Viveu na Pérsia de 1048 a 1123. Homem de grande cultura e sabedoria: matemático, geómetra, astrónomo e poeta. Foi discípulo de Avicena. Na juventude, escreveu tratados de geometria e álgebra, resolvendo equações de 3º grau.
Conta-se que na sua juventude três companheiros de escola: Nizam Al-Mulk, Hassan Ibn Sabbah e Omar Khayyam fizeram um pacto: o que obtivesse primeiro uma posição de relevo ajudaria os outros. Nizam destacou-se primeiro, como secretário do sultão Alp Arslan. Cumpriu o pacto; deu a Hassan um posto administrativo e atendeu o desejo de Omar: uma pensão vitalícia que lhe permitisse estudar, escrever e levar uma vida sossegada num jardim de delícias terrenas…
Obtida a pensão Omar Khayyam «retira-se para a cidade natal e dedica-se à astronomia, à matemática, à filosofia, à poesia e à amizade, quer dizer ao ócio, tal como Aristóteles entendia a «diagogé»-«ocupação e gozo intelectual e estético como compete ao homem livre».
Mas, Hassan não ficou satisfeito com 'a pouca categoria do cargo' que Nizan lhe deu e rebelou-se, refugiando-se nas montanhas onde desenvolveu uma luta «terrorista» contra as autoridades, originando a terrível seita dos «HASSASSIN» - de onde provém a palavra ocidenta «assassino», dada a técnica do atentado mortal por eles seguida.
Nizam morre assassinado. Os inimigos religiosos de Omar Khayyam sempre o quiseram comprometer como herege e não respeitador dos dogmas da religião muçulmana, tentando ligá-lo a episódios comprometedores.
Na Pérsia Islâmica havia três religiões: o Judaísmo, o Cristianismo e o Zoroastrismo. A cultura de Omar era tocada de todas estas influências a que se sobrepunha uma segura base racional e crítica de origem grega, obtida nos ensinamentos do seu mestre Avicena. Tal cultura torná-lo-ia herético, mas não menos Persa.
A fama ocidental de Omar Khayyam como poeta do vinho é redutora do significado filosófico da sua posição quer como cientista quer como poeta. A sua inquietação poética provém de uma verificação irrecusável: a brevidade da vida humana e a ausência de respostas às perguntas que formula. Daí a valorização de tudo o que possa atenuar o sofrimento ou produzir o prazer. A poesia de Omar Khayyam deve ser lida numa perspectiva em que viver e filosofar têm um só sentido: obter a perenidade do momento que passa:
«Jamais desejei o manto do engano Mas roubaria por um copo de vinho»
[ Transcrição livre do prefácio de E.M. de Melo e Castro, Rubaiyat, ed. Estampa,1990]
A propósito dos 220 anos do 14 Juillet, três hinos
Hino da França (La Marseillaise)
1 Avante, filhos da Pátria, O dia da Glória chegou. O estandarte ensangüentado da tirania Contra nós se levanta. Ouvis nos campos rugirem Esses ferozes soldados? Vêm eles até nós Degolar nossos filhos, nossas mulheres. Às armas cidadãos! Formai vossos batalhões! Marchemos, marchemos! Nossa terra do sangue impuro se saciará!
2 O que deseja essa horda de escravos de traidores, de reis conjurados? Para quem (são) esses ignóbeis entraves Esses grilhões há muito tempo preparados? (bis) Franceses! Para vocês, ah! Que ultraje! Que élan deve ele suscitar! Somos nós que se ousa criticar Sobre voltar à antiga escravidão!
3 Que! Essas multidões estrangeiras Fariam a lei em nossos lares! Que! As falanges mercenárias Arrasariam nossos fiéis guerreiros (bis) Grande Deus! Por mãos acorrentadas Nossas frontes sob o jugo se curvariam E déspotas vis tornar-se-iam Mestres de nossos destinos!
4 Estremeçam, tiranos! E vocês pérfidos, Injúria de todos os partidos, Tremei! Seus projetos parricidas Vão enfim receber seu preço! (bis) Somos todos soldados para combatê-los, Se nossos jovens heróis caem, A França outros produz Contra vocês, totalmente prontos para combatê-los!
5 Franceses, em guerreiros magnânimos, Levem/ carreguem ou suspendam seus tiros! Poupem essas tristes vítimas, que contra vocês se armam a contragosto. (bis) Mas esses déspotas sanguinários Mas esses cúmplices de Bouillé, Todos esses tigres que, sem piedade, Rasgam o seio de suas mães!...
6 Entraremos na batalha Quando nossos antecessores não mais lá estarão. Lá encontraremos suas marcas E o traço de suas virtudes. (bis) Bem menos ciumentos de suas sepulturas Teremos o sublime orgulho De vingá-los ou de segui-los.
