agosto 12, 2009

Juliette Greco





Un petit poisson, un petit oiseau
S'aimaient d'amour tendre
Mais comment s'y prendre
Quand on est dans l'eau
Un petit poisson, un petit oiseau
S'aimaient d'amour tendre
Mais comment s'y prendre
Quand on est là-haut

Quand on est là-haut
Perdu aux creux des nuages
On regarde en bas pour voir
Son amour qui nage
Et l'on voudrait bien changer
Ses ailes en nageoires
Les arbres en plongeoir
Le ciel en baignoire

Un petit poisson, un petit oiseau
S'aimaient d'amour tendre
Mais comment s'y prendre
Quand on est là-haut
Un petit poisson, un petit oiseau
S'aimaient d'amour tendre
Mais comment s'y prendre
Quand on est dans l'eau

Quand on est dans l'eau
On veut que vienne l'orage
Qui apporterait du ciel
Bien plus qu'un message
Qui pourrait d'un coup
Changer au cours du voyage
Des plumes en écailles
Des ailes en chandail
Des algues en paille.

agosto 10, 2009

Zona Económica Exclusiva



Interessante, também, naquela entrevista
do Prof António Costa e Silva, o conceito
estratégico de Portugal como

"país-arquipélago"

com as potencialidades
que a sua Zona Económica Exclusiva,
dois milhões de quilómetros quadrados,
lhe proporciona para desenvolver
um cluster do mar.


E não se diga que o País
não tem futuro, porque
desde 1143 que Portugal
está p'ra acabar!

Matriz Energética



Há dias, o Prof. António Costa e Silva,
do IST, deu uma excelente e esperançosa

entrevista na SIC.Notícias no programa
"Negócios da Semana" de José Gomes Ferreira.

A matriz energética do futuro acentuará
a sobreposição da condição "produtor-consumidor";
a micro-geração de energia expandir-se-á; no limite,
idealmente, o próprio consumidor produziria a energia
que consome! :)). Por exemplo, os carros eléctricos
do futuro, porque não haveriam de ter tejadilho
com painel solar e ventoinha de produção
de energia eólica, do próprio vento
da deslocação automóvel,
carregando em contínuo
a bateria de lítio
de que até
há minas

em Portugal!?

:)

agosto 09, 2009

Offenbach



Le temps fuit et sans retour
Emporte nos tendresses,
Loin de cet heureux séjour
Le temps fuit sans retour.

Zéphyrs embrasés,
Versez-nous vos caresses,
Zéphyrs embrasés,
Donnez-nous vos baisers!
vos baisers! vos baisers! Ah!

Belle nuit, ô nuit d'amour,
Souris à nos ivresses,
Nuit plus douce que le jour,
Ô belle nuit d'amour!
Ah! Souris à nos ivresses!
Nuit d'amour, ô nuit d'amour!
Ah! ah! ah! ah! ah! ah! ah! ah! ah! ah!

Les contes d'Hoffmann
Jacques Offenbach

agosto 07, 2009

Maria del Mar Bonet

Outra bela canção
de Maria del Mar Bonet
indicada por eli:):




Cançión de la bruixa cremada

A Maria del Mar Bonet

Bruixa, que és de matinada, / Bruja, que es de mañana,
ja surten els muriacs / ja salen los murciélagos
que et fan nit a la finestra / que te velan la ventana
i t’enramen el portal. / y te enraman el portal

El portal t’enramen d’arços / El portal te enraman de espinos
i el balcó de tempestats. / y el balcón de tempestades.
Surt, la bruixa, a trenc de dia / Sale, la bruja, al apuntar el día
com una ombra al camí ral. / como una sombra en el camino real

Bruixa, arrenca’t de les trenes, / Bruja, arráncate de las trenzas,
que s’acosta el Sol botxí, / que se acerca el sol verdugo
amb el seu arc de sagetes / con su arco se flechas
mulladetes de verí. / mojaditas de veneno.

De la teva cabellera, / De tu cabellera
en farem coixí daurat / haremos cojín dorado
per als xiquets de la vila / para los mozos del pueblo
que la son els has robat. / a quien les robaste el sueño.

Bruixa, els teus ulls cremen massa: / Bruja, tus ojos queman demasiado:
per això els darem al foc. / por eso los prenderemos.
Cap fadrí darrere cendra / Ningún muchacho tras la ceniza
perdrà els passos ni la sort. / perderá ni pasos ni suerte.

Bruixa, plou sobre la vila. /Bruja, llueve en el pueblo.
Ja sols resta el teu vestit. / Sólo queda tu vestido.
A pleret la nit s’acosta / A sus anchas la noche se acerca
tota negra d’estalzim. / toda negra de tizne.


