuma condenar as raparigas à ignorância puderam impedir que investigásseis todas as boas artes e ciências. Além disso, a grande e incomparável perspicácia do Vosso espírito manifesta-se também no facto de terdes inspeccionado profundamente todos os segredos destas ciências e de em pouco tempo os terdes conhecido em pormenor. (...)
E quando observo que esse conhecimento tão diversificado e perfeito de todas as coisas não existe em algum sábio mestre já idoso que tenha dedicado muitos anos a meditar, mas sim numa jovem Princesa, que pela forma e pela idade mais faz lembrar uma das Graças do que a penetrante Minerva ou alguma das Musas, não posso deixar de ser tomado pela mais elevada admiração.
Por fim, verifico que não há nada que se requeira para a absoluta e sublime sabedoria, tanto da parte da vontade como da parte do conhecimento, que não brilhe nos Vossos costumes. Pois aparece neles a benignidade e a mansidão associadas a uma certa singular majestade, ferida por contínuas injúrias da sorte, mas nunca perturbada nem quebrada.
E esta sabedoria que em Vós observo de tal modo de mim exige veneração, que não só considero que devo dedicar-lhe e consagrar-lhe esta minha Filosofia (pois ela própria mais não é do que o estudo da sabedoria), como prefiro antes ser servidor devotíssimo de Vossa Sereníssima Alteza do que ser tido por filósofo.
«Mais pour procéder ici avec plus de franchise, je ne dissimulerai point que je me persuade qu’il n’y a rien autre chose par quoi nos sens soient touchés, que cette seule superficie qui est le terme des dimensions du corps qui est senti ou aperçu par les sens.
Car c’est en la superficie seule que se fait le contact, lequel est si nécessaire pour le sentiment, que j’estime que sans lui pas un de nos sens pourrait être mû.»
«Além disso, também a natureza me ensina que existem diversos corpos em volta do meu corpo, alguns dos quais devem ser procurados por mim, enquanto devo evitar outros. E, com certeza, concluo rectamente que do facto de sentir diversas espécies de cores, sons, odores, sabores, calor, dureza e coisa da mesma natureza, há nos corpos de que me chegam estas várias percepções dos sentidos diferenças correspondentes, embora talvez não semelhantes a elas. E, porque sucede que algumas daquelas percepções me são agradáveis, outras desagradáveis, é absolutamente certo que o meu corpo, ou melhor eu na totalidade, enquanto sou composto de corpo e espírito, posso ser afectado agradável e desagradávelmente pelos corpos circunjacentes.»
Descartes, Meditações sobre a filosofia primeira, 6ª Meditação [14]
«[...] Um relógio composto de rodas e pesos não observa menos cuidadosamente todas as leis da natureza quando é mal fabricado e não indica as horas certas do que quando satisfaz a todos os respeitos a intenção do artífice: analogamente, o mesmo se dá com o corpo do homem, se o considero como uma certa máquina equipada e composta de tal maneira, por ossos, nervos, músculos, veias, sangue e peles, que, mesmo que não existisse nela nenhum espírito, possuiria no entanto todos os movimentos que agora executa e não procedem do império da vontade e, por conseguinte, do espírito.»
Meditações sobre a filosofia primeira, 6ª Meditação [16]
«E assim, em primeiro lugar, senti que tinha uma cabeça, mãos, pés e os restantes membros de que consta aquele corpo que eu considerava como parte de mim próprio ou, possivelmente, como eu todo.
E senti que este corpo está entre muitos outros corpos, pelos quais pode ser afectado de modo favorável ou desfavorável, e eu media o favorável por um certo sentimento de prazer e o desfavorável por um sentimento de dor.»
Meditações sobre a filosofia primeira, 6ª Meditação [6]
«Mas, [ ] ainda que na verdade eu não possa pensar um Deus a não ser existente, nem um monte sem um vale, entretanto como de que pense um monte com vale não se conclui, com certeza, que existe no mundo algum monte também não parece concluir-se que Deus existe, pelo facto de eu pensar Deus como existente.
Com efeito, o meu pensamento não impõe necessidade às coisas: assim como me é lícito imaginar um cavalo alado, mesmo que nenhum cavalo tenha asas,talvez eu também possa atribuir a existência a Deus, embora não exista nenhum Deus.»