7 Amor Sagrado pela Pátria Conduza, sustente nossos braços vingativos. Liberdade, querida liberdade Combata com teus defensores! Sob nossas bandeiras, que a vitória Chegue logo às tuas vozes viris! Que teus inimigos agonizantes Vejam teu triunfo e nossa glória
Allons enfants de la Patrie, Le jour de gloire est arrivé Contre nous de la tyrannie L'étendard sanglant est levé. L'étendard sanglant est levé: Entendez-vous dans les campagnes Mugir ces féroces soldats! Ils viennent jusque dans vos bras Égorger vos fils et vos compagnes. Aux armes citoyens, Formez vos bataillons. Marchons! Marchons! Qu'un sang impur Abreuve nos sillons Que veut cette horde d'esclaves De traîtres, de rois conjurés? Pour qui ces ignobles entraves Ces fers dès longtemps préparés Ces fers dès longtemps préparés Français, pour nous, Ah quel outrage Quel transport il doit exciter! C'est nous qu'on ose méditer De rendre à l'antique esclavage Quoi! Des cohortes étrangères Feraient la loi dans nos foyers! Quoi! Ces phalanges mercenaires Terrasseraient nos fiers guerriers. Terrasseraient nos fiers guerriers. Grand Dieu! Par des mains enchaînées Nos fronts, sous le joug, se ploieraient. De vils despotes deviendraient Les maîtres de nos destinées Tremblez tyrans, et vous perfides L'opprobe de tous les partis. Tremblez, vos projets parricides Vont enfin recevoir leur prix! Vont enfin recevoir leur prix! Tout est soldat pour vous combattre. S'ils tombent nos jeunes héros, La terre en produit de nouveaux Contre vous, tous prêts à se battre Français en guerriers magnanimes Portez ou retenez vos coups. Épargnez ces tristes victimes A regrets s'armant contre nous! A regrets s'armant contre nous! Mais ce despote sanguinaire Mais les complices de Bouillé Tous les tigres qui sans pitié Déchirent le sein de leur mère! Amour Sacré de la Patrie Conduis, soutiens nos braves vengeurs. Liberté, Liberté chérie Combats avec tes défenseurs Combats avec tes défenseurs Sous nos drapeaux, que la victoire Accoure à tes mâles accents Que tes ennemis expirants Voient ton triomphe et nous, notre gloire (« Couplet des enfants ») Nous entrerons dans la carrière Quand nos aînés n'y seront plus Nous y trouverons leur poussière Et la trace de leur vertus! Et la trace de leur vertus! Bien moins jaloux de leur survivre Que de partager leur cercueil. Nous aurons le sublime orgueil De les venger ou de les suivre Aux armes citoyens, Formez vos bataillons. Marchons! Marchons! Qu'un sang impur Abreuve nos sillons
A Internacional
De pé, ó vitimas da fome! De pé, famélicos da terra! Da idéia a chama já consome A crosta bruta que a soterra. Cortai o mal bem pelo fundo! De pé, de pé, não mais senhores! Se nada somos neste mundo, Sejamos tudo, oh produtores!
Bem unido façamos, Nesta luta final, Uma terra sem amos A Internacional
Senhores, patrões, chefes supremos, Nada esperamos de nenhum! Sejamos nós que conquistemos A terra mãe livre e comum! Para não ter protestos vãos, Para sair desse antro estreito, Façamos nós por nossas mãos Tudo o que a nós diz respeito!
Bem unido façamos, Nesta luta final, Uma terra sem amos A Internacional
Crime de rico a lei cobre, O Estado esmaga o oprimido. Não há direitos para o pobre, Ao rico tudo é permitido. À opressão não mais sujeitos! Somos iguais todos os seres. Não mais deveres sem direitos, Não mais direitos sem deveres!
Bem unido façamos, Nesta luta final, Uma terra sem amos A Internacional
Abomináveis na grandeza, Os reis da mina e da fornalha Edificaram a riqueza Sobre o suor de quem trabalha! Todo o produto de quem sua A corja rica o recolheu. Querendo que ela o restitua, O povo só quer o que é seu!
Bem unido façamos, Nesta luta final, Uma terra sem amos A Internacional
Nós fomos de fumo embriagados, Paz entre nós, guerra aos senhores! Façamos greve de soldados! Somos irmãos, trabalhadores! Se a raça vil, cheia de galas, Nos quer à força canibais, Logo verá que as nossas balas São para os nossos generais!
Bem unido façamos, Nesta luta final, Uma terra sem amos A Internacional
Pois somos do povo os ativos Trabalhador forte e fecundo. Pertence a Terra aos produtivos; Ó parasitas deixai o mundo Ó parasitas que te nutres Do nosso sangue a gotejar, Se nos faltarem os abutres Não deixa o sol de fulgurar!