Maria Mercè Marçal Serra

agosto 04, 2009

Michel Onfray

Michel Onfray, a potência de existir
(«La puissance d'exister», 2006)
trad. José Luís Pérez
Campo da Comunicação, Lisboa, 2009


Li. Excelente manual hedonista que nos alerta contra as múltiplas atitudes nihilistas e alienantes que pululam em algumas doutrinas filosóficas. Nada objecto à posição de Onfray antes reconheço, como ele, a pura imanência de toda a sabedoria. Contudo, para lá da busca da felicidade, é legítimo acurar e acarinhar a grande curiosidade do ser humano em conhecer o real e perscrutar a matéria do mundo que "depois do fim e para lá do fim do homem e do indivíduo" visa enunciar os «grandes discursos» da representação do mundo.

agosto 03, 2009

Cristina Ali Farah



Cristina Ali Farah

No número 01 da revista “Próximo Futuro”
da Fundação Calouste Gulbenkian
encontrei um belo poema
da escritora ítalo-somali
Cristina Ali Farah

Ei-lo em versão trilingue

Espera, deixa-me atravessar o limiar de olhos fechados
a cadeira do rei está vazia, a luva mostra a investidura
o poder está desconexo
Vendas e desvendas, olhar oblíquo, ubíquo
Como é fácil, afinal, enganar à vista
(escondes o braço imputado)
Ser mestre dos confins do vazio

Cavei a terra com as mãos nuas procurando o segredo do que fica
de três mil virgens de terracota,
veias de água, ninhos e túmulos por baixo de camadas de areia e pele
Os meus dedos desenham fragmentos e espelhos,
cancelados na memória

Volto a subir as pulsações do tempo,
minha mãe, a mãe da minha mãe, matrioskas perfuradas
Dêem-me uma vela para que eu possa olhar dentro
E recompor o mapa do amor nos corpos desconsagrados


CRISTINA ALI FARAH
Tradução: Livia Apa

----------- // ------------

Wait, let me cross the threshold, my eyes closed,
the king’s chair is empty, the glove shows the investiture,
the power is disconnected
Veils and unveils, looking oblique, ubiquitous
How easy it is, after all, to deceive the sight
(you hide your imputed arm)
to be master of the confines of the void

I dug the earth with bare hands seeking the secret of what remains
of three thousand terracotta virgins,
veins of water, nests and tombs ’neath strata of sand and skin
My fingers draw fragments and mirrors,
cancelled from my memory

I reclimb the beats of time
My mother, my mother’s mother, perforated matryoshkas
Give me a candle so that I can I can look inside
And recompose the map of love in desecrated bodies


(Translation: John Elliott)

----------- // ------------

Espera, déjame trasponer el umbral con los ojos cerrados
El trono del rey está vacío, el guante muestra la investidura
el poder está desmembrado
Encubres y desvelas, mirada oblicua, ubicua
Es tan fácil, sin embargo, engañar a la vista
(escondes el brazo imputado)
amaestra los confines del vacío

He cavado la tierra con las manos desnudas buscando el secreto de lo que resta
de tres mil vírgenes de terracota,
venas de agua, nidos y tumbas bajo capas de arena y piel
Mis dedos dibujan fragmentos y espejos,
cancelados en la memoria

Vuelvo a subir las pulsaciones del tiempo,
mi madre, la madre de mi madre, matrioskas perforadas
Denme una vela para que pueda mirar dentro
Y recomponer el mapa del amor en los cuerpos desconsagrados


(Traducción: Alberto Piris Guerra)

agosto 02, 2009

fiama hasse pais brandão


Marie-Hélène, óleo sobre tela de Arpad Szenes, 1942

TERRAÇO

Por mais que vos olhe vos esqueço. Não sois
mais do que formas desordenadas. Riscos
díspares como peles de felinos.
Em cadeirões familiares distorcidos.


(fiama hasse pais brandão)

agosto 01, 2009


in Catharsis

haunt me
in my dreams
if you please
your breath is with me now and always
it's like a breeze

so should you ever doubt me
if it's help that you need
never dare to doubt me

and if you want to sleep
i'll be quiet
like an angel
as quiet as your soul could be
if you only knew
you had a friend like me

so should you ever doubt me
if it's help that you need
never dare to doubt me

julho 31, 2009



LISBON REVISITED
(1923)

Não: Não quero nada.
Já disse que não quero nada.

Não me venham com conclusões!
A única conclusão é morrer.

Não me tragam estéticas!
Não me falem em moral!
Tirem-me daqui a metafísica!
Não me apregoem sistemas completos, não me enfileirem
conquistas
Das ciências (das ciências, Deus meu, das ciências!) -
Das ciências, das artes, da civilização moderna!

Que mal fiz eu aos deuses todos?

Se têm a verdade, guardem-na!

Sou um técnico, mas tenho técnica só dentro da técnica.
Fora disso sou doido, com todo o direito a sê-lo.
Com todo o direito a sê-lo, ouviram?

Não me macem, por amor de Deus!

Queriam-me casado, fútil, quotidiano e tributável?
Queriam-me o contrário disto, o contrário de qualquer coisa?
Se eu fosse outra pessoa, fazia-lhes, a todos, a vontade.

Assim, como sou, tenham paciência!
Vão para o diabo sem mim,
Ou deixem-me ir sozinho para o diabo!
Para que havemos de ir juntos?