Descartes, Meditações sobre a filosofia primeira, 5ª Meditação [9]
[...] Além disso, se presto atenção, concebo também inúmeras particularidades sobre as figuras, o número, o movimento, e coisas semelhantes, cuja verdade é tão clara e consentânea com a minha natureza que, logo que as começo a descobrir, parece-me que não aprendo qualquer coisa de novo, mas que, ao contrário, me recordo do que já anteriormente sabia [...]
Un petit poisson, un petit oiseau S'aimaient d'amour tendre Mais comment s'y prendre Quand on est dans l'eau Un petit poisson, un petit oiseau S'aimaient d'amour tendre Mais comment s'y prendre Quand on est là-haut
Quand on est là-haut Perdu aux creux des nuages On regarde en bas pour voir Son amour qui nage Et l'on voudrait bien changer Ses ailes en nageoires Les arbres en plongeoir Le ciel en baignoire
Un petit poisson, un petit oiseau S'aimaient d'amour tendre Mais comment s'y prendre Quand on est là-haut Un petit poisson, un petit oiseau S'aimaient d'amour tendre Mais comment s'y prendre Quand on est dans l'eau
Quand on est dans l'eau On veut que vienne l'orage Qui apporterait du ciel Bien plus qu'un message Qui pourrait d'un coup Changer au cours du voyage Des plumes en écailles Des ailes en chandail Des algues en paille.
Há dias, o Prof. António Costa e Silva, do IST, deu uma excelente e esperançosa entrevista na SIC.Notícias no programa "Negócios da Semana" de José Gomes Ferreira.
A matriz energética do futuro acentuará a sobreposição da condição "produtor-consumidor"; a micro-geração de energia expandir-se-á; no limite, idealmente, o próprio consumidor produziria a energia que consome! :)). Por exemplo, os carros eléctricos do futuro, porque não haveriam de ter tejadilho com painel solar e ventoinha de produção de energia eólica, do próprio vento da deslocação automóvel, carregando em contínuo a bateria de lítio de que até há minas
Le temps fuit et sans retour Emporte nos tendresses, Loin de cet heureux séjour Le temps fuit sans retour.
Zéphyrs embrasés, Versez-nous vos caresses, Zéphyrs embrasés, Donnez-nous vos baisers! vos baisers! vos baisers! Ah!
Belle nuit, ô nuit d'amour, Souris à nos ivresses, Nuit plus douce que le jour, Ô belle nuit d'amour! Ah! Souris à nos ivresses! Nuit d'amour, ô nuit d'amour! Ah! ah! ah! ah! ah! ah! ah! ah! ah! ah!
Outra bela canção de Maria del Mar Bonet indicada por eli:):
Cançión de la bruixa cremada
A Maria del Mar Bonet
Bruixa, que és de matinada, / Bruja, que es de mañana, ja surten els muriacs / ja salen los murciélagos que et fan nit a la finestra / que te velan la ventana i t’enramen el portal. / y te enraman el portal
El portal t’enramen d’arços / El portal te enraman de espinos i el balcó de tempestats. / y el balcón de tempestades. Surt, la bruixa, a trenc de dia / Sale, la bruja, al apuntar el día com una ombra al camí ral. / como una sombra en el camino real
Bruixa, arrenca’t de les trenes, / Bruja, arráncate de las trenzas, que s’acosta el Sol botxí, / que se acerca el sol verdugo amb el seu arc de sagetes / con su arco se flechas mulladetes de verí. / mojaditas de veneno.
De la teva cabellera, / De tu cabellera en farem coixí daurat / haremos cojín dorado per als xiquets de la vila / para los mozos del pueblo que la son els has robat. / a quien les robaste el sueño.
Bruixa, els teus ulls cremen massa: / Bruja, tus ojos queman demasiado: per això els darem al foc. / por eso los prenderemos. Cap fadrí darrere cendra / Ningún muchacho tras la ceniza perdrà els passos ni la sort. / perderá ni pasos ni suerte.
Bruixa, plou sobre la vila. /Bruja, llueve en el pueblo. Ja sols resta el teu vestit. / Sólo queda tu vestido. A pleret la nit s’acosta / A sus anchas la noche se acerca tota negra d’estalzim. / toda negra de tizne.
Michel Onfray, a potência de existir («La puissance d'exister», 2006) trad. José Luís Pérez Campo da Comunicação, Lisboa, 2009 Li. Excelente manual hedonista que nos alerta contra as múltiplas atitudes nihilistas e alienantes que pululam em algumas doutrinas filosóficas. Nada objecto à posição de Onfray antes reconheço, como ele, a pura imanência de toda a sabedoria. Contudo, para lá da busca da felicidade, é legítimo acurar e acarinhar a grande curiosidade do ser humano em conhecer o real e perscrutar a matéria do mundo que "depois do fim e para lá do fim do homem e do indivíduo" visa enunciar os «grandes discursos» da representação do mundo.