Bem unido façamos, Nesta luta final, Uma terra sem amos A Internacional
Debout , les damnés de la terre Debout , les forçats de la faim La raison tonne en son cratère , C'est l'éruption de la faim. Du passé faisons table rase , Foule esclave , debout , debout Le monde va changer de base , Nous ne sommes rien , soyons tout. C'est la lutte finale ; Groupons nous et demain L'Internationnale Sera le genre humain. Il n'est pas de sauveurs suprêmes Ni Dieu , ni César , ni Tribun , Producteurs , sauvons-nous nous-mêmes Décrètons le salut commun . Pour que le voleur rende gorge , Pour tirer l'esprit du cachot , Souflons nous-même notre force , Battons du fer tant qu'il est chaud. L'Etat comprime et la Loi triche , L'impôt saigne le malheureux ; Nul devoir ne s'impose au riche ; Le droit du pauvre est un mot creux C'est assez languir en tutelle , L'Egalité veut d'autres lois ; " Pas de droits sans devoirs , dit-elle Egaux pas de devoirs sans droits ". Hideux dans leur apothéose , Les rois de la mine et du rail Ont-ils jamais fait autre chose Que dévaliser le travail ? Dans les coffres-forts de la banque Ce qu'il a crée s'est fondu , En décrétant qu'on le lui rende , Le peuple ne veut que son dû. Les rois nous saoûlaient de fumée , Paix entre nous , guerre aux Tyrans Appliquons la grève aux armées , Crosse en l'air et rompons les rangs ! S'ils s'obstinent ces cannibales A faire de nous des héros , Ils sauront bientôt que nos balles Sont pour nos propres généraux. Ouvriers , paysans , nous sommes Le grand parti des travailleurs , La terre n'appartient qu'aux hommes, L'oisif ira loger ailleurs . Combien de nos chairs se repaissent ! Mais si les corbeaux , les vautours , Un de ces matins disparaissent , Le soleil brillera toujours.
A Portuguesa
Heróis do mar, nobre povo, Nação valente, imortal, Levantai hoje de novo O esplendor de Portugal! Entre as brumas da memória, Ó Pátria sente-se a voz Dos teus egrégios avós, Que há-de guiar-te à vitória!
Às armas, às armas! Sobre a terra, sobre o mar, Às armas, às armas! Pela Pátria lutar Contra os canhões marchar, marchar!
Desfralda a invicta Bandeira, À luz viva do teu céu! Brade a Europa à terra inteira: Portugal não pereceu Beija o solo teu jucundo O Oceano, a rugir d'amor, E teu braço vencedor Deu mundos novos ao Mundo!
Às armas, às armas! Sobre a terra, sobre o mar, Às armas, às armas! Pela Pátria lutar Contra os canhões marchar, marchar!
Saudai o Sol que desponta Sobre um ridente porvir, Seja o eco de uma afronta O sinal do ressurgir. Raios dessa aurora forte São como beijos de mãe, Que nos guardam, nos sustêm, Contra as injúrias da sorte.
Às armas, às armas! Sobre a terra, sobre o mar, Às armas, às armas! Pela Pátria lutar Contra os canhões marchar, marchar!
Escuta o que a Sabedoria Está dizer-te o dia inteiro: “Nada tens de comum com as plantas, Que rebrotam quando podadas.” Nenhum proveito trouxe ao Universo o meu Nascimento. Não o mudará na imensidade Nem no esplendor a minha morte. Quem me explica Porque vim a este mundo e hei-de um dia ir-me embora?
Omar Khayyam, Rubaiyat
julho 12, 2009
Gota de água que cai e se perde no mar, Grão de poeira que se funde na terra. O que significa a nossa passagem neste mundo? Um vil insecto apareceu, depois desapareceu.
Omar Khayyam, Rubaiyat
julho 11, 2009
Nada, eles nada sabem, nada querem saber. Repara nestes ignorantes, eles dominam o mundo. Se não te lhes juntas, chamam-te incréu. Não lhes ligues, Khayyam, segue o teu caminho.
Omar Khayyam, Rubaiyat
julho 10, 2009
Perguntas-me donde vem o nosso sopro de vida. Se me coubesse resumir uma mui longa história, Eu diria que ele surge do fundo do oceano, E depois de súbito o oceano o engole de novo. Omar Khayyam, Rubaiyat
julho 09, 2009
Rabi Khan, Moment Before the Kiss
De súbito, o Céu furta-te o próprio instante De que precisas para humedecer os lábios.
Omar Khayyam, Rubaiyat
julho 08, 2009
Victor Meirelles, Moema, 1866.
Ergue-te, temos a eternidade para dormir!