Não me peguem no braço!
Não gosto que me peguem no braço. Quero ser sozinho.
Já disse que sou sozinho!
Ah, que maçada quererem que eu seja da companhia!

O céu azul - o mesmo da minha infância -
Eterna verdade vazia e perfeita!
Ó macio Tejo ancestral e mudo,
Pequena verdade onde o céu se reflecte!
Ó mágoa revisitada, Lisboa de outrora de hoje!
Nada me dais, nada me tirais, nada sois que eu me sinta.

Deixem-me em paz! Não tardo, que eu nunca tardo...
E enquanto tarda o Abismo e o Silêncio quero estar sozinho!

julho 30, 2009

fiama hasse pais brandão


escultura de Francisco Simões

Ninguém tanto quanto Sócrates desprezou
a escrita, por falaz instrumento,
disse-nos. Porque nos faria esquecer
o mundo, memorizado até ao fascínio,
pelos olhos e pela fala. Mas eu amo-o,
porque no Fedro o seu pensamento
teve medo de perder a realidade,
se a muda mão duplicasse mesquinha
o esplendor dos dentes, da língua, do palato.
Se o silêncio, que sempre colocámos
por detrás das órbitas, se esvaziasse
dos sons e das figuras que o preenchem.


(fiama hasse pais brandão)

:))


Belíssimo poema!
Admirável advertência!

Que a escrita não nos faça «esquecer o mundo»,
nem a internet o esplendor dos sentidos.

julho 29, 2009

A propósito de Musil,
este excerto:

«- Porque não escreve um livro acerca das suas concepções?
- Mas como quer que eu escreva um livro?
Sou filho de uma mulher e não de um tinteiro!»

:)

in

julho 28, 2009

fiama hasse pais brandão

Gratificante, a memória desenrolada
por garrett, platão e sófocles



COM AS PERSONAGENS

Sei que as minhas palavras neste texto são as tuas, o que é literal
e simultaneamente simbólico. Assim o real é ambíguo.
Sei que a tua voz é o meu Rosto, o que é ambíguo
e acessoriamente irreal. No vale de santarém ~
as silhuetas comutavam com as viagens
na minha terra, e nesse estado de espírito
em que indo em um comboio
ele passava porém perante os meus olhos
porque eu, nele, convocara o meu primordial desejo de um comboio,
regressei contigo a um ponto fixo. Soluçamos de noite e eu revi
o que está condenado à minha morte desde o início.

Hémon, o amante de antígona, bate na pedra dura à superfície.
Nada abre a caverna do inverno sobretudo quando
é um domícilo, ou um regresso ao pensamento extinto
como o foi o exílio de antígona no subterrâneo.
Foi esse o acto político de creonte,
ou o acto filosófico de sófocles:
dar em figura a antígona o que não era a letra de platão.
Como se vê e não se vê. Que o não ver é regredir para o âmago,
não ser e não estar no vale de santarém, com as personagens.

(fiama hasse pais brandão)

julho 27, 2009

julho 26, 2009

fiama hasse pais brandão



Um só ramo me faria dizer
que a água está presente,
que na minha vida algures
há um quadrilátero em volta do reflexo.


(fiama hasse pais brandão)

julho 25, 2009



O Fado nasceu um dia,
quando o vento mal bulia
e o céu o mar prolongava
na amurada dum veleiro,
no peito dum marinheiro
que, estando triste, cantava,
que, estando triste, cantava.

Ai, que lindeza tamanha,
meu chão , meu monte, meu vale,
de folhas, flores, frutas de oiro,
vê se vês terras de Espanha,
areias de Portugal,
olhar ceguinho de choro.

Na boca dum marinheiro
do frágil barco veleiro,
morrendo a canção magoada,
diz o pungir dos desejos
do lábio a queimar de beijos
que beija o ar, e mais nada,
que beija o ar, e mais nada.

Mãe, adeus. Adeus, Maria.
Guarda bem no teu sentido
que aqui te faço uma jura:
que ou te levo à sacristia,
ou foi Deus que foi servido
dar-me no mar sepultura.

Ora eis que embora outro dia,
quando o vento nem bulia
e o céu o mar prolongava,
à proa de outro velero
velava outro marinheiro
que, estando triste, cantava,
que, estando triste, cantava.


José Régio

julho 24, 2009


«La vida es sueño y sueño de un sueño.» (Calderon)

julho 23, 2009

julho 22, 2009

Que diz a delicadeza?



«Que diz a delicadeza?
Diz ao outro que ele foi visto.
Logo, que ele
é

fiama hasse pais brandão

BAIRRO OU GALÁXIA?




Aquele espaço que se repartia
em estreitas ruas ocasionais
depois de o conhecermos
melhor do que os visitantes
e mais do que todas as personagens
era nosso. Sei que havia galáxias
semelhantes. Intensa atracção longínqua
que nos guiava desde o princípio
da vida em que pisávamos
com os pés o empedrado
dessas ruas fantasiosas
do bairro campestre e doméstico.


(fiama hasse pais brandão)