No número 01 da revista “Próximo Futuro” da Fundação Calouste Gulbenkian encontrei um belo poema da escritora ítalo-somali Cristina Ali Farah
Ei-lo em versão trilingue
Espera, deixa-me atravessar o limiar de olhos fechados a cadeira do rei está vazia, a luva mostra a investidura o poder está desconexo Vendas e desvendas, olhar oblíquo, ubíquo Como é fácil, afinal, enganar à vista (escondes o braço imputado) Ser mestre dos confins do vazio
Cavei a terra com as mãos nuas procurando o segredo do que fica de três mil virgens de terracota, veias de água, ninhos e túmulos por baixo de camadas de areia e pele Os meus dedos desenham fragmentos e espelhos, cancelados na memória
Volto a subir as pulsações do tempo, minha mãe, a mãe da minha mãe, matrioskas perfuradas Dêem-me uma vela para que eu possa olhar dentro E recompor o mapa do amor nos corpos desconsagrados
CRISTINA ALI FARAH Tradução: Livia Apa
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Wait, let me cross the threshold, my eyes closed, the king’s chair is empty, the glove shows the investiture, the power is disconnected Veils and unveils, looking oblique, ubiquitous How easy it is, after all, to deceive the sight (you hide your imputed arm) to be master of the confines of the void
I dug the earth with bare hands seeking the secret of what remains of three thousand terracotta virgins, veins of water, nests and tombs ’neath strata of sand and skin My fingers draw fragments and mirrors, cancelled from my memory
I reclimb the beats of time My mother, my mother’s mother, perforated matryoshkas Give me a candle so that I can I can look inside And recompose the map of love in desecrated bodies
(Translation: John Elliott)
----------- // ------------ Espera, déjame trasponer el umbral con los ojos cerrados El trono del rey está vacío, el guante muestra la investidura el poder está desmembrado Encubres y desvelas, mirada oblicua, ubicua Es tan fácil, sin embargo, engañar a la vista (escondes el brazo imputado) amaestra los confines del vacío
He cavado la tierra con las manos desnudas buscando el secreto de lo que resta de tres mil vírgenes de terracota, venas de agua, nidos y tumbas bajo capas de arena y piel Mis dedos dibujan fragmentos y espejos, cancelados en la memoria
Vuelvo a subir las pulsaciones del tiempo, mi madre, la madre de mi madre, matrioskas perforadas Denme una vela para que pueda mirar dentro Y recomponer el mapa del amor en los cuerpos desconsagrados
Marie-Hélène, óleo sobre tela de Arpad Szenes, 1942
TERRAÇO
Por mais que vos olhe vos esqueço. Não sois mais do que formas desordenadas. Riscos díspares como peles de felinos. Em cadeirões familiares distorcidos.
(fiama hasse pais brandão)
agosto 01, 2009
in Catharsis
haunt me in my dreams if you please your breath is with me now and always it's like a breeze
so should you ever doubt me if it's help that you need never dare to doubt me
and if you want to sleep i'll be quiet like an angel as quiet as your soul could be if you only knew you had a friend like me
so should you ever doubt me if it's help that you need never dare to doubt me
julho 31, 2009
LISBON REVISITED (1923)
Não: Não quero nada. Já disse que não quero nada.
Não me venham com conclusões! A única conclusão é morrer.
Não me tragam estéticas! Não me falem em moral! Tirem-me daqui a metafísica! Não me apregoem sistemas completos, não me enfileirem conquistas Das ciências (das ciências, Deus meu, das ciências!) - Das ciências, das artes, da civilização moderna!
Que mal fiz eu aos deuses todos?
Se têm a verdade, guardem-na!
Sou um técnico, mas tenho técnica só dentro da técnica. Fora disso sou doido, com todo o direito a sê-lo. Com todo o direito a sê-lo, ouviram?
Não me macem, por amor de Deus!
Queriam-me casado, fútil, quotidiano e tributável? Queriam-me o contrário disto, o contrário de qualquer coisa? Se eu fosse outra pessoa, fazia-lhes, a todos, a vontade.
Assim, como sou, tenham paciência! Vão para o diabo sem mim, Ou deixem-me ir sozinho para o diabo! Para que havemos de ir juntos?