Omar Khayyam, Rubaiyat
julho 07, 2009
O que restará amanhã dos escritos dos sábios? Só o mal que eles disseram dos que os precederam. Tal é a lei da ciência; a poesia não conhece semelhante lei, ela nunca nega o que a precedeu e nunca é negada pelo que a segue, ela atravessa os séculos na maior quietude. É por isso que eu escrevo os meus rubaiyat.
Omar Khayyam, Rubaiyat
julho 06, 2009
Sobre a Terra variegada caminha um homem, Nem rico nem pobre, nem crente nem infiel, Ele não corteja verdade alguma, Não venera nenhuma lei… Sobre a Terra variegada, Quem é este homem bom e triste?
Omar Khayyam, Rubaiyat
julho 05, 2009
De quando em vez um homem ergue-se neste mundo, Estadeia a sua fortuna e proclama: sou eu! A sua glória vive o espaço de um sonho falido, Já a morte se ergue e proclama: sou eu!
Omar Khayyam, Rubaiyat
julho 04, 2009
Sabes o que me fascina nas ciências? É o facto de aí encontrar a poesia suprema: com a matemática, a embriagante vertigem dos números; com a astronomia, o enigmático murmúrio do Universo. Mas, por favor, não me venham falar de verdade!
Omar Khayyam, Rubaiyat
julho 03, 2009
A vida é como um incêndio. Chamas que o passante olvida, Cinzas que o vento dispersa, Um homem viveu.
Omar Khayyam, Rubaiyat
julho 02, 2009
O vinho te dará calor; das neves Do passado e das brumas do futuro Te aliviará; te inundará de luz; Teus ferros quebrará de prisioneiro.
Omar Khayyam, Rubaiyat
julho 01, 2009
Que homem jamais transgrediu a Tua Lei, diz-me! Uma vida sem pecado, que gosto tem ela, diz-me! Se punes pelo mal o mal que eu fiz, Qual é a diferença entre Ti e mim, diz-me!
Omar Khayyam, Rubaiyat
junho 30, 2009
Do Fio de Ariadne chegou a este blog experimental o prémio LEMNISCATA por amável escolha da Ana Paula cuja distinção me honra e enche a alma do prazer de existir muito para lá do ler experimentado deste modesto blog :)
Eis o texto oficial relativo ao prémio:
O blog Fio de Ariadne atribuiu o prémio Lemniscata
ao blog experimental
“O selo deste prémio foi criado a pensar nos blogs que demonstram talento, seja nas artes, nas letras, nas ciências, na poesia ou em qualquer outra área e que, com isso, enriquecem a blogosfera e a vida dos seus leitores."
Sobre o significado de LEMNISCATA: “curva geométrica com forma semelhante à de um 8; lugar geométrico dos pontos tais que o produto das distâncias a dois pontos fixos é constante.”
Lemniscato: ornado de fitas; Do grego Lemniskos, do latim, Lemniscu: fita que pendia das coroas de louro destinadas aos vencedores (In Dicionário da Língua Portuguesa, Porto Editora).
Acrescento que o símbolo do infinito é um 8 deitado, em tudo semelhante a esta fita, que não tem interior nem exterior, tal como no anel de Möbius, que se percorre infinitamente. (Texto da editora de “Pérola da cultura”.)
Do blog da Sol, recolho a menção de várias curvas resultantes de várias equações :):
> a Lemniscata de Bernoulli - (x^2 + y^2)^2 = 2a^2 (x^2 - y^2)
> a Lemniscata de Booth - (x^2 + y^2)^2 +4y^2 =4c(x^2 - y^2)
> a Lemniscata de Gerono – x^4 - x^2 + y^2 = 0
De acordo com as regras, este prémio é para ser atribuído a 7 blogues, os quais nomeio a seguir:
Flores do céu deixam cair as suas pétalas. Como não está já o meu jardim coberto delas? E como o céu espalha flores sobre a terra, Verto eu também vinho rosado em minha taça.
Omar Khayyam, Rubaiyat
junho 29, 2009
imagem in blog miltongama
O vinho te dará calor; das neves Do passado e das brumas do futuro Te aliviará ; te inundará de luz; Teus ferros quebrará de prisioneiro.
Omar Khayyam, Rubaiyat
junho 28, 2009
imagem in blog miltongama
Cairemos na estrada do Amor E o Destino nos pisará . Ergue-te, moça, ó linda taça! Beija-me antes que eu seja pó.
Aprendi muito, esqueci muito Também, e por vontade própria. Em minha mente cada coisa Estava sempre em seu lugar. Não cheguei à paz senão quando Tudo rejeitei com desprezo. Compreendera enfim que é impossível Tanto afirmar como negar. Omar Khayyam, Rubaiyat