Não me peguem no braço! Não gosto que me peguem no braço. Quero ser sozinho. Já disse que sou sozinho! Ah, que maçada quererem que eu seja da companhia!
O céu azul - o mesmo da minha infância - Eterna verdade vazia e perfeita! Ó macio Tejo ancestral e mudo, Pequena verdade onde o céu se reflecte! Ó mágoa revisitada, Lisboa de outrora de hoje! Nada me dais, nada me tirais, nada sois que eu me sinta.
Deixem-me em paz! Não tardo, que eu nunca tardo... E enquanto tarda o Abismo e o Silêncio quero estar sozinho!
Ninguém tanto quanto Sócrates desprezou a escrita, por falaz instrumento, disse-nos. Porque nos faria esquecer o mundo, memorizado até ao fascínio, pelos olhos e pela fala. Mas eu amo-o, porque no Fedro o seu pensamento teve medo de perder a realidade, se a muda mão duplicasse mesquinha o esplendor dos dentes, da língua, do palato. Se o silêncio, que sempre colocámos por detrás das órbitas, se esvaziasse dos sons e das figuras que o preenchem.
(fiama hasse pais brandão)
:))
Belíssimo poema! Admirável advertência!
Que a escrita não nos faça «esquecer o mundo», nem a internet o esplendor dos sentidos.
julho 29, 2009
A propósito de Musil, este excerto:
«- Porque não escreve um livro acerca das suas concepções? - Mas como quer que eu escreva um livro? Sou filho de uma mulher e não de um tinteiro!»
Gratificante, a memória desenrolada por garrett, platão e sófocles
COM AS PERSONAGENS
Sei que as minhas palavras neste texto são as tuas, o que é literal e simultaneamente simbólico. Assim o real é ambíguo. Sei que a tua voz é o meu Rosto, o que é ambíguo e acessoriamente irreal. No vale de santarém ~ as silhuetas comutavam com as viagens na minha terra, e nesse estado de espírito em que indo em um comboio ele passava porém perante os meus olhos porque eu, nele, convocara o meu primordial desejo de um comboio, regressei contigo a um ponto fixo. Soluçamos de noite e eu revi o que está condenado à minha morte desde o início.
Hémon, o amante de antígona, bate na pedra dura à superfície. Nada abre a caverna do inverno sobretudo quando é um domícilo, ou um regresso ao pensamento extinto como o foi o exílio de antígona no subterrâneo. Foi esse o acto político de creonte, ou o acto filosófico de sófocles: dar em figura a antígona o que não era a letra de platão. Como se vê e não se vê. Que o não ver é regredir para o âmago, não ser e não estar no vale de santarém, com as personagens.
Um só ramo me faria dizer que a água está presente, que na minha vida algures há um quadrilátero em volta do reflexo.
(fiama hasse pais brandão)
julho 25, 2009
O Fado nasceu um dia, quando o vento mal bulia e o céu o mar prolongava na amurada dum veleiro, no peito dum marinheiro que, estando triste, cantava, que, estando triste, cantava.
Ai, que lindeza tamanha, meu chão , meu monte, meu vale, de folhas, flores, frutas de oiro, vê se vês terras de Espanha, areias de Portugal, olhar ceguinho de choro.
Na boca dum marinheiro do frágil barco veleiro, morrendo a canção magoada, diz o pungir dos desejos do lábio a queimar de beijos que beija o ar, e mais nada, que beija o ar, e mais nada.
Mãe, adeus. Adeus, Maria. Guarda bem no teu sentido que aqui te faço uma jura: que ou te levo à sacristia, ou foi Deus que foi servido dar-me no mar sepultura.
Ora eis que embora outro dia, quando o vento nem bulia e o céu o mar prolongava, à proa de outro velero velava outro marinheiro que, estando triste, cantava, que, estando triste, cantava.
Aquele espaço que se repartia em estreitas ruas ocasionais depois de o conhecermos melhor do que os visitantes e mais do que todas as personagens era nosso. Sei que havia galáxias semelhantes. Intensa atracção longínqua que nos guiava desde o princípio da vida em que pisávamos com os pés o empedrado dessas ruas fantasiosas do bairro campestre e doméstico.
Interessante o gráfico de Krugman sobre a comparação da crise com e sem intervenção do Estado no apoio ao investimento e ao consumo.
A diferença é explicada aqui, no blog "O valor das ideias".
Mas continuo perplexo com a incompletude de análise económico-política que abstraia da notável percepção que a queda da produção traduz bens e serviços que ninguém quer
porque não servem para nada!
Sair da situação de desemprego, sub-emprego, emprego desqualificado, passa substancialmente por afectar recursos a produções e a serviços com interesse, obviamente desejados e procurados.
Por isso, choca-me não conseguir distinguir se as iniciatvas do plano tecnológico, da produção de energia renovável, e da informatização em massa são deveras impulsionadoras de desenvolvimento ou mera propaganda partidária!
Quando te procurei Estaria por acaso a verdade à minha espera? O amor ocorre num espaço flutuante Num exíguo lugar-nenhum E o sonho é matéria incerta Mestre na arte da fuga
Écoutez La Liberté des Mers par Gérard Pierron (Cliquez l'image) (CD selecionado por Nuno Rogeiro no programa "Sociedade das Nações")
Tony Bennett, It Had To Be You
It had to be you It had to be you I wandered around And finally found Somebody who Could make me be true Could make me be blue. Or even be glad Just to be sad Thinking of you.
Some others I've seen, Might never mean. Might never be cross, Or try to be boss, But they wouldn't do. For nobody else gave me a thrill, With all your faults I love you still. It had to be you, wonderful you, It had to be you.
Cheira a alfazema, gardénias, lírios, neste jardim em que por momentos estaremos, e os aromas embebem-se-nos no corpo como se fôssemos cegos amantes que o ventre impelisse uns para os outros.
(fiama hasse pais brandão)
julho 17, 2009
Vivaldi, L'inverno (RV 297)
Requiem por mim
Aproxima-se o fim. E tenho pena de acabar assim. Em vez de natureza consumada, Ruína humana. Inválido do corpo E tolhido da alma. Morto em todos os orgãos e sentidos. Longo foi o caminho e desmedidos Os sonhos que nele tive. Mas ninguém vive Contra as leis do destino. E o destino não quis Que eu me cumprisse como porfiei, E caisse de pé, num desafio. Rio feliz a ir de encontro ao mar Desaguar, E, em largo oceano, eternizar O seu esplendor torrencial de rio.
Miguel Torga, Diário XVI
julho 16, 2009
The shadow of your smile When you are gone Will color all my dreams And light the dawn Look into my eyes, my love, and see All the lovely things you are to me A wistful little star Was far too high A tear drop kissed your lips and so did I Now when I remember spring All the joy that love can bring I will be remembering The shadow of your smile Now when I remember spring All the love that joy can bring I will be remembering The shadow of your smile...
Viveu na Pérsia de 1048 a 1123. Homem de grande cultura e sabedoria: matemático, geómetra, astrónomo e poeta. Foi discípulo de Avicena. Na juventude, escreveu tratados de geometria e álgebra, resolvendo equações de 3º grau.
Conta-se que na sua juventude três companheiros de escola: Nizam Al-Mulk, Hassan Ibn Sabbah e Omar Khayyam fizeram um pacto: o que obtivesse primeiro uma posição de relevo ajudaria os outros. Nizam destacou-se primeiro, como secretário do sultão Alp Arslan. Cumpriu o pacto; deu a Hassan um posto administrativo e atendeu o desejo de Omar: uma pensão vitalícia que lhe permitisse estudar, escrever e levar uma vida sossegada num jardim de delícias terrenas…
Obtida a pensão Omar Khayyam «retira-se para a cidade natal e dedica-se à astronomia, à matemática, à filosofia, à poesia e à amizade, quer dizer ao ócio, tal como Aristóteles entendia a «diagogé»-«ocupação e gozo intelectual e estético como compete ao homem livre».
Mas, Hassan não ficou satisfeito com 'a pouca categoria do cargo' que Nizan lhe deu e rebelou-se, refugiando-se nas montanhas onde desenvolveu uma luta «terrorista» contra as autoridades, originando a terrível seita dos «HASSASSIN» - de onde provém a palavra ocidenta «assassino», dada a técnica do atentado mortal por eles seguida.
Nizam morre assassinado. Os inimigos religiosos de Omar Khayyam sempre o quiseram comprometer como herege e não respeitador dos dogmas da religião muçulmana, tentando ligá-lo a episódios comprometedores.
Na Pérsia Islâmica havia três religiões: o Judaísmo, o Cristianismo e o Zoroastrismo. A cultura de Omar era tocada de todas estas influências a que se sobrepunha uma segura base racional e crítica de origem grega, obtida nos ensinamentos do seu mestre Avicena. Tal cultura torná-lo-ia herético, mas não menos Persa.
A fama ocidental de Omar Khayyam como poeta do vinho é redutora do significado filosófico da sua posição quer como cientista quer como poeta. A sua inquietação poética provém de uma verificação irrecusável: a brevidade da vida humana e a ausência de respostas às perguntas que formula. Daí a valorização de tudo o que possa atenuar o sofrimento ou produzir o prazer. A poesia de Omar Khayyam deve ser lida numa perspectiva em que viver e filosofar têm um só sentido: obter a perenidade do momento que passa:
«Jamais desejei o manto do engano Mas roubaria por um copo de vinho»
[ Transcrição livre do prefácio de E.M. de Melo e Castro, Rubaiyat, ed. Estampa,1990]
A propósito dos 220 anos do 14 Juillet, três hinos
Hino da França (La Marseillaise)
1 Avante, filhos da Pátria, O dia da Glória chegou. O estandarte ensangüentado da tirania Contra nós se levanta. Ouvis nos campos rugirem Esses ferozes soldados? Vêm eles até nós Degolar nossos filhos, nossas mulheres. Às armas cidadãos! Formai vossos batalhões! Marchemos, marchemos! Nossa terra do sangue impuro se saciará!
2 O que deseja essa horda de escravos de traidores, de reis conjurados? Para quem (são) esses ignóbeis entraves Esses grilhões há muito tempo preparados? (bis) Franceses! Para vocês, ah! Que ultraje! Que élan deve ele suscitar! Somos nós que se ousa criticar Sobre voltar à antiga escravidão!
3 Que! Essas multidões estrangeiras Fariam a lei em nossos lares! Que! As falanges mercenárias Arrasariam nossos fiéis guerreiros (bis) Grande Deus! Por mãos acorrentadas Nossas frontes sob o jugo se curvariam E déspotas vis tornar-se-iam Mestres de nossos destinos!
4 Estremeçam, tiranos! E vocês pérfidos, Injúria de todos os partidos, Tremei! Seus projetos parricidas Vão enfim receber seu preço! (bis) Somos todos soldados para combatê-los, Se nossos jovens heróis caem, A França outros produz Contra vocês, totalmente prontos para combatê-los!
5 Franceses, em guerreiros magnânimos, Levem/ carreguem ou suspendam seus tiros! Poupem essas tristes vítimas, que contra vocês se armam a contragosto. (bis) Mas esses déspotas sanguinários Mas esses cúmplices de Bouillé, Todos esses tigres que, sem piedade, Rasgam o seio de suas mães!...
6 Entraremos na batalha Quando nossos antecessores não mais lá estarão. Lá encontraremos suas marcas E o traço de suas virtudes. (bis) Bem menos ciumentos de suas sepulturas Teremos o sublime orgulho De vingá-los ou de segui-los.
7 Amor Sagrado pela Pátria Conduza, sustente nossos braços vingativos. Liberdade, querida liberdade Combata com teus defensores! Sob nossas bandeiras, que a vitória Chegue logo às tuas vozes viris! Que teus inimigos agonizantes Vejam teu triunfo e nossa glória
Allons enfants de la Patrie, Le jour de gloire est arrivé Contre nous de la tyrannie L'étendard sanglant est levé. L'étendard sanglant est levé: Entendez-vous dans les campagnes Mugir ces féroces soldats! Ils viennent jusque dans vos bras Égorger vos fils et vos compagnes. Aux armes citoyens, Formez vos bataillons. Marchons! Marchons! Qu'un sang impur Abreuve nos sillons Que veut cette horde d'esclaves De traîtres, de rois conjurés? Pour qui ces ignobles entraves Ces fers dès longtemps préparés Ces fers dès longtemps préparés Français, pour nous, Ah quel outrage Quel transport il doit exciter! C'est nous qu'on ose méditer De rendre à l'antique esclavage Quoi! Des cohortes étrangères Feraient la loi dans nos foyers! Quoi! Ces phalanges mercenaires Terrasseraient nos fiers guerriers. Terrasseraient nos fiers guerriers. Grand Dieu! Par des mains enchaînées Nos fronts, sous le joug, se ploieraient. De vils despotes deviendraient Les maîtres de nos destinées Tremblez tyrans, et vous perfides L'opprobe de tous les partis. Tremblez, vos projets parricides Vont enfin recevoir leur prix! Vont enfin recevoir leur prix! Tout est soldat pour vous combattre. S'ils tombent nos jeunes héros, La terre en produit de nouveaux Contre vous, tous prêts à se battre Français en guerriers magnanimes Portez ou retenez vos coups. Épargnez ces tristes victimes A regrets s'armant contre nous! A regrets s'armant contre nous! Mais ce despote sanguinaire Mais les complices de Bouillé Tous les tigres qui sans pitié Déchirent le sein de leur mère! Amour Sacré de la Patrie Conduis, soutiens nos braves vengeurs. Liberté, Liberté chérie Combats avec tes défenseurs Combats avec tes défenseurs Sous nos drapeaux, que la victoire Accoure à tes mâles accents Que tes ennemis expirants Voient ton triomphe et nous, notre gloire (« Couplet des enfants ») Nous entrerons dans la carrière Quand nos aînés n'y seront plus Nous y trouverons leur poussière Et la trace de leur vertus! Et la trace de leur vertus! Bien moins jaloux de leur survivre Que de partager leur cercueil. Nous aurons le sublime orgueil De les venger ou de les suivre Aux armes citoyens, Formez vos bataillons. Marchons! Marchons! Qu'un sang impur Abreuve nos sillons
A Internacional
De pé, ó vitimas da fome! De pé, famélicos da terra! Da idéia a chama já consome A crosta bruta que a soterra. Cortai o mal bem pelo fundo! De pé, de pé, não mais senhores! Se nada somos neste mundo, Sejamos tudo, oh produtores!
Bem unido façamos, Nesta luta final, Uma terra sem amos A Internacional
Senhores, patrões, chefes supremos, Nada esperamos de nenhum! Sejamos nós que conquistemos A terra mãe livre e comum! Para não ter protestos vãos, Para sair desse antro estreito, Façamos nós por nossas mãos Tudo o que a nós diz respeito!
Bem unido façamos, Nesta luta final, Uma terra sem amos A Internacional
Crime de rico a lei cobre, O Estado esmaga o oprimido. Não há direitos para o pobre, Ao rico tudo é permitido. À opressão não mais sujeitos! Somos iguais todos os seres. Não mais deveres sem direitos, Não mais direitos sem deveres!
Bem unido façamos, Nesta luta final, Uma terra sem amos A Internacional
Abomináveis na grandeza, Os reis da mina e da fornalha Edificaram a riqueza Sobre o suor de quem trabalha! Todo o produto de quem sua A corja rica o recolheu. Querendo que ela o restitua, O povo só quer o que é seu!
Bem unido façamos, Nesta luta final, Uma terra sem amos A Internacional
Nós fomos de fumo embriagados, Paz entre nós, guerra aos senhores! Façamos greve de soldados! Somos irmãos, trabalhadores! Se a raça vil, cheia de galas, Nos quer à força canibais, Logo verá que as nossas balas São para os nossos generais!
Bem unido façamos, Nesta luta final, Uma terra sem amos A Internacional
Pois somos do povo os ativos Trabalhador forte e fecundo. Pertence a Terra aos produtivos; Ó parasitas deixai o mundo Ó parasitas que te nutres Do nosso sangue a gotejar, Se nos faltarem os abutres Não deixa o sol de fulgurar!
Bem unido façamos, Nesta luta final, Uma terra sem amos A Internacional
Debout , les damnés de la terre Debout , les forçats de la faim La raison tonne en son cratère , C'est l'éruption de la faim. Du passé faisons table rase , Foule esclave , debout , debout Le monde va changer de base , Nous ne sommes rien , soyons tout. C'est la lutte finale ; Groupons nous et demain L'Internationnale Sera le genre humain. Il n'est pas de sauveurs suprêmes Ni Dieu , ni César , ni Tribun , Producteurs , sauvons-nous nous-mêmes Décrètons le salut commun . Pour que le voleur rende gorge , Pour tirer l'esprit du cachot , Souflons nous-même notre force , Battons du fer tant qu'il est chaud. L'Etat comprime et la Loi triche , L'impôt saigne le malheureux ; Nul devoir ne s'impose au riche ; Le droit du pauvre est un mot creux C'est assez languir en tutelle , L'Egalité veut d'autres lois ; " Pas de droits sans devoirs , dit-elle Egaux pas de devoirs sans droits ". Hideux dans leur apothéose , Les rois de la mine et du rail Ont-ils jamais fait autre chose Que dévaliser le travail ? Dans les coffres-forts de la banque Ce qu'il a crée s'est fondu , En décrétant qu'on le lui rende , Le peuple ne veut que son dû. Les rois nous saoûlaient de fumée , Paix entre nous , guerre aux Tyrans Appliquons la grève aux armées , Crosse en l'air et rompons les rangs ! S'ils s'obstinent ces cannibales A faire de nous des héros , Ils sauront bientôt que nos balles Sont pour nos propres généraux. Ouvriers , paysans , nous sommes Le grand parti des travailleurs , La terre n'appartient qu'aux hommes, L'oisif ira loger ailleurs . Combien de nos chairs se repaissent ! Mais si les corbeaux , les vautours , Un de ces matins disparaissent , Le soleil brillera toujours.
A Portuguesa
Heróis do mar, nobre povo, Nação valente, imortal, Levantai hoje de novo O esplendor de Portugal! Entre as brumas da memória, Ó Pátria sente-se a voz Dos teus egrégios avós, Que há-de guiar-te à vitória!
Às armas, às armas! Sobre a terra, sobre o mar, Às armas, às armas! Pela Pátria lutar Contra os canhões marchar, marchar!
Desfralda a invicta Bandeira, À luz viva do teu céu! Brade a Europa à terra inteira: Portugal não pereceu Beija o solo teu jucundo O Oceano, a rugir d'amor, E teu braço vencedor Deu mundos novos ao Mundo!
Às armas, às armas! Sobre a terra, sobre o mar, Às armas, às armas! Pela Pátria lutar Contra os canhões marchar, marchar!
Saudai o Sol que desponta Sobre um ridente porvir, Seja o eco de uma afronta O sinal do ressurgir. Raios dessa aurora forte São como beijos de mãe, Que nos guardam, nos sustêm, Contra as injúrias da sorte.
Às armas, às armas! Sobre a terra, sobre o mar, Às armas, às armas! Pela Pátria lutar Contra os canhões marchar, marchar!
Escuta o que a Sabedoria Está dizer-te o dia inteiro: “Nada tens de comum com as plantas, Que rebrotam quando podadas.” Nenhum proveito trouxe ao Universo o meu Nascimento. Não o mudará na imensidade Nem no esplendor a minha morte. Quem me explica Porque vim a este mundo e hei-de um dia ir-me embora?
Omar Khayyam, Rubaiyat
julho 12, 2009
Gota de água que cai e se perde no mar, Grão de poeira que se funde na terra. O que significa a nossa passagem neste mundo? Um vil insecto apareceu, depois desapareceu.
Omar Khayyam, Rubaiyat
julho 11, 2009
Nada, eles nada sabem, nada querem saber. Repara nestes ignorantes, eles dominam o mundo. Se não te lhes juntas, chamam-te incréu. Não lhes ligues, Khayyam, segue o teu caminho.
Omar Khayyam, Rubaiyat
julho 10, 2009
Perguntas-me donde vem o nosso sopro de vida. Se me coubesse resumir uma mui longa história, Eu diria que ele surge do fundo do oceano, E depois de súbito o oceano o engole de novo. Omar Khayyam, Rubaiyat
julho 09, 2009
Rabi Khan, Moment Before the Kiss
De súbito, o Céu furta-te o próprio instante De que precisas para humedecer os lábios.
Omar Khayyam, Rubaiyat
julho 08, 2009
Victor Meirelles, Moema, 1866.
Ergue-te, temos a eternidade para dormir!
Omar Khayyam, Rubaiyat
julho 07, 2009
O que restará amanhã dos escritos dos sábios? Só o mal que eles disseram dos que os precederam. Tal é a lei da ciência; a poesia não conhece semelhante lei, ela nunca nega o que a precedeu e nunca é negada pelo que a segue, ela atravessa os séculos na maior quietude. É por isso que eu escrevo os meus rubaiyat.
Omar Khayyam, Rubaiyat
julho 06, 2009
Sobre a Terra variegada caminha um homem, Nem rico nem pobre, nem crente nem infiel, Ele não corteja verdade alguma, Não venera nenhuma lei… Sobre a Terra variegada, Quem é este homem bom e triste?
Omar Khayyam, Rubaiyat
julho 05, 2009
De quando em vez um homem ergue-se neste mundo, Estadeia a sua fortuna e proclama: sou eu! A sua glória vive o espaço de um sonho falido, Já a morte se ergue e proclama: sou eu!
Omar Khayyam, Rubaiyat
julho 04, 2009
Sabes o que me fascina nas ciências? É o facto de aí encontrar a poesia suprema: com a matemática, a embriagante vertigem dos números; com a astronomia, o enigmático murmúrio do Universo. Mas, por favor, não me venham falar de verdade!